{"id":74960,"date":"2026-04-23T22:49:56","date_gmt":"2026-04-24T01:49:56","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/como-os-eua-estao-combatendo-o-crime-na-america-latina\/"},"modified":"2026-04-23T22:49:56","modified_gmt":"2026-04-24T01:49:56","slug":"como-os-eua-estao-combatendo-o-crime-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/como-os-eua-estao-combatendo-o-crime-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Como os EUA est\u00e3o combatendo o crime na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"tp-post-content\">\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Desde seu retorno \u00e0 Casa Branca, em janeiro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou o uso de a\u00e7\u00f5es militares, lan\u00e7ando m\u00e3o de tecnologia e de parcerias com pa\u00edses na estrat\u00e9gia contra o crime organizado na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A ofensiva come\u00e7ou com a classifica\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es como organiza\u00e7\u00f5es terroristas, avan\u00e7ou para ataques militares nos mares do Caribe e do Pac\u00edfico, culminou na captura do ditador chavista Nicol\u00e1s Maduro em Caracas e agora ganha um novo cap\u00edtulo: a cria\u00e7\u00e3o de um comando militar aut\u00f4nomo baseado em intelig\u00eancia artificial (IA) para desarticular redes criminosas no continente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Batizada de <strong>Comando de Guerra Aut\u00f4noma<\/strong> (SAWC, na sigla em ingl\u00eas), a unidade usar\u00e1 \u201cplataformas aut\u00f4nomas, semiaut\u00f4nomas e n\u00e3o tripuladas\u201d para neutralizar amea\u00e7as em m\u00faltiplos dom\u00ednios \u2013 do fundo do mar ao espa\u00e7o cibern\u00e9tico. <strong>O foco principal ser\u00e1 desarticular redes narcoterroristas e de cart\u00e9is na regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O novo comando integra o Grupo de Guerra Aut\u00f4noma de Defesa (DAWG), iniciativa do Departamento de Guerra dos EUA criada especificamente para incorporar intelig\u00eancia artificial e sistemas aut\u00f4nomos nas opera\u00e7\u00f5es de combate \u2013 e que agora chega \u00e0 Am\u00e9rica Latina como mais um bra\u00e7o da ofensiva de Trump contra grupos criminosos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Veja a seguir mais cinco a\u00e7\u00f5es dos EUA contra fac\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">1. Organiza\u00e7\u00f5es criminosas e cart\u00e9is tratados como terroristas<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A primeira medida de Trump contra o crime na regi\u00e3o foi a assinatura de um decreto classificando diversos grupos criminosos latino-americanos como <strong>organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Os primeiros a receber o r\u00f3tulo foram as fac\u00e7\u00f5es criminosas <strong>Tren de Aragua<\/strong>, da Venezuela, <strong>Mara Salvatrucha (MS-13)<\/strong>, que atua na Am\u00e9rica Central, e outros seis cart\u00e9is mexicanos. Posteriormente entraram na lista duas fac\u00e7\u00f5es haitianas, <strong>Viv Ansanm e Gran Grif<\/strong>, e o <strong>Cartel de los Soles<\/strong>, que segundo os EUA \u00e9 ligado \u00e0 alta c\u00fapula chavista e ao pr\u00f3prio regime de Maduro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Sob essa classifica\u00e7\u00e3o, o governo americano tornou crime federal qualquer apoio material a esses grupos, autorizou o congelamento de bens em qualquer parte do mundo e ampliou a base legal para opera\u00e7\u00f5es militares conduzidas por for\u00e7as dos Estados Unidos nas \u00e1reas onde atuam. At\u00e9 ent\u00e3o, esse tipo de classifica\u00e7\u00e3o era aplicado principalmente contra organiza\u00e7\u00f5es terroristas isl\u00e2micas, como Al-Qaeda e Estado Isl\u00e2mico, no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">2. Lan\u00e7a do Sul: a estrat\u00e9gia para combater as rotas mar\u00edtimas do tr\u00e1fico<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em setembro do ano passado, o governo de Donald Trump lan\u00e7ou a Opera\u00e7\u00e3o <em>Southern Spear<\/em> (Lan\u00e7a do Sul), conduzida pelo Comando Sul (Southcom) das For\u00e7as Armadas americanas, para interceptar e destruir embarca\u00e7\u00f5es acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pac\u00edfico Oriental. O Southcom chegou a deslocar para a regi\u00e3o o porta-avi\u00f5es nuclear USS Gerald R. Ford (o maior do mundo), al\u00e9m de movimentar ca\u00e7as de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o em Porto Rico e uma frota de embarca\u00e7\u00f5es militares e drones para monitorar rotas de tr\u00e1fico.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A opera\u00e7\u00e3o se tornou a maior presen\u00e7a militar dos Estados Unidos no Caribe desde a Crise dos M\u00edsseis de Cuba, em 1962.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">At\u00e9 19 de abril, foram realizados pelo menos 52 ataques contra embarca\u00e7\u00f5es suspeitas de tr\u00e1fico na regi\u00e3o, com 178 \u201cnarcoterroristas\u201d mortos. O comandante do <em>Southcom<\/em>, general Francis Donovan, disse a parlamentares americanos em mar\u00e7o que os ataques fazem parte do plano mais amplo de press\u00e3o dos EUA sobre os grupos criminosos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A opera\u00e7\u00e3o, contudo, foi alvo de cr\u00edticas. Em outubro de 2025, o Alto Comiss\u00e1rio de Direitos Humanos da ONU, Volker T\u00fcrk, afirmou que os ataques americanos na regi\u00e3o violavam \u201co direito internacional dos direitos humanos&#8221; e pediu o fim da opera\u00e7\u00e3o em curso, argumentando que nenhum dos casos documentados justificava o uso letal da for\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">3. A captura de Maduro<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Uma das maiores a\u00e7\u00f5es da ofensiva dos EUA contra o crime na Am\u00e9rica Latina at\u00e9 agora foi a captura do ditador Nicol\u00e1s Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em janeiro. Ambos est\u00e3o presos nos Estados Unidos sob acusa\u00e7\u00f5es de narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo a organiza\u00e7\u00e3o InSight Crime, o efeito imediato da captura de Maduro sobre a seguran\u00e7a na Am\u00e9rica Latina foi a redu\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico na costa caribenha da Venezuela e o desmonte de diversos acampamentos em territ\u00f3rio venezuelano do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), guerrilha colombiana de esquerda com atua\u00e7\u00e3o no narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">4. Escudo das Am\u00e9ricas: a coaliz\u00e3o contra o crime<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em mar\u00e7o, Trump ampliou parcerias com 17 pa\u00edses da regi\u00e3o ao lan\u00e7ar o chamado \u201cEscudo das Am\u00e9ricas\u201d. A coaliz\u00e3o tem o objetivo de coordenar troca de intelig\u00eancia, opera\u00e7\u00f5es conjuntas de pol\u00edcias e coopera\u00e7\u00e3o militar contra cart\u00e9is e fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Participam do &#8220;escudo&#8221; na\u00e7\u00f5es como Argentina, Equador, El Salvador, Chile e Honduras. <strong>Brasil, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, todos governados por l\u00edderes de esquerda, ficaram de fora<\/strong>.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Opera\u00e7\u00e3o conjunta contra o crime no Equador<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Tamb\u00e9m foi em mar\u00e7o que os Estados Unidos e o Equador realizaram seu primeiro ataque conjunto contra um alvo terrestre ligado ao crime organizado na Am\u00e9rica Latina. Segundo autoridades dos dois pa\u00edses, a opera\u00e7\u00e3o atingiu um acampamento dos <em><strong>Comandos de la Frontera<\/strong><\/em>, grupo criminoso formado por dissidentes das antigas For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc), acusado de controlar rotas de coca\u00edna na fronteira entre Equador e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Comando Sul dos Estados Unidos disse na ocasi\u00e3o que a ofensiva realizada representava \u201cum exemplo poderoso do compromisso dos parceiros na Am\u00e9rica Latina e no Caribe para combater o narcoterrorismo\u201d. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, celebrou o ataque como o in\u00edcio de uma coopera\u00e7\u00e3o mais ampla no combate ao crime transnacional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A opera\u00e7\u00e3o, no entanto, passou a ser questionada semanas depois. Em reportagem publicada em 24 de mar\u00e7o, o jornal <em>The New York Times<\/em> afirmou ter visitado a \u00e1rea bombardeada no Equador e concluiu, com base em entrevistas com o propriet\u00e1rio do terreno, quatro trabalhadores e moradores locais, que o alvo atingido no ataque de 6 de mar\u00e7o seria uma fazenda de produ\u00e7\u00e3o leiteira, e n\u00e3o um acampamento criminoso. O Minist\u00e9rio da Defesa equatoriano negou a informa\u00e7\u00e3o da reportagem e manteve a vers\u00e3o oficial.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">5. A\u00e7\u00f5es dos EUA no M\u00e9xico, Bol\u00edvia, Argentina e Paraguai<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No M\u00e9xico, a press\u00e3o americana contra o crime produziu resultado concreto: em 22 de fevereiro, as For\u00e7as Armadas mexicanas mataram o l\u00edder do <strong>Cartel Jalisco Nova Gera\u00e7\u00e3o<\/strong>, Nemesio Oseguera Cervantes, <strong>o &#8220;El Mencho&#8221;<\/strong>, com apoio da intelig\u00eancia dos EUA. El Mencho estava entre os traficantes mais procurados do mundo, com recompensa de US$ 15 milh\u00f5es (R$ 75,3 milh\u00f5es, na cota\u00e7\u00e3o mais recente) oferecida pelos EUA.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Washington tamb\u00e9m fechou alian\u00e7as com os governos da Bol\u00edvia e da Argentina para conter o crime e o narcotr\u00e1fico na regi\u00e3o. La Paz, sob comando do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz, retomou a coopera\u00e7\u00e3o com a ag\u00eancia antidrogas dos EUA (DEA), do governo Trump.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Na Argentina, o governo de Javier Milei assinou um memorando de entendimento que incorporou um representante da Pol\u00edcia Federal Argentina \u00e0 <em>El Dorado Task Force<\/em>, grupo de trabalho americano voltado a investiga\u00e7\u00f5es de lavagem de dinheiro do narcotr\u00e1fico. A Argentina tamb\u00e9m seguiu as designa\u00e7\u00f5es terroristas americanas, classificando o Cartel de los Soles como organiza\u00e7\u00e3o terrorista.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No Paraguai, parlamentares ratificaram o chamado Acordo do Estatuto das For\u00e7as (SOFA, na sigla em ingl\u00eas), que autoriza a presen\u00e7a tempor\u00e1ria de funcion\u00e1rios do Departamento de Guerra dos Estados Unidos e de militares vinculados a contratos da defesa americana no pa\u00eds. Pelo texto, esse pessoal poder\u00e1 atuar com imunidade diplom\u00e1tica, portar armas e ficar submetido \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o penal americana durante opera\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rio paraguaio.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O foco declarado da coopera\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses \u00e9 a regi\u00e3o da Tr\u00edplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina, apontada por Washington como rota de coca\u00edna, armas e, segundo autoridades americanas, \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do Hezbollah.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Impasse com o Brasil<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em abril do ano passado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil anunciou a amplia\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o bilateral no combate ao crime organizado transnacional, com foco em intelig\u00eancia, rastreamento financeiro e opera\u00e7\u00f5es contra tr\u00e1fico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Um ano depois, os dois governos formalizaram o lan\u00e7amento do Projeto de Interdi\u00e7\u00e3o M\u00fatua (MIT), voltado \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia e a\u00e7\u00f5es conjuntas para interceptar armas e drogas, especialmente em portos, aeroportos e na Tr\u00edplice Fronteira.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Apesar das iniciativas, persistem tens\u00f5es na rela\u00e7\u00e3o bilateral. Os EUA avaliam classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organiza\u00e7\u00f5es terroristas, mas a medida \u00e9 vista com ressalvas pelo governo Lula.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Al\u00e9m disso, o recente epis\u00f3dio envolvendo a deten\u00e7\u00e3o do ex-deputado Alexandre Ramagem pela imigra\u00e7\u00e3o americana reacendeu d\u00favidas sobre a confian\u00e7a e a continuidade da coopera\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Os EUA expulsaram de seu territ\u00f3rio um delegado da Pol\u00edcia Federal que teria colaborado com a deten\u00e7\u00e3o de Ramagem, acusando-o de tentar burlar o sistema de extradi\u00e7\u00e3o dos EUA e ampliar a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em retalia\u00e7\u00e3o, o governo Lula expulsou um adido americano do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo o professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Ibmec Bras\u00edlia, Frederico Dias, parcerias internacionais voltadas ao combate ao crime e \u00e0 troca de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas costumam depender de regras claras, estabilidade pol\u00edtica e confian\u00e7a m\u00fatua entre os governos. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o atrito provocado pela deten\u00e7\u00e3o de Ramagem tende a desgastar esse ambiente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">J\u00e1 para C\u00e1ssio Eduardo Zen, professor de Direito Internacional do Centro Universit\u00e1rio FAPI, o epis\u00f3dio n\u00e3o deve comprometer uma rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda ao longo de anos entre \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a dos dois pa\u00edses. Para Zen, a parceria entre Bras\u00edlia e Washington no \u00e2mbito da seguran\u00e7a opera em uma esfera mais cotidiana e pragm\u00e1tica, distante dos atritos pol\u00edticos entre Trump e Lula.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Parceria entre EUA e Brasil ainda n\u00e3o mostrou resultados <\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Na avalia\u00e7\u00e3o de profissionais que atuam diretamente no setor, os acordos firmados entre Brasil e Estados Unidos na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica ainda n\u00e3o geraram efeitos vis\u00edveis no combate ao crime organizado, especialmente em regi\u00f5es sens\u00edveis como a Tr\u00edplice Fronteira.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O delegado da Pol\u00edcia Federal Marco Smith, que trabalha na regi\u00e3o, afirmou que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar opera\u00e7\u00f5es ou medidas concretas que tenham surgido diretamente dessas parcerias bilaterais. \u00c0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong>, Smith explicou que acordos desse tipo costumam se concentrar no compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, no aprimoramento de t\u00e9cnicas investigativas e na capacita\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo ele, por se tratar de uma coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e permanente, os impactos mais relevantes tendem a aparecer apenas no m\u00e9dio e no longo prazo, \u00e0 medida que os dados trocados passam a embasar investiga\u00e7\u00f5es e que o treinamento recebido se converte em resultados operacionais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O coronel Alex Erno Breunig, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Oficiais da Pol\u00edcia Militar e dos Bombeiros Militares do Paran\u00e1 (Assofepar), explicou \u00e0 <strong>Gazeta do Povo<\/strong> que a aus\u00eancia de resultados concretos da parceria EUA-Brasil na quest\u00e3o de seguran\u00e7a e combate ao crime reflete um problema estrutural mais profundo no pa\u00eds: o enfrentamento ao crime organizado historicamente n\u00e3o tem sido tratado como prioridade efetiva pelo governo brasileiro. Segundo ele, o tema \u201cseguran\u00e7a p\u00fablica\u201d ganha visibilidade apenas em per\u00edodos estrat\u00e9gicos, como o eleitoral, mas muitas a\u00e7\u00f5es acabam se limitando ao discurso.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/6-frentes-da-estrategia-de-trump-contra-faccoes-na-america-latina\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde seu retorno \u00e0 Casa Branca, em janeiro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou o uso de a\u00e7\u00f5es militares, lan\u00e7ando m\u00e3o de tecnologia e de parcerias com pa\u00edses na estrat\u00e9gia contra o crime organizado na Am\u00e9rica Latina. 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