{"id":60130,"date":"2026-01-28T13:08:23","date_gmt":"2026-01-28T16:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/governo-reforca-sus-com-760-profissionais-em-enfermagem-obstetricia\/"},"modified":"2026-01-28T13:08:23","modified_gmt":"2026-01-28T16:08:23","slug":"governo-reforca-sus-com-760-profissionais-em-enfermagem-obstetricia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/governo-reforca-sus-com-760-profissionais-em-enfermagem-obstetricia\/","title":{"rendered":"Governo refor\u00e7a SUS com 760 profissionais em enfermagem obstetr\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vai refor\u00e7ar o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) com 760 profissionais que est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o no curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem Obst\u00e9trica da Rede Alyne. O curso foi iniciado em novembro de 2025 para profissionais com, pelo menos, um ano de experi\u00eancia na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das mulheres no SUS.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1676283&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o envolve investimentos de R$ 17 milh\u00f5es e objetiva formar mais especialistas para fortalecer a aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica e neonatal no SUS. O Brasil tem somente 13 mil profissionais desse tipo, o que refor\u00e7a a necessidade de aumentar a oferta para refor\u00e7ar a aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica e neonatal no SUS.\u00a0<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 institui\u00e7\u00f5es e apoio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).<\/p>\n<p>De acordo com o minist\u00e9rio, no Brasil h\u00e1 apenas 13 mil enfermeiros obst\u00e9tricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse n\u00famero, 46% (6.247) t\u00eam v\u00ednculo com algum estabelecimento de sa\u00fade registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES), o que confirma a insufici\u00eancia de profissionais para atender \u00e0 demanda nacional.\u00a0<\/p>\n<p>Em contrapartida, em pa\u00edses cujo modelo de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 baseado na enfermagem obst\u00e9trica h\u00e1 uma densidade maior de profissionais, variando entre 25 e 68 por 1 mil nascidos vivos, enquanto no Brasil s\u00e3o cinco por 1 mil nascidos vivos, segundo dados da Abenfo de 2023.<\/p>\n<p>O enfermeiro obst\u00e9trico \u00e9 o profissional especializado que cuida da sa\u00fade da mulher durante a gravidez, o parto e o p\u00f3s-parto, em partos naturais ou vaginais, tornando-os mais humanizados e garantindo \u00e0 gestante mais confian\u00e7a e tranquilidade. Ele faz exames, auxilia no parto, presta cuidados ao rec\u00e9m-nascido e colabora com os m\u00e9dicos para garantir um atendimento seguro.<\/p>\n<h2>Impacto<\/h2>\n<p>O conselheiro do Cofen Renn\u00e9 Costa avalia que o impacto da medida \u00e9 positivo, \u201cporque falta enfermeiro obst\u00e9trico no Brasil, principalmente quando a gente compara os n\u00fameros do pa\u00eds com o mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto no Brasil tem em torno de um enfermeiro obst\u00e9trico para quatro m\u00e9dicos, no mundo s\u00e3o quatro enfermeiros obst\u00e9tricos para um m\u00e9dico\u201d, ressaltou.\u00a0<\/p>\n<p>Renn\u00e9 Costa disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> que em pa\u00edses desenvolvidos, onde existe uma boa assist\u00eancia obst\u00e9trica e neonatal, \u201csempre tem um n\u00famero muito maior de enfermeiros obst\u00e9tricos do que de m\u00e9dicos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, uma das principais caracter\u00edsticas da enfermagem obst\u00e9trica \u00e9 obedecer \u00e0 fisiologia do parto. Ou seja, deixar que o corpo da mulher, sozinho, produza o parto, baixando o n\u00famero de interven\u00e7\u00f5es e, com isso, o n\u00famero de iatrogenias, que s\u00e3o estados de doen\u00e7a, efeitos adversos ou altera\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas causadas ou resultantes de um tratamento de sa\u00fade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 o principal benef\u00edcio desse profissional [enfermeiro obst\u00e9trico] estar na rede, principalmente no SUS, j\u00e1 que o Brasil hoje est\u00e1 entre os primeiros pa\u00edses em n\u00famero de partos operat\u00f3rios [ces\u00e1reas], indo na contram\u00e3o do que diz a ci\u00eancia\u201d, assegurou Costa, acrescentando que o parto operat\u00f3rio \u201cmultiplica em 70 o risco de morte dessa mulher\u201d.<\/p>\n<h2>Quest\u00e3o cultural<\/h2>\n<p>O conselheiro do Cofen analisa o problema como uma quest\u00e3o cultural, porque o parto natural ainda \u00e9 visto como um parto do SUS, \u201cum parto de pobre\u201d, daquele que n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o de escolha.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO parto operat\u00f3rio \u00e9 de quem tem plano de sa\u00fade, de quem pode pagar pela hora, \u00e9 o parto que n\u00e3o d\u00f3i. Essa \u00e9 a cultura brasileira\u201d, disse.\u00a0<\/p>\n<p>Ele chama a aten\u00e7\u00e3o que nas novelas brasileiras, o parto \u00e9 um momento de sofrimento, de ang\u00fastia, de muita dor, que parece fazer do parto natural o mais inseguro poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Para Renn\u00e9 Costa, n\u00e3o existe na cultura popular o trabalho de informar que a melhor via de parto \u00e9 a fisiol\u00f3gica, \u00e9 o parto natural. O enfermeiro obst\u00e9trico defende o parto com um m\u00ednimo de interven\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o viol\u00eancia obst\u00e9trica, que \u00e9 evitar fazer procedimentos desnecess\u00e1rios, como uso da ocitocina indiscriminado, um horm\u00f4nio que estimula contra\u00e7\u00f5es uterinas no parto, ou da manobra Kristeller, por exemplo, em que o \u00fatero da mulher \u00e9 pressionado para tentar auxiliar a expuls\u00e3o do beb\u00ea, o que pode provocar s\u00e9rios danos para a mulher e para a crian\u00e7a, como rupturas de costelas e hemorragia. Essa manobra \u00e9 contraindicada e considerada viol\u00eancia obst\u00e9trica pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>O conselheiro do Cofen lembra que o corpo da mulher \u201c\u00e9 muito s\u00e1bio\u201d e serve para \u201camadurecer\u201d a crian\u00e7a, para ela chegar no novo ambiente externo.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=451235:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/5HtsTGZSjO-ZLQ5TdVtB4H4Q-wc=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/01\/26\/img-20260123-wa0031.jpg?itok=Xqdhuv91\" alt=\"26\/01\/2026 - Forma\u00e7\u00e3o de enfermeiros obst\u00e9tricos tem impacto positivo, mas n\u00famero precisa ser ampliado. Val\u00e9ria, o marido, a beb\u00ea Maria Catarina e a enfermeira obst\u00e9trica Maria Luiza Bezerra. Foto: Val\u00e9ria Monteiro\/arquivo pessoal\" title=\"Val\u00e9ria Monteiro\/arquivo pessoal\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/5HtsTGZSjO-ZLQ5TdVtB4H4Q-wc=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/01\/26\/img-20260123-wa0031.jpg?itok=Xqdhuv91\" alt=\"26\/01\/2026 - Forma\u00e7\u00e3o de enfermeiros obst\u00e9tricos tem impacto positivo, mas n\u00famero precisa ser ampliado. Val\u00e9ria, o marido, a beb\u00ea Maria Catarina e a enfermeira obst\u00e9trica Maria Luiza Bezerra. Foto: Val\u00e9ria Monteiro\/arquivo pessoal\" title=\"Val\u00e9ria Monteiro\/arquivo pessoal\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=451235 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Val\u00e9ria com a beb\u00ea Maria Catarina (D), o marido (C) e a enfermeira obst\u00e9trica Maria Luiza Bezerra &#8211; Foto:\u00a0<strong>Val\u00e9ria Monteiro\/arquivo pessoal<\/strong><!--END copyright=451235--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Ele ressalta ainda que muitas crian\u00e7as sofrem com o parto abrupto, que n\u00e3o d\u00e1 maturidade no sistema neurol\u00f3gico e pulmonar dos beb\u00eas, para que eles se preparem para o mundo externo, uma vez que se encontram em um mundo controlado at\u00e9 o nascimento.\u00a0<\/p>\n<p>No parto operat\u00f3rio, adverte, muitas vezes acontece uma coisa muito comum, que \u00e9 o parto de uma crian\u00e7a prematura, que ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta para nascer.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTudo isso s\u00e3o preju\u00edzos do parto operat\u00f3rio indiscriminado, como \u00e9 feito no Brasil\u201d, disse<\/p>\n<p>O enfermeiro defende que \u00e9 preciso que o pa\u00eds tenha a cultura de preparar as mulheres para que elas tenham um plano de parto. Significa, segundo ele, que ao come\u00e7ar a fazer o pr\u00e9-natal, a mulher deve discutir com a equipe multidisciplinar como ela quer que esse parto aconte\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe ela quer um parto operat\u00f3rio, um parto vaginal, em casa, em ambiente hospitalar, qual a equipe que ela quer, quais as pessoas que ela deseja estejam acompanhando-a.\u00a0<\/p>\n<p>No decorrer da hist\u00f3ria, segundo Renn\u00e9 Costa, o parto, que era um evento familiar, se tornou um evento hospitalar, onde a mulher \u00e9 cerceada do direito de ver fam\u00edlia, de ter autonomia sobre o pr\u00f3prio corpo.\u00a0<\/p>\n<h2>Ganhos<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do conselheiro federal, a rede SUS s\u00f3 tem a ganhar com a presen\u00e7a dos enfermeiros obst\u00e9tricos. O pr\u00f3prio Renn\u00e9 Costa \u00e9 fruto de especializa\u00e7\u00e3o em enfermagem obst\u00e9trica. Em 2014, ele fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, ainda na Rede Cegonha, anterior \u00e0 Rede Alyne.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEssa especializa\u00e7\u00e3o mudou minha vida profissional, n\u00e3o s\u00f3 como enfermeiro obstetra em que me formei, como mudou tamb\u00e9m a realidade de um munic\u00edpio do interior de Alagoas onde eu trabalhava, o munic\u00edpio de Vi\u00e7osa. Eu me tornei capacitado para assistir essas mulheres\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Antes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de Renn\u00e9 Costa, o Hospital Municipal de Vi\u00e7osa, onde ele trabalhava, fazia em m\u00e9dia entre 80 e 90 partos por ano. Depois de sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o passou a realizar de 500 a 600 partos por ano, \u201ccom total seguran\u00e7a\u201d, no pr\u00f3prio munic\u00edpio e perto da mulher.<\/p>\n<p>Antes, as parturientes de Vi\u00e7osa eram obrigadas a se deslocar para a capital, distante 120 quil\u00f4metros e, muitas vezes, em ambul\u00e2ncias sem nenhum profissional acompanhando, com dores de parto, perambulavam de maternidade em maternidade, para ver qual aceitava fazer o seu parto. \u201cAgora, essas mulheres passaram a parir no interior\u201d, diz Renn\u00e9.<\/p>\n<p>Renn\u00e9 Costa comemora que a forma\u00e7\u00e3o de novos 760 enfermeiros obst\u00e9tricos pode ampliar os benef\u00edcios \u00e0s mulheres, embora considere esse n\u00famero ainda aqu\u00e9m das necessidades do pa\u00eds. \u201c\u00c9 um n\u00famero muito insuficiente para o tamanho do Brasil\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Ele defendeu a presen\u00e7a desse profissional n\u00e3o s\u00f3 na casa de parto, mas na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, como refer\u00eancia ainda quando a mulher est\u00e1 fazendo o pr\u00e9-natal, desmistificando o que \u00e9 o parto normal, o que acontece, que acompanhantes ela pode levar, o ambiente onde quer fazer o parto.\u00a0<\/p>\n<p>Como o enfermeiro obst\u00e9trico \u00e9 muito mais aberto a essa fisiologia, ou \u00e0 naturalidade do parto, Renn\u00e9 explica que ele permite que tenha mais acompanhantes, que a fam\u00edlia esteja mais pr\u00f3xima, que a parturiente esteja mais perto de casa. \u201cTudo fica muito mais pr\u00f3ximo dela e acredito que at\u00e9 diminui as desigualdades\u201d.<\/p>\n<h2>Profissionais<\/h2>\n<p>A m\u00e9dica Margareth Portella, coordenadora materno infantil da Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Rio de Janeiro (SES-RJ), confirmou em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que a capital fluminense n\u00e3o tem problemas de recursos humanos especializados.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTodas as maternidades est\u00e3o bem contempladas com enfermagem obst\u00e9trica\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Margareth avalia que esses profissionais s\u00e3o fundamentais para tocar os partos fisiol\u00f3gicos, sem intercorr\u00eancias, que s\u00e3o gesta\u00e7\u00f5es tranquilas, o que se chamava antigamente de baixo risco e hoje s\u00e3o chamadas de risco habitual.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPara esse tipo de atendimento, as enfermeiras obst\u00e9tricas s\u00e3o maravilhosas, s\u00e3o fundamentais para o servi\u00e7o andar\u201d, defende.<\/p>\n<p>Margareth Portella avaliou que \u201cos enfermeiros obst\u00e9tricos s\u00e3o um recurso humano fundamental na assist\u00eancia ao parto de risco habitual, de baixo risco, nas nossas maternidades\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFormar esse tipo de profissional \u00e9 important\u00edssimo para estruturar uma rede que cubra todas as necessidades, desde o pr\u00e9-natal, o parto, puerp\u00e9rio. E, obedecendo aos crit\u00e9rios de hierarquia nas maternidades de risco habitual, podem ficar mais enfermeiras fazendo assist\u00eancia, sem prescindir da figura do m\u00e9dico porque, a qualquer momento, um parto pode se transformar em uma emerg\u00eancia\u201d, salientou a coordenadora materno infantil da Secretaria.\u00a0<\/p>\n<p>Ela lembra que at\u00e9 os n\u00edveis de complexidade bem mais altos de atendimento \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o de alto risco, com UTI neonatal, UTI materna, \u00e9 necess\u00e1rio um outro n\u00edvel de assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Margareth Portella avalia como de grande import\u00e2ncia a decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de investir na forma\u00e7\u00e3o de enfermeiros obst\u00e9tricos. \u201cS\u00f3 fico preocupada porque n\u00e3o basta ter conhecimento te\u00f3rico. Parto \u00e9 o tipo da coisa que tem vari\u00e1veis que n\u00e3o se controla e, tamb\u00e9m, intercorr\u00eancias imprevis\u00edveis. Ent\u00e3o, tem que haver todo um sistema de diagn\u00f3stico, de interven\u00e7\u00e3o, que seja a tempo de n\u00e3o deixar um desfecho ruim acontecer\u201d.<\/p>\n<p>Ela garante que todos os profissionais que estiverem interessados nessa capacita\u00e7\u00e3o especializada ter\u00e3o acesso ao curso ministrado pela Rede Alyne, cuja fase de implanta\u00e7\u00e3o no estado est\u00e1 sendo capitaneada pela Secretaria de Sa\u00fade estadual.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFomos n\u00f3s que fizemos toda a parte de levantamento de dados, planejamento da estrutura da Rede Alyne no estado. O territ\u00f3rio foi dividido em regi\u00f5es e, em cada uma delas, a SES conseguiu fazer o melhor atendimento \u00e0s necessidades de cada \u00e1rea, com participa\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios para poder fazer um levantamento, montar uma planilha e entregar em tempo h\u00e1bil ao minist\u00e9rio\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Na Baixada Fluminense, Margareth informou que os enfermeiros obst\u00e9tricos s\u00e3o muito presentes. Citou o caso do Hospital da M\u00e3e de Mesquita, que \u00e9 uma maternidade estadual, onde mais de 70% dos partos normais, vaginais, s\u00e3o conduzidos por enfermeiras com especializa\u00e7\u00e3o em obstetr\u00edcia.<\/p>\n<h2>Dificuldades<\/h2>\n<p>No entanto, a realidade do estado do Rio de Janeiro mostra que algumas regi\u00f5es mais distantes da capital, como a baixada litor\u00e2nea, a regi\u00e3o serrana e o sul Fluminense, j\u00e1 come\u00e7am a apresentar dificuldades desse recurso humano.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 nem de recurso humano porque, muitas vezes, os profissionais t\u00eam o diploma, t\u00eam a capacita\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o t\u00eam a experi\u00eancia necess\u00e1ria para assumir plant\u00f5es onde v\u00e3o ter que trabalhar, na pr\u00e1tica, fazendo assist\u00eancia ao parto. Muitas vezes, eles t\u00eam a qualifica\u00e7\u00e3o, mas falta a parte da pr\u00e1tica, porque existem cursos que s\u00e3o feitos at\u00e9 \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d, disse Margareth Portella.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, esse tipo de curso \u201cn\u00e3o d\u00e1 viv\u00eancia, n\u00e3o d\u00e1 seguran\u00e7a para essas pessoas fazerem partos do in\u00edcio at\u00e9 o final\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso um per\u00edodo de treinamento em servi\u00e7o, para poderem resolver problemas que vierem a surgir\u201d, avalia.\u00a0<\/p>\n<p>A SES-RJ informou que est\u00e1 tentando resolver o problema contratando, primeiramente, as enfermeiras obst\u00e9tricas que s\u00e3o mais experientes e, quando n\u00e3o consegue, fazendo a capacita\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica em servi\u00e7os onde elas podem aplicar aquilo que se prepararam para fazer.<\/p>\n<p>A rede municipal de sa\u00fade do Rio conta com 13 maternidades e uma Casa de Parto distribu\u00eddas por toda a cidade, e a enfermagem obst\u00e9trica est\u00e1 presente em todas essas unidades.<\/p>\n<h2>Experi\u00eancia<\/h2>\n<p>A empres\u00e1ria Val\u00e9ria Monteiro, 28 anos, \u00e9 casada com Lucas Oliveira, e gra\u00e7as ao acompanhamento que recebeu da enfermeira obst\u00e9trica Maria Luiza Bezerra, todo o processo correu com tranquilidade e sua terceira filha, Maria Catarina, hoje com cinco meses, nasceu sem problemas, de parto normal. \u201cFoi \u00f3timo. A enfermeira me acompanhou antes do parto, no parto e no p\u00f3s-parto. Foi o que me deu coragem e for\u00e7a e me fez acreditar que eu teria um parto normal\u201d, disse Val\u00e9ria \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica obstetra que atendia Val\u00e9ria a encorajou a fazer um parto normal, sem ces\u00e1rea. \u201cE a\u00ed a gente quis arriscar\u201d. Na reta final da gesta\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dica obstetra recomendou \u00e0 empres\u00e1ria uma enfermeira obst\u00e9trica, que deu a ela todo embasamento cient\u00edfico para que tivesse um parto normal, fazendo o monitoramento do beb\u00ea na barriga e lhe deu as instru\u00e7\u00f5es para que conseguisse evoluir no trabalho de parto at\u00e9 o momento de chegada da beb\u00ea. \u201cEla foi a parte te\u00f3rica. Eu deixei meu corpo agir, mas ela tinha todo o embasamento cient\u00edfico, a teoria, e eu pus em pr\u00e1tica\u201d. Maria Catarina tem cinco meses agora.<\/p>\n<p>O temor que ela sentia de voltar a fazer parto vaginal, como foi com a primeira filha, Maria Luisa, \u00e9 explicado porque a segunda filha, Maria Celina, veio ao mundo de ces\u00e1rea, no mesmo Hospital Regional de Arapiraca, em Alagoas, onde nasceu Maria Catarina. Foi a primeira experi\u00eancia de Val\u00e9ria no SUS. A ces\u00e1rea foi eletiva, isto \u00e9, agendada previamente, porque \u201ca beb\u00ea era grande e evoluiu com complica\u00e7\u00f5es. Foi um parto um pouco traum\u00e1tico\u201d, contou Val\u00e9ria, que ficou internada com a beb\u00ea durante 20 dias. Maria Celina est\u00e1, atualmente, com 2 anos e quatro meses. Mas tinha dez meses, quando a m\u00e3e engravidou novamente.<\/p>\n<p>A primeira filha, Maria Lu\u00edsa, hoje com tr\u00eas anos e dez meses, nasceu de parto normal, com enfermeira obst\u00e9trica, no Hospital Chama, tamb\u00e9m em Arapiraca, onde reside a fam\u00edlia. Val\u00e9ria e o marido n\u00e3o pretendem ter mais filhos. \u201cTr\u00eas filhas j\u00e1 est\u00e1 \u00f3timo\u201d. Ela recomenda a todas as gestantes que tenham parto normal, acompanhadas por enfermeira obst\u00e9trica.<\/p>\n<h2>Rede Alyne<\/h2>\n<p>Lan\u00e7ada pelo governo federal, pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, no dia 12 de setembro de 2024, a Rede Alyne \u00e9 um projeto de assist\u00eancia materno-infantil que reestrutura a antiga Rede Cegonha, de 2011. O objetivo \u00e9 reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade materna de mulheres negras em 50% at\u00e9 2027.\u00a0<\/p>\n<p>A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, gestante e v\u00edtima de neglig\u00eancia m\u00e9dica. O caso levou o Brasil a ser o primeiro pa\u00eds condenado por morte materna pelo Sistema Global de Direitos Humanos em todo o mundo. Com a homenagem prestada \u00e0 Alyne Pimentel, o governo reafirma seu compromisso com o enfrentamento das desigualdades na sa\u00fade e da luta por direitos das mulheres no Brasil, al\u00e9m de melhores condi\u00e7\u00f5es de cuidado para as gestantes, as pu\u00e9rperas e os beb\u00eas.<\/p>\n<p>Durante o lan\u00e7amento da Rede Alyne, na cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a ent\u00e3o ministra da Sa\u00fade, N\u00edsia Trindade, destacou que o objetivo central do projeto \u00e9 \u201creduzir a mortalidade materno infantil, garantir aten\u00e7\u00e3o humanizada e de qualidade \u00e0 gestante, \u00e0 parturiente, \u00e0 pu\u00e9rpera, ao rec\u00e9m-nascido\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Presente \u00e0 solenidade, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ressaltou que a medida era para proteger a mulher e sua fam\u00edlia. \u201c\u00c9 por isso que a gente est\u00e1 fazendo esse programa chamado Rede Alyne. \u00c9 para que as mulheres quando ficarem gr\u00e1vidas sejam tratadas com dec\u00eancia, sejam tratadas com respeito, n\u00e3o falte m\u00e9dico para fazer o pr\u00e9-natal, n\u00e3o falte m\u00e9dico ou m\u00e9dica para fazer o tratamento que for necess\u00e1rio fazer\u201d, afirmou \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2026-01\/governo-reforca-sus-com-760-profissionais-em-enfermagem-obstetricia\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vai refor\u00e7ar o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) com 760 profissionais que est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o no curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Enfermagem Obst\u00e9trica da Rede Alyne. O curso foi iniciado em novembro de 2025 para profissionais com, pelo menos, um ano de experi\u00eancia na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das mulheres no SUS.\u00a0 A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":60131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-60130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}