{"id":76540,"date":"2026-04-30T21:17:53","date_gmt":"2026-05-01T00:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-impacto-fiscal-da-guerra-no-ira\/"},"modified":"2026-04-30T21:17:53","modified_gmt":"2026-05-01T00:17:53","slug":"o-impacto-fiscal-da-guerra-no-ira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-impacto-fiscal-da-guerra-no-ira\/","title":{"rendered":"O impacto fiscal da guerra no Ir\u00e3"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"tp-post-content\">\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A conta dos efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Ir\u00e3 estar\u00e1 na mesa de quem for escolhido em outubro para ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em termos de contas p\u00fablicas, a guerra acabou sendo um al\u00edvio para o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), pois mascara um problema estrutural nas finan\u00e7as do governo e reduz temporariamente a percep\u00e7\u00e3o de d\u00e9ficit prim\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Antes do conflito, a Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente (IFI), bra\u00e7o do Senado para an\u00e1lise das contas p\u00fablicas, projetava um rombo prim\u00e1rio de 0,7% do PIB para este ano \u2014 o pior em anos. Agora, se as tens\u00f5es persistirem, esse rombo pode cair para 0,1%. Mas essa melhora \u00e9 ilus\u00f3ria, destaca a entidade.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O problema \u00e9 que o al\u00edvio artificial em 2026 vai se tornar um problema real em 2027. A mesma infla\u00e7\u00e3o que hoje aumenta a receita do governo provocar\u00e1 um aumento de gastos mais forte no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A resposta do governo e os subs\u00eddios ao diesel<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O conflito elevou o pre\u00e7o do barril, encarecendo combust\u00edveis no Brasil. O litro do diesel ficou 21,2% mais caro nas bombas at\u00e9 a terceira semana de abril, segundo a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O governo respondeu com subs\u00eddios e impostos de exporta\u00e7\u00e3o para conter a alta de pre\u00e7os \u2014 medidas que, segundo a IFI, oferecem al\u00edvio tempor\u00e1rio sem resolver a fragilidade das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A resposta estruturou-se em tr\u00eas pilares:<\/p>\n<ul class=\"postList_post-list-container__W0E4y postList_visual-type-unordered-list__M8U7t\">\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\">MP 1.340 (mar\u00e7o de 2026): instituiu subven\u00e7\u00e3o ao diesel, limitada a R$ 10 bilh\u00f5es at\u00e9 31 de dezembro;<\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\">MP 1.349 (abril de 2026): aprofundou a interven\u00e7\u00e3o com modelo de coopera\u00e7\u00e3o federativa e subven\u00e7\u00e3o ao GLP de at\u00e9 R$ 850 por tonelada importada;<\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\">Setores cr\u00edticos: linha de cr\u00e9dito de R$ 1 bilh\u00e3o para companhias a\u00e9reas (com a Uni\u00e3o assumindo risco de inadimpl\u00eancia); adiamento do aumento de tarifas de navega\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de junho a agosto para dezembro; redu\u00e7\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o federal (PIS\/Cofins) sobre biodiesel e querosene de avia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Medidas compensat\u00f3rias e o risco jur\u00eddico<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para compensar as perdas, o governo criou um imposto de exporta\u00e7\u00e3o de 12% sobre o barril bruto e elevou o IPI sobre cigarros. A Justi\u00e7a Federal chegou a derrubar a al\u00edquota de exporta\u00e7\u00e3o por &#8220;desvio de finalidade&#8221;, mas o Tribunal Regional Federal da 2.\u00aa Regi\u00e3o restabeleceu a cobran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O risco persiste. Se uma inst\u00e2ncia superior reverter essa decis\u00e3o, o governo perder\u00e1 entre R$ 14,8 bilh\u00f5es (em cen\u00e1rio de normaliza\u00e7\u00e3o) e R$ 16,5 bilh\u00f5es (se as tens\u00f5es persistirem), segundo a IFI. Essa arrecada\u00e7\u00e3o seria obtida ao longo de quatro meses de 2026. A perda reabrir\u00e1 o buraco fiscal que o conflito temporariamente fechou.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Felipe Salto, economista-chefe da Warren Rena, aponta que parte do dinheiro esperado com a al\u00edquota de exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novo: o governo est\u00e1 &#8220;raspando o tacho&#8221; \u2014 ou seja, antecipando receitas que naturalmente entrariam via dividendos e impostos sobre lucro \u2014 apenas para sustentar o subs\u00eddio imediato ao diesel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Diferentemente dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia, que mant\u00eam estoques estrat\u00e9gicos de petr\u00f3leo, o Brasil depende integralmente da compra imediata no mercado internacional, segundo Bruno Fernandes, chefe global de pesquisa macroecon\u00f4mica da Coface, uma das maiores seguradoras mundiais de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O pa\u00eds importa cerca de 25% do diesel consumido, 10% da gasolina e 17% do querosene de avia\u00e7\u00e3o. Essa vulnerabilidade reflete d\u00e9cadas de falta de investimento em infraestrutura de refino e armazenagem.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">2026: ilus\u00e3o fiscal e a volatilidade geopol\u00edtica<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A aparente melhora das contas p\u00fablicas em 2026 \u00e9 uma ilus\u00e3o cont\u00e1bil. O rombo prim\u00e1rio do governo central \u00e9 projetado em 0,1% do PIB \u2014 queda abrupta em rela\u00e7\u00e3o aos 0,7% previstos antes do conflito. Essa melhora \u00e9 impulsionada pela alta do petr\u00f3leo e pela acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, que alarga artificialmente as bases de incid\u00eancia dos tributos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A miragem \u00e9 perigosa por dois motivos, apontam analistas:<\/p>\n<ul class=\"postList_post-list-container__W0E4y postList_visual-type-unordered-list__M8U7t\">\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\">Volatilidade geopol\u00edtica: se as negocia\u00e7\u00f5es no Oriente M\u00e9dio avan\u00e7arem e o Brent recuar para US$ 80, o rombo prim\u00e1rio retornar\u00e1 para -0,5% do PIB, reabrindo o buraco fiscal;<\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\">Novo limite de gastos: permite expandir o teto or\u00e7ament\u00e1rio com base em receitas tempor\u00e1rias que n\u00e3o se repetir\u00e3o em 2027.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O mercado financeiro est\u00e1 c\u00e9tico. Mesmo com as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o revisou suas proje\u00e7\u00f5es para o rombo prim\u00e1rio, mantendo-as em 0,5% do PIB desde antes do conflito. A desconfian\u00e7a reflete a percep\u00e7\u00e3o de que as receitas tempor\u00e1rias s\u00e3o ef\u00eameras e que a inflexibilidade or\u00e7ament\u00e1ria permanece intacta.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo Salto, o impacto fiscal bruto das medidas emergenciais \u00e9 de R$ 34,7 bilh\u00f5es at\u00e9 agosto de 2026. Quando se consideram as medidas de compensa\u00e7\u00e3o \u2013 particularmente a al\u00edquota de 12% sobre exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo \u2013, o impacto prim\u00e1rio l\u00edquido cai para R$ 15,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Ele ressalta que esse impacto \u00e9 &#8220;pass\u00edvel de acomoda\u00e7\u00e3o fiscal&#8221;, mas \u00e9 necess\u00e1ria cautela para n\u00e3o superestimar ganhos indiretos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Rodrigo Sim\u00f5es, economista e professor da Faculdade do Com\u00e9rcio de S\u00e3o Paulo (FAC-SP), complementa com uma cr\u00edtica estrutural. O conflito traz um efeito contradit\u00f3rio: se os pre\u00e7os internacionais continuarem elevados, o governo arrecada mais com royalties, participa\u00e7\u00f5es e tributos sobre o setor. Mas n\u00e3o \u00e9 uma melhora estrutural \u2014 \u00e9 um choque externo, n\u00e3o uma reorganiza\u00e7\u00e3o dos gastos ou um ajuste fiscal s\u00f3lido.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O problema \u00e9 que o barril mais caro tamb\u00e9m pressiona combust\u00edveis, transporte, alimentos e outros custos. Isso pode elevar a infla\u00e7\u00e3o e, depois, aumentar gastos p\u00fablicos corrigidos por \u00edndices de pre\u00e7os ou pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo. Desde o in\u00edcio do conflito, o ponto m\u00e9dio das proje\u00e7\u00f5es para o IPCA em 2026 passou de 3,91% para 4,8%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;Olhando para o ano que vem, as contas p\u00fablicas n\u00e3o dever\u00e3o ter alguma melhora, pois j\u00e1 est\u00e3o em um limite superior ao que \u00e9 tolerado para pa\u00edses emergentes como o Brasil&#8221;, afirma Sim\u00f5es.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">2027: efeito catraca e indexa\u00e7\u00e3o de gastos<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A armadilha se fecha em 2027 pelo &#8220;efeito catraca&#8221; \u2014 gastos que sobem com a infla\u00e7\u00e3o, mas nunca descem. A infla\u00e7\u00e3o elevar\u00e1 o sal\u00e1rio m\u00ednimo e, automaticamente, benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, BPC, seguro-desemprego e abono salarial em 2027.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Como mais de 50% dos gastos prim\u00e1rios est\u00e3o vinculados ao m\u00ednimo, o governo &#8220;ganha&#8221; na arrecada\u00e7\u00e3o hoje (via infla\u00e7\u00e3o), mas &#8220;perde&#8221; nos gastos amanh\u00e3 (via indexa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A manuten\u00e7\u00e3o de uma Selic elevada deve reduzir o investimento privado. Como consequ\u00eancia, a taxa de desemprego, que era de 5,8% em fevereiro de 2026 (m\u00ednima para o m\u00eas na s\u00e9rie IBGE), dever\u00e1 aumentar significativamente em 2027, elevando custos com seguro-desemprego e pressionando ainda mais os gastos obrigat\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A IFI projeta que os gastos prim\u00e1rios totais saltar\u00e3o de R$ 2,65 trilh\u00f5es em 2026 para R$ 2,82 trilh\u00f5es em 2027. Com isso, o rombo prim\u00e1rio poder\u00e1 ser aproximadamente seis vezes maior em 2027 (comparado a 2026), fazendo com que o limite de gastos possa ser descumprido.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Isso significa que o pr\u00f3ximo governo ter\u00e1 menos espa\u00e7o para investir em infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade \u2014 e mais press\u00e3o para manter juros elevados.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O Banco Central entre a espada e a parede<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Sim\u00f5es, da FAC-SP, tem uma leitura mais ampla sobre a postura do BC. O conflito \u00e9 um choque de oferta \u2014 a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o consegue resolver a alta de pre\u00e7os apenas com pol\u00edtica monet\u00e1ria. Mas precisa evitar que esse aumento de custo se espalhe para outros pre\u00e7os da economia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;Minha leitura \u00e9 que o conflito pode fazer o BC manter uma postura mais dura por mais tempo. N\u00e3o significa necessariamente subir ainda mais os juros, mas pode significar adiar cortes ou fazer uma redu\u00e7\u00e3o muito mais lenta da Selic&#8221;, afirma Sim\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ourinbank, acredita que o conflito tende a gerar um efeito apenas temporariamente positivo sobre as contas p\u00fablicas, via aumento da arrecada\u00e7\u00e3o com petr\u00f3leo. H\u00e1 risco no m\u00e9dio prazo, caso as tens\u00f5es persistam.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/contas-publicas-impacto-fiscal-guerra-ira\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conta dos efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Ir\u00e3 estar\u00e1 na mesa de quem for escolhido em outubro para ocupar o Pal\u00e1cio do Planalto. 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