{"id":66494,"date":"2026-03-06T08:27:18","date_gmt":"2026-03-06T11:27:18","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/centros-de-memoria-as-vitimas-da-violencia-de-estado-comecam-por-santos\/"},"modified":"2026-03-06T08:27:18","modified_gmt":"2026-03-06T11:27:18","slug":"centros-de-memoria-as-vitimas-da-violencia-de-estado-comecam-por-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/centros-de-memoria-as-vitimas-da-violencia-de-estado-comecam-por-santos\/","title":{"rendered":"Centros de Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtimas da Viol\u00eancia de Estado come\u00e7am por Santos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O an\u00fancio da instala\u00e7\u00e3o do Centro de Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtimas da Viol\u00eancia de Estado (CMVV) e do Centro de Acesso a Direitos e Inclus\u00e3o Social (Cais) M\u00e3es por Direitos, na quarta-feira (4), reflete a conquista de 20 anos de luta do Movimento M\u00e3es de Maio. S\u00e3o mulheres, principalmente da Zona Noroeste de Santos, que perderam filhos em diferentes a\u00e7\u00f5es policiais, desde 2006, e que se uniram na luta por justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o do Estado. O equipamento funcionar\u00e1 no Centro Hist\u00f3rico e ser\u00e1 o primeiro com recursos federais voltado \u00e0 mem\u00f3ria e assist\u00eancia a familiares atingidos pela letalidade estatal.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma luta muito grande, de 20 anos. A partir das nossas viv\u00eancias e da experi\u00eancia de outras m\u00e3es que ouvimos, com apoio da Universidade de Harvard (EUA), n\u00f3s produzimos um manual que foi entregue ao Governo Federal\u201d, afirmou D\u00e9bora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do Movimento M\u00e3es de Maio.<\/p>\n<p>Para ela, a mem\u00f3ria faz parte da sobreviv\u00eancia dessas mulheres. \u201cN\u00f3s queremos que o Estado pare de matar nossos filhos. A gente n\u00e3o acha normal a morte ser naturalizada, a gente n\u00e3o acha natural esse movimento que mais cresce no Brasil, com a morte de jovens das periferias. Queremos valorizar a juventude, dar oportunidade e mostrar uma outra pol\u00edtica que n\u00e3o \u00e9 essa que mata, aprisiona e tortura. A educa\u00e7\u00e3o popular e valoriza\u00e7\u00e3o da favela e da periferia s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Para viabilizar os servi\u00e7os, os minist\u00e9rios dos Direitos Humanos e da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica uniram-se ao Movimento das M\u00e3es de Maio e \u00e0 Iniciativa Negra, organiza\u00e7\u00e3o nacional que atua com pol\u00edticas sobre drogas. Ambas far\u00e3o a gest\u00e3o do espa\u00e7o. \u201cA gente precisa educar a sociedade brasileira para os compromissos do Estado na defesa da vida. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante a gente estar aqui em Santos, numa comunidade de luta, de mem\u00f3ria, que passou por momentos t\u00e3o tristes, tr\u00e1gicos, sob a viol\u00eancia do Estado, para a gente reparar a partir de uma luta dessa pr\u00f3pria comunidade, mas especialmente das m\u00e3es e familiares que nunca desistiram. S\u00e3o eles que est\u00e3o entregando para o Brasil esse centro que, com certeza, vai inspirar outros. Fundamentalmente, a gente quer o fortalecimento da nossa democracia e o respeito \u00e0 dignidade de todo e qualquer cidad\u00e3o do Brasil\u201d, afirmou a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Maca\u00e9 Evaristo, durante o evento na quadra da Escola de Samba Unidos da Zona Noroeste.<\/p>\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O COLETIVA<\/strong><\/p>\n<p>Marta Machado, secret\u00e1ria nacional de Pol\u00edticas sobre Drogas e Gest\u00e3o de Ativos (Senad) do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, afirma que a execu\u00e7\u00e3o do Cais est\u00e1 garantida por uma parceria com a Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), j\u00e1 firmada com recursos da Senad. \u201cA gente tem mais de um equipamento aqui. O Cais custa em torno de R$ 1,5 milh\u00e3o, R$ 2 milh\u00f5es por ano. Em Santos, a gente colocou um Cais dentro do Centro de Mem\u00f3ria, que tem um outro tipo de recurso. Ent\u00e3o, ele est\u00e1 pronto, as equipes Cais j\u00e1 est\u00e3o sendo recrutadas, informadas. A gente vai ter psic\u00f3logo, assistente social, redutores de danos, mas o pr\u00e9dio em si, o local f\u00edsico, ainda est\u00e1 passando por uma reforma e vai abrir em breve\u201d.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria nacional explica que o projeto dos Cais nasceu para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, mas j\u00e1 est\u00e1 atendendo povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m. \u201cPor uma demanda do Movimento das M\u00e3es de Maio, que pediu um Cais espec\u00edfico para as m\u00e3es e familiares de v\u00edtimas, foi criado o Cais M\u00e3es por Direitos. O que a gente v\u00ea aqui \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica que foi constru\u00edda coletivamente com os movimentos. O Cais passa a existir, a ser constru\u00eddo justamente a partir de uma demanda de um movimento social. \u00c9 um evento hist\u00f3rico\u201d, declarou Marta Machado.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/centros-de-memoria-as-vitimas-da-violencia-de-estado-comecam-por-santos\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O an\u00fancio da instala\u00e7\u00e3o do Centro de Mem\u00f3ria \u00e0s V\u00edtimas da Viol\u00eancia de Estado (CMVV) e do Centro de Acesso a Direitos e Inclus\u00e3o Social (Cais) M\u00e3es por Direitos, na quarta-feira (4), reflete a conquista de 20 anos de luta do Movimento M\u00e3es de Maio. 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