{"id":76962,"date":"2026-05-03T21:28:43","date_gmt":"2026-05-04T00:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-vizinho-do-brasil-que-ve-suas-receitas-crescerem-com-a-guerra-no-ira\/"},"modified":"2026-05-03T21:28:43","modified_gmt":"2026-05-04T00:28:43","slug":"o-vizinho-do-brasil-que-ve-suas-receitas-crescerem-com-a-guerra-no-ira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-vizinho-do-brasil-que-ve-suas-receitas-crescerem-com-a-guerra-no-ira\/","title":{"rendered":"O vizinho do Brasil que v\u00ea suas receitas crescerem com a guerra no Ir\u00e3"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"tp-post-content\">\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O governo da Guiana arrecadou US$ 761 milh\u00f5es (R$ 3,7 bilh\u00f5es) em receitas petrol\u00edferas no primeiro trimestre deste ano, o maior valor trimestral j\u00e1 registrado desde que o pa\u00eds come\u00e7ou a produzir petr\u00f3leo para fins comerciais, segundo dados do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as da Guiana. O valor, que representa a fatia que chega diretamente aos cofres do Estado, foi alavancado, em parte, pelo aumento de pre\u00e7os do petr\u00f3leo em decorr\u00eancia da guerra no Ir\u00e3.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O vizinho do Brasil viu sua receita semanal de venda de petr\u00f3leo saltar de US$ 370 milh\u00f5es (R$ 1,8 bilh\u00e3o, na cota\u00e7\u00e3o mais recente) para US$ 623 milh\u00f5es (R$ 3 bilh\u00f5es) desde o in\u00edcio do conflito \u2013 um aumento de 68%, segundo dados revelados pela revista brit\u00e2nica <em>The Economist<\/em>.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O ganho inesperado da pequena na\u00e7\u00e3o, com menos de um milh\u00e3o de habitantes, tem origem a mais de 10 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia: o impasse sobre o Estreito de Ormuz, rota estrat\u00e9gica para o mercado global de energia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em retalia\u00e7\u00e3o aos ataques americanos e israelenses iniciados em 28 de fevereiro, o Ir\u00e3 restringiu a passagem pelo estreito, por onde trafega cerca de 20% do petr\u00f3leo consumido no mundo. O resultado foi o aumento abrupto do pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo. O tipo Brent \u2013 refer\u00eancia de pre\u00e7o mundial \u2013 saltou de US$ 72 (R$ 358) antes da guerra para mais de US$ 125 (R$ 621) em seu pico nesta semana, a maior alta desde 2022, quando chegou a US$ 122 (R$ 606).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Atualmente, Ormuz est\u00e1 bloqueado tanto pelo Ir\u00e3 quanto pelos EUA, que vivem um impasse nas negocia\u00e7\u00f5es para encerrar o conflito em curso no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A disparada do pre\u00e7o do barril no mercado internacional aumentou significativamente a rentabilidade de cada carregamento de petr\u00f3leo da Guiana. Junto a este aumento, o pa\u00eds tamb\u00e9m tem sido beneficiado pelo mercado europeu, cujas refinarias est\u00e3o pagando pr\u00eamios elevados pelo fornecimento est\u00e1vel do petr\u00f3leo guianense \u2013 o que, somado \u00e0 alta do barril provocada pela guerra no Ir\u00e3, faz o lucro do pa\u00eds superar em cerca de 90% o que estava previsto antes do conflito no Oriente M\u00e9dio, segundo apura\u00e7\u00e3o da revista brit\u00e2nica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A rela\u00e7\u00e3o entre a Europa e o petr\u00f3leo guianense j\u00e1 vinha se aprofundando antes do in\u00edcio desta guerra. J\u00e1 em 2024, 66% de todo o petr\u00f3leo exportado pela Guiana foi para refinarias do continente europeu \u2013 percentual que chegou a 75% em janeiro deste ano, segundo dados revelados pelo portal guianense especializado <em>OilNOW.<\/em><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O movimento dos europeus em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Guiana foi impulsionado pela busca por alternativas ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, em 2022, que os levou a impor diversas san\u00e7\u00f5es ao petr\u00f3leo russo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para n\u00e3o sofrerem com a perda do petr\u00f3leo de Moscou, o continente passou a diversificar nos \u00faltimos anos suas fontes: em 2025, Estados Unidos, Noruega e Cazaquist\u00e3o j\u00e1 eram os tr\u00eas maiores fornecedores de petr\u00f3leo da Uni\u00e3o Europeia, segundo o Parlamento Europeu. O petr\u00f3leo do Golfo P\u00e9rsico, por sua vez, estava respondendo por cerca de 7% das importa\u00e7\u00f5es do continente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Contudo, com a guerra no Ir\u00e3, esse fornecimento ficou em xeque, o que aumentou a press\u00e3o dos europeus por mais alternativas. Diante desse cen\u00e1rio, a Guiana surgiu como o fornecedor que re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es mais convenientes para os europeus: produz um petr\u00f3leo de f\u00e1cil refino, adequado ao mercado do continente, e extra\u00eddo em \u00e1reas mar\u00edtimas afastadas de zonas de conflito.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para Marco Aurelio da Silva, consultor em neg\u00f3cios internacionais, mestre em administra\u00e7\u00e3o e professor do Centro Universit\u00e1rio da Serra Ga\u00facha, o \u201cboom\u201d guianense n\u00e3o \u00e9 apenas um efeito passageiro desta guerra.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;Embora o conflito no Ir\u00e3 e o fechamento parcial de Ormuz tenham inflado os pre\u00e7os, o salto da Guiana \u00e9 predominantemente estrutural. O pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 apenas aproveitando pre\u00e7os altos; ele est\u00e1 entregando um dos petr\u00f3leos de menor custo de extra\u00e7\u00e3o e menor intensidade de carbono do mundo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;O mercado global est\u00e1 em uma fase de &#8216;voo para a qualidade&#8217;, onde a seguran\u00e7a pol\u00edtica e a efici\u00eancia ambiental contam tanto quanto o volume. A Guiana preenche esse v\u00e1cuo permanentemente\u201d, completou.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo o analista, a guerra no Ir\u00e3 evidenciou que a seguran\u00e7a energ\u00e9tica do Ocidente depende da pulveriza\u00e7\u00e3o de fornecedores &#8211; e que pa\u00edses pequenos exportadores de petr\u00f3leo, como a Guiana, se tornam &#8220;portos seguros&#8221; geogr\u00e1ficos nesse cen\u00e1rio. Enquanto o Estreito de Ormuz \u00e9 um gargalo f\u00edsico e pol\u00edtico, explicou Marco Aur\u00e9lio, a bacia da Guiana oferece sa\u00edda livre para o Atl\u00e2ntico, conectando-se facilmente aos EUA e \u00e0 Europa.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Guerra tamb\u00e9m exp\u00f4s problema estrutural da Guiana <\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mesmo j\u00e1 sendo um dos maiores produtores de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica do Sul, a Guiana ainda n\u00e3o possui refinarias pr\u00f3prias para transformar seu petr\u00f3leo bruto em derivados como gasolina e diesel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Atualmente, toda a produ\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Bloco Stabroek \u00e9 exportada <em>in natura<\/em>, e o pa\u00eds importa de volta os combust\u00edveis que consome, principalmente dos EUA, o que o deixa exposto \u00e0 mesma alta de pre\u00e7os que beneficia suas exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O problema da importa\u00e7\u00e3o ficou exposto no come\u00e7o de abril: no dia 13 daquele m\u00eas, a Guiana enfrentou uma escassez tempor\u00e1ria de combust\u00edvel causada por atrasos no envio internacional. Na ocasi\u00e3o, o premi\u00ea Irfaan Ali precisou divulgar o cronograma de chegada dos pr\u00f3ximos navios com carregamento de combust\u00edvel e pedir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o estocasse combust\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Posteriormente, Ali reiterou em reuni\u00e3o da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio de Georgetown que o pa\u00eds deve retomar conversas sobre o desenvolvimento de refinarias locais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A discuss\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma refinaria local j\u00e1 estava sendo debatida desde o in\u00edcio da guerra no Ir\u00e3, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 um projeto definitivo para a constru\u00e7\u00e3o de uma em territ\u00f3rio guianense.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Uma pot\u00eancia petrol\u00edfera em ascens\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Guiana, que era inexistente at\u00e9 2019, atingiu uma m\u00e9dia de 716 mil barris por dia em 2025 e ultrapassou 900 mil barris di\u00e1rios em fevereiro deste ano, fazendo do pequeno pa\u00eds o terceiro maior produtor de petr\u00f3leo da Am\u00e9rica do Sul, atr\u00e1s apenas do Brasil e da Venezuela, segundo dados compilados pela ag\u00eancia <em>Bloomberg<\/em>.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Toda essa produ\u00e7\u00e3o vem de um \u00fanico lugar: o chamado Bloco Stabroek, \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em alto-mar localizada a cerca de 200 quil\u00f4metros da costa guianense, atualmente operado por um cons\u00f3rcio liderado pela americana ExxonMobil, com a participa\u00e7\u00e3o da tamb\u00e9m americana Chevron e da estatal chinesa China National Offshore Oil Corporation (CNOOC).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">As grandes receitas da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo est\u00e3o ajudando a transformar rapidamente a economia da Guiana. O Produto Interno Bruto (PIB) real do pa\u00eds est\u00e1 crescendo, em m\u00e9dia, 47% ao ano desde 2022, segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), que projeta ainda uma expans\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds de 16,2% para este ano.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Banco Mundial vai na mesma dire\u00e7\u00e3o: em seu relat\u00f3rio de abril sobre a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, a entidade aponta crescimento de 16,3% para a Guiana neste ano \u2013 o maior da regi\u00e3o \u2013 e de 23,5% em 2027.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;Cinco anos atr\u00e1s, a Guiana tinha uma das rendas per capita mais baixas do hemisf\u00e9rio. Hoje, quando vejo o pa\u00eds, ele \u00e9 completamente diferente. S\u00f3 consigo imaginar como ser\u00e1 daqui a cinco ou dez anos&#8221;, disse Lilia Burunciuc, diretora do Banco Mundial para o Caribe, durante visita recente ao pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">E o ganho atual ainda \u00e9 s\u00f3 uma fra\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 por vir. Com a alta do pre\u00e7o do petr\u00f3leo provocada pelo impasse no Estreito de Ormuz, o governo da Guiana est\u00e1 perto de ampliar de forma expressiva sua parcela na renda gerada pelos campos petrol\u00edferos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Isso ocorre por causa do contrato assinado em 2016, quando o pa\u00eds ainda n\u00e3o produzia petr\u00f3leo e precisou oferecer condi\u00e7\u00f5es atrativas para atrair empresas como a ExxonMobil. Pelo acordo da \u00e9poca, o cons\u00f3rcio explorador teria prioridade para recuperar os bilh\u00f5es de d\u00f3lares investidos no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, que contou com a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os, constru\u00e7\u00e3o de plataformas e estrutura de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Por esse contrato, a Guiana recebe hoje cerca de 14,5% do valor de cada barril produzido, enquanto a maior parte do restante ainda \u00e9 usada para compensar os gastos iniciais das empresas. Com o petr\u00f3leo sendo vendido mais caro, por\u00e9m, esses custos est\u00e3o sendo recuperados mais rapidamente. Quando essa etapa terminar, menos dinheiro ir\u00e1 para o cons\u00f3rcio e mais receita ficar\u00e1 com o governo guianense. Na pr\u00e1tica, a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos ganhos do petr\u00f3leo pode mais do que triplicar, chegando a perto de 50%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A meta do cons\u00f3rcio liderado pela ExxonMobil agora \u00e9 levar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Guiana a 1,7 milh\u00e3o de barris por dia at\u00e9 2030. Em mar\u00e7o, a empresa anunciou planos para um oitavo projeto de produ\u00e7\u00e3o no Bloco Stabroek, o primeiro voltado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural, e prepara o desenvolvimento de novos campos para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">\u201cEm termos de volume export\u00e1vel per capita, a Guiana j\u00e1 \u00e9 uma pot\u00eancia. No entanto, ela ainda \u00e9 uma \u2018pot\u00eancia em constru\u00e7\u00e3o\u2019 no que diz respeito \u00e0 maturidade institucional. A depend\u00eancia de fatores externos \u00e9 alta, especialmente do cons\u00f3rcio liderado pela ExxonMobil. Para se consolidar, o pa\u00eds precisa converter a renda petrol\u00edfera em infraestrutura diversificada e fortalecer sua soberania diante das press\u00f5es territoriais da Venezuela\u201d, disse Marco Aur\u00e9lio.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Apesar da proje\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico devido ao <em>&#8220;boom&#8221;<\/em> do petr\u00f3leo, a Guiana ainda convive com problemas que a riqueza da <em>commodity <\/em>ainda n\u00e3o resolveu. Embora seja atualmente uma das economias que mais crescem na regi\u00e3o, o pa\u00eds ainda possui um alto \u00edndice de pobreza: 58% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha da pobreza, segundo relat\u00f3rio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Mercado que vai al\u00e9m da Europa<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Al\u00e9m da Europa, os Estados Unidos consomem entre 20% e 30% das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo guianenses, segundo a consultoria brit\u00e2nica <em>Argus Media<\/em>. O restante se divide entre Am\u00e9rica Central, Caribe e, mais recentemente, \u00c1sia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Dois pa\u00edses t\u00eam papel estrat\u00e9gico na distribui\u00e7\u00e3o deste petr\u00f3leo: Holanda e Panam\u00e1. Nos cinco primeiros meses de 2025, quase metade dos embarques guianenses seguiu diretamente para esses destinos \u2013 20 dos 93 navios enviados foram para a Holanda e outros 20 para o Panam\u00e1, segundo dados compilados a partir da Administra\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima da Guiana e de plataformas de rastreamento mar\u00edtimo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Os portos holandeses funcionam como porta de entrada para o petr\u00f3leo bruto destinado a refinarias do norte da Europa. J\u00e1 o Panam\u00e1 opera como centro log\u00edstico de redistribui\u00e7\u00e3o: parte do petr\u00f3leo recebido segue depois para a costa oeste dos Estados Unidos e para mercados asi\u00e1ticos por meio do Canal do Panam\u00e1.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O avan\u00e7o do petr\u00f3leo da Guiana tamb\u00e9m est\u00e1 ocorrendo na \u00c1sia. Em 2024, nenhum carregamento guianense teve esse destino. J\u00e1 em 2025, foram 24 navios, sendo 13 apenas no segundo semestre, segundo a empresa de intelig\u00eancia mar\u00edtima Vortexa.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A Guiana entre os EUA e a China<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A presen\u00e7a simult\u00e2nea de empresas americanas e da estatal chinesa CNOOC nos campos da Guiana coloca o pequeno pa\u00eds sul-americano no centro de uma das principais disputas geopol\u00edticas deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para o analista Marco Aur\u00e9lio da Silva, esse arranjo funciona como uma esp\u00e9cie de blindagem para os guianenses. &#8220;A Guiana j\u00e1 \u00e9 um microcosmo da geopol\u00edtica do s\u00e9culo 21. A coexist\u00eancia da ExxonMobil e da CNOOC no Bloco Stabroek \u00e9 uma forma de o governo guianense buscar um &#8216;seguro de vida&#8217;: ao ter as duas superpot\u00eancias como s\u00f3cias em sua riqueza, ele desestimula agress\u00f5es externas&#8221;, avalia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">As press\u00f5es externas s\u00e3o reais: a Guiana enfrenta h\u00e1 anos a contesta\u00e7\u00e3o territorial da Venezuela sobre a regi\u00e3o do Essequibo, que abriga parte das reservas de petr\u00f3leo do pa\u00eds. Em janeiro deste ano, com a captura do ditador Nicol\u00e1s Maduro pelos Estados Unidos, parte da cobi\u00e7a venezuelana sobre o territ\u00f3rio guianense arrefeceu, mas o pa\u00eds segue em alerta.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Li\u00e7\u00f5es para o Brasil<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo Marco Aur\u00e9lio da Silva, a Guiana tem hoje o que falta ao Brasil: agilidade regulat\u00f3ria e previsibilidade. &#8220;A Guiana conseguiu passar de zero a quase 1 milh\u00e3o de barris\/dia em tempo recorde devido a um modelo de contrato focado em acelerar o desenvolvimento. O Brasil, com uma burocracia mais densa e debates ambientais travados, corre o risco de ver sua produ\u00e7\u00e3o estagnar na pr\u00f3xima d\u00e9cada enquanto o vizinho atrai os investimentos que poderiam vir para c\u00e1&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Brasil, segundo o analista, tamb\u00e9m poderia estar vivendo um boom semelhante ao da Guiana se j\u00e1 estivesse mais avan\u00e7ado na explora\u00e7\u00e3o da Margem Equatorial \u2013 regi\u00e3o que se estende do Amap\u00e1 ao Rio Grande do Norte e que tem caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas semelhantes \u00e0s da bacia guianense.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">\u201cO sucesso da Guiana \u00e9 o maior argumento geol\u00f3gico para a explora\u00e7\u00e3o da Margem Equatorial brasileira, visto que as bacias s\u00e3o espelhadas. O modelo guianense destaca que o custo de oportunidade de \u2018n\u00e3o explorar\u2019 [a regi\u00e3o] \u00e9 alt\u00edssimo. Enquanto o Brasil discute licen\u00e7as ambientais para um \u00fanico po\u00e7o, a Guiana j\u00e1 mapeou e colocou em produ\u00e7\u00e3o dezenas, revertendo essa riqueza em um Fundo Soberano que j\u00e1 dita o ritmo do crescimento do seu PIB\u201d, disse Marco Aur\u00e9lio.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/o-vizinho-do-brasil-que-ve-suas-receitas-crescerem-com-a-guerra-no-ira\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo da Guiana arrecadou US$ 761 milh\u00f5es (R$ 3,7 bilh\u00f5es) em receitas petrol\u00edferas no primeiro trimestre deste ano, o maior valor trimestral j\u00e1 registrado desde que o pa\u00eds come\u00e7ou a produzir petr\u00f3leo para fins comerciais, segundo dados do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as da Guiana. 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