{"id":5550,"date":"2025-03-14T12:40:46","date_gmt":"2025-03-14T15:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mussicom.com\/brasil-o-pais-dessa-materia-prima\/"},"modified":"2025-03-14T12:40:46","modified_gmt":"2025-03-14T15:40:46","slug":"brasil-o-pais-dessa-materia-prima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/brasil-o-pais-dessa-materia-prima\/","title":{"rendered":"Brasil, o pa\u00eds dessa mat\u00e9ria-prima"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"hd80s9wa1h892edh8192\">\n<p>Ci\u00eancia, tecnologia e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias do mercado \u2014 esse trip\u00e9 fez os agricultores do Brasil transformarem uma trag\u00e9dia em oportunidade. A praga do bicudo-do-algodoeiro devastou a produ\u00e7\u00e3o nacional de algod\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, fazendo do pa\u00eds um grande importador desse produto. Por\u00e9m, o agro nacional n\u00e3o ficou inerte e correu atr\u00e1s do preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Os agricultores buscaram solu\u00e7\u00f5es ao redor do mundo, o que fez as lavouras locais ganharem uma nova face, muito mais tecnol\u00f3gica. Em uma surpreendente virada de chave, o agro nacional se tornou um grande exportador da pluma \u2014 em fibra, quase igual \u00e0quele vendido nas farm\u00e1cias.<\/p>\n<p>Em 2024, o pa\u00eds liderou o mercado mundial, com embarque de 2,8 milh\u00f5es de toneladas. O n\u00famero superou, inclusive, os Estados Unidos \u2014 na\u00e7\u00e3o com\u00a0a safra mais volumosa do planeta. \u00c9 verdade, por\u00e9m, que irregularidades clim\u00e1ticas atrapalharam o cultivo norte-americano neste ano. Entretanto, a agricultura brasileira fez a li\u00e7\u00e3o de casa, venceu desafios e se consolidou como umas das mais importantes fornecedoras mundiais da pluma.<\/p>\n<p>O ritmo de crescimento acelerado deixou a ind\u00fastria de tecidos para tr\u00e1s. As f\u00e1bricas n\u00e3o conseguem ter a mesma competitividade do campo, fazendo o pa\u00eds vender para fora quase 75% da colheita.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acabando com a praga<\/strong> no algod\u00e3o<\/h2>\n<p>O bicudo-do-algodoeiro \u00e9 um besouro preto, e seu nome se d\u00e1 em raz\u00e3o de sua cabe\u00e7a prolongada em forma de bico. A reprodu\u00e7\u00e3o do inseto ocorre por meio de larvas, que s\u00e3o depositadas justamente onde nascem as plumas e os caro\u00e7os do algod\u00e3o. Nessa fase, essas lagartas se alimentam da planta, devastando a produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Algod\u00e3o (Abrapa), explica como essa hist\u00f3ria aconteceu. \u201cH\u00e1 25 anos, os brasileiros resolveram reintroduzir o algod\u00e3o no pa\u00eds\u201d, diz o agricultor.\u00a0\u201cEles sa\u00edram mundo afora, e foram ver na Austr\u00e1lia, nos Estados Unidos o que se fazia para ter estabilidade na produtividade, na produ\u00e7\u00e3o e saber o que se estava usando de insumo.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Portocarrero, esse processo fez o setor mudar radicalmente. A colheita, por exemplo, passou de manual para mecanizada. O plantio deixou de ser feito em pequenas \u00e1reas, principalmente em S\u00e3o Paulo, para ocupar grandes \u00e1reas no Mato Grosso e na Bahia. E os agricultores ganharam uma aliada fundamental contra o bicudo: a transgenia \u2014 a tecnologia de adaptar as plantas geneticamente.<\/p>\n<p>Atualmente, cerca de de 80% da safra nacional tem origem transg\u00eanica, tecnologia liberada no pa\u00eds a partir de 2005. A introdu\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica contou com a parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria. Al\u00e9m de ajudar a combater a praga, seu uso trouxe um imenso ganho de produtividade, com a colheita passando de pouco mais de 1 tonelada por hectare para quase 2 nesta mesma por\u00e7\u00e3o de terra. Praticamente o dobro da m\u00e9dia norte-americana. E com uma outra grande vantagem: a de consumir muito menos \u00e1gua que em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cPor volta de 98% do algod\u00e3o brasileiro \u00e9 obtido em \u00e1rea de sequeiro, sem irriga\u00e7\u00e3o\u201d, relata o diretor da Abrapa. Nosso clima possibilita isso. Enquanto isso, 60% do algod\u00e3o dos EUA \u00e9 irrigado e, do australiano, 100% \u00e9 irrigado. E a\u00ed entra em outro fator que \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o do mundo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 destina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua para alimenta\u00e7\u00e3o animal e humana, e n\u00e3o para a agricultura. Hoje o Brasil \u00e9 muito mais sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem compra \u00e9 o cliente<\/strong><\/h3>\n<p>Sustentabilidade \u00e9 outra palavra-chave para o crescimento da lavoura de algod\u00e3o no Brasil. O crescimento da produ\u00e7\u00e3o depende de mercado para absorv\u00ea-la. O aumento da quantidade de clientes ocorreu conforme o atendimento\u00a0 a crit\u00e9rios ambientais e sociais impostos pelo mercado externo passou a ser certificado por \u00f3rg\u00e3os internacionais.\u00a0<\/p>\n<p>Para isso, a Abrapa estabeleceu conv\u00eanios com \u00f3rg\u00e3os como a <em>Better Cotton Initiative (BIC)<\/em>, com sede em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a. Essa institui\u00e7\u00e3o \u00e9 mantida por grandes marcas com presen\u00e7a global, como Adidas, Nike e Calvin Klein. Hoje, cerca de 80% das fazendas do Brasil s\u00e3o certificadas e 45% de todo o algod\u00e3o certificado que circula no mundo \u00e9 produzido por elas. Al\u00e9m disso, por volta de 60% da colheita nacional \u00e9 da pluma de alto padr\u00e3o, capaz de atender os mercados mais exigentes.\u00a0<\/p>\n<p>Todavia, se por um lado o Brasil \u00e9 o maior exportador de algod\u00e3o do mundo, do outro a ind\u00fastria brasileira enfrenta um grande desafio: transformar essa mat\u00e9ria-prima em tecido antes de vend\u00ea-lo no mercado externo. A mesma competitividade do campo n\u00e3o \u00e9 vista na ro\u00e7a \u2014 e os motivos para isso est\u00e3o dentro e fora de nossas fronteiras.\u00a0<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Competi\u00e7\u00e3o desleal<\/strong><\/h4>\n<p>Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil e de Confec\u00e7\u00e3o (Abit), essa defici\u00eancia se sustenta especialmente em dois pilares: o custo Brasil e a falta de competitividade sist\u00eamica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O custo Brasil chega a R$ 1,7 trilh\u00e3o por ano, quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador, obtido pelo Movimento Brasil Competitivo, em parceria com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, \u00e9 resultado de um conjunto de entraves que oneram o ambiente de neg\u00f3cios nacional.<\/p>\n<p>\u201cIsso adv\u00e9m de inseguran\u00e7a jur\u00eddica, de infraestrutura ruim, taxa de juros e de uma s\u00e9rie de elementos que oneram a produ\u00e7\u00e3o brasileira e que t\u00eam feito do Brasil um pa\u00eds mais caro perante seus concorrentes\u201d, destaca Pimentel.<\/p>\n<p>Atualmente, a manufatura t\u00eaxtil nacional compete principalmente com pa\u00edses como China, Paquist\u00e3o, Bangladesh, Vietn\u00e3 e Turquia. Pimentel reconhece a import\u00e2ncia do empreendedorismo do agro brasileiro, mas defende a necessidade de que a ind\u00fastria tenha um plano de investimentos, assim como \u00e9 o Plano Safra para a agricultura.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura tem tido um tratamento de pol\u00edtica agr\u00edcola de muitos anos, com taxa de juros mais competitivas e com menor carga tribut\u00e1ria\u201d, afirma o executivo. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos um Plano Ind\u00fastria. Isso, sem d\u00favida nenhuma, \u00e9 um elemento cr\u00edtico para que a gente possa ter a ind\u00fastria na sua centralidade, e a partir da\u00ed n\u00f3s possamos ir desbastando esse Custo Brasil e abrir um ambiente melhor para investimentos. N\u00f3s temos uma cren\u00e7a de que isso \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 preciso a gente trabalhar r\u00e1pido, porque o mundo n\u00e3o nos espera.\u201d<\/p>\n<p>O diretor-superintendente da Abit destaca ainda que, l\u00e1 fora, a China domina todos os n\u00edveis de tecnologia e j\u00e1 ocupa um espa\u00e7o importante no mercado t\u00eaxtil brasileiro. \u201cVirou a f\u00e1brica do mundo\u201d, comenta. Enquanto isso, os Estados Unidos tentam atrair parte dos segmentos industriais para voltar a produzir no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO mundo est\u00e1 se reconfigurando, e a ind\u00fastria t\u00eaxtil do Brasil nessa agenda poder\u00e1 ser um grande ator, porque n\u00f3s temos mat\u00e9ria-prima, temos investimentos, temos empreendedorismo, temos o trabalhador e temos uma matriz energ\u00e9tica limpa. Dizem que o agro \u00e9 pop e eu digo que o t\u00eaxtil MPB \u2014 Moderno, Produtivo e Brasileiro.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>No entanto, quando se fala em mercado asi\u00e1tico, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria t\u00eaxtil, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel n\u00e3o esbarrar nas condi\u00e7\u00f5es \u00e0s quais os trabalhadores s\u00e3o submetidos. As vantagens podem ir muito al\u00e9m de quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, jur\u00eddicas e tribut\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto o agroneg\u00f3cio brasileiro se esfor\u00e7a para oferecer condi\u00e7\u00f5es exemplares aos trabalhadores, do outro lado do mundo, se espalham den\u00fancias de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o na ind\u00fastria. No noroeste da China, por exemplo, empresas do setor s\u00e3o acusadas de aproveitar o trabalho for\u00e7ado de membros da minoria uigures, uma popula\u00e7\u00e3o perseguida no pa\u00eds. Os relat\u00f3rios citam servid\u00e3o, tr\u00e1fico de seres humanos e genoc\u00eddio. As f\u00e1bricas teriam fornecido para marcas como Zara, Bershka e Massimo Dutti. At\u00e9 mesmo Nike e Adidas, que se preocupam com as condi\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o no campo,\u00a0tamb\u00e9m j\u00e1 foram acusadas de se beneficiar da explora\u00e7\u00e3o desse grupo \u00e9tnico nas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m: \u201cA lei morreu\u201d, reportagem publicada na Edi\u00e7\u00e3o 258 da Revista Oeste<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/agronegocio\/brasil-o-pais-do-algodao\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ci\u00eancia, tecnologia e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias do mercado \u2014 esse trip\u00e9 fez os agricultores do Brasil transformarem uma trag\u00e9dia em oportunidade. A praga do bicudo-do-algodoeiro devastou a produ\u00e7\u00e3o nacional de algod\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, fazendo do pa\u00eds um grande importador desse produto. Por\u00e9m, o agro nacional n\u00e3o ficou inerte e correu atr\u00e1s do preju\u00edzo. 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