O ministro Alexandre de Moraes apreciará no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido que solicita a suspensão de um pagamento extra a policiais do Rio por criminosos “neutralizados”, chamada de “gratificação faroeste” pelos críticos. A relatoria foi designada para Moraes pela proximidade do tema com a chamada ADPF das Favelas.
Na ação, protocolada na terça-feira (20) pelo PSOL, o partido contesta até mesmo a validade constitucional do termo “neutralização”, que feriria a “dignidade humana”. A legenda pede a suspensão urgente da gratificação.
“O dispositivo é inconstitucional na forma e no conteúdo”, afirma o PSOL, que classificou o bônus de “incentivo financeiro à violência policial”.
VEJA TAMBÉM:
Moraes assume ADPF das Favelas e pede parecer da PGR sobre operação no Rio

Polícia do Rio ataca finanças do CV em nova fase da Operação Contenção
Entenda
Aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no ano passado, a lei prevê o pagamento de uma premiação em dinheiro, por mérito especial. O pagamento pode variar de 10% a 150% dos vencimentos do policial civil em duas situações específicas: apreensão de armas de grande calibre ou de uso restrito durante operações policiais e casos de “neutralização de criminosos”.
O governador havia vetado o retorno da gratificação no dia 23 de outubro de 2025. Castro usou como argumento a criação de novas despesas, em desacordo com as regras constitucionais e com o Regime de Recuperação Fiscal, ao qual o Rio de Janeiro está submetido.
Lei de 1998 extinguiu gratificação
A chamada “gratificação faroeste” foi criada pela primeira vez em 1995, durante a gestão do governador Marcello Alencar. À época, o bônus previa pagamentos de 10% a 120% para policiais civis e militares, além de bombeiros, por atos de bravura. Em 1998, o deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) apresentou e aprovou uma lei que extinguiu o benefício, ao considerar que a medida incentivava a violência.
Após a derrubada do veto, Minc voltou a se manifestar publicamente contra a gratificação. Em publicação na rede social X, o deputado estadual classificou a decisão da Alerj como um “escárnio”.
Minc afirmou que a revogação, à época, ocorreu após um estudo solicitado por ele a um grupo de pesquisadores. De acordo com Minc, a pesquisa apontou cerca de 2.500 mortes após a implementação da gratificação, sendo 65% delas execuções.
“Recentemente, aprovam de novo, sem dizer qual seria o impacto financeiro disso, nem de onde viria esse recurso. A Constituição obriga a apresentação do impacto financeiro e da fonte de custeio”, criticou.
Fonte: Revista Oeste



