{"id":87001,"date":"2026-07-21T09:37:40","date_gmt":"2026-07-21T12:37:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-cidade-que-ainda-cabe-em-nos\/"},"modified":"2026-07-21T09:37:40","modified_gmt":"2026-07-21T12:37:40","slug":"a-cidade-que-ainda-cabe-em-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-cidade-que-ainda-cabe-em-nos\/","title":{"rendered":"A cidade que ainda cabe em n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para perceber como a cidade entra em nossa casa sem pedir licen\u00e7a? Ela chega pelo recreio da escola, pela conversa da cal\u00e7ada, pelo cheiro da lanchonete, pela bola no ch\u00e3o, pelo apito do navio, pelo trem na paisagem. \u00c0s vezes chega em forma de m\u00fasica, corrida na orla, festa no bairro, crian\u00e7a brincando ou amigos em torno de um churrasco.<\/p>\n<p>E, quase sempre, algu\u00e9m se incomoda.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea tenha visto a cena: uma janela se fecha, uma mensagem aparece no grupo do condom\u00ednio, algu\u00e9m pergunta quem autorizou o evento, por que a rua foi ocupada, por que h\u00e1 gente na pra\u00e7a, por que a cidade n\u00e3o pode ficar quieta.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que h\u00e1 excessos, e eles precisam de limite, hor\u00e1rio e respeito. Ningu\u00e9m deve transformar a madrugada do outro em extens\u00e3o da pr\u00f3pria alegria. O direito ao descanso \u00e9 parte da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 diferen\u00e7a entre conter o abuso e desejar que a cidade se comporte como uma sala de espera.<\/p>\n<p>Queremos escolas, mas n\u00e3o seus recreios, restaurantes, mas n\u00e3o seus clientes, turismo, mas n\u00e3o turistas, pra\u00e7as, mas sem jovens ou crian\u00e7as. Defendemos cultura e eventos, desde que aconte\u00e7am longe da nossa janela.<\/p>\n<p>Celebramos a cidade vibrante nos discursos e, na pr\u00e1tica, esperamos que ela permane\u00e7a bonita, organizada e em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>S\u00f3 que cidade sem ru\u00eddo n\u00e3o \u00e9 cidade, \u00e9 maquete. Pra\u00e7a sem gente n\u00e3o \u00e9 ordem, \u00e9 abandono bem varrido. Cidade que n\u00e3o celebra deixa de ser lar e vira apenas CEP.<\/p>\n<p>Toda cidade viva tem uma m\u00fasica pr\u00f3pria, nem sempre afinada, mas sua. H\u00e1 sons que precisam ser reduzidos, outros organizados, e alguns compreendidos, porque a cidade \u00e9 o lugar onde a vida alheia atravessa a nossa.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 o quintal de quem n\u00e3o tem quintal, a sala de quem mora apertado, o recreio de quem cresceu, o descanso de quem envelheceu. \u00c9 onde pessoas que talvez nunca entrassem na mesma casa aprendem a dividir o mundo.<\/p>\n<p>Conviver exige concess\u00e3o, talvez a palavra que mais evitamos. Queremos usufruir de tudo o que a cidade oferece, desde que nada chegue perto demais, desde que a escola n\u00e3o seja ouvida, a festa n\u00e3o apare\u00e7a, a crian\u00e7a n\u00e3o corra e ningu\u00e9m permane\u00e7a para nos lembrar que o espa\u00e7o \u00e9 comum.<\/p>\n<p>Os direitos ao descanso, \u00e0 presen\u00e7a e \u00e0 alegria precisam morar no mesmo endere\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando tudo o que vem do outro come\u00e7a a incomodar, talvez o problema j\u00e1 n\u00e3o esteja apenas no som, no movimento ou na festa, talvez esteja diminuindo, dentro de n\u00f3s, o espa\u00e7o reservado para a vida.<\/p>\n<p>E uma cidade s\u00f3 permanece humana enquanto coubermos uns nos outros.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/a-cidade-que-ainda-cabe-em-nos\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para perceber como a cidade entra em nossa casa sem pedir licen\u00e7a? 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