{"id":9382,"date":"2025-04-01T08:10:10","date_gmt":"2025-04-01T11:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mussicom.com\/agora-nao-tenho-mais-medo\/"},"modified":"2025-04-01T08:10:10","modified_gmt":"2025-04-01T11:10:10","slug":"agora-nao-tenho-mais-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/agora-nao-tenho-mais-medo\/","title":{"rendered":"\u2018Agora n\u00e3o tenho mais medo\u2019"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>\u201cMiss\u00e3o cumprida, gra\u00e7as a Deus, meu Deus do c\u00e9u. T\u00e1 chegando a hora\u201d, celebra <strong>Marina Sena<\/strong>\u00a0em entrevista \u00e0 <em><strong>Rolling Stone Brasil<\/strong><\/em> concedida pouco mais de uma semana antes do terceiro disco de est\u00fadio solo, intitulado <em><strong>Coisas Naturais<\/strong><\/em> (2025), nas plataformas digitais.<\/p>\n<p>A carreira solo de <strong>Marina<\/strong> veio como um verdadeiro furac\u00e3o. Ap\u00f3s passagens por <strong>A Outra Banda da Lua<\/strong> e <strong>Rosa Neon<\/strong>, a cantora mineira iniciou a carreira solo em grande estilo com o lan\u00e7amento do \u00e1lbum <em><strong>De Primeira<\/strong><\/em> (2021), que fez sucesso com m\u00fasicas como \u201c<strong>Por Supuesto<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Voltei Pra Mim<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, ela conquistou muito. Foram shows pelo Brasil e mundo afora, parcerias com grandes artistas, sucesso musical, extensas turn\u00eas, reconhecimento internacional e muito mais. Ap\u00f3s o lan\u00e7amento do segundo disco solo, <em><strong>V\u00edcio Inerente<\/strong><\/em> (2023), <strong>Marina<\/strong> se perguntava sobre o que faria: montar uma nova banda ou um projeto \u00e0 parte?\u201d<\/p>\n<p>\u201cQuem \u00e9 criativo sabe como \u00e9. A gente precisa de umas revolu\u00e7\u00f5es na vida, de uma chama acesa dentro de voc\u00ea para realmente fazer uma coisa que voc\u00ea acredita\u201d, ponderou. \u201cCom t\u00e9cnica, voc\u00ea consegue fazer o b\u00e1sico, mas, para realmente criar algo que alimente sua alma, \u00e9 preciso estar com a chama bem acesa\u201d.<\/p>\n<p>Como solu\u00e7\u00e3o, a artista decidiu trazer pessoas para perto com o intuito de tirar melhor proveito art\u00edstico. Entre eles est\u00e3o <strong>Andr\u00e9 Oliva<\/strong> e <strong>Matheus Bragan\u00e7a<\/strong>, que formaram <em><strong>A Outra Banda da Lua<\/strong><\/em> com ela, e o produtor musical <strong>Janluska<\/strong>. <strong>Marina<\/strong> j\u00e1 tinha algumas m\u00fasicas do disco novo no viol\u00e3o, instrumento fundamental para ela, como \u201c<strong>Numa Ilha<\/strong>\u201d, \u201c<strong>Ouro de Tolo<\/strong>\u201d e \u201c<strong>M\u00e1gico<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Para recalcular essa rota, a cantora alugou um s\u00edtio perto da cidade de S\u00e3o Paulo, onde mora, e montou uma banda na sala, com os melhores equipamentos poss\u00edveis. Ao longo de 10 dias, enquanto repousava de uma cirurgia simples, ela focou completamente em fazer m\u00fasica. Mais tarde, essa viagem resultaria em <em><strong>Coisas Naturais<\/strong><\/em>.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Foi realmente um sonho realizado, porque quando comecei a cantar profissionalmente, meu maior sonho era fazer isso com <strong>A<\/strong><strong>Outra Banda na Lua<\/strong>. Era o sonho da nossa vida poder emergir mesmo dessa forma.<\/p><\/blockquote>\n<p>A rotina era bem tranquila: acordava \u00e0s oito da manh\u00e3 e j\u00e1 recebia dos amigos alguns acordes de guitarra, linha de bateria e percuss\u00e3o e uma base de synth. \u201cDe repente, eu estava escutando ali a manh\u00e3 inteira. Quando era meio-dia, eu j\u00e1 tinha uma melodia. Quando eram duas horas da tarde, eu j\u00e1 tinha uma letra, sabe?\u201d, relembrou. \u201c\u00c9 muito importante para mim que a m\u00fasica flua e eu n\u00e3o tenha muitos limites para faz\u00ea-la. Que a m\u00fasica esteja realmente nesse ambiente mais fluido\u201d.<\/p>\n<p><iframe allowfullscreen=\"allowfullscreen\" frameborder=\"0\" height=\"352\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/2PRDU8Oeb9f0lpgSjbaJXE?utm_source=generator\" style=\"border-radius: 12px;\" width=\"100%\"><\/iframe><\/p>\n<h2>Vibe paradis\u00edaca cercada de amor e uma sonoridade s\u00f3lida<\/h2>\n<p>O tom de <em><strong>Coisas Naturais<\/strong><\/em> \u00e9 paradis\u00edaco, especialmente guiado pelo videoclipe psicod\u00e9lico de \u201c<strong>Numa Ilha<\/strong>\u201d, primeiro single desta nova era de <strong>Marina Sena<\/strong>. A inten\u00e7\u00e3o dela foi trazer a sensa\u00e7\u00e3o de Am\u00e9rica do Sul, seja no som ou na est\u00e9tica visual.<\/p>\n<p>\u201cFoi um trabalho que fiz comigo mesma, de me colocar nesse lugar, principalmente por ser do interior, e a Am\u00e9rica Latina \u00e9 o interior, n\u00e9? Tem mais interior do que qualquer outra coisa na Am\u00e9rica Latina\u201d, disse. \u201cTem muita gente que se comunica no mesmo lugar, que compreende e valoriza as mesmas coisas, com tradi\u00e7\u00f5es, comportamentos e cosmovis\u00e3o parecidos\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo das 13 faixas, a diva do pop brasileiro passeia por diversos g\u00eaneros musicais e n\u00e3o tem medo de explorar ou, como a pr\u00f3pria diz, brincar com esses estilos diferentes, que passam pela MPB, bossa nova, brega em \u201c<strong>Lua Cheia<\/strong>\u201d, Lo-Fi em \u201c<strong>Sensei<\/strong>\u201d, reggae em \u201c<strong>Combo da Sorte<\/strong>\u201d e reggaeton em \u201c<strong>Do\u00e7ura<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Esse vasto leque sonoro \u00e9 natural para a mineira, que se considera ecl\u00e9tica e preza por m\u00fasica genuinamente boa: \u201cN\u00e3o tenho muita prefer\u00eancia de ritmo. Para mim, em qualquer ambiente voc\u00ea pode ter esse tipo de personalidade. N\u00e3o fa\u00e7o distin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Mas, minhas escolhas r\u00edtmicas t\u00eam normalmente a ver com coisas que me atravessam e s\u00e3o extremamente brasileiras, ou coisas que s\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e entram no Brasil, de certa forma como estrangeiras, mas s\u00e3o abrasileiradas aqui, sabe?<\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image align-left\"><figcaption>Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)<\/figcaption><\/figure>\n<p>As m\u00fasicas de <em><strong>Coisas Naturais<\/strong><\/em> se entrela\u00e7am com o t\u00f3pico do amor, que \u00e9 discutido de diversas formas e usado como um pano de fundo para Marina contar a hist\u00f3ria das respectivas faixas.<\/p>\n<p>\u201cGosto sempre de colocar uma paisagem atr\u00e1s da hist\u00f3ria, sabe? Tem uma hist\u00f3ria acontecendo, mas tem uma paisagem atr\u00e1s dela, para n\u00e3o ficar focado apenas na hist\u00f3ria. Por exemplo, em \u201c<strong>Numa Ilha<\/strong>\u201d, voc\u00ea n\u00e3o foca s\u00f3 no amor, mas no fato de ter uma ilha, um mar e da sensa\u00e7\u00e3o do vento\u201d, explicou. \u201cVoc\u00ea foca nas outras sensa\u00e7\u00f5es que esse ambiente traz\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>&#8220;Onde esse amor est\u00e1? Na sala da casa? Na praia? \u00c9 tentar compreender todas as faces do amor. Tem um momento de paix\u00e3o, tem aquele momento que voc\u00ea precisa sair fora. \u00c0s vezes a pessoa nem \u00e9 ruim, mas voc\u00ea precisa sair porque voc\u00ea tem que ver outras coisas. Ent\u00e3o o amor nem \u00e9 o foco. O foco \u00e9 a minha liberta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<h2>Marina Sena encontra sua melhor vers\u00e3o: \u2018Essa \u00e9 a Marina I, vamos dizer\u2019<\/h2>\n<p>Antes de produzir oficialmente <em><strong>Coisas Naturais<\/strong><\/em>, <strong>Marina<\/strong> sentia falta da vers\u00e3o dela que fazia parte d\u2019<strong>A Outra Banda da Lua<\/strong>: \u201cCorajosa, destemida e muito sangue no olho. Uma for\u00e7a, uma coisa da terra, do norte de Minas que adoro e amo\u201d. Segundo a cantora, ela conseguiu resgatar essa faceta que descobriu quando fazia parte do grupo.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, nesse momento dessa descoberta, eu tava muito pura, muito&#8230; nem a\u00ed para nada, absolutamente nada\u201d, disse. \u201cEu s\u00f3 queria entregar aquela arte. E \u00e9 assim que tem que ser. Sentia falta e precisava resgatar ela ali. Consegui fazer sentido nessa hist\u00f3ria toda que eu t\u00f4 contando com esses tr\u00eas \u00e1lbuns\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Agora me d\u00e1 um respiro, um g\u00e1s, para seguir quando voc\u00ea pega a matriz e trabalha nela.<\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)\" height=\"516\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/marina-sena-cantora-coisas-naturais-album-entrevista-foto-gabriela-schmdt-2.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)<\/figcaption><\/figure>\n<hr\/>\n<h2>Abaixo, leia a entrevista de Marina Sena com a Rolling Stone Brasil na \u00edntegra:<\/h2>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Voc\u00ea se prepara para lan\u00e7ar seu terceiro disco solo da carreira. Eu queria entender um pouco mais sobre a hist\u00f3ria dele: quando ele surgiu? Como foi o processo criativo dele?<\/strong><br \/>Passei um tempo pensando sobre o que faria ap\u00f3s V\u00edcio Inerente. Pensei v\u00e1rias coisas, at\u00e9 em montar uma banda num momento. Eu falei: \u201cSer\u00e1 que fa\u00e7o uma banda? E fa\u00e7o um projeto \u00e0 parte?\u201d Porque quem \u00e9 criativo sabe como \u00e9. A gente precisa de umas revolu\u00e7\u00f5es na vida, de uma chama acesa dentro de voc\u00ea para realmente fazer uma coisa que voc\u00ea acredita.<\/p>\n<p>Com t\u00e9cnica, voc\u00ea consegue fazer o b\u00e1sico, mas, para realmente criar algo que alimente sua alma, \u00e9 preciso estar com a chama bem acesa. E a\u00ed pensei: \u201cO que fa\u00e7o? Ser\u00e1 que monto uma banda, fa\u00e7o um projeto \u00e0 parte? Enfim, penso outra coisa para fazer e alimentar a minha criatividade?\u201d N\u00e3o precisei montar uma banda, mas eu trouxe pessoas para perto de mim que tiram o melhor de mim.<\/p>\n<p>Ao lado dessas pessoas, consigo entrar exatamente nesse estado de entrega total \u00e0 arte, o que faz com que coisas que amo fluam naturalmente. Que \u00e9 Andr\u00e9 [Oliva] e Matheus [Bragan\u00e7a], que s\u00e3o d\u2019A Outra Banda Da Lua, minha primeira banda. S\u00e3o duas pessoas que convidei para perto de mim para fazer esse \u00e1lbum. E Janluska, meu produtor musical nesse \u00e1lbum, \u00e9 uma pessoa com a qual me entendi muito. Tivemos realmente um encontro muito legal.<\/p>\n<p>Fiz o primeiro camp. J\u00e1 estava com umas m\u00fasicas no viol\u00e3o, tinha umas tr\u00eas m\u00fasicas. \u201cNuma Ilha\u201d, \u201cOuro de Tolo\u201d e \u201cM\u00e1gico\u201d. Aluguei um s\u00edtio perto de S\u00e3o Paulo, montei uma banda na sala. Eu acho que \u00e9 o sonho de qualquer pessoa que tem banda, com os melhores equipamentos, capta\u00e7\u00e3o e tudo.<br \/>Tudo podendo ser captado. Se a gente quisesse gravar um \u00e1lbum dali, consegu\u00edamos gravar um ao viv\u00e3o ali, sabe? Bem gravado, com qualidade. Essa coisa boa de ter recurso, n\u00e9? Nossa, muito bom ter recurso!<\/p>\n<p>E foi realmente um sonho realizado, porque quando comecei a cantar profissionalmente, meu maior sonho era fazer isso com A Outra Banda na Lua. Era o sonho da nossa vida poder emergir mesmo dessa forma. Fiquei dez dias nesse s\u00edtio, que era o tempo de um repouso que eu tinha, de uma cirurgia simples que eu tinha feito, n\u00e3o precisava tanto ficar deitada. Ent\u00e3o eu falei: \u201cPronto, 10 dias agora fazendo m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p>Fiquei muito imersa ali nessa coisa com os meninos. Foi Miguel tamb\u00e9m, baterista, e Thain\u00e3 na percuss\u00e3o. E outros amigos foram l\u00e1, que s\u00e3o pessoas que tiram o melhor de mim e s\u00e3o super importantes.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos muito a m\u00fasica ali. Eu acordava oito horas da manh\u00e3, Dedeco j\u00e1 estava com uma guitarra fazendo um mantra l\u00e1. A\u00ed j\u00e1 chegava o Miguel e colocava a bateria, Thain\u00e3 colocava a percuss\u00e3o e Janluska colocava um synth. De repente, eu estava escutando ali a manh\u00e3 inteira. Quando era meio-dia, eu j\u00e1 tinha uma melodia. Quando eram duas horas da tarde, eu j\u00e1 tinha uma letra, sabe?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a m\u00fasica aconteceu de uma forma muito fluida\u2026 \u00e9 o cotidiano, sabe? E isso \u00e9 muito importante para mim: que a m\u00fasica flua e eu n\u00e3o tenha muitos limites para faz\u00ea-la. Que a m\u00fasica esteja realmente nesse ambiente mais fluido. Na \u00e9poca que eu estava n\u2019A Outra Banda da Lua, ela era exatamente isso, estava exatamente nesse lugar mais fluido.<\/p>\n<p>Depois que tudo aconteceu na minha carreira, eu n\u00e3o tive tanto tempo. Como Fernanda Torres disse, tudo vira look, toda hora \u00e9 um look. \u00c9 isso que vira o neg\u00f3cio.\u00a0 Precisei lutar para trazer mais din\u00e2mica para a minha vida e conseguir colocar a m\u00fasica nesse lugar de novo, de mais fluidez. E isso aconteceu nesse ano! Consegui colocar exatamente onde \u00e9 que eu ia criar, o tempo que eu ia criar e o tempo que eu ia \u00e0 estrada ou fazer as coisas que eu tinha que fazer para alimentar a m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Mas eu tive bastante tempo para criar&#8230; \u00d3cio criativo, vamos dizer. Eu tive bastante tempo para criar, bastante tempo para deixar a m\u00fasica acontecer. Sem muita press\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Incr\u00edvel. Foi uma grande miss\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e9? J\u00e1 tudo planejado, que legal<\/strong><br \/>Uma grande miss\u00e3o, nossa. Uma del\u00edcia, sim.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Cumprida? Ou ainda n\u00e3o sabe?<\/strong><br \/>Miss\u00e3o cumprida, gra\u00e7as a Deus, meu Deus do c\u00e9u!<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Voc\u00ea falou de estar reunida com o pessoal d\u2019A Outra Banda da Lua, n\u00e9? Como foi ter essa&#8230; n\u00e3o sei se necessariamente reencontro, porque imagino que voc\u00eas deviam manter esse contato, mas esse reencontro art\u00edstico, de estar ali com eles. Meio que uma vibe nost\u00e1lgica, talvez?<\/strong><br \/>A Marina que eu era n\u2019A Outra Banda da Lua \u00e9 uma das Marinas que mais amo. Porque \u00e9 corajosa, destemida e muito sangue no olho. Uma for\u00e7a, uma coisa da terra, do norte de Minas que adoro e amo. Senti um pouco de falta dessa Marina, d\u2019A Outra Banda da Lua. E eu procurava formas, inclusive, de como trazer ela, como que eu fa\u00e7o isso fazer sentido aqui.<\/p>\n<p>Acho que consegui fazer sentido nesse \u00e1lbum, inclusive, porque eu vejo em muitos momentos a Marina d\u2019A Outra Banda da Lua nesse \u00e1lbum. E isso era importante para mim, sabe? Porque essa \u00e9 a Marina I, vamos dizer. Eu sinto que, a partir do momento que estive n\u2019A Outra Banda da Lua, eu nunca mais fui a mesma. Descobri uma coisa que eu nunca tinha descoberto sobre mim, dentro dessa banda. Uma for\u00e7a interior, meus talentos, minhas habilidades, minhas capacidades, eu descobri dentro dessa banda.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nesse momento dessa descoberta, eu tava muito pura, muito&#8230; nem a\u00ed para nada, absolutamente nada. Eu s\u00f3 queria entregar aquela arte. E \u00e9 assim que tem que ser. Sentia falta e precisava resgatar ela ali. Consegui fazer sentido nessa hist\u00f3ria toda que eu t\u00f4 contando com esses tr\u00eas \u00e1lbuns.<\/p>\n<p>Agora me d\u00e1 um respiro, um g\u00e1s, para seguir quando voc\u00ea pega a matriz e trabalha nela.<\/p>\n<figure class=\"image align-right\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)\" height=\"484\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/marina-sena-cantora-coisas-naturais-album-entrevista-foto-gabriela-schmdt-3.jpg\" width=\"387\"\/><figcaption>Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Eu sinto que ele tem uma vibe muito paradis\u00edaca, com muita influ\u00eancia de m\u00fasica latina. Quais sensa\u00e7\u00f5es voc\u00ea quis passar neste novo trabalho?<\/strong><br \/>Essa sensa\u00e7\u00e3o de Am\u00e9rica Latina pulsante foi uma inten\u00e7\u00e3o minha. Inclusive de cada vez mais me fazer entender o quanto sou latina e o quanto o Brasil \u00e9 um pa\u00eds latino. Entender, mesmo. Sabe quando uma coisa entra no seu cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 vira uma frase que voc\u00ea repete, mas \u00e9 uma coisa mesmo que voc\u00ea sente?<\/p>\n<p>Foi um trabalho que fiz comigo mesma, de me colocar nesse lugar, principalmente por ser do interior, e a Am\u00e9rica Latina \u00e9 o interior, n\u00e9? Tem mais interior do que qualquer outra coisa na Am\u00e9rica Latina. Tem muita gente que se comunica no mesmo lugar, que compreende e valoriza as mesmas coisas, com tradi\u00e7\u00f5es, comportamentos e cosmovis\u00e3o parecidos.<\/p>\n<p>Estava at\u00e9 lendo um livro de Ailton Krenak, a\u00ed ele tem o conceito de florestania e cidadania. A gente vive na Am\u00e9rica Latina muito mais com o conceito de florestania. A gente vive muito mais em contato com a natureza do que pessoas que n\u00e3o vivem em contato com a natureza.<\/p>\n<p>Tem muito mais gente vivendo no interior que precisa daquele organismo funcionando ali, que sabe e ama viver dessa forma \u2014 como eu vivi por muito tempo no interior. Agora n\u00e3o tenho tantas oportunidades de viver no interior, mas quero voltar em algum momento.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Eu tenho pouco contato com o interior. Minha namorada \u00e9 do interior, vou \u00e0s vezes, mas \u00e9 gostoso, n\u00e9?<\/strong><br \/>A vida no interior \u00e9 pacata, gente. E boa demais.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: O ar limpo\u2026 O azul existe, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cinza!\u00a0<\/strong><br \/>O vento bate na sua cara. Estrelas!<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: De volta ao Coisas Naturais agora: o disco tem tr\u00eas feats, divididos em duas faixas, de artistas fora do Brasil. Como foi essa decis\u00e3o de chamar Gaia, Nenny e \u00c7antamarta para colaborar com voc\u00ea? A l\u00edngua foi um desafio?<\/strong><br \/>Gaia, metade brasileira e metade italiana, tem bastante flu\u00eancia em portugu\u00eas e italiano, ent\u00e3o ela faz uma m\u00fasica europeia com muita refer\u00eancia na m\u00fasica brasileira. Ela \u00e9 bem estudiosa.<\/p>\n<p>Nenny, que conheci pelo \u00f3timo Colors dela, mora em Portugal. A gente se seguiu no Instagram, e a\u00ed quando eu fui fazer um camping l\u00e1, que eu passava a temporada, eu falei: \u201cAh, vou fazer um camping com os produtores daqui\u201d. A\u00ed eu convidei Gaia e a Nenny. Gaia foi l\u00e1 da It\u00e1lia para ir ao est\u00fadio comigo em Portugal.<\/p>\n<p>Foi maravilhoso. As meninas super talentosas s\u00e3o como eu: chega no est\u00fadio e \u00e9 dona da pr\u00f3pria caneta. Gosta de canetar e caneta r\u00e1pido. Tem habilidade na coisa. Ent\u00e3o n\u00f3s tr\u00eas, a mesma vibe. \u201cTokit\u00f4\u201d \u00e9 uma das minhas favoritas do \u00e1lbum.<\/p>\n<p>\u00c7antamarta \u00e9 uma banda na qual cada um \u00e9 de um lugar. Tem gente da Col\u00f4mbia, tem gente da Venezuela. Acho que todos eles moram em Madri, porque a banda funciona l\u00e1, mas cada um \u00e9 de um canto aqui da Am\u00e9rica Latina. E a\u00ed eu j\u00e1 queria muito fazer m\u00fasica com eles. A\u00ed surgiu essa oportunidade, que eu tava sampleando Z\u00e9 Coco do Riach\u00e3o, que \u00e9 de Bras\u00edlia de Minas, que \u00e9 perto da minha cidade. Ele \u00e9 um \u00edcone norte-mineiro que todos amam. Al\u00e9m de instrumentista, ele fazia instrumentos, ent\u00e3o tem uma legi\u00e3o de instrumentos que existem, que s\u00e3o do Z\u00e9 Coco, e ele tem muitos alunos que seguem os passos dele. Uma super refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Eu tava sampleando o Z\u00e9 Coco do Riach\u00e3o, coloquei um reggaeton e comecei a cantarolar uma m\u00fasica do \u00c7antamarta. Eu falei: \u201cQuer saber? Vou chamar o povo do \u00c7antamarta para fazer essa m\u00fasica\u201d. A\u00ed a gente ficou conversando: eu mandando para eles em espanhol e eles me mandando em portugu\u00eas para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que todos no tradutor! Foi super legal, os meninos, super abertos a tudo, fizeram a parte deles. Inclusive, eles citam Cem Anos de Solid\u00e3o [escrito por Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez], o meu livro favorito, na parte deles da m\u00fasica. A\u00ed eu mandei e falei: \u201cCaralho, voc\u00ea n\u00e3o acredita. O meu livro favorito da vida \u00e9 Cem Anos de Solid\u00e3o\u201d. E ele [respondeu]: \u201cO meu tamb\u00e9m!\u201d<\/p>\n<p>Cem Anos de Solid\u00e3o combina com esse imagin\u00e1rio latino. Acho que representa todo mundo, principalmente quem vem do interior. A gente apelida Montes Claros (que falo que \u00e9 uma das minhas cidades, porque foi onde eu fiz A Outra Banda da Lua e vivi muitas coisas intensas). Sou de Taiobeiras, mas eu vivi um tempo em Montes Claros. Sou basicamente cidad\u00e3 montesclarenses, tamb\u00e9m. E a\u00ed a gente apelida Montes Claros carinhosamente de Mocundo, por causa de Cem Anos de Solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram parcerias muito naturais. N\u00e3o foi: \u201cPreciso fazer uma m\u00fasica com uma italiana para bombar na It\u00e1lia\u201d. Foi porque eu queria fazer uma m\u00fasica com a Gaia, Nenny e com os meninos de \u00c7antamarta. N\u00e3o foi um movimento marqueteiro, foi mais de fluidez aqui.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)\" height=\"516\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/marina-sena-cantora-coisas-naturais-album-entrevista-foto-gabriela-schmdt-4.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: A sonoridade dele \u00e9 bem s\u00f3lida. Senti estilos como MPB, bossa nova, um brega ali em \u201cLua Cheia\u201d, um pouquinho de bedroom pop e Lo-Fi em \u201cSensei\u201d, reggae em \u201cCombo da Sorte\u201d, reggaeton em \u201cDo\u00e7ura\u201d e muito mais \u2014 me diga se n\u00e3o viajei. Como voc\u00ea lida com essas mais diversas refer\u00eancias para criar algo seu e tamb\u00e9m que soa muito brasileiro. N\u00e3o \u00e9 aquilo que parece enlatado para copiar dos gringos em evid\u00eancia.<\/strong><br \/>Para mim \u00e9 muito natural porque eu sou bem ecl\u00e9tica. Eu gosto de m\u00fasica boa, na qual o artista faz a verdade dele ali, entregando-se e fazendo bem feito. Com boas met\u00e1foras, boas figuras de linguagem e bons movimentos po\u00e9ticos e mel\u00f3dicos. N\u00e3o tenho muita prefer\u00eancia de ritmo. Para mim, em qualquer ambiente voc\u00ea pode ter esse tipo de personalidade. N\u00e3o fa\u00e7o distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, minhas escolhas r\u00edtmicas t\u00eam normalmente a ver com coisas que me atravessam e s\u00e3o extremamente brasileiras, ou coisas que s\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e entram no Brasil, de certa forma como estrangeiras, mas s\u00e3o abrasileiradas aqui, sabe? \u00c9 tipo reggae, que a gente abrasileirou. Existe o reggae brasileiro, com um jeito brasileiro de fazer reggae, feito no Maranh\u00e3o. \u00c9 o reggae feito por Edson Gomes, Natiruts, Ponto de Equil\u00edbrio\u2026 O reggae de Gilberto Gil fez o g\u00eanero ser compreendido no Brasil. O dub de BaianaSystem, enfim\u2026 temos muitas pessoas fazendo reggae de muita qualidade, brincando nesse universo gigantesco.<\/p>\n<p>Gosto de brincar com ritmos brasileiros e latinos. J\u00e1 brinquei com alguma coisa de Londres, com o drill londrino. O trap americano. Eu gosto de tudo que eu escuto e amo. [Me ajuda a] entender como sou dentro disso. Gosto de experimentar.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: E o amor \u00e9 um tema recorrente: aqui voc\u00ea fala sobre supera\u00e7\u00e3o, as inseguran\u00e7as de um novo amor e tamb\u00e9m viver do amor pleno. Como \u00e9 esse seu exerc\u00edcio para falar de amor e fazer algo que seja uma novidade, de certa forma? Para n\u00e3o ser algo batido<\/strong><br \/>\u00c9 dif\u00edcil, viu? Se voc\u00ea larga o freio, voc\u00ea faz qualquer coisa, voc\u00ea precisa segurar realmente para manter uma narrativa, independente da coisa do amor. Eu gosto sempre de colocar uma paisagem atr\u00e1s da hist\u00f3ria, sabe? Tem uma hist\u00f3ria acontecendo, mas tem uma paisagem atr\u00e1s dela, para n\u00e3o ficar focado apenas na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Por exemplo, em \u201cNuma Ilha\u201d, voc\u00ea n\u00e3o foca s\u00f3 no amor, mas no fato de ter uma ilha, um mar e da sensa\u00e7\u00e3o do vento\u2026 voc\u00ea foca nas outras sensa\u00e7\u00f5es que esse ambiente traz, que n\u00e3o s\u00f3 exatamente viver o amor com aquela pessoa. Eu gosto de fazer isso, eu gosto de trazer uma imagem para esse amor. Onde esse amor est\u00e1? Na sala da casa? Na praia? \u00c9 tentar compreender todas as faces do amor. Tem um momento de paix\u00e3o, tem aquele momento que voc\u00ea precisa sair fora. \u00c0s vezes a pessoa nem \u00e9 ruim, mas voc\u00ea precisa sair porque voc\u00ea tem que ver outras coisas. Ent\u00e3o o amor nem \u00e9 o foco. O foco \u00e9 a minha liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 s\u00f3 um pano de fundo para falar de como \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de me libertar. Eu acho que \u00e9 trazer outros significados para essa m\u00fasica, que n\u00e3o seja s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3ozinha em si. \u00c0s vezes tem m\u00fasica que \u00e9 s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3ozinha, uma can\u00e7\u00e3o mais gostosinha, que voc\u00ea quer mais dar uma cantadinha. Aquela coisinha mais \u201czinha\u201d, entendeu? Agora, quando voc\u00ea quer realmente fazer uma m\u00fasica de peso, voc\u00ea precisa acrescentar uma ambi\u00eancia para esse amor.<\/p>\n<p>Por exemplo, \u201cVoltei Pra Mim\u201d \u00e9 exatamente essa m\u00fasica que fala de amor, mas as pessoas cantam chorando \u00e0s vezes porque largou um emprego que n\u00e3o tava gostando. \u00c9 tipo: \u201cVoltei para mim! Eu me encontrei!\u201d \u00c9 muito mais sobre \u201ceu me encontrei\u201d do que a rela\u00e7\u00e3o que tinha com a outra pessoa, que \u00e9 s\u00f3 um bode expiat\u00f3rio para falar de outro assunto.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Exato! E vai ressignificando, n\u00e9? Tanto voc\u00ea quanto a galera que est\u00e1 ouvindo\u2026<\/strong><br \/>Sua opini\u00e3o sobre a mesma coisa muda conforme a sua idade. Voc\u00ea vai ficando mais adulto e muda a sua percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Ano passado eu entrevistei o Chico Bernardes, irm\u00e3o do Tim Bernardes, e ele disse sobre a dificuldade de fazer o segundo disco: \u201cO segundo disco foi um desafio muito maior do que o primeiro, onde voc\u00ea t\u00e1 ali tendo a primeira experi\u00eancia de est\u00fadio e testando o que voc\u00ea pode fazer\u201d, enquanto no \u201csegundo disco voc\u00ea tem que decidir se voc\u00ea vai repetir aquilo que voc\u00ea j\u00e1 fez, que voc\u00ea j\u00e1 aprendeu, aquilo que pode ser uma marca registrada sua, ou se voc\u00ea vai inovar e trazer novos elementos, novas linguagens pro seu pr\u00f3prio repert\u00f3rio.\u201d Isso aconteceu com voc\u00ea na hora de fazer V\u00edcio Inerente? E depois em Coisas Naturais?<br \/><\/strong>Realmente, o segundo \u00e1lbum e o terceiro s\u00e3o mais dif\u00edceis que o primeiro. No primeiro, voc\u00ea pega uma colet\u00e2nea de m\u00fasicas que fez durante sua vida inteira, pega as melhores, coloca l\u00e1 dentro e foi. N\u00e3o tem muito segredo. Eu tinha v\u00e1rias m\u00fasicas que eu tinha no viol\u00e3o, que tenho uma rela\u00e7\u00e3o muito forte, t\u00e1 aqui comigo, inclusive.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu sempre tinha m\u00fasica, eu fazia cinco can\u00e7\u00f5es por m\u00eas, no m\u00ednimo. Toda hora eu fazia uma m\u00fasica, eu tinha muitas. Eu realmente fiz um select das melhores, e era o De Primeira. Estava na m\u00e3o.<br \/>No segundo, realmente, precisei batalhar um pouquinho mais, porque al\u00e9m de tudo eu ainda tava no meio do furac\u00e3o comendo solto, fazendo show e muito mais. Precisei fazer um \u00e1lbum dentro desse legar que eu vivia, ainda com a expectativa das pessoas, querendo me provar, porque eu tava querendo mostrar que n\u00e3o estou aqui brincando, entendeu?<\/p>\n<p>Realmente vale a pena eu estar aqui, porque eu realmente acredito nisso que eu t\u00f4 fazendo e t\u00f4 fazendo seriamente. Isso que eu queria provar. No tempo que eu tinha, eu fazia alguma coisa ali. Por ter muita t\u00e9cnica, para composi\u00e7\u00e3o \u2014 eu sei muito fazer isso \u2014, uma das coisas que eu mais sei fazer na vida&#8230; Se voc\u00ea me falar aqui e agora: \u201cComp\u00f5e uma m\u00fasica a\u00ed!\u201d Eu pego o viol\u00e3o e fa\u00e7o uma m\u00fasica na hora por conta da t\u00e9cnica. Agora, n\u00e3o te garanto que vai ser uma puta can\u00e7\u00e3o do meu cora\u00e7\u00e3o. Vai ser uma m\u00fasica ok. Voc\u00ea vai falar: \u201cBeleza, massa.\u201d Pode n\u00e3o ser uma, \u201cVoltei Pra Mim\u201d, nem uma \u201cPor Supuesto\u201d, mas vai ser uma m\u00fasica boa. Porque eu tenho t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Com V\u00edcio Inerente, entreguei o que eu sou capaz de entregar e brincar. Ainda dei uma brincada boa com outros ritmos, dei uma experimentada boa, acho ele bem experimental. Sa\u00ed bastante da minha zona de conforto. Adorei, aprendi v\u00e1rias coisas, principalmente com rela\u00e7\u00e3o a tecnologias novas para fazer m\u00fasicas. Novos jeitos de fazer m\u00fasica, novas sonoridades, novas texturas, novas coisas que eu ainda n\u00e3o tinha experimentado, porque eu era de um ambiente bem org\u00e2nico, tinha at\u00e9 um pouco de receio de colocar coisas muito eletr\u00f4nicas na minha m\u00fasica.<\/p>\n<p>Agora n\u00e3o tenho mais medo, porque eu aprendi a brincar com isso. Eu aprendi a colocar isso na hora certa no meu \u00e1lbum. Neste terceiro \u00e1lbum, sinto que estava mais preparada do que nos dois anteriores. Apesar das dificuldades, \u00e9 mais f\u00e1cil fazer esse \u00e1lbum hoje.<\/p>\n<p>O terceiro eu j\u00e1 sinto que fiz mais tranquila, sem medo de ser chatinha com cada detalhe. Eu consegui fazer porque acumulei uma bagagem que eu precisava para saber o que eu quero.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)\" height=\"967\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/marina-sena-cantora-coisas-naturais-album-entrevista-foto-gabriela-schmdt-5.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Marina Sena (Foto: Gabriela Schmdt)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: E eu fiquei sabendo que ele foi gravado na Zuca, Casa da M\u00fasica Brasileira, seu projeto com Talita Morais que visa dar um grande aux\u00edlio e guia para os artistas. O que voc\u00eas pretendem com esse empreendimento? Como est\u00e3o sendo esses meses iniciais?<\/strong><br \/>Ent\u00e3o, criamos a Casa da M\u00fasica Brasileira como mais um lugar para aquecer a nossa ind\u00fastria. Todo artista e pessoa que consegue uma plataforma e recursos precisa de algum jeito devolver esses recursos para a pr\u00f3pria classe. \u00c9 um pensamento muito meu e de Thalita.<\/p>\n<p>\u00c9 o lugar das pessoas que formam opini\u00e3o e querem criar projetos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte. A [marca de cerveja] Petra, t\u00e1 com naming rights da casa, ent\u00e3o a casa \u00e9 Petra Zuca, e isso \u00e9 muito legal porque \u00e9 uma marca que gosta de estar ao lado da m\u00fasica brasileira e de se envolver em projetos relacionados \u00e0 m\u00fasica brasileira. Est\u00e1 em v\u00e1rios festivais de MPB, s\u00e3o muito interessados e t\u00eam um paladar para escolher lugares relacionados \u00e0 m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p>Adoro o jeito que eles trabalham com a m\u00fasica. Apoiam o nosso projeto de uma forma que voc\u00ea entende que a marca se interessa num prop\u00f3sito. Isso muda tudo e faz com que a rela\u00e7\u00e3o seja muito mais promissora. E eles super confiam no projeto da Casa da M\u00fasica Brasileira.<\/p>\n<p>Inclusive, vamos lan\u00e7ar um edital com a Petra para lan\u00e7ar dois \u00e1lbuns pela Casa em 2025. A Petra, enfim, possibilita esses recursos para tudo acontecer, para ser gravado l\u00e1 na Casa da M\u00fasica, sair com foto de capa, tudo gravado, tudo bonitinho. Com a minha dire\u00e7\u00e3o criativa, vai ter o meu aux\u00edlio musical ali para quem se interessar e precisar. Eu gostaria para manter um fluxo dentro da Casa da M\u00fasica, mas se a pessoa quiser desenvolver do jeito dela, tudo bem.<\/p>\n<p>V\u00e3o ser dois \u00e1lbuns, mais seis audi\u00e7\u00f5es dentro da Casa de pessoas que j\u00e1 t\u00eam \u00e1lbuns e queiram apresentar l\u00e1. Trabalhamos de um jeito no qual convidamos pessoas que formam opini\u00e3o, artistas, programadores e [outras] pessoas que est\u00e3o dentro da ind\u00fastria da m\u00fasica, mesmo, para assistir esses artistas.<\/p>\n<p>Usamos o nosso know-how, o que a conseguimos at\u00e9 hoje de contatos, enfim, de possibilidades, e traz essas pessoas para a Casa e conhecer novos artistas.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Marina Sena sobre sucessor de V\u00edcio Inerente: &#8220;O peso de ser adulta bateu&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/marina-sena-encontra-sua-melhor-versao-em-novo-album-agora-nao-tenho-mais-medo\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMiss\u00e3o cumprida, gra\u00e7as a Deus, meu Deus do c\u00e9u. 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