{"id":70371,"date":"2026-03-31T08:18:18","date_gmt":"2026-03-31T11:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/custos-em-alta-mas-o-repasse-nos-precos-de-agroquimicos-ainda-e-contido\/"},"modified":"2026-03-31T08:18:18","modified_gmt":"2026-03-31T11:18:18","slug":"custos-em-alta-mas-o-repasse-nos-precos-de-agroquimicos-ainda-e-contido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/custos-em-alta-mas-o-repasse-nos-precos-de-agroquimicos-ainda-e-contido\/","title":{"rendered":"custos em alta, mas o repasse nos pre\u00e7os de agroqu\u00edmicos ainda \u00e9 contido"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do CAC, tudo parecia seguir o roteiro de sempre: estandes montados, cart\u00f5es de visita trocados, amostras expostas, pre\u00e7os sendo discutidos. Mas bastava aprofundar a conversa para perceber que algo no setor n\u00e3o estava bem. N\u00e3o foi nenhuma crise declarada, mas tampouco havia algu\u00e9m com uma resposta clara sobre o que vem pela frente.&#13;\n<\/p>\n<p><strong>A seguir, um apanhado do que o autor ouviu nas rodadas de visita ao evento.<\/strong><\/p>\n<p>Quem veio, quem ficou de fora e para onde foi?<\/p>\n<p>O perfil do p\u00fablico desta edi\u00e7\u00e3o revelou uma divis\u00e3o bem n\u00edtida: empresas que trabalham com ingredientes ativos de grande volume relataram um fluxo intenso de visitantes \u2014 em alguns casos, at\u00e9 melhor do que em anos anteriores. J\u00e1 as que atuam com produtos mais nichados ouviram muito &#8220;mais ou menos&#8221;, &#8220;razo\u00e1vel&#8221;, &#8220;sem novidades&#8221;. O curioso \u00e9 que essa diferen\u00e7a n\u00e3o se explicava apenas pela localiza\u00e7\u00e3o do estande. Havia empresas no corredor principal que ficaram \u2033frias\u2033, enquanto outras na mesma posi\u00e7\u00e3o viveram movimento intenso.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o dos visitantes internacionais chamou aten\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica Latina se destacou: os principais compradores brasileiros compareceram, e havia representantes do Peru, Chile, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia. O Leste Europeu tamb\u00e9m marcou presen\u00e7a, sobretudo mercados fora do eixo Fran\u00e7a-Alemanha-Reino Unido. Dos Estados Unidos, foi avistada apenas uma empresa em todo o pavilh\u00e3o. Austr\u00e1lia, praticamente ausente. No Sudeste Asi\u00e1tico, o Vietn\u00e3 liderou, seguido por Tail\u00e2ndia e Mal\u00e1sia, com poucos indon\u00e9sios. Os pa\u00edses centrais da Uni\u00e3o Europeia mandaram principalmente prestadores de servi\u00e7os, n\u00e3o compradores.<\/p>\n<p>Uma parte da aus\u00eancia de visitantes internacionais (fora a \u00cdndia) pode ser atribu\u00edda \u00e0 instabilidade no Oriente M\u00e9dio. Al\u00e9m disso, o crescimento do mercado global de agroqu\u00edmicos est\u00e1 cada vez mais concentrado na Am\u00e9rica Latina, no Sudeste Asi\u00e1tico e em partes da \u00c1frica \u2014 os &#8220;grandes clientes tradicionais&#8221; j\u00e1 mudaram discretamente seu ritmo de compra.<\/p>\n<p><strong>\u00cdndia: a press\u00e3o \u00e9 maior do que se imaginava<\/strong><\/p>\n<p>O caso dos expositores indianos foi, talvez, o aspecto mais revelador desta edi\u00e7\u00e3o do CAC.<\/p>\n<p>Grandes fabricantes de ingredientes ativos relataram press\u00e3o extrema com mat\u00e9rias-primas. Fenol, bromo, enxofre, organofosforados e outros intermedi\u00e1rios essenciais deixaram de ter cota\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u2014 n\u00e3o \u00e9 que os pre\u00e7os subiram, \u00e9 que os fornecedores simplesmente pararam de cotar. Isso significa que os produtores indianos est\u00e3o operando sem nenhuma \u00e2ncora de custo: n\u00e3o sabem quanto cobrar, n\u00e3o sabem se conseguir\u00e3o entregar o que j\u00e1 venderam.<\/p>\n<p>Algumas empresas tamb\u00e9m enfrentaram problemas com pedidos j\u00e1 fechados antes do Ano-Novo Chin\u00eas, e houve casos pontuais de rescis\u00e3o de contratos. De maneira geral, o setor ainda est\u00e1 preservando sua reputa\u00e7\u00e3o \u2014 todos sabem que o canal comercial \u00e9 constru\u00eddo a longo prazo e ningu\u00e9m quer queimar pontes. Mas o fato de esse sinal ter aparecido j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, preocupante.<\/p>\n<p>No plano dos produtos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave: a homogeneiza\u00e7\u00e3o chegou a um n\u00edvel alarmante. Tembotrione, isoxaflutole, quizalofop-p-et\u00edlico, flonicamida, clorantraniliprole, fluxapiroxade, fluopiram \u2014 em dez estandes visitados, oito estavam promovendo exatamente os mesmos produtos. O autor perguntou a alguns empres\u00e1rios indianos em processo de abertura de capital o que pretendiam fazer com os recursos captados. A resposta foi un\u00e2nime: expandir produ\u00e7\u00e3o e integrar verticalmente a cadeia.<\/p>\n<p>Quando questionados se n\u00e3o temiam ser engolidos pelo pr\u00f3ximo ciclo de guerra de pre\u00e7os, a resposta era: &#8220;A \u00cdndia tem 1,4 bilh\u00e3o de pessoas, temos mercado dom\u00e9stico e estamos expandindo para formula\u00e7\u00f5es no exterior.&#8221; Esse discurso soa familiar. As empresas chinesas diziam exatamente a mesma coisa dez anos atr\u00e1s.&#13;\n<\/p>\n<p><strong>Os pre\u00e7os qu\u00edmicos sobem \u2014 mas esta alta \u00e9 diferente das anteriores<\/strong><\/p>\n<p>O tema mais recorrente nas conversas do evento foi a alta de pre\u00e7os. Mas ao ouvir at\u00e9 o fim, fica claro que esta rodada de reajustes n\u00e3o tem nada a ver com aquele cen\u00e1rio cl\u00e1ssico de &#8220;mercado aquecido, demanda forte&#8221; \u2014 \u00e9 algo bem diferente.<\/p>\n<p>A origem da alta est\u00e1 na energia. A turbul\u00eancia no Oriente M\u00e9dio comprometeu instala\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s no curto prazo, criando problemas na cadeia de fornecimento de GNL. Esse impacto vai se propagando camada por camada: mat\u00e9rias-primas qu\u00edmicas sobem, glifosato e 2,4-D j\u00e1 se movimentam, e outros produtos vir\u00e3o na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Empresas chinesas consultadas disseram conseguir absorver altas de custo de 10% a 15% e ainda repassar ao cliente; acima disso, param de aceitar pedidos. Hoje, cerca de 80% das f\u00e1bricas operam no vermelho, aguardando uma janela de recupera\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m quer especular \u2014 assim que aparecer uma margem m\u00ednima vi\u00e1vel, a prioridade \u00e9 girar o estoque.<\/p>\n<p>Esta alta de pre\u00e7os tem tr\u00eas caracter\u00edsticas distintas: \u00e9 reativa, n\u00e3o proativa; a especula\u00e7\u00e3o financeira ainda n\u00e3o entrou em cena de forma expressiva; e, apesar de poss\u00edveis corre\u00e7\u00f5es pontuais no curto prazo, o piso de pre\u00e7os j\u00e1 subiu \u2014 n\u00e3o voltar\u00e1 aos patamares de antes.<\/p>\n<p><strong>China em posi\u00e7\u00e3o relativamente vantajosa \u2014 mas com fragilidades<\/strong><\/p>\n<p>No atual arranjo das cadeias globais de abastecimento, a China se encontra em posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um fator frequentemente subestimado \u00e9 a matriz energ\u00e9tica. A utiliza\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o nas minas chinesas gira em torno de 40%, mas essa taxa est\u00e1 artificialmente reduzida por restri\u00e7\u00f5es ambientais \u2014 a capacidade instalada real \u00e9 muito maior. Em caso de escassez energ\u00e9tica, a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o pode ser retomada rapidamente. Na \u00cdndia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de falta real de g\u00e1s e petr\u00f3leo, com n\u00edvel de ansiedade muito superior ao chin\u00eas.<\/p>\n<p>Na Europa, entre 2024 e 2025, um volume expressivo de plantas de s\u00edntese qu\u00edmica foi encerrado, sem conseguir reduzir os custos de energia ap\u00f3s os desdobramentos do conflito russo-ucraniano. Para onde foi essa capacidade produtiva? Um entrevistado com experi\u00eancia na cadeia sino-europeia relatou que sua empresa perdeu mais de 400 projetos de fornecimento na Europa nos \u00faltimos tr\u00eas anos: cerca de um ter\u00e7o foi por fal\u00eancia de clientes; o restante migrou para a \u00c1sia \u2014 e dele, estima-se que 70% a 80% foi para a China. A l\u00f3gica \u00e9 simples: efici\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 lugar no mundo mais eficiente do que a China.<\/p>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de fertilizantes merecem aten\u00e7\u00e3o \u00e0 parte. \u00c0s v\u00e9speras do evento, a pol\u00edtica de controle foi endurecida novamente \u2014 n\u00e3o apenas embalagens pequenas, mas todas as categorias foram bloqueadas. Diversas empresas do setor de fertilizantes disseram que comparecer ao evento praticamente n\u00e3o fez sentido: tinham pedidos em carteira que n\u00e3o conseguiam embarcar nem uma tonelada. A l\u00f3gica do governo \u00e9 compreens\u00edvel: segurar as exporta\u00e7\u00f5es para conter os custos agr\u00edcolas dom\u00e9sticos e evitar press\u00f5es inflacion\u00e1rias que obriguem uma alta dos juros. Mas para o mercado internacional, isso equivale a bloquear uma fonte importante de oferta, aumentando ainda mais a press\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o importada.<\/p>\n<p><strong>Por que sempre os mesmos produtos, sempre o mesmo desfecho?<\/strong><\/p>\n<p>Um detalhe observado por v\u00e1rios entrevistados de forma espont\u00e2nea: ao percorrer os estandes das grandes empresas, o portf\u00f3lio era praticamente id\u00eantico em todos. N\u00e3o s\u00f3 entre os indianos \u2014 os chineses tamb\u00e9m. Se um produto d\u00e1 retorno, todos entram nele; se um mercado abre espa\u00e7o, todos correm para l\u00e1.&#13;\n<\/p>\n<p>H\u00e1 uma l\u00f3gica por tr\u00e1s disso. Um entrevistado com viv\u00eancia na compara\u00e7\u00e3o entre os modelos chin\u00eas e europeu explicou: &#8220;A China \u00e9 uma civiliza\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia; o Ocidente, uma civiliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.&#8221; A cultura comercial chinesa tem ra\u00edzes milenares na agricultura \u2014 tirar o m\u00e1ximo de um peda\u00e7o fixo de terra, levar a efici\u00eancia ao limite. Ent\u00e3o, quando se v\u00ea um produto que no exterior custa 100 e tem custo de 50, a primeira rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 &#8220;que nova necessidade posso criar?&#8221; \u2014 \u00e9 &#8220;consigo fazer por 40 e tomar esse mercado?&#8221;<\/p>\n<p>Quando todos pensam assim, expans\u00e3o de capacidade \u00e9 inevit\u00e1vel \u2014 e a guerra de pre\u00e7os (o chamado &#8220;involution&#8221;) \u00e9 o destino. Os que vieram antes percorreram esse caminho; os que v\u00eam depois repetir\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 problema de nenhuma empresa espec\u00edfica: \u00e9 a in\u00e9rcia de todo o setor.<\/p>\n<p>Do outro lado, as empresas ocidentais apostam nos fornecedores, preservam poder de precifica\u00e7\u00e3o em seus nichos e garantem o fornecimento cr\u00edtico por meio de licenciamento de produ\u00e7\u00e3o. Isso pode parecer protecionismo, mas \u00e9, na verdade, uma capacidade de sobreviv\u00eancia constru\u00edda num ambiente pol\u00edtico fragmentado de longo prazo \u2014 sem escala para competir, restam inova\u00e7\u00e3o, pr\u00eamio de pre\u00e7o e expans\u00e3o de mercado. Ambos os modelos t\u00eam suas origens e raz\u00f5es de ser. Mas no mundo atual, talvez a fus\u00e3o dos dois seja o caminho mais adaptado ao futuro.<\/p>\n<p><strong>O repasse ao elo final: o n\u00f3 mais dif\u00edcil de desatar<\/strong><\/p>\n<p>Os custos sobem, mas o bolso do agricultor n\u00e3o acompanhou. Esse \u00e9 o ponto mais delicado deste ciclo de alta no agroqu\u00edmico.<\/p>\n<p>Com o custo qu\u00edmico em alta, os fabricantes de defensivos est\u00e3o sob press\u00e3o; querem repassar, mas ainda h\u00e1 estoque no canal que n\u00e3o girou; mesmo que o canal aceite o repasse, o produtor rural pode simplesmente n\u00e3o comprar. E para piorar, os fertilizantes j\u00e1 dispararam antes \u2014 comprimindo ainda mais o or\u00e7amento j\u00e1 apertado do agricultor. Espremido dos dois lados, quem sofre mais \u00e9 o setor de defensivos no meio da cadeia.<\/p>\n<p>Um desfecho poss\u00edvel \u00e9 que parte das empresas opte por liquidar estoques agora, em vez de aguentar firme esperando o ciclo virar. Esse cen\u00e1rio foi mencionado em conversas reservadas, mas n\u00e3o aparece em nenhuma declara\u00e7\u00e3o oficial. No plano macro, v\u00e1rios entrevistados usaram a palavra &#8220;estagfla\u00e7\u00e3o&#8221; \u2014 crescimento travado com infla\u00e7\u00e3o crescente. Se isso se confirmar, o problema do setor n\u00e3o ser\u00e1 apenas vender produto: ser\u00e1 que a demanda externa desmorone pela raiz.<\/p>\n<p><strong>Para fechar<\/strong><\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o do CAC n\u00e3o trouxe grandes novidades nem respostas definitivas. Enquanto alguns enxergam oportunidade, outros aguardam not\u00edcias, e ainda outros j\u00e1 come\u00e7aram a mudar de rota discretamente.<\/p>\n<p>Mais de um participante disse algo parecido com isto: &#8220;Muitos dos problemas de agora n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o imediata. \u00c9 ir tocando e vendo o que vem pela frente.&#8221;<\/p>\n<p>Autor: Erwin Xue<\/p>\n<p>Portuguese Proofreading:\u00a0\u00a0Leonardo Gottems<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/visita-ao-cac-xangai--custos-em-alta--mas-o-repasse-nos-precos-de-agroquimicos-ainda-e-contido_512596.html\">AGROLINK<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do CAC, tudo parecia seguir o roteiro de sempre: estandes montados, cart\u00f5es de visita trocados, amostras expostas, pre\u00e7os sendo discutidos. 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