{"id":88351,"date":"2026-08-23T07:07:38","date_gmt":"2026-08-23T10:07:38","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/condominios-reunem-velhos-e-novos-problemas-conheca-historias\/"},"modified":"2026-08-23T07:07:38","modified_gmt":"2026-08-23T10:07:38","slug":"condominios-reunem-velhos-e-novos-problemas-conheca-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/condominios-reunem-velhos-e-novos-problemas-conheca-historias\/","title":{"rendered":"Condom\u00ednios re\u00fanem velhos (e novos) problemas; conhe\u00e7a hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>\u201cDe perto ningu\u00e9m \u00e9 normal\u201d, cantou Caetano Veloso (\u00b4Vaca Profana`, 1984). D\u00e9cadas antes, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean Paul Sartre alertava: \u201cO inferno s\u00e3o os outros\u201d (\u00b4Entre quatro paredes`, 1944). Por\u00e9m, talvez n\u00e3o haja poesia ou filosofia para definir a conviv\u00eancia em pr\u00e9dios, seja uma edifica\u00e7\u00e3o antiga, de tr\u00eas andares, ou nesses arranha-c\u00e9us de alto padr\u00e3o. Tudo pode soar desafinado e sair do tom harmonioso. E at\u00e9 mesmo a m\u00fasica pode infernizar.<\/p>\n<p>\u201cPessoas seguem sem saber morar em comunidade. O individualismo continua firme e forte, precisa de um trabalho forte do s\u00edndico para cultivar a cultura de coletividade\u201d, afirma a jornalista Catarina Ander\u00e1os, editora-chefe do portal S\u00edndicoNet.<\/p>\n<p>Catarina atua h\u00e1 17 anos nesse segmento, \u00e9 s\u00edndica moradora e idealizadora do canal \u00b4Vou Chamar a S\u00edndica`, no YouTube, reunindo causos de condom\u00ednios: \u201cCostumava-se falar sobre os cinco C\u2019s dos problemas: cachorro, carro (vaga na garagem), cano (vazamento), calote (inadimpl\u00eancia) e crian\u00e7a. Os relatos sobre barulho s\u00e3o os que t\u00eam mais audi\u00eancia (25 mil visualiza\u00e7\u00f5es, por exemplo). Barulho de diversas fontes: dos latidos, das crian\u00e7as, de obras, de m\u00fasica alta, de bate-boca em fam\u00edlia. Agora, h\u00e1 os assuntos: carro el\u00e9trico, aumento expressivo no volume de entregas e a confus\u00e3o na gest\u00e3o de encomendas, aumento no n\u00famero de pets, ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias (portaria remota, lockers). \u00c9 um processo de convencimento e per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, relata.<\/p>\n<p>\u201cTem B.O. o dia inteiro\u201d, diz Alfeu da Costa Pereira, corretor de im\u00f3veis e s\u00edndico profissional, em sete pr\u00e9dios \u2013 desde um de tr\u00eas andares, em Praia Grande, a edif\u00edcios de alto padr\u00e3o em Santos, locais onde o valor do condom\u00ednio varia de R$ 450,00 a R$ 6 mil mensais. \u201cN\u00e3o importa o padr\u00e3o, sempre h\u00e1 confus\u00e3o. J\u00e1 houve caso em que um idoso provocava tanto o morador do apartamento do andar de baixo que acabou tomando um soco. Tive que acompanhar todo o processo, inclusive na delegacia\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para cada pr\u00e9dio, Alfeu mant\u00e9m dois grupos de WhatsApp (cond\u00f4minos em geral e conselheiros). Enquanto conversava com a reportagem, ele recebeu foto enviada por cond\u00f4mino, revelando que o morador do apartamento \u00b4X` n\u00e3o havia tirado os cal\u00e7ados do lado externo da porta. De outro pr\u00e9dio, lhe enviaram v\u00eddeo para \u201cprovar\u201d que o funcion\u00e1rio n\u00e3o estava limpando corretamente. \u201cEu tenho que explicar \u00e0s pessoas que elas n\u00e3o podem sair fotografando ou filmando as outras, porque podem ser processadas. Mas para qualquer coisa, enviam mensagens. Deixo bem claro que a resposta n\u00e3o \u00e9 na hora e, \u00e0s vezes, nem no mesmo dia. Se \u00e9 urgente, \u00e9 para ligar\u201d, diz.<\/p>\n<p>Alfeu chegou a ser s\u00edndico em 15 edif\u00edcios. Contava, inclusive, com colaboradores, mas decidiu reduzir o trabalho e seguir sozinho, justamente ap\u00f3s o telefonema de cond\u00f4mino. \u201cEstava em Las Vegas (EUA), em f\u00e9rias com minha esposa. O morador telefonou para reclamar da pessoa que eu havia deixado para me substituir. Eu me vi discutindo ao telefone no meio da rua em Las Vegas. Decidi ficar com sete pr\u00e9dios e atender sozinho\u201d.<\/p>\n<p>PORTARIA REMOTA<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Maria F\u00e9lix, presidente do Sindicato dos Empregados em Edif\u00edcios e Condom\u00ednios de Santos e Cubat\u00e3o, o porteiro virtual (portaria remota) \u00e9 o maior problema que a categoria enfrenta, porque causa desemprego. \u201cOnde h\u00e1 quatro funcion\u00e1rios, demitem dois ou tr\u00eas e a pessoa que fica est\u00e1 sobrecarregada. Isso, para ter uma economia de 10 a 15%\u201d, diz. A categoria \u2013 diz ele \u2013 conta com cerca de 6,5 mil pessoas, mas chegou a ter 11 mil.<\/p>\n<p>Na defesa dos funcion\u00e1rios, Jos\u00e9 F\u00e9lix ressalta a import\u00e2ncia do contato direto com os cond\u00f4minos, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, principalmente para pessoas idosas, e a confian\u00e7a no servi\u00e7o. \u201cA pessoa fica ref\u00e9m do porteiro virtual, at\u00e9 para receber uma entrega de comida ou mercadorias, compradas pela internet\u201d.<\/p>\n<p>Zelador h\u00e1 25 anos, Aderaldo Lins, 48 anos, concorda que \u201ca portaria virtual mexeu com a rotina\u201d, com demiss\u00e3o e sobrecargas de trabalho. Houve demiss\u00e3o de funcion\u00e1rio. \u201c\u00c9 o profissional que vivencia o problema, d\u00e1 apoio, aguenta os aborrecimentos e ajuda a solucionar as encrencas, inclusive quando a pessoa \u00e9 idosa, ou est\u00e1 doente ou ocupada e n\u00e3o pode descer para receber uma entrega. Os cond\u00f4minos n\u00e3o t\u00eam isso com o porteiro virtual\u201d.<\/p>\n<p>A portaria remota tamb\u00e9m incomoda entregadores. Josias Goes da Mota, 39 anos, por exemplo, trabalhou entre 2017 e 2025 com entregas por aplicativo. Ele narra situa\u00e7\u00f5es nas quais a falta de um profissional na portaria atrapalhou o servi\u00e7o. \u201cFui fazer a entrega e n\u00e3o tinha ningu\u00e9m para receber. A mo\u00e7a da faxina foi quem pegou. E uma outra situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegui entregar a refei\u00e7\u00e3o, porque j\u00e1 era noite e ningu\u00e9m entrava nem sa\u00eda do pr\u00e9dio. N\u00e3o tinha como falar com ningu\u00e9m. Voltei para o restaurante e devolvi\u201d, conta.<\/p>\n<p>Catarina Ander\u00e1os discorda das cr\u00edticas e ressalta que \u00e9 uma quest\u00e3o de planejamento. Ela diz que, antes de instalar no pr\u00e9dio onde mora e \u00e9 s\u00edndica, realizou estudos para saber a viabilidade da portaria remota, considerando, inclusive, a defini\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o com arm\u00e1rio inteligente para entregas, al\u00e9m de muita conversa com os moradores, que precisam ser colaborativos.<\/p>\n<p>\u201cTenho um funcion\u00e1rio durante todo o dia. \u00c0 noite, temos porteiro, porque foi uma das condi\u00e7\u00f5es impostas pelos cond\u00f4minos, por quest\u00e3o de medo e inseguran\u00e7a. Ent\u00e3o, a portaria virtual \u00e9 uma excelente solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, quando bem planejada de acordo com o perfil do condom\u00ednio. Tivemos uma redu\u00e7\u00e3o na conta ordin\u00e1ria e, com isso, estamos investindo em benfeitorias. Por exemplo, na reforma el\u00e9trica total do centro de distribui\u00e7\u00e3o para viabilizar a instala\u00e7\u00e3o de ar-condicionado em todos os apartamentos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>CARRO EL\u00c9TRICO<\/strong><\/p>\n<p>O s\u00edndico profissional Alfeu da Costa Pereira afirma que o assunto ainda \u00e9 novidade, mas come\u00e7a a dar problema. \u201cAs pessoas compram o carro, mas o pr\u00e9dio n\u00e3o tem estrutura. Quando \u00e9 garagem privativa, desde que siga as regras do pr\u00e9dio e as normas de seguran\u00e7a, o propriet\u00e1rio instala o carregar e paga pela instala\u00e7\u00e3o e toda adapta\u00e7\u00e3o. Quando \u00e9 garagem coletiva, o pr\u00e9dio precisa aprovar a instala\u00e7\u00e3o e o local. \u00c9 preciso definir a rotatividade para uso da vaga. Os cond\u00f4minos t\u00eam que conversar, negociar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Alfeu cita um dos pr\u00e9dios que atende, em S\u00e3o Vicente, com mais de 100 apartamentos e apenas um carro el\u00e9trico. \u201cPor sorte, h\u00e1 um local onde ningu\u00e9m gosta de estacionar e que \u00e9 pr\u00f3ximo do rel\u00f3gio de energia do apartamento do propriet\u00e1rio do carro el\u00e9trico. Isso facilitou chegar a uma solu\u00e7\u00e3o, mas ap\u00f3s quase um m\u00eas de negocia\u00e7\u00e3o entre os moradores. Por\u00e9m, a vaga \u00e9 coletiva. Outro dia, estacionaram uma moto no local. Teve que haver nova conversa\u201d.<\/p>\n<p>Catarina concorda que o assunto \u00e9 muito novo. Mas \u00e9 uma realidade e o condom\u00ednios precisam estar atentas a leis e normas, inclusive \u00e0s do Corpo de Bombeiros. O s\u00edndico precisa estar a par e ver o que \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio fazer\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/condominios-reunem-velhos-e-novos-problemas-conheca-historias\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDe perto ningu\u00e9m \u00e9 normal\u201d, cantou Caetano Veloso (\u00b4Vaca Profana`, 1984). D\u00e9cadas antes, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean Paul Sartre alertava: \u201cO inferno s\u00e3o os outros\u201d (\u00b4Entre quatro paredes`, 1944). Por\u00e9m, talvez n\u00e3o haja poesia ou filosofia para definir a conviv\u00eancia em pr\u00e9dios, seja uma edifica\u00e7\u00e3o antiga, de tr\u00eas andares, ou nesses arranha-c\u00e9us de alto padr\u00e3o. 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