{"id":86951,"date":"2026-07-20T10:14:52","date_gmt":"2026-07-20T13:14:52","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/coadjuvantes-ou-protagonistas-jornal-da-orla\/"},"modified":"2026-07-20T10:14:52","modified_gmt":"2026-07-20T13:14:52","slug":"coadjuvantes-ou-protagonistas-jornal-da-orla","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/coadjuvantes-ou-protagonistas-jornal-da-orla\/","title":{"rendered":"Coadjuvantes ou protagonistas? &#8211; Jornal da Orla"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O fracasso da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira na Copa que acabou ontem deixou de ser surpresa. \u00c9 o resultado de d\u00e9cadas de decis\u00f5es equivocadas de dirigentes que transformaram o futebol nacional em uma linha de produ\u00e7\u00e3o para abastecer o mercado europeu. O Brasil, que antes exportava craques, hoje exporta promessas. E, pior, muitas delas jamais se tornam protagonistas.<\/p>\n<p>Basta olhar os grandes clubes da Europa. Quantos brasileiros s\u00e3o, hoje, o principal jogador de suas equipes? Quantos disputam o posto de melhor do mundo? Pouqu\u00edssimos. A maioria comp\u00f5e elencos milion\u00e1rios como bons coadjuvantes, enquanto o protagonismo pertence a atletas de outros pa\u00edses. No pr\u00f3prio Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. Os melhores jovens s\u00e3o vendidos antes de amadurecer, de conquistar t\u00edtulos e de criar identidade com seus clubes. O torcedor conhece o talento, mas n\u00e3o chega a v\u00ea-lo florescer.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a chamada Lei Pel\u00e9 precisa ser debatida sem preconceitos. Embora tenha modernizado aspectos importantes das rela\u00e7\u00f5es entre clubes e atletas, tamb\u00e9m consolidou um modelo que incentiva a exporta\u00e7\u00e3o precoce de jogadores. Formamos atletas e entregamos \u00e0 Europa justamente quando come\u00e7am a atingir a maturidade t\u00e9cnica. Ficamos com a conta; eles ficam com o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma mudan\u00e7a silenciosa na forma\u00e7\u00e3o dos futuros jogadores. O menino que passava horas jogando bola na rua foi substitu\u00eddo pelo garoto que passa horas diante do videogame, do celular ou das redes sociais. Os campinhos desapareceram, as ruas deixaram de ser espa\u00e7os de conviv\u00eancia e o futebol espont\u00e2neo perdeu lugar para o entretenimento digital. Nenhum simulador ensina criatividade, improviso ou personalidade.<\/p>\n<p>O problema, por\u00e9m, vai al\u00e9m da tecnologia. Falta uma pol\u00edtica s\u00e9ria para o esporte de base, para o futebol nas escolas e para a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos pelas crian\u00e7as. Sobra marketing, calend\u00e1rio desumano e dirigentes preocupados em fechar neg\u00f3cios, n\u00e3o em formar craques.<\/p>\n<p>A Sele\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 apenas o reflexo desse modelo fracassado. N\u00e3o faltam talentos ao pa\u00eds. Falta um ambiente que permita transform\u00e1-los em protagonistas. Enquanto comemorarmos vendas milion\u00e1rias em vez da forma\u00e7\u00e3o de \u00eddolos, continuaremos vendo o futebol brasileiro produzir coadjuvantes para o mundo, quando sempre foi especialista em criar os personagens principais.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/coadjuvantes-ou-protagonistas\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fracasso da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira na Copa que acabou ontem deixou de ser surpresa. \u00c9 o resultado de d\u00e9cadas de decis\u00f5es equivocadas de dirigentes que transformaram o futebol nacional em uma linha de produ\u00e7\u00e3o para abastecer o mercado europeu. O Brasil, que antes exportava craques, hoje exporta promessas. 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