{"id":82452,"date":"2026-06-05T10:25:50","date_gmt":"2026-06-05T13:25:50","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/gilmarpalooza-a-republica-em-networking\/"},"modified":"2026-06-05T10:25:50","modified_gmt":"2026-06-05T13:25:50","slug":"gilmarpalooza-a-republica-em-networking","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/gilmarpalooza-a-republica-em-networking\/","title":{"rendered":"Gilmarpalooza: a Rep\u00fablica em networking"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>H\u00e1 eventos que nascem com uma finalidade declarada e outros que sobrevivem gra\u00e7as \u00e0 finalidade que ningu\u00e9m declara. O chamado \u201cGilmarpalooza\u201d pertence \u00e0 segunda categoria. No programa oficial, discutem-se os grandes temas nacionais: democracia, seguran\u00e7a jur\u00eddica, desenvolvimento econ\u00f4mico, governan\u00e7a institucional. Nos corredores, nos jantares e nas rodas reservadas, discute-se algo muito mais objetivo: acesso.<\/p>\n<p>O encontro tornou-se uma esp\u00e9cie de feira anual das rela\u00e7\u00f5es de poder. Ali se re\u00fanem magistrados, pol\u00edticos, empres\u00e1rios, advogados, consultores, lobistas e aspirantes a alguma forma de influ\u00eancia. Todos falam em interesse p\u00fablico; poucos escondem o interesse privado. O Brasil entra como tema. Os participantes entram como protagonistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de ilegalidade expl\u00edcita. O fen\u00f4meno \u00e9 mais sofisticado. \u00c9 a normaliza\u00e7\u00e3o da promiscuidade entre quem decide, quem influencia decis\u00f5es e quem lucra com elas. A fotografia do evento vale mais que muitos discursos. Estar presente \u00e9 um sinal de pertencimento. Ser visto \u00e9 quase t\u00e3o importante quanto ser ouvido.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica \u00e9 a da reflex\u00e3o institucional. A pr\u00e1tica \u00e9 a da constru\u00e7\u00e3o de redes. Cart\u00f5es s\u00e3o trocados com mais intensidade do que ideias. A defer\u00eancia circula em abund\u00e2ncia. O elogio torna-se moeda corrente. O puxa-saquismo, por sua vez, assume a forma elegante das homenagens, dos pain\u00e9is e das gentilezas estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds em que a proximidade do poder frequentemente vale mais que a qualidade de um projeto, encontros assim funcionam como bolsas de valores da influ\u00eancia. N\u00e3o se compram a\u00e7\u00f5es, mas relacionamentos. N\u00e3o se negociam empresas, mas portas abertas. N\u00e3o se anunciam favores, mas cultiva-se o ambiente em que eles poder\u00e3o florescer.<\/p>\n<p>O mais curioso \u00e9 que todos parecem convencidos de que est\u00e3o prestando um servi\u00e7o \u00e0 Rep\u00fablica. Talvez estejam. Mas \u00e9 uma Rep\u00fablica peculiar, onde os mesmos personagens se encontram ano ap\u00f3s ano para discutir solu\u00e7\u00f5es para problemas que, em parte, dependem justamente da excessiva concentra\u00e7\u00e3o de poder e influ\u00eancia entre eles.<\/p>\n<p>No fim das contas, o Brasil real continua do lado de fora do audit\u00f3rio. L\u00e1 dentro, prospera o Brasil das credenciais, dos convites exclusivos e das fotografias que valem mais que qualquer ata. \u00c9 menos um f\u00f3rum de ideias do que uma celebra\u00e7\u00e3o da velha convic\u00e7\u00e3o nacional: quem conhece algu\u00e9m importante sempre chega primeiro. E, quase sempre, chega melhor.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/gilmarpalooza-a-republica-em-networking\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 eventos que nascem com uma finalidade declarada e outros que sobrevivem gra\u00e7as \u00e0 finalidade que ningu\u00e9m declara. O chamado \u201cGilmarpalooza\u201d pertence \u00e0 segunda categoria. No programa oficial, discutem-se os grandes temas nacionais: democracia, seguran\u00e7a jur\u00eddica, desenvolvimento econ\u00f4mico, governan\u00e7a institucional. Nos corredores, nos jantares e nas rodas reservadas, discute-se algo muito mais objetivo: acesso. 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