{"id":62902,"date":"2026-02-13T13:54:14","date_gmt":"2026-02-13T16:54:14","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/the-economist-cita-brasil-como-exemplo-negativo-a-paises-ricos\/"},"modified":"2026-02-13T13:54:14","modified_gmt":"2026-02-13T16:54:14","slug":"the-economist-cita-brasil-como-exemplo-negativo-a-paises-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/the-economist-cita-brasil-como-exemplo-negativo-a-paises-ricos\/","title":{"rendered":"The Economist cita Brasil como exemplo negativo a pa\u00edses ricos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"tp-post-content\">\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Uma palavra assombra Washington, Bruxelas e T\u00f3quio: &#8220;brasileiriza\u00e7\u00e3o&#8221;. O termo, cunhado pela <em>The Economist<\/em> em artigo publicado nesta quinta-feira (12), descreve o pesadelo fiscal que as pot\u00eancias globais insistem em ignorar: d\u00edvida explosiva, pens\u00f5es que devoram o or\u00e7amento, bancos centrais sitiados pelo populismo. O mundo desenvolvido olhava para o Brasil como contraexemplo. Agora, importa seus sintomas. E a conta est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo a publica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica, o fen\u00f4meno vai al\u00e9m da m\u00e1 gest\u00e3o fiscal brasileira. Ele descreve a importa\u00e7\u00e3o de sintomas por economias avan\u00e7adas: eros\u00e3o institucional (como o descumprimento de tetos de gastos), promessas insustent\u00e1veis e trajet\u00f3rias de d\u00edvida que amea\u00e7am a independ\u00eancia de bancos centrais e a solv\u00eancia de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No Brasil, esse ciclo j\u00e1 se consolidou, e o paradoxo \u00e9 evidente. Para conter a infla\u00e7\u00e3o em uma economia com mem\u00f3ria de hiperinfla\u00e7\u00e3o, o Banco Central mant\u00e9m taxas de juros reais pr\u00f3ximas a 10%, entre as mais altas do mundo. Resultado: o investimento privado fica limitado a apenas 17% do PIB, cerca de metade da taxa registrada na \u00cdndia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o s\u00e3o os programas de assist\u00eancia social o problema. A revista aponta que o Bolsa Fam\u00edlia custa razo\u00e1veis 3,7% do PIB. O verdadeiro entrave \u00e9 o or\u00e7amento engessado por interesses entrincheirados, muitos protegidos por uma Constitui\u00e7\u00e3o detalhista e de dif\u00edcil reforma.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Brasil gasta mais do que o Jap\u00e3o em pens\u00f5es, com metade da idade<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Dez por cento do PIB \u00e9 quanto o Brasil gasta com pens\u00f5es e aposentadorias, um n\u00edvel equivalente ao do Jap\u00e3o, apesar de sua popula\u00e7\u00e3o ser muito mais jovem. Sem reformas profundas, esse gasto consumir\u00e1 16% do PIB at\u00e9 2060. A trajet\u00f3ria \u00e9 insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mas o problema vai al\u00e9m do volume: trata-se da distribui\u00e7\u00e3o profundamente desigual desses gastos. O sistema brasileiro funciona como Robin Hood \u00e0s avessas. Os d\u00e9ficits previdenci\u00e1rios de 13 milh\u00f5es de servidores p\u00fablicos e 40 milh\u00f5es de trabalhadores do setor privado s\u00e3o praticamente iguais. Isso torna o pa\u00eds um ponto fora da curva global.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Judici\u00e1rio e For\u00e7as Armadas recebem os maiores benef\u00edcios. O sistema judicial brasileiro custa 1,3% do PIB (o segundo mais caro do mundo), em grande parte devido a aposentadorias generosas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A Constitui\u00e7\u00e3o obriga a reajustar pens\u00f5es de acordo com o sal\u00e1rio-m\u00ednimo. Isso impede qualquer ajuste fiscal significativo sem mudan\u00e7as constitucionais. O resultado \u00e9 que recursos destinados a pens\u00f5es deixam de financiar infraestrutura e inova\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds fica preso em ciclo de baixo investimento e alta d\u00edvida.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essa estrutura cria uma ditadura do passado: os recursos s\u00e3o drenados para sustentar benef\u00edcios em vez de serem investidos em inova\u00e7\u00e3o e infraestrutura, atingindo o cora\u00e7\u00e3o da livre iniciativa. Para financiar d\u00e9ficits causados pelo peso previdenci\u00e1rio, os governos aumentam o endividamento. Isso for\u00e7a bancos centrais a manter taxas elevadas para preservar a confian\u00e7a do mercado e conter a infla\u00e7\u00e3o, o que expulsa o investimento privado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Brasil investe apenas 17% de seu PIB, quase a metade da taxa registrada na \u00cdndia. Quando os juros sobem, o servi\u00e7o da d\u00edvida consome fatias ainda maiores do or\u00e7amento. O governo brasileiro gasta cerca de 8% do PIB ao ano apenas com o pagamento de juros.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O envelhecimento tamb\u00e9m torna as economias menos flex\u00edveis. Eleitores idosos formam uma base pol\u00edtica poderosa que resiste a reformas fiscais necess\u00e1rias. Essa paralisia pol\u00edtica custa caro: no Brasil, a falta de credibilidade fiscal reduz o crescimento anual do PIB entre 0,5 e 1%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para as na\u00e7\u00f5es ricas, o alerta \u00e9 claro. Pa\u00edses que hoje lutam para ampliar gastos em defesa em 1% ou 2% do PIB enfrentariam uma crise sist\u00eamica se precisassem dobrar esse valor apenas para cobrir os juros de uma d\u00edvida inflada pelo custo do envelhecimento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A escolha global \u00e9 bin\u00e1ria e dolorosa: ou se reformam os gastos com a terceira idade enfrentando grupos de interesse, ou o mundo enfrentar\u00e1 austeridade profunda e estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\"><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-icon___stPC\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"16\" height=\"16\" viewbox=\"0 0 16 16\"><rect width=\"16\" height=\"16\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(3 3)\"><path d=\"M22.5,15l3.4,3.4-3.4,3.4\" transform=\"translate(-15.896 -11.793)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><path d=\"M6,6v4.2a2.452,2.452,0,0,0,2.5,2.4H16\" transform=\"translate(-6 -6)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><\/g><\/svg><\/span><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-text__hO_kM\">O Brasil que quase virou uma pot\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de carne de coelho<\/span><\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\"><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-icon___stPC\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"16\" height=\"16\" viewbox=\"0 0 16 16\"><rect width=\"16\" height=\"16\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(3 3)\"><path d=\"M22.5,15l3.4,3.4-3.4,3.4\" transform=\"translate(-15.896 -11.793)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><path d=\"M6,6v4.2a2.452,2.452,0,0,0,2.5,2.4H16\" transform=\"translate(-6 -6)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><\/g><\/svg><\/span><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-text__hO_kM\">O que vem no lugar da jornada 6\u00d71? Conhe\u00e7a as propostas em debate na C\u00e2mara<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Isen\u00e7\u00f5es fiscais at\u00e9 2073: o Brasil hipotecou meio s\u00e9culo<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O desequil\u00edbrio previdenci\u00e1rio \u00e9 agravado por outro entrave estrutural: as isen\u00e7\u00f5es fiscais, que se estendem at\u00e9 2073 e custam bilh\u00f5es de reais anualmente ao Estado, recursos que deveriam financiar educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura. Em ess\u00eancia, o Brasil hipotecou seu futuro para financiar o presente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essas isen\u00e7\u00f5es contribuem diretamente para o car\u00e1ter regressivo do modelo brasileiro. Enquanto a arrecada\u00e7\u00e3o sobre a renda permanece 12 pontos percentuais abaixo da m\u00e9dia da OCDE, a carga recai pesadamente sobre o consumo, penalizando os mais pobres.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A perpetua\u00e7\u00e3o dessas isen\u00e7\u00f5es \u00e9 fruto da press\u00e3o de grupos de interesse poderosos que conseguem obter tratamentos preferenciais junto ao Estado. Isso gera uma fragmenta\u00e7\u00e3o do sistema tribut\u00e1rio. Empresas de grande porte no Brasil chegam a gastar 63 mil horas por ano apenas para preencher obriga\u00e7\u00f5es fiscais. Essa burocracia desvia recursos que poderiam ser destinados \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e produtividade para atividades meramente administrativas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A exist\u00eancia de 128 regimes de isen\u00e7\u00e3o diferentes impede uma competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e ison\u00f4mica entre as empresas. Estimativas sugerem que a simplifica\u00e7\u00e3o desse caos tribut\u00e1rio poderia impulsionar o PIB em at\u00e9 4,5% at\u00e9 2033. Manter benef\u00edcios at\u00e9 2073 significa adiar ganhos de produtividade essenciais para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Com o governo enfrentando um d\u00e9ficit nominal de 8,1% do PIB e uma d\u00edvida p\u00fablica que pode chegar a 99% do PIB em 2030, a manuten\u00e7\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es por mais de meio s\u00e9culo reduz a margem de manobra or\u00e7ament\u00e1ria. Para estabilizar a d\u00edvida, o pa\u00eds precisaria de um super\u00e1vit prim\u00e1rio de cerca de 5% do PIB, uma meta praticamente inalcan\u00e7\u00e1vel enquanto o Estado abre m\u00e3o de receitas bilion\u00e1rias para privilegiar setores espec\u00edficos. As isen\u00e7\u00f5es vigentes at\u00e9 2073 protegem interesses estabelecidos em detrimento de uma economia de mercado din\u00e2mica e transparente, custando ao Brasil bilh\u00f5es em crescimento perdido e credibilidade fiscal.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O segundo judici\u00e1rio mais caro do mundo e como ele bloqueia reformas<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O sistema judici\u00e1rio brasileiro exerce press\u00e3o significativa e desproporcional sobre o or\u00e7amento federal. Contribui para a trajet\u00f3ria de insustentabilidade das contas p\u00fablicas. O impacto ocorre tanto pelo gasto direto com a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura quanto pelas decis\u00f5es judiciais que imp\u00f5em novas despesas ao Estado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Poder Judici\u00e1rio brasileiro consome 1,3% do PIB. Isso o torna o segundo mais caro do mundo em termos relativos. Esse gasto \u00e9 impulsionado, em grande parte, por benef\u00edcios generosos e aposentadorias elevadas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O setor p\u00fablico atrai os trabalhadores mais qualificados devido a essas regalias. As pens\u00f5es gigantescas funcionam como uma esp\u00e9cie de subs\u00eddio para a parcela mais rica da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Al\u00e9m do custo operacional, o Judici\u00e1rio impacta o or\u00e7amento por meio de senten\u00e7as que obrigam o governo a realizar pagamentos n\u00e3o previstos. Anualmente, o governo federal perde o equivalente a 2,5% do PIB em causas judiciais relacionadas a pagamentos de pens\u00f5es e benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A facilidade com que pensionistas ganham disputas nos tribunais quando sentem que recebem menos do que merecem cria uma barreira para qualquer tentativa de ajuste fiscal.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Esse n\u00edvel de gasto contribui para um cen\u00e1rio onde a d\u00edvida p\u00fablica bruta pode atingir 99% do PIB em 2030. A incapacidade de reformar esses privil\u00e9gios do topo para baixo (incluindo militares e ju\u00edzes) mina a confian\u00e7a do mercado na responsabilidade fiscal do governo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Como resultado, o Banco Central \u00e9 for\u00e7ado a manter juros reais pr\u00f3ximos a 10% para atrair investidores e controlar a infla\u00e7\u00e3o. Isso gera um d\u00e9ficit nominal de 8,1% do PIB, composto quase totalmente pelo pagamento de juros da pr\u00f3pria d\u00edvida.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/the-economist-brasil-crise-fiscal-global\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma palavra assombra Washington, Bruxelas e T\u00f3quio: &#8220;brasileiriza\u00e7\u00e3o&#8221;. 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