{"id":83883,"date":"2026-06-17T10:10:54","date_gmt":"2026-06-17T13:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/literatura-e-ativismo-se-unem-pelo-feminicidio-zero-na-baixada\/"},"modified":"2026-06-17T10:10:54","modified_gmt":"2026-06-17T13:10:54","slug":"literatura-e-ativismo-se-unem-pelo-feminicidio-zero-na-baixada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/literatura-e-ativismo-se-unem-pelo-feminicidio-zero-na-baixada\/","title":{"rendered":"Literatura e ativismo se unem pelo feminic\u00eddio zero na Baixada"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Santos sempre carregou a fama de ser uma cidade de vanguarda, marcada pelo di\u00e1logo e pelo fervilhar de ideias em suas esquinas. No entanto, diante de uma realidade cada vez mais hostil para as mulheres, os movimentos sociais locais cobram que o munic\u00edpio seja, acima de tudo, um espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria. \u00c9 com esse prop\u00f3sito que o Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras e a tradicional Realejo Livros decidiram unir for\u00e7as em uma mobiliza\u00e7\u00e3o regional que conecta o anivers\u00e1rio de 25 anos da livraria de rua \u00e0 campanha nacional pelo Feminic\u00eddio Zero.<\/p>\n<p>O marco central dessa uni\u00e3o ser\u00e1 a transforma\u00e7\u00e3o do parklet localizado em frente \u00e0 livraria, na Avenida Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga. O ponto, conhecido pela conviv\u00eancia e pelo descanso de moradores e turistas, ser\u00e1 revitalizado e transformado em um \u201cBanco Vermelho\u201d. Inspirado em um manifesto que nasceu na It\u00e1lia e ganhou o mundo, o projeto usa o urbanismo e a cor vermelha para cumprir um papel triplo: honrar a mem\u00f3ria das v\u00edtimas de feminic\u00eddio, alertar os passantes sobre os sinais de relacionamentos abusivos e estampar, de forma expl\u00edcita, os canais de den\u00fancia, como o Disque 180. \u201cQueremos tirar esses dados da frieza dos relat\u00f3rios e coloc\u00e1-los no centro do debate p\u00fablico, onde as pessoas circulam diariamente\u201d, explicam os organizadores da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade de trazer o debate para as cal\u00e7adas \u00e9 amparada por n\u00fameros alarmantes divulgados pela Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP) e por \u00f3rg\u00e3os de monitoramento no in\u00edcio de 2026. A Baixada Santista acendeu o alerta vermelho: apenas nos dois primeiros meses deste ano, os \u00edndices de viol\u00eancia contra a mulher \u2014 englobando agress\u00f5es, amea\u00e7as e mortes \u2014 registraram um aumento de quase 20% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio estadual e nacional repete a gravidade. O estado de S\u00e3o Paulo liderou o ranking do primeiro trimestre de 2026 com 86 casos reportados. O avan\u00e7o mant\u00e9m a tend\u00eancia de 2025, ano que j\u00e1 havia registrado o maior n\u00famero de feminic\u00eddios da s\u00e9rie hist\u00f3rica. No Brasil, entre janeiro e mar\u00e7o deste ano, 399 mulheres foram assassinadas pelo fato de serem mulheres \u2014 uma m\u00e9dia tr\u00e1gica de uma v\u00edtima a cada 5 horas e 25 minutos. Na imensa maioria das ocorr\u00eancias, os agressores s\u00e3o maridos, namorados ou ex-companheiros.<\/p>\n<p>Trazer essa discuss\u00e3o para a porta de uma livraria carrega um simbolismo profundo. Para o coletivo e para o livreiros, a leitura e o acesso \u00e0 cultura n\u00e3o s\u00e3o meros passatempos, mas ferramentas pol\u00edticas cruciais para desconstruir o machismo estrutural na raiz. A literatura humaniza os dados estat\u00edsticos, gera empatia e fomenta o pensamento cr\u00edtico indispens\u00e1vel para romper ciclos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Somado a isso, o projeto joga luz sobre um fen\u00f4meno recente e transformador no mercado editorial: o crescimento expressivo do n\u00famero de mulheres escritoras, poetisas e pensadoras publicadas. Nas prateleiras da pr\u00f3pria Realejo, a presen\u00e7a de narrativas conduzidas por mulheres tem se consolidado ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>Essa ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o liter\u00e1rio atua como uma potente rede de fortalecimento. Quando uma mulher escreve e publica suas viv\u00eancias, dores e processos de emancipa\u00e7\u00e3o, ela valida a exist\u00eancia e os sentimentos de tantas outras leitoras. Ao se identificarem com hist\u00f3rias de coragem e autonomia, muitas mulheres encontram o suporte emocional necess\u00e1rio para romper o sil\u00eancio e buscar ajuda. A literatura de autoria feminina, portanto, atua diretamente na preven\u00e7\u00e3o e no acolhimento.<\/p>\n<p>Para que o parklet do Gonzaga ganhe sua nova identidade visual e a mensagem ganhe as ruas, os organizadores buscam o apoio das pessoas amigas, moradores, comerciantes e empres\u00e1rios da regi\u00e3o. A campanha est\u00e1 arrecadando fundos para viabilizar a reforma do espa\u00e7o, a pintura das frases de conscientiza\u00e7\u00e3o e a ampla divulga\u00e7\u00e3o dos canais de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As contribui\u00e7\u00f5es financeiras de qualquer valor podem ser feitas por meio da chave-pix da campanha ou diretamente no balc\u00e3o da Livraria Realejo, onde interessados tamb\u00e9m podem buscar informa\u00e7\u00f5es sobre como colaborar e divulgar a campanha.<\/p>\n<p>A mensagem que ecoa dos livros para as cal\u00e7adas de Santos \u00e9 direta: o combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 um dever coletivo. \u00c9 preciso sentar para refletir, mas, acima de tudo, levantar para agir. Para contribuir, a conta \u00e9 do banco Ita\u00fa e a chave pix \u00e9 o CNPJ 04.440.268\/0001-03.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/literatura-e-ativismo-se-unem-pelo-feminicidio-zero-na-baixada\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santos sempre carregou a fama de ser uma cidade de vanguarda, marcada pelo di\u00e1logo e pelo fervilhar de ideias em suas esquinas. 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