{"id":65323,"date":"2026-02-28T06:57:19","date_gmt":"2026-02-28T09:57:19","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/orelhoes-tem-historias-mas-devem-sumir-das-ruas-ate-2028\/"},"modified":"2026-02-28T06:57:19","modified_gmt":"2026-02-28T09:57:19","slug":"orelhoes-tem-historias-mas-devem-sumir-das-ruas-ate-2028","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/orelhoes-tem-historias-mas-devem-sumir-das-ruas-ate-2028\/","title":{"rendered":"\u00b4Orelh\u00f5es` t\u00eam hist\u00f3rias, mas devem sumir das ruas at\u00e9 2028"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, os Telefones de Uso P\u00fablico (TUPs) passaram a fazer parte da paisagem urbana e rural do pa\u00eds. Tornaram-se t\u00e3o populares e fundamentais no cotidiano dos brasileiros que o nome t\u00e9cnico foi esquecido, ficou o apelido: \u201corelh\u00e3o\u201d, em raz\u00e3o do formato assinado pela arquiteta chinesa radicada no Brasil, Chu Ming Silveira. Come\u00e7aram a compor a cena, primeiramente, do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, no in\u00edcio dos anos 1970, at\u00e9 chegarem a ser mais de 1,5 milh\u00e3o Brasil afora.<\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), atualmente, est\u00e3o resumidos a cerca de 38 mil aparelhos, muitos destes j\u00e1 desativados. E devem sumir das ruas at\u00e9 31 de dezembro de 2028. \u00c9 que a partir deste ano, as empresas de telefonia fixa n\u00e3o t\u00eam mais obriga\u00e7\u00e3o de fazer a manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos, pois em dezembro de 2025 venceram os contratos de concess\u00f5es do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>No entanto, a retirada, ainda que gradual, n\u00e3o deixa de representar o fim de uma era, pois diante das mais avan\u00e7adas das tecnologias digitais que p\u00f5em o mundo na palma das m\u00e3os transformaram-se em esp\u00e9cie de monumento abandonado, memorial de dias menos apressados.<\/p>\n<p>A aposentada J\u00fania La Scala, de 74 anos, se recorda das longas filas que se formavam diante dos orelh\u00f5es, \u00e0 espera da vez da usar o aparelho. \u201cA gente chegava a esperar de meia hora a uma hora. \u00c0s vezes, a pessoa estava fazendo uma liga\u00e7\u00e3o e voc\u00ea precisava usar com urg\u00eancia, mas tinha que ficar naquela fila enorme\u201d. Ela tamb\u00e9m lembra que, quando as fichas foram substitu\u00eddas por cart\u00f5es, as pessoas colecionavam. \u201cMeu ex-marido tinha um \u00e1lbum de cart\u00f5es de diferentes lugares, eram estampados, bonitos. Depois, vendeu, valia dinheiro\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fichas, cart\u00f5es e o disco com n\u00fameros para as liga\u00e7\u00f5es \u2013 al\u00e9m da local, a Discagem Direta a Dist\u00e2ncia (DDD) e a Internacional (DDI). Termos que n\u00e3o fazem sentido algum para o mundo dos conectados em tempo integral.<\/p>\n<p>Os orelh\u00f5es ganharam destaque em um tempo em que comprar um telefone fixo era como adquirir um autom\u00f3vel, pagando em v\u00e1rias presta\u00e7\u00f5es. Um tempo em que falar ao telefone exigia algumas estrat\u00e9gias para baratear o alto custo das liga\u00e7\u00f5es: hor\u00e1rios com pre\u00e7os diferenciados; discagem a cobrar; dizer rapidamente o que era para ser dito, para aproveitar ao m\u00e1ximo o tempo da ficha; andar com saquinhos de ficha para um bate-papo mais prolongado, entre outras artimanhas.<\/p>\n<p><img alt=\"\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-262264\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Exposicao-de-Rodrigo-Montaldi-4-Widia-Cultural-e1771856216537-257x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"354\" data-eio=\"l\"\/> <img alt=\"\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-262263 lazyload\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"403\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Exposicao-de-Rodrigo-Montaldi-2-Widia-Cultural-225x300.jpeg\" data-eio-rwidth=\"225\" data-eio-rheight=\"300\"\/><img alt=\"\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-262263\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Exposicao-de-Rodrigo-Montaldi-2-Widia-Cultural-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"403\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<h5>Rodrigo Montaldi usou orelh\u00f5es como plataforma para sua exposi\u00e7\u00e3o de fotos TransClandestinas, em 2020<\/h5>\n<p><strong>DIVERS\u00c3O E ARTE<\/strong><\/p>\n<p>Os aparelhos tamb\u00e9m t\u00eam espa\u00e7o na cultura brasileira: ganharam o mundo da m\u00fasica, como em\u00a0 \u2018Apenas 3 minutos\u2019, cl\u00e1ssico da m\u00fasica brega de Barros de Alencar (\u201cEu tenho apenas 3 minutos para dizer que te amo\u201d); e na televis\u00e3o, com o Z\u00e9 da Galera, personagem de J\u00f4 Soares que passava horas xingando o t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 \u00e9poca (\u201cBota ponta, Tel\u00ea!\u201d). Mesmo hoje, o orelh\u00e3o simboliza um per\u00edodo muito espec\u00edfico de nossa hist\u00f3ria (ditadura de 1964-1885): o cartaz do filme O Agente Secreto, com Wagner Moura, o mostra em um orelh\u00e3o.<\/p>\n<p>O barbeiro Luiz Meiller, de 55 anos, que cresceu no Marap\u00e9, \u201cuma das divers\u00f5es da molecada\u201d era passar trote: ligar para um n\u00famero qualquer, ou para a Pol\u00edcia e Bombeiro, para falar bobagem, contar piada, enfim, para os mais jovens seria \u201ctrollar\u201d, fazer \u201cpegadinha\u201d.<\/p>\n<p><img alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-262261 lazyload\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"220\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Barbeiro-Luiz-Meiller-1-Fernando-Yokota-300x200.jpg\" data-eio-rwidth=\"300\" data-eio-rheight=\"200\"\/><img alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-262261\" src=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Barbeiro-Luiz-Meiller-1-Fernando-Yokota-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"220\" data-eio=\"l\"\/><\/p>\n<p>Luiz Meiller e o fone sem \u00b4orelha` na barbearia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Meiller tem liga\u00e7\u00e3o mais afetiva com o orelh\u00e3o. Durante cinco anos, ele trabalhou com o Hil\u00e1rio Garcia Carvalho, o barbeiro Hil\u00e1rio Jabuca, torcedor s\u00edmbolo do Jabaquara Atl\u00e9tico Clube, que morreu em 2023, aos 89 anos. Luiz Meiller comprou o ponto da barbearia, no centro de Santos. Ali, fixo na parede h\u00e1 mais de 30 anos est\u00e1 um TUP, sem a ic\u00f4nica \u00b4orelha`, mas cheio de hist\u00f3ria. \u201cHavia um rapaz, vendedor de doces que passava e parava para namorar. Fazia liga\u00e7\u00e3o a cobrar e ficava de 30 a 40 minutos falando baixinho, enquanto a gente atendia os clientes. Clientes ligavam para o n\u00famero do aparelho e agendavam corte de cabelo e barba com o Hil\u00e1rio. Ainda hoje, desperta curiosidade, as pessoas passam e param para ver e mostrar para crian\u00e7as aquele tipo de telefone. Ali\u00e1s, at\u00e9 o come\u00e7o do m\u00eas, a linha estava ativada\u201d, conta.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe o fim que ter\u00e3o os equipamentos, mas h\u00e1 artistas que encontram destinos nobres para os orelh\u00f5es. Em S\u00e3o Paulo, o luthier Ricardo Bressan constr\u00f3i instrumentos musicais com eles. Em Santos, o fot\u00f3grafo Rodrigo Montaldi os usou como plataforma para a exposi\u00e7\u00e3o de fotos TransClandestinas, em 2020, resultado de uma pesquisa que ele fez com mulheres trans que vivem pelas ruas. A exposi\u00e7\u00e3o circulou por diversos espa\u00e7os santistas e foi levada para o Centro Cultural Patr\u00edcia Galv\u00e3o, junto ao Teatro Municipal, na Vila Mathias.<\/p>\n<h2><strong>Estado de S\u00e3o Paulo ainda tem 28 mil aparelhos em opera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>No estado de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 dezembro de 2025, havia aproximadamente 28 mil TUPs em opera\u00e7\u00e3o, cerca de 1.200 na Baixada Santista, de acordo com dados da Anatel. Mas a \u201cutiliza\u00e7\u00e3o caiu 93% nos \u00faltimos cinco anos, evidenciando que os orelh\u00f5es deixaram de fazer parte da rotina das pessoas\u201d, informa a Vivo. Em nota enviada ao Jornal da Orla por interm\u00e9dio da Assessoria de Imprensa, a empresa garante que manter\u00e1, at\u00e9 o final de 2028, os orelh\u00f5es ativos em localidades atendidas exclusivamente pela operadora, \u201cainda que seu uso seja praticamente inexistente\u201d. A retirada dos aparelhos ocorrer\u00e1 ao longo do ano, \u201cseguindo um cronograma baseado em crit\u00e9rios operacionais, de seguran\u00e7a e de conformidade regulat\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Com o fim dos contratos referente aos TUPs, a Anatel garante que as empresas se comprometeram a realizar investimentos em infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es: implanta\u00e7\u00e3o de fibra \u00f3ptica em localidades desprovidas dessa infraestrutura, instala\u00e7\u00e3o de antenas de telefonia celular (com tecnologia m\u00ednima 4G) em \u00e1reas sem cobertura adequada, expans\u00e3o da rede m\u00f3vel, implanta\u00e7\u00e3o de cabos submarinos e fluviais, a conectividade em escolas p\u00fablicas e a constru\u00e7\u00e3o de data centers.<\/p>\n<p>\u201cO novo modelo de atua\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 \u00e0 Vivo direcionar investimentos para tecnologias mais relevantes para a popula\u00e7\u00e3o, como a amplia\u00e7\u00e3o da cobertura 4G e 5G em mais de mil munic\u00edpios nos pr\u00f3ximos anos, aumento da capacidade de rede em centenas de localidades e moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura de fibra\u201d, diz a nota da empresa.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, cerca de 9 mil telefones de uso coletivo permanecer\u00e3o ativos em cidades onde n\u00e3o haja ao menos o sinal 4G para a rede m\u00f3vel.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornaldaorla.com.br\/noticias\/orelhoes-tem-historias-mas-devem-sumir-das-ruas-ate-2028\/\">Jornal Da Orla<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, os Telefones de Uso P\u00fablico (TUPs) passaram a fazer parte da paisagem urbana e rural do pa\u00eds. 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