{"id":80688,"date":"2026-05-24T06:29:10","date_gmt":"2026-05-24T09:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/caminhos-revelam-presenca-da-populacao-negra-em-santos\/"},"modified":"2026-05-24T06:29:10","modified_gmt":"2026-05-24T09:29:10","slug":"caminhos-revelam-presenca-da-populacao-negra-em-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/caminhos-revelam-presenca-da-populacao-negra-em-santos\/","title":{"rendered":"caminhos revelam presen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra em Santos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><img alt=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-268446\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-Afroculturas-Foto-Francisco-Arrais-PMS--300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"509\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-Afroculturas-Foto-Francisco-Arrais-PMS--300x200.jpeg 300w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-Afroculturas-Foto-Francisco-Arrais-PMS--1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-Afroculturas-Foto-Francisco-Arrais-PMS--768x512.jpeg 768w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-Afroculturas-Foto-Francisco-Arrais-PMS-.jpeg 1109w\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" data-eio=\"l\"\/>\u00a0<img alt=\"\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-268448  lazyload\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"343\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-300x298.jpeg\" srcset=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-300x298.jpeg 300w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-1024x1015.jpeg 1024w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-150x150.jpeg 150w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-768x762.jpeg 768w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422.jpeg 1200w\" data-sizes=\"auto\" data-eio-rwidth=\"300\" data-eio-rheight=\"298\"\/><img alt=\"\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-268448 \" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-300x298.jpeg\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-300x298.jpeg 300w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-1024x1015.jpeg 1024w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-150x150.jpeg 150w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422-768x762.jpeg 768w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Augusta-Franca-2-Quilombo-do-Jabaquara-Arquivo-Pessoal-e1779466655422.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 345px) 100vw, 345px\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<p>Desde que Braz Cubas chegou ao povoado do Enguagua\u00e7u, onde fundou a Vila de Santos (1545\/46), africanos e africanas est\u00e3o em solo santista, sequestrados em suas terras, principalmente, para o trabalho for\u00e7ado nos poucos engenhos de a\u00e7\u00facar, entre outros afazeres. Havia aqui, por exemplo, o Engenho dos Erasmos, cujas ru\u00ednas, na Caneleira (Zona Noroeste), contam muitas hist\u00f3rias.<br \/>A Vila nasceu ali na regi\u00e3o do Outeiro de Santa Catarina e cresceu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o do Valongo \u2013 a proximidade com a subida para o planalto desenhou o espa\u00e7o urbano. Entre Outeiro e Valongo, praias lamacentas (porto de trapiches) e morros, Santos se fez cidade (1839).<\/p>\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, mudan\u00e7as econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais s\u00e3o impulsionadas pela chegada da ferrovia Santos-Jundia\u00ed (1867) e o aumento das exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9. Transforma\u00e7\u00f5es urbanas, embates pelo fim da escravid\u00e3o e pela conquista do mercado de trabalho aumentam as tens\u00f5es sociais. Em todas as etapas da forma\u00e7\u00e3o da cidade, negros e negras atuaram como agentes transformadores, com for\u00e7a, saberes e capacidade de reinven\u00e7\u00e3o do viver. Santos abrigou dois quilombos, a partir de 1882: o do Pai Felipe, na Vila Mathias, e o Quilombo do Jabaquara, um dos maiores do pa\u00eds, liderado por Quintino de Lacerda.<\/p>\n<p><strong>AFROTURISMO<\/strong><br \/>Contar a hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra em Santos \u00e9 um objetivo de Augusta Fran\u00e7a, que desde 2022 promove roteiros de afroturismo. Aos 67 anos, ela \u00e9 a criadora da Mochilando Afroculturas. \u201cA gente mostra que existe por parte dessa popula\u00e7\u00e3o um pertencimento na historiografia da cidade que acaba sempre invisibilizado, negado. \u00c9 importante contar os fatos e trazer o protagonismo da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A Mochilando (@mochilandoafroculturas) desenvolve cinco roteiros, dos quais j\u00e1 participaram mais de duas mil pessoas. Em mar\u00e7o, por exemplo, 46 turistas norte-americanos estiveram na \u201cCaminhada o Negro e o Caf\u00e9\u201d. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u201cCaminhada do Engenho\u201d. A \u201cCaminhada das Mulheres Negras\u201d destaca pessoas como a parteira Maria Patr\u00edcia Foga\u00e7a, que trouxe \u00e0 luz muitos santistas, inclusive da elite branca, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, e d\u00e1 nome a uma escola municipal no Sabo\u00f3 e a uma rua no Santa Maria.<\/p>\n<p>A \u201cCaminhada dos Quilombos\u201d percorre ruas da Vila Mathias e Jabaquara. H\u00e1, ainda, o roteiro \u201cCaminhos de Luiz Gama\u201d, sobre o advogado negro com grande atua\u00e7\u00e3o abolicionistas. Na justi\u00e7a de Santos, em 1870-71, Gama defendeu a maior a\u00e7\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas, envolvendo mais de 200 escravizados e escravizadas do comerciante portugu\u00eas Manoel Joaquim Ferreira Netto, o mesmo da Casa de Frontaria Azulejada, caso conhecido como \u00b4Quest\u00e3o Netto`.<\/p>\n<div id=\"attachment_268454\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268454\" class=\"wp-image-268454 lazyload\" alt=\"Odair em roteiro pela \u00e1rea onde se instalou o Quilombo do Pai Felipe.\" width=\"426\" height=\"270\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Odair-em-roteiro-pela-area-onde-se-instalou-o-Quilombo-do-Pai-Felipe-Nathalia_filipe-300x200.jpg\" data-eio-rwidth=\"300\" data-eio-rheight=\"200\"\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268454\" class=\" wp-image-268454\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Odair-em-roteiro-pela-area-onde-se-instalou-o-Quilombo-do-Pai-Felipe-Nathalia_filipe-300x200.jpg\" alt=\"Odair em roteiro pela \u00e1rea onde se instalou o Quilombo do Pai Felipe.\" width=\"426\" height=\"270\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-268454\" class=\"wp-caption-text\">Odair em roteiro na \u00e1rea onde se instalou o Quilombo do Pai Felipe.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_268450\" style=\"width: 283px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268450\" class=\"wp-image-268450 lazyload\" alt=\"O historiador Odair Jos\u00e9 Pereira.\" width=\"273\" height=\"258\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Odair-Historiador-Arquivo-pessoal-e1779468676444-300x294.jpeg\" data-eio-rwidth=\"300\" data-eio-rheight=\"294\"\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-268450\" class=\"wp-image-268450\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Odair-Historiador-Arquivo-pessoal-e1779468676444-300x294.jpeg\" alt=\"O historiador Odair Jos\u00e9 Pereira.\" width=\"273\" height=\"258\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-268450\" class=\"wp-caption-text\">O historiador Odair Jos\u00e9 Pereira.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>REPARA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\u201cApesar de homenagear pessoas do passado, a denomina\u00e7\u00e3o das ruas s\u00e3o uma refer\u00eancia ao presente\u201d, afirma Odair Jos\u00e9 Pereira, 42 anos, pesquisador e professor de Hist\u00f3ria. \u201cNomear \u00e9 sempre um campo de disputa, porque a gente nomeia quem a gente quer lembrar ou continuar lembrando no presente. Relembrar o nome de pessoas negras que viveram na cidade, ou t\u00eam mem\u00f3ria sobre a quest\u00e3o negra, \u00e9 uma forma de fazer essas pessoas presentes\u201d.<\/p>\n<p>Odair tamb\u00e9m organiza roteiros pela cidade, esporadicamente. Ele conta que houve um esquadrinhamento de ruas na cidade, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. \u201cFoi naquele momento que deram o nome \u00e0 rua Luiz Gama, no Macuco. Isso indica que ele era lembrado 30 anos depois da morte (em 1882)\u201d.<br \/>O professor conta que no final de 1910, in\u00edcio de 1920, a municipalidade nomeiou v\u00e1rias vias que relembram pessoas vinculadas \u00e0 luta abolicionista. Ele cita a Rua Euz\u00e9bio de Queiroz, refer\u00eancia ao autor da lei que decreta o fim do tr\u00e1fico negreiro transatl\u00e2ntico em 1850, e a Rua Liberdade, entre outras.<\/p>\n<p>Em 2025, uma das conquistas da Mochilando foi a substitui\u00e7\u00e3o do nome Travessa Comendador Netto (o escravocrata) pelo de An\u00edsio Jos\u00e9 da Costa, no Centro. O angolano An\u00edsio foi escravizado, fugiu para o Quilombo do Jabaquara, trabalhou no Porto de Santos. Aos 90 anos, formou fam\u00edlia e teve sete filhos. Morreu aos 110 anos, em 1940. A filha dele, Helena Monteiro da Costa, faleceu em 2025, aos 100 anos. Morava na Rua da Liberdade.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/historia-nas-ruas-caminhos-revelam-presenca-da-populacao-negra-em-santos\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Desde que Braz Cubas chegou ao povoado do Enguagua\u00e7u, onde fundou a Vila de Santos (1545\/46), africanos e africanas est\u00e3o em solo santista, sequestrados em suas terras, principalmente, para o trabalho for\u00e7ado nos poucos engenhos de a\u00e7\u00facar, entre outros afazeres. 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