{"id":75772,"date":"2026-04-28T00:18:41","date_gmt":"2026-04-28T03:18:41","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/milho-na-segunda-safra-transforma-mato-grosso-em-potencia-agricola\/"},"modified":"2026-04-28T00:18:41","modified_gmt":"2026-04-28T03:18:41","slug":"milho-na-segunda-safra-transforma-mato-grosso-em-potencia-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/milho-na-segunda-safra-transforma-mato-grosso-em-potencia-agricola\/","title":{"rendered":"Milho na segunda safra transforma Mato Grosso em pot\u00eancia agr\u00edcola"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">A paisagem agr\u00edcola de Mato Grosso, hoje marcada por extensas lavouras de soja e milho, nem sempre refletiu a pujan\u00e7a que transformou o estado em um dos maiores produtores de alimentos do mundo. At\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970, produzir no Cerrado brasileiro era um desafio marcado por solos \u00e1cidos, baixa fertilidade natural, limita\u00e7\u00f5es log\u00edsticas e pouca tecnologia dispon\u00edvel.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foi a partir da revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola impulsionada pela pesquisa cient\u00edfica e pela persist\u00eancia dos produtores que esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar e, com ele, nasceu um novo modelo produtivo que viria a redefinir o papel do Brasil no mercado global de gr\u00e3os. A virada come\u00e7ou com o desenvolvimento de tecnologias capazes de viabilizar o cultivo no Cerrado. A corre\u00e7\u00e3o do solo com calc\u00e1rio, aliada ao uso de fertilizantes como f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, abriu caminho para culturas como a soja e, posteriormente, o milho. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">De acordo com o segundo diretor administrativo da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Jorge Diego Giacomelli, esse avan\u00e7o foi determinante para a expans\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o. \u201cAp\u00f3s o desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram o cultivo nos solos \u00e1cidos do Cerrado, a agricultura explodiu. Tudo isso foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 pesquisa, \u00e0 tecnologia e \u00e0 perseveran\u00e7a dos produtores que transformaram Mato Grosso em uma pot\u00eancia agr\u00edcola\u201d, afirma. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Esse processo de transforma\u00e7\u00e3o foi gradual e exigiu adapta\u00e7\u00e3o constante. O produtor do n\u00facleo de Nova Mutum, N\u00e9stor Poleto, iniciou sua trajet\u00f3ria no estado ainda na d\u00e9cada de 1970 e relembra as dificuldades enfrentadas no in\u00edcio da atividade. \u201cMinha primeira cultura foi o arroz, em 1979. Em 1983, inseri a soja e tive bons resultados ap\u00f3s corrigir o solo. Na \u00e9poca, a colheita era ensacada e a comercializa\u00e7\u00e3o era muito dif\u00edcil\u201d, conta. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Com o avan\u00e7o das pesquisas, especialmente no desenvolvimento de cultivares mais precoces e adaptadas ao clima do Cerrado, o calend\u00e1rio agr\u00edcola come\u00e7ou a se ajustar. O plantio da soja foi sendo antecipado de dezembro para novembro e, posteriormente, para outubro, abrindo uma janela estrat\u00e9gica para a introdu\u00e7\u00e3o de uma segunda cultura no mesmo ano agr\u00edcola: o milho. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Inicialmente, o milho safrinha surgiu como uma alternativa de cobertura de solo, fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o do sistema de plantio direto. No entanto, com o passar dos anos, a cultura ganhou protagonismo. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA pesquisa foi trazendo cultivares de ciclo mais curto e permitindo a introdu\u00e7\u00e3o do milho como cobertura. Isso consolidou cada vez mais a cultura, que hoje deixou de ser safrinha para se tornar uma safra\u201d, destaca Poleto. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m desempenhou papel central nesse processo. O desenvolvimento de equipamentos mais modernos, a ado\u00e7\u00e3o do plantio direto, o uso de aduba\u00e7\u00e3o mais eficiente e, mais recentemente, a incorpora\u00e7\u00e3o de biotecnologias e automa\u00e7\u00e3o no campo elevaram significativamente a produtividade. Poleto relata que, com novas pr\u00e1ticas de manejo, conseguiu aumentar sua m\u00e9dia produtiva de soja de cerca de 57 sacas por hectare para mais de 63 sacas. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Esse salto produtivo foi acompanhado por uma mudan\u00e7a estrutural no modelo de produ\u00e7\u00e3o. O milho passou a exercer uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dentro do sistema, contribuindo para a sustentabilidade do solo, a diversifica\u00e7\u00e3o da renda e a viabilidade econ\u00f4mica da atividade. \u00a0&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para o produtor do n\u00facleo de Sorriso, S\u00e9rgio Triches, que chegou a Mato Grosso no fim da d\u00e9cada de 1980, a introdu\u00e7\u00e3o gradual do milho foi decisiva para a consolida\u00e7\u00e3o da agricultura no estado. \u201cNo in\u00edcio, utiliz\u00e1vamos cerca de 20% da \u00e1rea com milho. Com o tempo, isso foi aumentando at\u00e9 chegar aos 100% atuais. O milho se tornou um grande diluidor de custos e um fator determinante para a rentabilidade da atividade\u201d, explica. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ele ressalta que o desenvolvimento n\u00e3o ocorreu de forma simples, mas foi resultado de investimentos cont\u00ednuos em tecnologia, gest\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, as coisas s\u00e3o mais f\u00e1ceis em termos de tecnologia, mas mais desafiadoras em gest\u00e3o. O produtor precisa estar atento aos custos e \u00e0 efici\u00eancia para se manter competitivo\u201d, afirma. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A trajet\u00f3ria do milho tamb\u00e9m foi marcada por desafios comerciais e log\u00edsticos, especialmente nas primeiras experi\u00eancias com a cultura. O produtor do n\u00facleo de Diamantino, Altemar Krolling, relembra as dificuldades enfrentadas no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cQuando come\u00e7amos a plantar milho ainda nos anos 90, plantamos 150 hectares e foi dif\u00edcil de vender a produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinha consumo e o valor do frete n\u00e3o fechava a conta para mandar para o Sul do pa\u00eds, e a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o passava de 80 sacas por hectare. Eu j\u00e1 pensava numa alternativa de renda, mas n\u00e3o fechava a conta. Hoje, a cultura do milho j\u00e1 se consolidou e \u00e9 ela que deixa renda para o produtor\u201d, relata. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m do impacto direto nas propriedades rurais, a consolida\u00e7\u00e3o do milho na segunda safra provocou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social em Mato Grosso. A cultura passou a gerar uma nova fonte de renda anual para os produtores e impulsionou o crescimento de cadeias produtivas associadas, como a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal e, mais recentemente, a ind\u00fastria de etanol de milho. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">De acordo com Giacomelli, a expans\u00e3o dessas ind\u00fastrias representa um novo cap\u00edtulo no desenvolvimento do estado. \u201cA implanta\u00e7\u00e3o das usinas de etanol de milho foi uma revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Isso gera emprego, renda e desenvolvimento para os munic\u00edpios, al\u00e9m de agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u201d, destaca. \u00a0&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os dados mais recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu\u00e1ria (Imea) apontam para um crescimento expressivo da produ\u00e7\u00e3o de milho nas \u00faltimas d\u00e9cadas, consolidando o estado como o maior produtor nacional do gr\u00e3o. Esse avan\u00e7o reflete n\u00e3o apenas o aumento da \u00e1rea cultivada, mas principalmente os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Atualmente, o milho j\u00e1 divide protagonismo com a soja e, em alguns cen\u00e1rios, desponta como potencial cultura principal no futuro. A crescente demanda por gr\u00e3os para alimenta\u00e7\u00e3o animal e a expans\u00e3o do mercado de biocombust\u00edveis refor\u00e7am essa tend\u00eancia. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cEu acredito que o milho pode se tornar a principal cultura do estado. A demanda por ra\u00e7\u00e3o e por etanol de milho s\u00f3 cresce, e o produtor est\u00e1 preparado para atender esse mercado\u201d, projeta Giacomelli. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Poleto tamb\u00e9m compartilha dessa vis\u00e3o e vai al\u00e9m ao destacar o papel do milho na constru\u00e7\u00e3o de um sistema produtivo mais equilibrado. \u201cO milho melhora o solo, aumenta a mat\u00e9ria org\u00e2nica e contribui para o desenvolvimento das outras culturas. \u00c9 um caminho sem volta\u201d, afirma. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Hoje, o que antes era chamado de \u201csafrinha\u201d j\u00e1 n\u00e3o reflete a import\u00e2ncia da cultura no campo. O milho de segunda safra consolidou-se como pe\u00e7a-chave na engrenagem do agroneg\u00f3cio mato-grossense, garantindo n\u00e3o apenas produtividade, mas tamb\u00e9m sustentabilidade e estabilidade econ\u00f4mica. \u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A transforma\u00e7\u00e3o do sistema produtivo em Mato Grosso \u00e9 resultado direto da integra\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, tecnologia e experi\u00eancia pr\u00e1tica no campo. Um processo que continua em evolu\u00e7\u00e3o e que mant\u00e9m o estado na vanguarda da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mundial, com o milho ocupando um papel cada vez mais central nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/milho-na-segunda-safra-transforma-mato-grosso-em-potencia-agricola-e-redefine-o-sistema-produtivo-brasileiro_513562.html\">AGROLINK<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paisagem agr\u00edcola de Mato Grosso, hoje marcada por extensas lavouras de soja e milho, nem sempre refletiu a pujan\u00e7a que transformou o estado em um dos maiores produtores de alimentos do mundo. 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