{"id":68663,"date":"2026-03-21T11:14:15","date_gmt":"2026-03-21T14:14:15","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/programa-em-santos-fortalece-vinculo-afetivo-de-criancas\/"},"modified":"2026-03-21T11:14:15","modified_gmt":"2026-03-21T14:14:15","slug":"programa-em-santos-fortalece-vinculo-afetivo-de-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/programa-em-santos-fortalece-vinculo-afetivo-de-criancas\/","title":{"rendered":"Programa em Santos fortalece v\u00ednculo afetivo de crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong><em>Jeyzza e Edileuza, segurando M., de tr\u00eas meses, que acolhem em Santos<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Edileuza Andrade dos Santos Rocha tem duas filhas adultas e um neto com menos de dois anos. \u00c9 apaixonada por crian\u00e7as e h\u00e1 cinco anos revive com frequ\u00eancia as experi\u00eancias, tens\u00f5es e sentimentos da maternidade. Vi\u00fava, 57 anos, Edileuza \u00e9 uma das seis integrantes do programa Fam\u00edlia Acolhedora da Prefeitura de Santos. \u201cAcolhimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 querer cuidar. \u00c9 voc\u00ea se doar, dar todo amor e afeto a um beb\u00ea, crian\u00e7a ou adolescente, com toda a responsabilidade de m\u00e3e e pai, sabendo que ter\u00e1 de entregar, pois n\u00e3o \u00e9 seu\u201d, afirma ela, atualmente cuidando de uma beb\u00ea de tr\u00eas meses (identificada aqui por M., \u201cde milagre\u201d).<\/p>\n<p>Previsto no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), o acolhimento tempor\u00e1rio \u00e9 uma das medidas de prote\u00e7\u00e3o para quando h\u00e1 necessidade de afastar a crian\u00e7a da fam\u00edlia de origem, uma alternativa ao encaminhamento para institui\u00e7\u00f5es. Em Santos, al\u00e9m das seis fam\u00edlias habilitadas, mais tr\u00eas iniciaram processo de forma\u00e7\u00e3o na ter\u00e7a-feira (17). A secret\u00e1ria municipal de Desenvolvimento Social, Renata Bravo, diz que a meta \u00e9 ter pelo menos 15. \u201cA demanda \u00e9 imprevis\u00edvel. A gente nunca sabe quando uma crian\u00e7a ou adolescentes vai perder o v\u00ednculo com a fam\u00edlia de origem e qual o motivo. O que a gente deseja \u00e9 ter fam\u00edlias na retaguarda. A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 para que elas entendam o programa. Depois, as equipes se aproximam, para entender a din\u00e2mica familiar. A gente precisa de fam\u00edlias entendendo o programa e se colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Chefe da se\u00e7\u00e3o dos programas Fam\u00edlia Acolhedora e Apadrinhamento Afetivo, Susana Souza destaca que o processo de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 minucioso. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 se inscrever. As fam\u00edlias se mostram interessadas, a gente faz entrevista, vai at\u00e9 a resid\u00eancia, conversa, faz an\u00e1lise social, avalia as disponibilidades para o acolhimento\u201d, explica.<\/p>\n<p>Um dos crit\u00e9rios \u00e9 que todos os membros da fam\u00edlia t\u00eam que concordar. Neste quesito, Edileuza est\u00e1 tranquila, pois as filhas Fabiana Vit\u00f3ria Andrade, 24 anos, e Jeyzza Andrade Tito, 30, apoiaram a ideia desde o in\u00edcio. Inclusive, Jeyzza, que \u00e9 solteira e mora com a m\u00e3e, se orgulha de ter conseguido fazer M. dar as primeiras sugadas na mamadeira. A beb\u00ea veio diretamente da maternidade e est\u00e1 sendo levada para os atendimentos necess\u00e1rios a rec\u00e9m-nascidos, o que inclui consultas com fonoaudi\u00f3loga, para estimular a crian\u00e7a a ganhar for\u00e7a de suc\u00e7\u00e3o para mamar.<\/p>\n<p><strong>DEMANDA JUDICIAL<\/strong><br \/>Susana conta que atualmente o programa acolhe crian\u00e7as de zero a seis anos (primeira inf\u00e2ncia), mas j\u00e1 atendeu adolescente. O acolhimento ocorre somente mediante demanda do judici\u00e1rio, que solicita \u00e0 Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) vaga para a acolhida. Quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico requer que seja aplicada uma medida protetiva e aciona a rede de apoio municipal, h\u00e1 a possibilidade de direcionamento da crian\u00e7a para institui\u00e7\u00f5es parceiras, os abrigos: Casa da Crian\u00e7a, An\u00e1lia Franco e Casa da V\u00f3 Benedita I e II.<\/p>\n<p>\u201cMas existe a possibilidade das crian\u00e7as irem para as fam\u00edlias acolhedoras, temporariamente. Na verdade, elas ficam durante o tempo em que o judici\u00e1rio est\u00e1 averiguando se retornam para a fam\u00edlia de origem ou n\u00e3o, ou se s\u00e3o encaminhadas para ado\u00e7\u00e3o. O acolhimento em uma casa contribui para o emocional da crian\u00e7a, faz com que ela conviva no ambiente familiar, receba todo o cuidado de maneira individualizada\u201d, destaca Renata Bravo. \u201c\u00c9 nosso papel manter os abrigos institucionais, mas o ideal \u00e9 um olhar diferenciado, fortalecer o v\u00ednculo dessas crian\u00e7as, porque cada uma delas tem um hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<p>O prazo estabelecido pelo ECA para a crian\u00e7a ficar com a fam\u00edlia \u00e9 de, no m\u00e1ximo, 18 meses. No entanto, Susana Souza explica que o tempo sempre \u00e9 menor, porque enquanto a crian\u00e7a est\u00e1 acolhida, as equipes da Seds trabalham em conjunto com a rede de apoio (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia, judici\u00e1rio) para que os problemas sejam superados. \u201cA gente elabora um plano de aten\u00e7\u00e3o. A cada tr\u00eas meses, encaminha para o judici\u00e1rio um relat\u00f3rio. Tenta esgotar todas as possibilidades. At\u00e9 agora, n\u00e3o tivemos necessidade de encaminhar para abrigo\u201d.<\/p>\n<p>Quando a crian\u00e7a acolhida mant\u00e9m contato com a fam\u00edlia biol\u00f3gica, o programa promove o encontro entre as fam\u00edlias, para que n\u00e3o haja rompimento de v\u00ednculo, enquanto busca-se solu\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o de gerou o afastamento.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que est\u00e1 acolhendo, a fam\u00edlia recebe aux\u00edlio financeiro (R$ 1.350) para manter a crian\u00e7a \u2013 comprar leite, fralda, mamadeira, chupeta, roupa, gastar com transporte para levar ao m\u00e9dico, entre outras despesas. \u201cAs acolhedoras t\u00eam que fazer relat\u00f3rios tamb\u00e9m e as equipes da Seds mant\u00eam contato quase que diariamente, inclusive com visitas; nossos telefones ficam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Susana Souza.<\/p>\n<div id=\"attachment_264170\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-264170\" class=\"size-medium wp-image-264170\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-200x300.jpg\" alt=\"Edileuza\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-200x300.jpg 200w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-683x1024.jpg 683w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-768x1152.jpg 768w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26-1366x2048.jpg 1366w, https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jornaldaorla-26.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-264170\" class=\"wp-caption-text\">Edileuza com a beb\u00ea M.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>ENTREGA VOLUNT\u00c1RIA<\/strong><br \/>Atualmente, o programa acolhe quatro beb\u00eas que t\u00eam origem na chamada entrega volunt\u00e1ria, quando a m\u00e3e comunica, ainda no hospital, que n\u00e3o deseja ficar com a crian\u00e7a. Susana conta que, normalmente, s\u00e3o crian\u00e7as prematuras, sem pr\u00e9-natal. H\u00e1 casos que envolvem usu\u00e1rias de drogas e at\u00e9 de pessoas que nem sabiam que estavam gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Comunicado da situa\u00e7\u00e3o, o t\u00e9cnico do hospital deve relatar o fato ao judici\u00e1rio, que d\u00e1 andamento ao caso e pede a vaga para a Seds. \u201cConforme est\u00e1 previsto na lei, esses beb\u00eas v\u00e3o para a ado\u00e7\u00e3o (fam\u00edlia substituta), mas n\u00f3s n\u00e3o temos contato com o Cadastro Nacional, somente os t\u00e9cnicos do judici\u00e1rio. A gente s\u00f3 promove o encontro\u201d, explica a coordenadora.<\/p>\n<p>Justamente em raz\u00e3o do cadastro, a fam\u00edlia acolhedora n\u00e3o pode adotar a crian\u00e7a. \u201cA pessoa n\u00e3o pode usufruir de um programa para passar \u00e0 frente na fila. Precisa cumprir todos os requisitos para a ado\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ter privil\u00e9gios\u201d, destaca Renata Bravo.<\/p>\n<p><strong>A DESPEDIDA<\/strong><br \/>Por essas e outras raz\u00f5es, a fam\u00edlia acolhedora precisa entender muito bem o papel que exerce, principalmente porque pode se apegar \u00e0 crian\u00e7a e ter problemas na hora devolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>\u201cA dor da despedida passa quando outra crian\u00e7a chega\u201d, ameniza Edileuza, mas reconhece que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ela conta que acolheu um menino prematuro e \u201cfoi tanto amor e cuidado\u201d que depois que a crian\u00e7a foi embora, ficou seis meses sem acolher. Por\u00e9m, h\u00e1 adolescentes com os quais Edileuza continua a manter contato. \u201cQuando vai, tento colocar na cabe\u00e7a que uma miss\u00e3o acabou e outra crian\u00e7a vem porque precisa de afeto e amor\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>O PROGRAMA<\/strong><br \/>O Fam\u00edlia Acolhedora existe h\u00e1 22 anos, per\u00edodo no qual a Seds acolheu 226 crian\u00e7as e adolescentes, incluindo 92 entregas volunt\u00e1rias. De acordo com o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), em 2025 foram registrados 2.500 acolhimentos familiares no Brasil; foram cerca de 35 mil acolhimento institucional. \u201cSe houver mais fam\u00edlias acolhedoras, n\u00e3o haver\u00e1 tanto acolhimento institucional\u201d, afirma a secret\u00e1ria Renata Bravo.<\/p>\n<p>Contatos: Av. Senador Pinheiro Machado, 73 (Canal 1), telefones 3251-9333 \/ 3225- 3986 \/ 3223-6246. E-mail: [email\u00a0protected]<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/programa-familia-acolhedora-fortalece-vinculo-afetivo-de-criancas\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jeyzza e Edileuza, segurando M., de tr\u00eas meses, que acolhem em Santos Edileuza Andrade dos Santos Rocha tem duas filhas adultas e um neto com menos de dois anos. \u00c9 apaixonada por crian\u00e7as e h\u00e1 cinco anos revive com frequ\u00eancia as experi\u00eancias, tens\u00f5es e sentimentos da maternidade. 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