{"id":70072,"date":"2026-03-29T07:22:59","date_gmt":"2026-03-29T10:22:59","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/diretor-da-unifesp-bs-fala-da-importancia-e-desafios-da-universidade-publica\/"},"modified":"2026-03-29T07:22:59","modified_gmt":"2026-03-29T10:22:59","slug":"diretor-da-unifesp-bs-fala-da-importancia-e-desafios-da-universidade-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/diretor-da-unifesp-bs-fala-da-importancia-e-desafios-da-universidade-publica\/","title":{"rendered":"Diretor da Unifesp-BS fala da import\u00e2ncia e desafios da universidade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Bi\u00f3logo com toda sua forma\u00e7\u00e3o (gradua\u00e7\u00e3o, mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado em biologia molecular) realizada ne Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Odair Aguiar Junior, chegou a Santos em 2006, ap\u00f3s ser aprovado no concurso para docente na primeira turma de professores do rec\u00e9m-criado campus Baixada Santista da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp-BS). Desde 2019, \u00e9 o diretor acad\u00eamico desta universidade p\u00fablica que \u00e9 uma conquista da regi\u00e3o. Nesta entrevista ao <strong>Jornal da Orla<\/strong>, o professor Odair fala da import\u00e2ncia e dos desafios universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>A conquista da universidade p\u00fablica para a regi\u00e3o veio ap\u00f3s uma longa luta. Como voc\u00ea resume essa trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>O campus da Baixada Santista foi o primeiro do projeto de expans\u00e3o da Unifesp, no primeiro governo Lula. Em 2003, antes de iniciarmos aqui em Santos, eram cinco cursos no estado, mais focados na \u00e1rea da sa\u00fade. Hoje, a Unifesp tem 59 cursos de gradua\u00e7\u00e3o. Santos continuou com a \u00e1rea da sa\u00fade e, a partir de 2012, come\u00e7ou com ci\u00eancias do mar. Hoje, o Instituto Sa\u00fade e Sociedade (ISS) oferece os cursos de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Fisioterapia, Nutri\u00e7\u00e3o, Terapia Ocupacional, Servi\u00e7o Social e Psicologia. No Instituto do Mar (IMar), temos Bacharelado Interdisciplinar em Ci\u00eancia e Tecnologia do Mar e, a partir dele, tr\u00eas possibilidades: engenharia do petr\u00f3leo, engenharia ambiental e oceanografia. Nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, s\u00e3o cerca de 2.400 alunos. Mas temos p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com seis programas no ISS, e dois no IMar, com mestrado e doutorado.<\/p>\n<p><strong>Qual o impacto nas comunidades local e regional?<\/strong><br \/>A gente consegue, com v\u00e1rios projetos de pesquisa e extens\u00e3o, al\u00e9m da gradua\u00e7\u00e3o, ter capilaridade na sociedade com trabalhos. A gente oferece desde o cursinho pr\u00e9-vestibular Cardume, temos a gradua\u00e7\u00e3o e vamos at\u00e9 a universidade aberta para a pessoa idosa. Durante a gradua\u00e7\u00e3o, os alunos t\u00eam oportunidade de participar de v\u00e1rios projetos junto \u00e0 sociedade. Temos os projetos de redu\u00e7\u00e3o de danos, os da cultura oce\u00e2nica, a atua\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o que vive nas ruas. A gente tem atividades formativas que acontecem nos territ\u00f3rios. H\u00e1 um eixo central de Trabalho em Sa\u00fade, no qual os alunos v\u00e3o aos territ\u00f3rios, a discuss\u00e3o emerge da compreens\u00e3o das diferentes realidades.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que vive na rua?<\/strong><br \/>Temos iniciativas que lidam diretamente com a popula\u00e7\u00e3o de rua. O programa Redu\u00e7\u00e3o de Danos \u00e9 voltado a pessoas que chegaram \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de rua por quest\u00f5es ligadas \u00e0 drogadi\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de danos \u00e9 muito potente, aposta no di\u00e1logo e n\u00e3o na puni\u00e7\u00e3o. Outras frentes tamb\u00e9m lidam com essa tem\u00e1tica. A gente fica entristecido quando v\u00ea alguns grupos pol\u00edticos, econ\u00f4micos, o com\u00e9rcio, tratando essa tem\u00e1tica como quest\u00e3o est\u00e9tica: \u201ca popula\u00e7\u00e3o de rua est\u00e1 enfeiando meu caminho\u201d. Uma ideia higienista. A universidade procura tratar quais s\u00e3o as ra\u00edzes hist\u00f3ricas, econ\u00f4micas e sociais que levaram o indiv\u00edduo a viver na rua. Uma das a\u00e7\u00f5es \u00e9 que estamos retomando com a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos conversa para um novo censo da popula\u00e7\u00e3o de rua na cidade.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o das comunidades com a universidade?<\/strong><br \/>A gente tamb\u00e9m faz a comunidade vir \u00e0 universidade. Alternamos a conviv\u00eancia nos dois ambientes. N\u00e3o somos apenas observador do problema alheio \u2013 vai l\u00e1 e olha, como se fosse uma exposi\u00e7\u00e3o. A gente vai para o territ\u00f3rio, convida a comunidade para estar com a gente, discute com ela as quest\u00f5es. Por exemplo, temos um novo curso no ISS, Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena, que traduz bem isso: a gente faz metade da forma\u00e7\u00e3o na universidade e metade na aldeia. J\u00e1 temos 80 alunos. Estamos licenciando pessoas que j\u00e1 atuam na sua comunidade como educadores.<\/p>\n<p><strong>Como se d\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o regionalmente?<\/strong><br \/>\u00c9 um desafio. Nosso campus \u00e9 Baixada Santista, a gente tem atividades nos nove munic\u00edpios, mas n\u00e3o tem pernas para estender os programas para todos. Ent\u00e3o, a maioria das pessoas atendidas s\u00e3o de Santos. Por exemplo, o Programa de Ensino para o Trabalho pela Sa\u00fade (PET Sa\u00fade) j\u00e1 teve v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es, como o PET Gradua SUS e agora o PET Equidade. Neste, h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de Itanha\u00e9m, Guaruj\u00e1 e S\u00e3o Vicente. Temos a\u00e7\u00f5es, especialmente estagi\u00e1rios, em v\u00e1rias cidades. Estamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Com rela\u00e7\u00e3o a cortes de verbas, como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Tivemos crescente investimentos entre 2003 e 2015. O desafio das verbas vem a partir de 2015 para 2016, p\u00f3s-impeachment da Dilma e in\u00edcio do governo Temer. Entre 2015 e 2016, houve queda vertiginosa no custeio e investimento. De 2023 para c\u00e1, houve uma recupera\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o com valores suficientes. A Unifesp, somados todos os campi no estado, est\u00e1 com or\u00e7amento de cerca de R$ 78 milh\u00f5es, sem considerar a folha de pagamento. Temos ainda valores de execu\u00e7\u00e3o descentralizadas (recursos de minist\u00e9rios) e de emendas parlamentares. Em 2022, a gente teve muito pouco recurso dessa descentraliza\u00e7\u00e3o, um descaso total com a universidade. Agora no governo Lula, temos a volta dos recursos, mas ainda aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Aqui na Baixada Santista, o or\u00e7amento est\u00e1 em torno de R$ 9 e 10 milh\u00f5es, para custeio. O ideal seriam R$ 12 ou 13 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A que voc\u00ea atribui os ataques \u00e0s universidades p\u00fablicas?<\/strong><br \/>Tenho ficado atento a esses movimentos de extrema direita. Observo dois pontos: um mais declarado, que diz que a universidade \u00e9 eivada de militantes de esquerda. \u00c9 uma deslegitima\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o que amea\u00e7a, porque a extrema direita n\u00e3o tem estofo te\u00f3rico \u2013 n\u00e3o quer ter \u2013 para fazer frente \u00e0quilo que as universidades produzem de teoria cr\u00edtica social. \u00c9 um ataque \u00e0 pluralidade de pensamento. O segundo movimento tem uma narrativa que afirma que as pessoas que est\u00e3o ganhando dinheiro hoje n\u00e3o t\u00eam faculdade, s\u00e3o youtubers, influencers. Vai na perspectiva neoliberal: o indiv\u00edduo \u00e9 dono de si mesmo, n\u00e3o depende de forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Eu vejo que h\u00e1 um descolamento da sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao potencial da universidade. N\u00e3o reconhece que rem\u00e9dios, vacinas e o pr\u00f3prio celular que o youtuber usa s\u00e3o produtos de conhecimento intelectual e de anos de experimentos feitos em laborat\u00f3rios financiados com dinheiro p\u00fablico. A universidade est\u00e1 no dia a dia. Inclusive no agro, s\u00e3o as universidades e as Embrapas que fazem pesquisa, melhoramentos de gr\u00e3os etc.<\/p>\n<p><strong>Quais os planos de investimentos?<br \/><\/strong>Temos duas grandes frentes. O terreno da rua Silva Jardim, em frente ao Edif\u00edcio Mari\u00e2ngela Duarte. N\u00f3s fomos contemplados com R$ 25 milh\u00f5es do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), estamos iniciando a sondagem do terreno e o projeto j\u00e1 est\u00e1 na Prefeitura, para constru\u00e7\u00e3o do parque poliesportivo do campus, uma d\u00edvida hist\u00f3rica nossa com os cursos de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Ser\u00e1 tamb\u00e9m um espa\u00e7o coletivo, com quadra poliesportiva, piscina, laborat\u00f3rios. Depois, atr\u00e1s do antigo Col\u00e9gio Docas, a gente tem um projeto j\u00e1 aprovado pela Prefeitura, de constru\u00e7\u00e3o de mais duas l\u00e2minas de edif\u00edcio, juntamente com o restauro do col\u00e9gio para implanta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o escola integrada na \u00e1rea da sa\u00fade. S\u00f3 que para esse terreno, ainda n\u00e3o temos sinaliza\u00e7\u00e3o de recursos. Temos, ainda, um grande desafio que \u00e9 consolidar a sede do IMar e aglutinar toda \u00e1rea de ci\u00eancias do mar, porque o pr\u00e9dio o pr\u00e9dio da Carvalho de Mendon\u00e7a n\u00e3o d\u00e1 conta. Mas temos um terreno na rua Maria M\u00e1ximo (Ponta da Praia) e buscamos junto \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Municipal, o Porto e os minist\u00e9rios recursos para construir ali nossos pr\u00e9dios. Hoje, temos a sede na Silva Jardim, com o ISS, o pr\u00e9dio da Carvalho, com o IMar, salas no pr\u00e9dio na XV de Novembro (Centro), com cursos dos dois institutos \u2013 ali\u00e1s, uma parceria muito valorosa com a Prefeitura. E temos na Augusto Severo o servi\u00e7o escola de Psicologia e a dire\u00e7\u00e3o do campus, que ocupam um andar, al\u00e9m da unidade da Maria M\u00e1ximo, onde funcionam algumas atividades do IMar.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/diretor-da-unifesp-bs-fala-da-importancia-e-desafios-da-universidade-publica\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bi\u00f3logo com toda sua forma\u00e7\u00e3o (gradua\u00e7\u00e3o, mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado em biologia molecular) realizada ne Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Odair Aguiar Junior, chegou a Santos em 2006, ap\u00f3s ser aprovado no concurso para docente na primeira turma de professores do rec\u00e9m-criado campus Baixada Santista da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp-BS). 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