{"id":81082,"date":"2026-05-26T20:51:46","date_gmt":"2026-05-26T23:51:46","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/fiocruz-apresenta-pesquisa-abrangente-sobre-a-saude-dos-idosos-no-pais\/"},"modified":"2026-05-26T20:51:46","modified_gmt":"2026-05-26T23:51:46","slug":"fiocruz-apresenta-pesquisa-abrangente-sobre-a-saude-dos-idosos-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/fiocruz-apresenta-pesquisa-abrangente-sobre-a-saude-dos-idosos-no-pais\/","title":{"rendered":"Fiocruz apresenta pesquisa abrangente sobre a sa\u00fade dos idosos no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou nesta ter\u00e7a-feira (26), os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Sa\u00fade dos Idosos (Elsi-Brasil). <\/strong>Esta \u00e9 considerada uma das mais abrangentes pesquisas nacionais sobre envelhecimento no pa\u00eds. <strong>A iniciativa in\u00e9dita disponibilizar\u00e1, em uma plataforma <em>online<\/em>, cerca de 100 indicadores relacionados \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o com 60 anos ou mais, abrangendo diferentes aspectos, como condi\u00e7\u00f5es de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas, entre outros.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1691085&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p><strong>Entre os resultados h\u00e1 indicadores que revelam que fatores urbanos, sociais e estruturais t\u00eam papel decisivo na qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o idosa<\/strong>, mostrando que envelhecer no Brasil envolve desafios muito al\u00e9m da aus\u00eancia de doen\u00e7as. <strong>Um dos aspectos diz respeito \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do ambiente urbano: 42,7% dos idosos que vivem em \u00e1reas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em cal\u00e7adas, passeios ou vias p\u00fablicas pr\u00f3ximas de suas casas. <\/strong>O percentual exp\u00f5e um problema estrutural que afeta diretamente mobilidade, autonomia e participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Entre as mulheres idosas, esse \u00edndice chega a 50,5%, enquanto entre os homens \u00e9 31,9%. <strong>A preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumenta com a idade: atinge 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos, sobe para 47,1% entre 70 e 79 anos e alcan\u00e7a 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais. <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cOs dados refor\u00e7am a urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o das cidades para uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, seguran\u00e7a vi\u00e1ria, mobilidade e planejamento urbano inclusivo\u201d, avalia a coordenadora do Elsi-Brasil, pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A inseguran\u00e7a \u00e9 outro ponto destacado na pesquisa. O estudo mostra que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhan\u00e7a onde vivem muito insegura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e criminalidade.<\/strong> Em n\u00fameros absolutos, isso representa aproximadamente 3,8 milh\u00f5es de pessoas idosas vivendo em contextos marcados pelo medo e pela vulnerabilidade social. <strong>A percep\u00e7\u00e3o aparece de forma relativamente homog\u00eanea entre homens e mulheres e entre diferentes faixas et\u00e1rias, indicando que a viol\u00eancia urbana \u00e9 um problema transversal e disseminado, com impacto direto sobre a qualidade de vida, a sa\u00fade mental e a circula\u00e7\u00e3o social dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<h2>Hipertensos<\/h2>\n<p>A hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica segue como uma das condi\u00e7\u00f5es mais relevantes da sa\u00fade dos idosos. A pesquisa, que incluiu aferi\u00e7\u00e3o domiciliar da press\u00e3o arterial com metodologia padronizada, identificou que 34,4% dos idosos apresentam n\u00edveis compat\u00edveis com hipertens\u00e3o, ou seja, press\u00e3o a 14 por 9 ou acima disso. <strong>Registro corresponde a cerca de 11 milh\u00f5es de brasileiros idosos que necessitam de avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, diagn\u00f3stico e tratamento para prevenir desfechos graves, como infarto, acidente vascular cerebral, insufici\u00eancia renal e dem\u00eancia vascular.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A preval\u00eancia da hipertens\u00e3o aumenta progressivamente com a idade: 31,9% entre 60 e 69 anos, chegando a 40,1% entre pessoas com 80 anos ou mais.<\/strong> Diferentemente de outros indicadores, n\u00e3o houve diferen\u00e7as significativas entre homens e mulheres, o que refor\u00e7a o car\u00e1ter generalizado da condi\u00e7\u00e3o. <strong>Como a hipertens\u00e3o frequentemente \u00e9 assintom\u00e1tica, os pesquisadores destacam a import\u00e2ncia do rastreamento regular e do fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para evitar subdiagn\u00f3stico e complica\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<h2>Mobilidade<\/h2>\n<p>A perda da capacidade funcional aparece como outro eixo central do estudo. <strong>Os resultados apontam que, 20,4% dos idosos brasileiros apresentam dificuldade para realizar ao menos uma atividade b\u00e1sica da vida di\u00e1ria, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama.<\/strong><\/p>\n<p><strong>De acordo com a pesquisadora, este fato significa que cerca de 6,5 milh\u00f5es de pessoas vivem com algum grau de limita\u00e7\u00e3o funcional, condi\u00e7\u00e3o que impacta n\u00e3o apenas sua autonomia, mas tamb\u00e9m suas fam\u00edlias, cuidadores e os sistemas de sa\u00fade e assist\u00eancia social.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Maria Fernanda disse ainda que \u201ca diferen\u00e7a do resultado conforme o g\u00eanero novamente se destaca: 23,1% das mulheres apresentam limita\u00e7\u00e3o funcional, contra 17% dos homens. A progress\u00e3o por idade \u00e9 ainda mais contundente: a preval\u00eancia passa de 13,9%, entre pessoas de 60 a 69 anos, para 44,2% entre idosos com 80 anos ou mais\u201d, explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Falta de apoio<\/h2>\n<p>Os dados tamb\u00e9m revelam fragilidades importantes na rede de apoio. <strong>Entre os idosos que apresentam dificuldades para realizar uma ou mais atividades da vida di\u00e1ria, apenas 37,9% recebem ajuda. Essa propor\u00e7\u00e3o aumenta gradualmente com a idade (de 24,1% para 38,1% e 55,4% entre aqueles com 60 a 69, 70 a79 e 80 anos ou mais, respectivamente). \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Falta tamb\u00e9m treinamento para aqueles que prestam cuidados: somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento, evidenciando a aus\u00eancia de pol\u00edticas estruturadas para forma\u00e7\u00e3o e suporte a cuidadores familiares ou informais.<\/strong> Esse cen\u00e1rio aponta para a necessidade urgente de pol\u00edticas integradas de cuidado de longa dura\u00e7\u00e3o, apoio domiciliar e qualifica\u00e7\u00e3o daqueles que prestam cuidados.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Os resultados reafirmam ainda o papel central do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) como principal base de cuidado para a popula\u00e7\u00e3o idosa brasileira.<\/strong> Cerca de dois ter\u00e7os das pessoas com 60 anos ou mais t\u00eam o SUS como \u00fanica fonte de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. \u00a0A cobertura \u00e9 semelhante entre homens e mulheres e sofre apenas discreta redu\u00e7\u00e3o nas faixas et\u00e1rias mais elevadas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF), uma das principais pol\u00edticas de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do SUS, tamb\u00e9m se destaca: 69,2% dos idosos brasileiros est\u00e3o vinculados a essa iniciativa, o que representa cerca de 22,2 milh\u00f5es de pessoas. <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cOs dados refor\u00e7am evid\u00eancias de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promo\u00e7\u00e3o do envelhecimento saud\u00e1vel, especialmente em um pa\u00eds marcado por desigualdades sociais e econ\u00f4micas\u201d, afirma a coordenadora do Elsi-Brasil.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Painel<\/h2>\n<p>O painel de indicadores sobre envelhecimento, dispon\u00edvel na plataforma do Eisi-Brasil e lan\u00e7ado junto com a apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados da terceira onda da pesquisa, permitir\u00e1 acesso p\u00fablico e ampliado a informa\u00e7\u00f5es sobre m\u00faltiplas dimens\u00f5es do envelhecimento no pa\u00eds. <strong>A ferramenta foi criada para apoiar pesquisadores, gestores p\u00fablicos, profissionais de sa\u00fade e sociedade civil no monitoramento cont\u00ednuo das condi\u00e7\u00f5es de vida e necessidades da popula\u00e7\u00e3o idosa brasileira.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Alinhado \u00e0 proposta da D\u00e9cada do Envelhecimento Saud\u00e1vel (2021-2030), institu\u00edda pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o painel adota uma vis\u00e3o ampliada sobre envelhecimento, que vai al\u00e9m da aus\u00eancia de doen\u00e7as e incorpora dimens\u00f5es como autonomia, capacidade funcional, seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es ambientais como pilares essenciais para o bem-estar nas idades mais avan\u00e7adas. <strong>Segundo os pesquisadores, a plataforma representa um instrumento decisivo para enfrentar, com rapidez e integra\u00e7\u00e3o, os desafios impostos pelo envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/strong><\/p>\n<p>A primeira pesquisa sobre a sa\u00fade dos idosos foi realizada em 2015-2016, a segunda em 2019-2021 e a terceira em 2023-2024. Com metodologia harmonizada internacionalmente, o Elsi-Brasil integra o grupo das principais pesquisas globais sobre envelhecimento e posiciona o Brasil como refer\u00eancia estrat\u00e9gica na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico sobre o tema.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-05\/fiocruz-apresenta-pesquisa-abrangente-sobre-saude-dos-idosos-no-pais\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou nesta ter\u00e7a-feira (26), os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Sa\u00fade dos Idosos (Elsi-Brasil). Esta \u00e9 considerada uma das mais abrangentes pesquisas nacionais sobre envelhecimento no pa\u00eds. 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