A Residência Arrastão é um projeto da Cia Etra, de Santos, que tem o objetivo de levar uma experiência artística corporal coletiva para artistas locais e para o público. Depois de passar pela capital do estado, São Paulo, e por Araraquara e Campinas, no interior, o projeto chega à baixada santista como uma grande oportunidade de desenvolvimento e valorização da cena artística local. As inscrições estão abertas até 21 de fevereiro para maiores de 18 anos, com vagas afirmativas para Pessoas com Deficiência, indígenas, negras, mães solo, pessoas trans ou travestis. Não há a necessidade de ser profissional, mas sim ter alguma vivência em artes do corpo, dança ou performance. Serão 10 pessoas selecionadas que participarão da residência de cinco dias e seis apresentações em espaços públicos.
“O objetivo da Cia Etra é proporcionar uma experiência coletiva de criação na Residência Arrastão. Serão cinco dias reunidos com os artistas selecionados e depois acontecerão as apresentações com o resultado desse aprendizado. O formato de residência não nos deixa fechados em uma única proposta, artistas diversos enriquecem a experiência e a performance nunca é igual nas cidades em que passamos. É isso que faz com que o projeto Arrastão seja tão atemporal e rico no sentido artístico e estético. Se torna uma construção conjunta de troca, pois ela também abriga e acolhe as demandas dos artistas locais que estão participando da residência”, explica Ariadne Fernandes, diretora geral da Cia Etra.
Durante a Residência Arrastão, que acontecerá de 24 a 28 de fevereiro na Unifesp, no centro de Santos, serão compartilhadas as metodologias e pesquisas desenvolvidas pela Cia Etra ao longo de 25 anos de trabalho. Isso inclui práticas de dança, ensaios, trocas de conhecimento e a recriação da performance Arrastão, facilitadas pelos artistas Ariadne Fernandes, Jandé Potyguara, Tamara Sayumi, Juliana Melhado e Rodney. Ao final do processo, serão realizadas apresentações abertas ao público em Santos, Cubatão e São Vicente.
As inscrições devem ser feitas pelo link: https://forms.gle/5fZ5T6S59yNe8Twt5
Valorização da arte e geração de renda
O projeto Residência Arrastão viabilizado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural, com apoio da Lei Paulo Gustavo, visa valorizar o artista local, propondo não apenas a cultura como entretenimento, mas também desenvolvimento da cena artística de cada cidade com a remuneração dos participantes.
“Nós quisemos sair do nosso núcleo local da companhia e expandir as possibilidades da arte para outros artistas e entusiastas da dança. Esse compartilhar de procedimentos é uma forma de descentralizar a verba, entrar nesse lugar do acolhimento dos artistas, gerando renda nas cidades por onde estamos passando. Isso possibilita a inclusão daqueles que que não teriam como participar sem remuneração e torna toda a experiência mais forte e rica”, explica Ariadne.
Dez participantes serão selecionados em uma aula aberta no dia 23 de fevereiro e receberão um cachê de R$ 1 mil reais ao final do projeto.
Arrastão: coletivo de corpos e conexão com o mundo contemporâneo
A performance Arrastão, que será construída durante a residência, é uma apresentação para espaços públicos que mostrará a manifestação de corpos únicos como uma força coletiva. O grupo ocupa a cidade em deslocamento coletivo, transformando ruas em palco. A obra evidencia a diversidade de corpos, origens e identidades, ao mesmo tempo em que destaca a figura do artista como um corpo ainda deslocado no contexto urbano. Com ações inspiradas em flash mobs, danças, corridas, cantos e interações diretas com o público, a performance se estrutura de forma não linear, refletindo sobre o direito de ocupar o espaço público e sobre a arte como experiência compartilhada.
Um dos elementos centrais de Arrastão é o uso do celular pelos próprios artistas, espelhando o hábito dos observadores de registrar antes de apreciar. Ele é incorporado de forma coreográfica trazendo a necessidade da validação social “para as redes”. Dirigida a partir de uma estrutura-base corporal, a obra se recria em cada cidade, incorporando demandas, vivências e questões urgentes dos artistas locais, como violências contra mulheres, pessoas trans e minorias.É uma criação coletiva que transforma o espetáculo de acordo com cada cidade que passa, buscando romper a indiferença do passante e, ao final, converter o deslocamento coletivo em uma espécie de festa pública — um convite à convivência, ao dissenso e à imaginação de outras formas possíveis de viver a cidade.
Projeto Arrastão – Baixada Santista:
Para quem é?
Pessoas diversas a partir de 18 anos que já tenham alguma vivência com o corpo, dança, performance ou técnicas corporais.
Vagas Afirmativas (prioridade):
Pessoas com deficiência (PCDs), indígenas, negras, mães solo, pessoas trans e travestis.
Inscrições até 21/02 — Residência Artística Arrastão: https://forms.gle/aiLiMuETmbxUZ3LE9
Aula Aberta – Seleção: 23 de fevereiro, das 18h00 às 21h30.
Residência:
De 24 a 27 de fevereiro, das 18h00 às 21h30
Dia 28 de fevereiro das 10h às 12h.
Local: Unifesp – Campus Centro.
Apresentações*:
28 de fevereiro (2 sessões) – Santos.
01 de março – (2 sessões) – Santos.
07 de março – Cubatão.
08 de março – São Vicente.
*Datas e locais sujeitos à alteração.
Informações:
Instagram: https://www.instagram.com/ciaetradedanca/
email: [email protected]
Sobre a Cia Etra: Fundada em 2001 por Ariadne Fernandes e Jandé Potyguara, a Cia Etra atua há 25 anos na dança contemporânea, integrando criação, pesquisa e formação. Com raízes no Ceará e sede em Santos/SP desde 2009, investiga o corpo como território de resistência e transformação. Reconhecida por editais como o Prêmio Klauss Vianna (Funarte) e ProAC, reúne mais de 20 obras no repertório e mantém forte atuação pedagógica em parceria com instituições culturais e educacionais.
Fonte: BS9


