{"id":7202,"date":"2025-03-22T07:36:58","date_gmt":"2025-03-22T10:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mussicom.com\/judeus-que-sobreviveram-a-limpeza-etnica-em-paises-arabes\/"},"modified":"2025-03-22T07:36:58","modified_gmt":"2025-03-22T10:36:58","slug":"judeus-que-sobreviveram-a-limpeza-etnica-em-paises-arabes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/judeus-que-sobreviveram-a-limpeza-etnica-em-paises-arabes\/","title":{"rendered":"Judeus que sobreviveram \u00e0 &#8216;limpeza \u00e9tnica&#8217; em pa\u00edses \u00e1rabes"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"hd80s9wa1h892edh8192\">\n<p>Em 1947, Aleppo, no norte da S\u00edria, era um cen\u00e1rio de contrastes. A cidade era rica em hist\u00f3ria e cultura. Mas, em meio \u00e0 conviv\u00eancia nas ruas estreitas, guardava tens\u00f5es pol\u00edticas e sociais que explodiriam no final daquele ano, com o an\u00fancio da partilha da Palestina. E, meses depois, a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p><strong>+ Leia mais not\u00edcias de Mundo em Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Na madrugada de 30 de novembro, no dia seguinte \u00e0 partilha definida na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o que deveria ser um momento de celebra\u00e7\u00e3o internacional se transformou em um pesadelo para a comunidade judaica local.<\/p>\n<p>Muitos sa\u00edram \u00e0s ruas de Aleppo, com o ing\u00eanuo desejo de comemorar o direito de o povo judeu, ainda que partilhado com os \u00e1rabes, ter um espa\u00e7o para viver. Os \u00e1rabes, no entanto, n\u00e3o aceitaram e uma guerra irrompeu a partir desta decis\u00e3o da ONU.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"perfmatters-lazy-youtube\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0cjBRAmzJfo\" data-id=\"0cjBRAmzJfo\" data-query=\"feature=oembed\" onclick=\"perfmattersLazyLoadYouTube(this);\">\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/0cjBRAmzJfo\/hqdefault.jpg\" alt=\"YouTube video\" width=\"480\" height=\"360\" data-pin-nopin=\"true\" nopin=\"nopin\"\/><\/div>\n<\/div>\n<p><noscript><iframe title=\"CONHE\u00c7A O MUSEU JUDAICO DE S\u00c3O PAULO\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0cjBRAmzJfo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/noscript>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Ezra Harari era um menino de apenas dez meses. Ele mal sabia que o mundo ao seu redor estava prestes a mudar para sempre. Mem\u00f3rias do ocorrido ele n\u00e3o tem. Mas, pelo relato dos seus pais, a imagem que ficou na mente foi a dos gritos e do caos, das ruas tomadas por uma multid\u00e3o enfurecida. <\/p>\n<p>Logo depois da resolu\u00e7\u00e3o da ONU sobre a partilha, esta multid\u00e3o iniciou um <em>pogrom<\/em> (ataques da popula\u00e7\u00e3o a cidad\u00e3os e locais da comunidade judaica). As fam\u00edlias judaicas foram obrigadas a fugir, de forma clandestina, do pa\u00eds. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da fam\u00edlia de Ezra, desde Aleppo, \u00e9 uma das milhares sobre judeus que tiveram de deixar tudo o que tinham: casa, pertences, sonhos. Para serem arrancados dos pa\u00edses onde moravam. Pa\u00edses estes que contavam com uma presen\u00e7a milenar desta comunidade.<\/p>\n<p>Trata-se de um cap\u00edtulo pouco conhecido da hist\u00f3ria judaica: a expuls\u00e3o de aproximadamente 950 mil judeus dos pa\u00edses \u00e1rabes no contexto da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.<\/p>\n<p>Para dar visibilidade a essa passagem traum\u00e1tica e aos refugiados judeus que reconstru\u00edram suas vidas ao redor do mundo, o document\u00e1rio <em><strong>Laissez-Passer \u2013 A Expuls\u00e3o dos Judeus dos Pa\u00edses \u00c1rabes<\/strong><\/em> foi lan\u00e7ado nesta quinta-feira, 20, na Sinagoga Mishcan Menachem, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O evento foi inserido na s\u00e9rie de homenagens ao dia 18 de mar\u00e7o, Dia da Mem\u00f3ria da Imigra\u00e7\u00e3o Judaica ao Brasil, estabelecido por meio de projeto do deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).<\/p>\n<p>O evento contou com a presen\u00e7a do diretor Marcio Pitliuk e do pesquisador Eduardo Cohen, filho de Becky Cohen que, em 1958, aos 15 anos, foi expulsa com a fam\u00edlia do Egito, dois anos depois da Guerra de Suez. <\/p>\n<p>O conflito envolveu Israel, Egito, Fran\u00e7a e Inglaterra, pelo desbloqueio do estreito de Tiran, ordenado pelo ditador eg\u00edpcio Gamal Abdel-Nasser.<\/p>\n<p>Eles imigraram para o Brasil, onde enfrentaram dificuldades, mas conseguiram se estabelecer. \u201cA diferen\u00e7a entre o Egito e a S\u00edria \u00e9 que, no Egito, os judeus foram expulsos de forma expl\u00edcita\u201d, conta Ezra a <strong>Oeste<\/strong>. \u201cNa S\u00edria, a expuls\u00e3o se deu de outra maneira, por meio de fuga, j\u00e1 que o governo n\u00e3o os deixava sair e a popula\u00e7\u00e3o estava sendo atacada.\u201d<\/p>\n<p>O document\u00e1rio mostra como a limpeza \u00e9tnica de fato provocou a sa\u00edda integral dos judeus dos pa\u00edses \u00e1rabes. As acusa\u00e7\u00f5es sobre as a\u00e7\u00f5es de Israel em Gaza, depois dos atques de 7 de outubro de 2023, segundo o document\u00e1rio, n\u00e3o refletem qualquer interesse em erradicar a popula\u00e7\u00e3o palestina. Ao contr\u00e1rio das inten\u00e7\u00f5es dos ditadores \u00e1rabes em eliminar de seus pa\u00edses a popula\u00e7\u00e3o judaica d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O Egito, antes da funda\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, abrigava uma comunidade judaica vibrante. Possui atualmente apenas dez fam\u00edlias judias. A S\u00edria tem menos de dez judeus. O Iraque, que chegou a ter 130 mil judeus, hoje n\u00e3o tem nenhum. No Marrocos, onde existia uma popula\u00e7\u00e3o expressiva, restam poucos milhares.<\/p>\n<p>Para Ezra, sua experi\u00eancia ainda nos primeiros anos moldou sua vida. Ele aprendeu sobre a import\u00e2ncia da persist\u00eancia, da luta e da conviv\u00eancia entre os povos. O Brasil sempre foi o pa\u00eds, segundo ele, que n\u00e3o tinha disfarces. <\/p>\n<p>Raras vezes ocorreram, em territ\u00f3rio brasileiro, situa\u00e7\u00f5es em que, do dia para a noite o judeu passava a ser formalmente perseguido. E percebia que, at\u00e9 ent\u00e3o, a conviv\u00eancia que aparentava existir era enganosa.<\/p>\n<p>Aleppo, para ele, teve esse car\u00e1ter trai\u00e7oeiro. Revelou a mesma fei\u00e7\u00e3o de outras cidades e pa\u00edses que, ao longo dos s\u00e9culos, criavam armadilhas para os judeus. Assim que ele nasceu, quase ao mesmo tempo que o <strong>Estado de Israel<\/strong>, a cidade, onde judeus e \u00e1rabes pareciam conviver, se transformou em um campo de hostilidade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saga da fam\u00edlia at\u00e9 o Brasil<\/h2>\n<p>A Grande Sinagoga foi atacada, as lojas saqueadas e as casas queimadas. \u201cOs \u00e1rabes sa\u00edram com a inten\u00e7\u00e3o de queimar as sinagogas, destruir as casas dos judeus e expulsar nossa gente\u201d, lembra Ezra.<\/p>\n<p>Os judeus de Aleppo viviam com certa liberdade at\u00e9 ent\u00e3o. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era f\u00e1cil. Desde antes do <em>pogrom<\/em>, eles n\u00e3o tinham documentos e o trabalho era restrito. J\u00e1 eram prisioneiros em sua pr\u00f3pria cidade. N\u00e3o podiam sair e n\u00e3o podiam buscar ref\u00fagio.<\/p>\n<p>A S\u00edria, sob um regime autorit\u00e1rio, manteve sua comunidade judaica em uma esp\u00e9cie de cativeiro. Shukri al-Kuwatli\u00a0era o presidente eleito em 1943, que trabalhou pela independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a, em 1946. <\/p>\n<p>O clima era pesado. Em 1949, a S\u00edria passou por seu primeiro golpe militar, com a tomada do poder pelo ditador Husni al-Za\u2019im, que era o chefe do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Naqueles anos, a ideia de tentar escapar do pa\u00eds significava um risco de vida. A permiss\u00e3o para sair s\u00f3 foi obtida nos anos 1990, com a interven\u00e7\u00e3o do presidente George Bush, o pai. <\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria de Ezra n\u00e3o parou no inc\u00eandio da sinagoga ou nas dificuldades de sua inf\u00e2ncia. Ele e seu irm\u00e3o g\u00eameo, assim que houve o ataque, foram escondidos e enviados para o L\u00edbano por sua fam\u00edlia, com a ajuda de uma empregada arm\u00eania que se tornou sua guardi\u00e3.<\/p>\n<p>O L\u00edbano, para onde seus pais foram em seguida, foi um ref\u00fagio tempor\u00e1rio. A vida para os judeus s\u00edrios ali era menos marcada por ataques diretos, mas os tempos n\u00e3o eram tranquilos. O medo ainda estava presente. A tens\u00e3o pol\u00edtica na regi\u00e3o continuava a crescer, e logo a fam\u00edlia de Ezra enfrentaria novos desafios.<\/p>\n<p>Seu av\u00f4, Abraham Harari, que era l\u00edder comunit\u00e1rio na S\u00edria, foi sequestrado por um grupo desconhecido ao chegar ao L\u00edbano. A press\u00e3o pol\u00edtica sobre os judeus na regi\u00e3o parecia n\u00e3o ter fim. No entanto, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do governo liban\u00eas, Abraham foi libertado. \u201cA gente tinha que viver com o medo constante de ser perseguido ou preso\u201d, conta Ezra, refletindo sobre a vida no ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Depois da fuga para o L\u00edbano, a jornada da fam\u00edlia Harari se estendeu para a It\u00e1lia, onde Ezra estudou e se alfabetizou em italiano. Na It\u00e1lia, nasceu seu irm\u00e3o mais novo. At\u00e9 que finalmente conseguiram um passaporte iraniano, o que possibilitou sua viagem para o Brasil, nos anos 1950. O pa\u00eds que receberia os judeus fugitivos da guerra se tornou, aos poucos, sua nova casa. A ca\u00e7ula da fam\u00edlia nasceu no Brasil.<\/p>\n<p>Ezra ent\u00e3o construiu sua vida, com a ajuda da pequena comunidade judaica que se formava no pa\u00eds, composta principalmente por judeus vindos da S\u00edria e de outras partes do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><picture><source data-srcset=\"https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap.jpg.webp 640w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-300x180.jpg.webp 300w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-232x141.jpg.webp 232w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-150x90.jpg.webp 150w\" data-sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" type=\"image\/webp\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"385\" alt=\"Judeus pa\u00edses \u00e1rabes expulsos\" class=\"wp-image-1930502 perfmatters-lazy\" data-eio=\"p\" src=\"https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap.jpg\" srcset=\"https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap.jpg 640w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-300x180.jpg 300w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-232x141.jpg 232w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-150x90.jpg 150w\" data-sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\"\/><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"385\" src=\"https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap.jpg\" alt=\"Judeus pa\u00edses \u00e1rabes expulsos\" class=\"wp-image-1930502\" srcset=\"https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap.jpg 640w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-300x180.jpg 300w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-232x141.jpg 232w, https:\/\/medias.revistaoeste.com\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Passap-150x90.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-eio=\"p\"\/><\/source><\/picture><figcaption class=\"wp-element-caption\">Judeus n\u00e3o tinham passaporte e cidadania na S\u00edria | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/document\u00e1rio Laissez-Passer<\/figcaption><\/figure>\n<p>O contraste entre a Aleppo de sua inf\u00e2ncia e o Brasil, sua terra adotiva, era evidente. \u201cEm Aleppo, o dia a dia dos judeus era at\u00e9 certo ponto tranquilo at\u00e9 aquele momento, meu pai tinha uma loja\u201d, conta Ezra. \u201cMas a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel mudou tudo.\u201d<\/p>\n<p>As conversas sobre o futuro da Palestina, que se tornaram uma constante depois da partilha da ONU, trouxeram \u00e0 tona sentimentos de intoler\u00e2ncia. Culminaram na trag\u00e9dia que marcou a vida de muitos judeus \u00e1rabes, incluindo a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 1955, os Harari, assim como outras fam\u00edlias judaicas s\u00edrias, chegaram ao Brasil. A adapta\u00e7\u00e3o foi dif\u00edcil, mas a comunidade seferadita (judeus do Oriente e da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica) em S\u00e3o Paulo se fortaleceu.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Judeus expulsos de pa\u00edses \u00e1rabes chegam ao Brasil<\/h2>\n<p>Em 1959, seu pai participou da reuni\u00e3o que estabeleceu a Congrega\u00e7\u00e3o Beit Yaacov, um marco inicial da vida judaica sefaradita no pa\u00eds. \u201cFoi um novo come\u00e7o, mas sempre com as lembran\u00e7as da S\u00edria ainda doloridas\u201d, diz Ezra.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, eles frequentavam a sinagoga da Rua da Aboli\u00e7\u00e3o, que tinha origem portuguesa. A primeira sinagoga Beit Yaacov foi inaugurada na Rua Bela Cintra, em 1964. Mais de trinta anos depois, em 1995, foi fundada a Beit Yaacov da Rua Veiga Filho, em Higien\u00f3polis. <\/p>\n<p>A congrega\u00e7\u00e3o hoje possui cerca de 800 fam\u00edlias. Tem duas sinagogas em S\u00e3o Paulo e uma no Guaruj\u00e1. Mant\u00e9m uma sede para o seu movimento juvenil, o Netzah, uma escola e uma sede de Assist\u00eancia Social. Atua nas \u00e1reas sociais, culturais e filantr\u00f3picas.<\/p>\n<p>Ezra estudou (col\u00e9gio Paes Leme), fez faculdade e depois administrou a empresa criada pelo pai. \u201cFoi a primeira empresa de embalagens pl\u00e1sticas no Brasil\u201d, diz. Casou-se com Marita, cuja fam\u00edlia fora expulsa do Egito, e teve quatro filhos.<\/p>\n<p>Ao olhar para o passado, Ezra Harari faz uma reflex\u00e3o sobre o paradoxo desta mem\u00f3ria hist\u00f3rica. \u201cNingu\u00e9m fala sobre os judeus que foram expulsos dos pa\u00edses \u00e1rabes\u201d, desabafa ele.<\/p>\n<p>\u201cIsrael \u00e9 acusado de limpeza \u00e9tnica, mas pouco se fala sobre o que aconteceu conosco\u201d, diz, ao se referir \u00e0 dram\u00e1tica diminui\u00e7\u00e3o da comunidade judaica nos pa\u00edses \u00e1rabes, de 950 mil judeus para menos de 8 mil nos dias de hoje.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia mais: \u201cAlau\u00edtas pedem prote\u00e7\u00e3o de Israel contra massacres na S\u00edria\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ezra nunca voltou a Aleppo, nem ao L\u00edbano, e tampouco tem planos de retornar \u00e0 sua terra natal. \u201cPrefiro manter dist\u00e2ncia\u201d, explica, uma escolha que reflete o trauma de uma fase marcada pela expuls\u00e3o e pela perda. Contudo, mesmo com as feridas, Ezra se mant\u00e9m firme em sua esperan\u00e7a pela paz no Oriente M\u00e9dio e pela conviv\u00eancia entre os povos.<\/p>\n<p>\u201cQuero que essa guerra que envolve Israel termine o quanto antes, nosso povo busca sempre a paz.\u201d<\/p>\n<p>Ezra Harari construiu uma trajet\u00f3ria de sobreviv\u00eancia e de resist\u00eancia. T\u00edpica do povo judeu. No Brasil, ele conheceu um novo lar. Mas ele s\u00f3 pode dizer isto porque encontrou no pa\u00eds a permiss\u00e3o para a sua heran\u00e7a judaica continuar a existir. \u00c9 por isso que ele sempre faz quest\u00e3o de dizer: \u201cSou judeu e brasileiro.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.revistaoeste.com\/mundo\/judeus-que-sobreviveram-a-limpeza-etnica-em-paises-arabes-contam-suas-historias\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1947, Aleppo, no norte da S\u00edria, era um cen\u00e1rio de contrastes. 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