{"id":87271,"date":"2026-07-28T10:02:06","date_gmt":"2026-07-28T13:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/marielle-e-a-construcao-da-nossa-resistencia\/"},"modified":"2026-07-28T10:02:06","modified_gmt":"2026-07-28T13:02:06","slug":"marielle-e-a-construcao-da-nossa-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/marielle-e-a-construcao-da-nossa-resistencia\/","title":{"rendered":"Marielle e a constru\u00e7\u00e3o da nossa resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Julho n\u00e3o \u00e9 apenas o m\u00eas no calend\u00e1rio; \u00e9 o lembrete do tempo que teima em brotar. No dia 27 de julho, o sol ilumina a mem\u00f3ria de Marielle Franco. Se estivesse f\u00edsica e presencialmente entre n\u00f3s, o dia seria de festa, riso largo, abra\u00e7os apertados e a celebra\u00e7\u00e3o de mais um ano que celebra a mulher negra que ousou ocupar os espa\u00e7os que a estrutura insistia em nos negar.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria tomou outro rumo naquela noite de mar\u00e7o. Queriam silenci\u00e1-la. Queriam interromper a caminhada da mulher que carregava na pele a cor da ancestralidade e na voz o eco da favela, do feminismo negro e do poder popular. O que os algozes n\u00e3o previram \u00e9 que mulheres negras n\u00e3o s\u00e3o apagadas \u2014 s\u00e3o plantadas.<\/p>\n<p>Arrancaram o corpo, mas esqueceram da raiz. Pensaram que era fim, mas o sangue regou o pa\u00eds. Cada bala que tentou calar o teu peito fez nascer no nosso o mesmo direito: o de existir, lutar e ser feliz.<\/p>\n<p>O assassinato de Marielle foi um golpe profundo na nossa democracia e na nossa carne. Como mulher negra e feminista, sinto esse impacto no cotidiano. A dor foi gigante, mas a resposta precisava ser maior. O projeto de apagamento falhou miseravelmente porque transformamos o luto em luta.<\/p>\n<p>Nos anos que se seguiram \u00e0 viol\u00eancia de sua partida, vimos erguer-se uma onda sem precedentes. A impunidade, que por tanto tempo alimentou as engrenagens da viol\u00eancia pol\u00edtica e racial neste pa\u00eds, encontrou barreira firme: a nossa insurg\u00eancia organizativa. A cobran\u00e7a por justi\u00e7a por Marielle e Anderson tornou-se o farol que escancarou as estruturas do poder e exigiu respostas que o Brasil devia a si mesmo.<\/p>\n<p>O fortalecimento das mulheres negras no p\u00f3s-Marielle n\u00e3o \u00e9 met\u00e1fora; \u00e9 dado da realidade. Vimos uma ocupa\u00e7\u00e3o sem volta na pol\u00edtica institucional, nos movimentos sociais, na academia e nas artes. Vimos bancadas feministas negras se multiplicarem, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias se fortalecerem e jovens perif\u00e9ricas assumirem sem medo o legado de quem veio antes. Marielle virou verbo. Mariellamos.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos o pesadelo dos que nos querem no ch\u00e3o, a continuidade de Dandara, a for\u00e7a da tua voz no plen\u00e1rio e na multid\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 sil\u00eancio que nos couber, somos a tempestade que a justi\u00e7a quer.<\/p>\n<p>Celebrar o anivers\u00e1rio de Marielle Franco hoje \u00e9 reafirmar nosso compromisso hist\u00f3rico. \u00c9 dizer ao Estado e \u00e0 sociedade que n\u00e3o aceitaremos mais a viol\u00eancia pol\u00edtica de ra\u00e7a e g\u00eanero, que o corpo negro n\u00e3o \u00e9 alvo descart\u00e1vel e que a impunidade n\u00e3o ter\u00e1 mais endere\u00e7o fixo.<\/p>\n<p>Marielle vive. Ela vive na garganta que grita por direitos, nas leis aprovadas por m\u00e3os negras, na prote\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas comunidades e no amor que devotamos umas \u00e0s outras enquanto constru\u00edmos o amanh\u00e3. Neste julho, n\u00e3o choramos apenas pelo que nos tiraram: celebramos a pot\u00eancia do que ela foi e a for\u00e7a invenc\u00edvel do que nos tornamos.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/marielle-e-a-construcao-da-nossa-resistencia\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julho n\u00e3o \u00e9 apenas o m\u00eas no calend\u00e1rio; \u00e9 o lembrete do tempo que teima em brotar. No dia 27 de julho, o sol ilumina a mem\u00f3ria de Marielle Franco. 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