{"id":70562,"date":"2026-04-01T01:25:43","date_gmt":"2026-04-01T04:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/estudo-aponta-fatores-estruturais-para-inflacao-de-alimentos-no-brasil\/"},"modified":"2026-04-01T01:25:43","modified_gmt":"2026-04-01T04:25:43","slug":"estudo-aponta-fatores-estruturais-para-inflacao-de-alimentos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/estudo-aponta-fatores-estruturais-para-inflacao-de-alimentos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Estudo aponta fatores estruturais para infla\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Um estudo divulgado nesta ter\u00e7a-feira (31) pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ACT Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, em parceria com a Ag\u00eancia Bori, mostra que a infla\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil se configura como um fen\u00f4meno estrutural, que encarece mais os produtos frescos em compara\u00e7\u00e3o com os ultraprocessados.\u00a0<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1684407&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econ\u00f4mico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p><strong>Segundo ele, a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos no Brasil n\u00e3o pode ser atribu\u00edda exclusivamente a quest\u00f5es sazonais \u2500 oscila\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias que tendem a se corrigir\u00a0espontaneamente quando a esta\u00e7\u00e3o muda. <\/strong>O estudo aponta o exemplo de alta no pre\u00e7o do tomate durante a entressafra.<\/p>\n<p>O economista tamb\u00e9m defende que a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos n\u00e3o pode ser s\u00f3 explicada por fatores conjunturais, que seriam varia\u00e7\u00f5es por eventos n\u00e3o recorrentes, que podem durar meses ou poucos anos. Um exemplo \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o s\u00fabita do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p><strong>O estudo classifica a infla\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o como estrutural, composta por press\u00f5es permanentes que n\u00e3o se resolvem sozinhas e exigem mudan\u00e7as no modo como a economia est\u00e1 organizada.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA infla\u00e7\u00e3o \u00e9 estrutural, pois n\u00e3o decorre apenas de choques tempor\u00e1rios, \u00e9 espec\u00edfica, porque est\u00e1 associada \u00e0s caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas do modelo de desenvolvimento brasileiro\u201d, escreve o pesquisador no estudo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&gt;&gt; Siga o canal da <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>no WhatsApp<\/p>\n<h2>Alta acima da infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>Em quase 20 anos, o custo da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro subiu 302,6%, ou seja, multiplicou por quatro, enquanto a infla\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds foi de 186,6%. <\/strong>Isso significa que, de junho de 2006 a dezembro de 2025, o encarecimento da comida supera em 62% o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), conhecido como infla\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, Palmieri Junior mostra que nos Estados Unidos, no mesmo per\u00edodo, o n\u00edvel de pre\u00e7os dos alimentos ficou cerca de 1,5% acima da infla\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que no Brasil, quando acontece algum tipo de crise e os pre\u00e7os dos alimentos sobem muito, h\u00e1 resist\u00eancia de recuo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cAumentar \u00e9 f\u00e1cil, mas depois, em algum momento, cair um pouco, isso \u00e9 muito dif\u00edcil. Vi isso em rela\u00e7\u00e3o a alguns outros pa\u00edses\u201d, disse em conversa com jornalistas para apresentar o estudo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ao detalhar os grupos aliment\u00edcios do custo da comida no Brasil, a pesquisa revela que os itens que mais subiram foram:\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>Tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes (359,5%),\u00a0<\/li>\n<li>Carnes (483,5%) e\u00a0<\/li>\n<li>Frutas (516,2%)\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Saud\u00e1veis x ultraprocessados<\/h2>\n<p><strong>O levantamento mostra que a perda do poder de compra \u00e9 mais sentida em alimentos <em>in natura<\/em>.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cSe uma pessoa destinasse, por exemplo, 5% do sal\u00e1rio m\u00ednimo para comprar alimentos em 2006, hoje, com essa mesma propor\u00e7\u00e3o, ela conseguiria levar mais produtos ultraprocessados e menos alimentos saud\u00e1veis\u201d, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas caiu cerca de 31%; e para hortali\u00e7as e verduras, 26,6%.<\/p>\n<p>J\u00e1 para compra de refrigerantes (+23,6%) e embutidos como presunto (+69%) e mortadela (+87,2%), aumentou.<\/p>\n<p>Pelo lado dos ultraprocessados, o economista explica que o barateamento est\u00e1 associado ao fato de ter elementos como os aditivos, \u201cque s\u00e3o industriais, com menos oscila\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o\u201d. Outro ponto \u00e9 o fato de serem cultivos de \u201cmonotonia\u201d, quando o solo \u00e9 usado insistentemente para poucos tipos de alimentos, o que reduz a resili\u00eancia do cultivo.<\/p>\n<p>\u201cPoucos ingredientes b\u00e1sicos, como trigo, milho, a\u00e7\u00facar e \u00f3leo vegetal, passam a ser transformados em milhares de produtos distintos por meio da adi\u00e7\u00e3o de aditivos qu\u00edmicos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para o professor, o menor efeito da infla\u00e7\u00e3o nos alimentos ultraprocessados direciona as escolhas, fazendo as pessoas a comprar produtos menos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vai tendo uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo a partir disso\u201d.<\/p>\n<p>Uma pesquisa divulgada hoje pelo\u00a0Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) mostrou os fatores que\u00a0impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crian\u00e7as em comunidades urbanas.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>Modelo exportador<\/h2>\n<p><strong>Um dos fatores que levam ao aumento persistente dos pre\u00e7os, assinala, \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o internacional do Brasil e o modelo agroexportador.<\/strong><\/p>\n<p>O fato de o pa\u00eds ser um dos maiores exportadores de alimentos do mundo faz com que a prioridade dos produtores seja vender para outros pa\u00edses e receber o valor da produ\u00e7\u00e3o em d\u00f3lares, em vez de direcionar para o mercado interno.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 2000, mostra o estudo, o pa\u00eds exportava 24,2 milh\u00f5es de toneladas de alimento e importava 14,2 milh\u00f5es de toneladas. Em 2025, as exporta\u00e7\u00f5es saltaram para 209,4 milh\u00f5es de toneladas, enquanto as importa\u00e7\u00f5es ficaram em 17,7 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEsse indicador mostra a quantidade l\u00edquida de alimentos produzidos no pa\u00eds cujo destino \u00e9 o mercado externo, refor\u00e7ando o papel do Brasil como grande exportador e aumentando a influ\u00eancia do mercado internacional sobre os pre\u00e7os internos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O direcionamento para exterior faz com que os produtores brasileiros deem prioridade para itens que s\u00e3o mais demandados em outros pa\u00edses, como soja, milho e cana de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A \u00e1rea dedicada ao cultivo dessas culturas passou de 41,93 milh\u00f5es de hectares em 2006 para 79,30 milh\u00f5es de hectares em 2025. Essa diferen\u00e7a \u00e9 maior que todo o territ\u00f3rio da Alemanha (35,7 milh\u00f5es de hectares).<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, a \u00e1rea dedicada ao cultivo de arroz, feij\u00e3o, batata, trigo, mandioca, tomate e banana encolheu de 10,22 milh\u00f5es de hectares para 6,41 milh\u00f5es de hectares. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o estado da Para\u00edba se estende por 5,64 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<h2>Insumos mais caros<\/h2>\n<p><strong>Outro elemento apontado como causa do encarecimento recorrente dos alimentos \u00e9 o custo dos insumos agr\u00edcolas, como fertilizantes, defensivos, colheitadeiras e outras m\u00e1quinas.<\/strong><\/p>\n<p>O estudo comparou pre\u00e7os dos tri\u00eanios 2006-2008 e 2022-2024 e identificou os seguintes aumentos na moeda real:<\/p>\n<ul>\n<li>fertilizantes: 2.423%.<\/li>\n<li>herbicidas e reguladores de crescimento: 1.870%<\/li>\n<li>colheitadeiras: 1.765%<\/li>\n<li>inseticidas: 1.301%<\/li>\n<li>ureia (fertilizante nitrogenado): 981%<\/li>\n<li>pe\u00e7as e partes de m\u00e1quinas agr\u00edcolas: 667%<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para o pesquisador, isso reflete a aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento, com expans\u00e3o de commodities (mat\u00e9rias-primas negociadas em grandes quantidades e pre\u00e7os internacionais) baseada em insumos e tecnologias controlados por oligop\u00f3lios de pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>O autor explica que h\u00e1 um ciclo vicioso que se reflete nos pre\u00e7os internos.<\/p>\n<p>\u201cIsso afetou o pre\u00e7o para todo mundo, inclusive para aquele pequeno produtor de feij\u00e3o. Ele nem exporta, mas vai pagar o alto custo do pre\u00e7o dos insumos, e esse custo vai ser repassado para o pre\u00e7o do feij\u00e3o\u201d, exemplifica.<\/p>\n<h2>Concentra\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>Essa depend\u00eancia \u00e9 associada a outro fator que, na vis\u00e3o de Palmieri Junior, leva \u00e0 infla\u00e7\u00e3o dos alimentos: a concentra\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva.<\/strong><\/p>\n<p>No estudo, ele revela que apenas quatro empresas estrangeiras de sementes respondem por 56% do mercado global.<\/p>\n<p>No caso de empresas pesticidas, quatro companhias de fora do pa\u00eds abocanham 61% do mercado.<\/p>\n<p>Nas m\u00e1quinas agr\u00edcolas, 43% do mercado equivalem \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de quatro empresas estrangeiras.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria aliment\u00edcia, prossegue o estudo, cinco marcas de duas empresas t\u00eam participa\u00e7\u00e3o de 74,2% no mercado de margarina brasileiro.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante acontece no mercado de massa instant\u00e2nea (73,7%). Cinco marcas de tr\u00eas empresas alcan\u00e7am 83% do mercado de chocolates\/bombom.<\/p>\n<h2>Infla\u00e7\u00e3o invis\u00edvel<\/h2>\n<p>O economista cita que a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos \u00e9 ainda pior do que mostram os n\u00fameros, por causa da \u201cinfla\u00e7\u00e3o invis\u00edvel\u201d, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de ser medida. Ele classifica como esse fen\u00f4meno os produtos que mant\u00eam o pre\u00e7o, mas alteram os ingredientes, acrescentando itens mais baratos em detrimento dos mais caros, fazendo com que o produto final perca qualidade.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o sorvete, que passa a receber menos leite e mais a\u00e7\u00facar. O mesmo acontece com o chocolate, que perde cacau em p\u00f3 e ganha a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>\u201cSe o custo \u00e9 reduzido piorando a qualidade, e vende com o mesmo pre\u00e7o, \u00e9 uma infla\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 computada pelos \u00f3rg\u00e3os de pesquisa. Como voc\u00ea vai captar isso?\u201d, questiona.<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o aponta alguns caminhos com capacidade de reverter a trajet\u00f3ria inflacion\u00e1ria da comida.<\/p>\n<p>\u201cO pre\u00e7o da comida n\u00e3o \u00e9 apenas uma vari\u00e1vel econ\u00f4mica. Expressa escolhas pol\u00edticas, distributivas e civilizat\u00f3rias sobre o modelo de sociedade que se pretende construir\u201d, frisa o autor.<\/p>\n<p><strong>Entres as sugest\u00f5es est\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>desconcentra\u00e7\u00e3o produtiva e fortalecimento das economias locais<\/li>\n<li>reequil\u00edbrio entre exporta\u00e7\u00e3o e abastecimento interno<\/li>\n<li>fortalecimento de estruturas como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Centrais de Abastecimento dos estados (Ceasas)<\/li>\n<li>amplia\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 terra<\/li>\n<li>cr\u00e9dito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o condicionado a produ\u00e7\u00e3o para o mercado interno<\/li>\n<\/ul>\n<p>Palmieri Junior citou o exemplo de pa\u00edses desenvolvidos, como Estados Unidos e europeus, que realizaram reformas agr\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cSignifica fazer com que a terra seja mais acess\u00edvel a um conjunto da popula\u00e7\u00e3o. Isso contribui para uma soberania alimentar\u201d, defende.<\/p>\n<p>Para ele, a reforma agr\u00e1ria \u00e9 ben\u00e9fica para interesses do capitalismo.<\/p>\n<p>\u201cSe o alimento \u00e9 barato, sobra mais dinheiro para o cidad\u00e3o comprar outras coisas que o capitalismo est\u00e1 produzindo e lucrando muito mais\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cSe para a popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds, boa parte da renda tem que ser destinada para alimento, outros setores produtivos s\u00e3o prejudicados\u201d, completa.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-03\/estudo-aponta-fatores-estruturais-para-inflacao-de-alimentos-no-brasil\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo divulgado nesta ter\u00e7a-feira (31) pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ACT Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade, em parceria com a Ag\u00eancia Bori, mostra que a infla\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil se configura como um fen\u00f4meno estrutural, que encarece mais os produtos frescos em compara\u00e7\u00e3o com os ultraprocessados.\u00a0 O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":64834,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-70562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70562\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}