{"id":79870,"date":"2026-05-19T22:38:00","date_gmt":"2026-05-20T01:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-brasil-entende-mesmo-o-papel-do-agro-num-mundo-instavel\/"},"modified":"2026-05-19T22:38:00","modified_gmt":"2026-05-20T01:38:00","slug":"o-brasil-entende-mesmo-o-papel-do-agro-num-mundo-instavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-brasil-entende-mesmo-o-papel-do-agro-num-mundo-instavel\/","title":{"rendered":"O Brasil entende mesmo o papel do agro num mundo inst\u00e1vel?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"texto\">\n<p>Estudo publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), abordando as &#8220;Implica\u00e7\u00f5es globais do conflito de 2026 no Oriente M\u00e9dio para o setor agroalimentar&#8221;, enfatiza a relev\u00e2ncia de pa\u00edses, como o nosso, capazes de produzir e exportar alimentos em grande escala. Devido a dificuldades log\u00edsticas, como o bloqueio do Estreito de Ormuz, e da majora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, dos quais depende muito a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes, o impacto foi instant\u00e2neo nos custos agr\u00edcolas.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, o fato de que na\u00e7\u00f5es envolvidas no conflito, assim como R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m em guerra, s\u00e3o produtoras importantes de adubos. Nesse cen\u00e1rio, a FAO estima que os pre\u00e7os dos fertilizantes podem permanecer entre 15% e 20% mais altos neste primeiro semestre, encarecendo tamb\u00e9m os alimentos.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o Brasil, segundo o relat\u00f3rio, ganha relev\u00e2ncia, ao apresentar duas caracter\u00edsticas raras: escala de produ\u00e7\u00e3o e capacidade exportadora. De fato, somos um dos maiores fornecedores mundiais de commodities como soja, milho e a\u00e7\u00facar e numerosos alimentos. Assim, quaisquer problemas nas nossas lavouras e\/ou na capacidade de vender ao exterior t\u00eam impacto direto nos pre\u00e7os internacionais de produtos agr\u00edcolas.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>O estudo chama aten\u00e7\u00e3o para esse ponto, ao analisar a vulnerabilidade do Brasil aos choques de fertilizantes. Importamos 85% do volume que consumimos e, de acordo com a FAO, um quinto \u00e9 proveniente da regi\u00e3o do Golfo P\u00e9rsico. Por\u00e9m, o aspecto mais grave est\u00e1 na dimens\u00e3o sist\u00eamica: se nossos agricultores reduzirem o uso de adubos e, em consequ\u00eancia, diminu\u00edrem a produ\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 impacto imediato no mercado global.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, outro fator estrat\u00e9gico: enquanto muitos pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico dependem de importa\u00e7\u00f5es para mais de 70% de seu consumo, o Brasil figura entre os exportadores capazes de atender a essa demanda. Em momentos de crise log\u00edstica ou de redistribui\u00e7\u00e3o dos fluxos comerciais, essa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais relevante.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>O estudo da FAO confirma que o nosso agro \u00e9 um componente estrutural para o mundo. Cabe perguntar se n\u00f3s, brasileiros, entendemos essa relev\u00e2ncia em sua dimens\u00e3o mais profunda. Fico com certo ceticismo sobre isso ao observar alguns problemas. O primeiro refere-se ao fato de, num pa\u00eds com uma das maiores reservas mundiais de terras raras, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) ter como meta produzir internamente apenas 50% de nossa demanda s\u00f3 em 2050. \u00c9 premente acelerar esse processo.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Outro dado que me preocupa \u00e9 que o desembolso de recursos do Plano Safra 2025\/26 at\u00e9 janeiro \u00faltimo teve recuo de 12,5% em rela\u00e7\u00e3o ao anterior, segundo o Sistema de Opera\u00e7\u00f5es do Cr\u00e9dito Rural e do Proagro do Banco Central. Juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concess\u00e3o de financiamento est\u00e3o entre as causas de que apenas pouco mais da metade dos R$ 405,9 bilh\u00f5es dispon\u00edveis tenham chegado \u00e0s lavouras. Enquanto isso, a inadimpl\u00eancia no setor rural segue em torno do \u00edndice recorde de 8% e os produtores continuam enfrentando pesadas perdas devido \u00e0 defici\u00eancia dos transportes e da falta de armaz\u00e9ns.<\/p>\n<p>Penso que o Brasil precisa solucionar todos esses gargalos. Podemos e devemos oferecer seguran\u00e7a alimentar com pre\u00e7os menores, em especial \u00e0s na\u00e7\u00f5es com baixos indicadores econ\u00f4micos e sociais. Por isso, \u00e9 crucial encontrar alternativas para a importa\u00e7\u00e3o de fertilizantes.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m necessitamos buscar solu\u00e7\u00f5es internas, como o micro-organismo\u00a0riz\u00f3bio, a\u00a0<em>bact\u00e9ria do bem<\/em>,\u00a0muito eficiente na cultura da soja para a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio, que permite substituir totalmente a aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada qu\u00edmica. Nas lavouras da cana-de-a\u00e7\u00facar, usamos a torta de filtro, rica em f\u00f3sforo, pot\u00e1ssio e nitrog\u00eanio, e a vinha\u00e7a, abundante em pot\u00e1ssio.\u00a0H\u00e1, ainda, a\u00a0<em>cama de frango<\/em>,\u00a0adubo org\u00e2nico de alto valor, composto pelos dejetos das aves, e cresce o uso de v\u00e1rios\u00a0bioinsumos que tornam as ra\u00edzes das plantas mais resistentes a pragas e outros que contribuem para fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e aumentam a efici\u00eancia do f\u00f3sforo.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>No \u00e2mbito das pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 fundamental agilizar a vota\u00e7\u00e3o no Congresso do Projeto de Lei 699\/2023, que institui\u00a0o Programa de Desenvolvimento da Ind\u00fastria de Fertilizantes (Profert), incentivando essa ind\u00fastria. A prop\u00f3sito, cabe observar que o adubo importado \u00e9 isento de impostos, mas o nacional \u00e9 taxado.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisamos avan\u00e7ar no uso sustent\u00e1vel de \u00e1reas dos povos origin\u00e1rios, inclusive para melhorar suas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. Um exemplo: o Brasil importa pot\u00e1ssio de terras dos ind\u00edgenas do Canad\u00e1, que recebem royalties e t\u00eam grande interesse em preservar o meio ambiente. Aqui, onde \u00e9 proibida a extra\u00e7\u00e3o nas reservas, os nossos passam fome e sofrem com doen\u00e7as. Precisamos de leis s\u00e9rias para conciliar produ\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>Entender de fato a relev\u00e2ncia do agro para nossa economia e o mundo, como atesta a FAO, significa, na pr\u00e1tica, priorizar a solu\u00e7\u00e3o dos gargalos que v\u00eam desafiando a resili\u00eancia dos brasileiros do campo. Respostas concretas s\u00e3o urgentes.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p><strong>*Jo\u00e3o Guilherme Sabino Ometto<\/strong>\u00a0\u00e9 engenheiro (Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos \u2013 EESC\/USP), empres\u00e1rio e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<table align=\"left\" style=\"width:359px\">&#13;<\/p>\n<tbody>&#13;<\/p>\n<tr width=\"359\">&#13;<\/p>\n<td width=\"359\">&#13;<br \/>\n\t\t\t&#13;\n\t\t\t<\/td>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t<\/tr>\n<p>&#13;<br \/>\n\t<\/tbody>\n<p>&#13;<br \/>\n<\/table>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ricardo Viveiros \ufe60 Associados<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async defer crossorigin=\"anonymous\" src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&#038;version=v12.0&#038;appId=&#038;autoLogAppEvents=1\" nonce=\"ou0fI1lo\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bs9.com.br\/brasil\/o-brasil-entende-mesmo-o-papel-do-agro-num-mundo-instavel\/39501\/\">BS9<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), abordando as &#8220;Implica\u00e7\u00f5es globais do conflito de 2026 no Oriente M\u00e9dio para o setor agroalimentar&#8221;, enfatiza a relev\u00e2ncia de pa\u00edses, como o nosso, capazes de produzir e exportar alimentos em grande escala. 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