{"id":55399,"date":"2025-11-15T22:09:21","date_gmt":"2025-11-16T01:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/por-que-o-pais-consome-o-futuro\/"},"modified":"2025-11-15T22:09:21","modified_gmt":"2025-11-16T01:09:21","slug":"por-que-o-pais-consome-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/por-que-o-pais-consome-o-futuro\/","title":{"rendered":"por que o pa\u00eds consome o futuro?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Quatro em cada cinco fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o endividadas. Mais de 40% ganham menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa. Mesmo quem tem renda maior v\u00ea o dinheiro evaporar entre impostos recordes, Selic de 15% ao ano e servi\u00e7os p\u00fablicos prec\u00e1rios. O Brasil poupa apenas 14,5% do PIB \u2014 um ter\u00e7o do \u00edndice da China e menos que seus vizinhos latino-americanos \u2014 e depende de capital estrangeiro para financiar seu modesto crescimento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Brasil n\u00e3o consegue poupar devido \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de descontrole fiscal cr\u00f4nico, que leva o governo a aumentar impostos em vez de enxugar a m\u00e1quina p\u00fablica, fatores culturais e traumas hist\u00f3ricos de confiscos e hiperinfla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Poupan\u00e7a baixa significa pouco investimento, que vem caindo desde a primeira metade da d\u00e9cada passada, quando estava em torno de 20,5% do PIB. No segundo trimestre, foi de 16,8%, segundo o IBGE. Para alcan\u00e7ar essa taxa, muito baixa mas ainda assim superior \u00e0 taxa de poupan\u00e7a, o pa\u00eds precisou de recursos de outros pa\u00edses para cobrir a diferen\u00e7a. Essa depend\u00eancia torna o Brasil vulner\u00e1vel a crises externas e encarece o financiamento do crescimento.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><\/picture><\/div>\n<p>Regra fiscal pode travar aumento de gastos e promessas de Lula em 2026<\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/11\/10112356\/STF-Wallace-Martins-STF-380x214.jpg.webp\" alt=\"Imposto sobre Grands Fortunas - IGF - STF\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>STF exige imposto que pune sucesso, afasta investimento e fracassou no exterior<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">As causas do descontrole fiscal e o ciclo de endividamento<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O descontrole fiscal est\u00e1 na raiz do problema. Dados do Banco Central (BC) mostram que as contas p\u00fablicas brasileiras t\u00eam d\u00e9ficit desde novembro de 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), salvo breve exce\u00e7\u00e3o \u2013 entre novembro de 2021 e mar\u00e7o de 2023, as contas registraram super\u00e1vit impulsionadas pela retomada econ\u00f4mica p\u00f3s-pandemia e receitas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A principal estrat\u00e9gia para contornar os problemas fiscais tem sido o aumento de impostos. A carga tribut\u00e1ria brasileira atingiu recorde hist\u00f3rico em 2024: 32,3% do PIB, segundo o Tesouro Nacional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A indisciplina fiscal do governo tem deixado a economia mais aquecida e obrigado o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do BC a manter a taxa Selic em n\u00edveis elevados \u2013 o patamar atual \u00e9 o maior em 19 anos. Uma redu\u00e7\u00e3o s\u00f3 deve acontecer, na melhor das hip\u00f3teses, no primeiro trimestre do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">O duplo efeito dos juros altos<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essa situa\u00e7\u00e3o cria uma din\u00e2mica prejudicial. Juros altos t\u00eam duplo efeito: primeiro, encarecem o cr\u00e9dito para fam\u00edlias e empresas, empurrando-as para o endividamento em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis. Segundo, drenam recursos que poderiam financiar investimento produtivo privado (inova\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o de empresas, aumento da produtividade), j\u00e1 que a poupan\u00e7a dispon\u00edvel \u00e9 capturada pelo governo para cobrir seus d\u00e9ficits.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Com a maioria das fam\u00edlias endividadas e juros ao consumidor e \u00e0s empresas em patamares proibitivos, qualquer renda extra vai para pagar d\u00edvidas, n\u00e3o para formar reservas. A poupan\u00e7a dom\u00e9stica permanece comprimida, obrigando o pa\u00eds a depender de capital estrangeiro para financiar investimentos. Essa depend\u00eancia externa torna o Brasil vulner\u00e1vel a crises internacionais e encarece o crescimento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O ciclo se completa: sem poupan\u00e7a dom\u00e9stica, n\u00e3o h\u00e1 investimento suficiente. Sem investimento, a produtividade n\u00e3o cresce. Sem ganhos de produtividade, a economia n\u00e3o se expande o suficiente para gerar super\u00e1vits fiscais. E sem super\u00e1vits, o governo continua preso ao ciclo de endividamento, que s\u00f3 est\u00e1 aumentando. No terceiro mandato de Lula, a d\u00edvida p\u00fablica passou de 71,7% para 78,1% do PIB.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/11\/05161816\/contas-luz-energia-defesa-380x214.jpg.webp\" alt=\"Governo e oposi\u00e7\u00e3o inventam duas contas para o brasileiro pagar\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Fernando Jasper: Governo e oposi\u00e7\u00e3o d\u00e3o as m\u00e3os e inventam duas contas para o brasileiro pagar<\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/11\/11144037\/split-payment-380x214.jpg.webp\" alt=\"Split payment prev\u00ea separa\u00e7\u00e3o de impostos na hora da compra e pode afetar caixa das empresas.\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Novo sistema de arrecada\u00e7\u00e3o antecipa receita do governo e aperta caixa das empresas<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A rigidez do or\u00e7amento e a inviabilidade do ajuste fiscal<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O descontrole fiscal \u00e9 agravado por uma rigidez cr\u00f4nica. Mais de 92% do or\u00e7amento federal est\u00e1 comprometido com gastos obrigat\u00f3rios: Previd\u00eancia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rios, transfer\u00eancias constitucionais e benef\u00edcios sociais. Isso deixa espa\u00e7o m\u00ednimo para investimentos ou para ajustes antic\u00edclicos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A Previd\u00eancia, sozinha, consome cerca de metade do or\u00e7amento. Benef\u00edcios como aposentadorias e pens\u00f5es seguem regras de reajuste autom\u00e1tico e cobertura abrangente, impedindo cortes ou ajustes estruturais significativos. Programas sociais como o Bolsa Fam\u00edlia, embora necess\u00e1rios para reduzir a pobreza, tamb\u00e9m representam despesa crescente. Al\u00e9m disso, diversos gastos s\u00e3o atrelados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, o que gera aumento autom\u00e1tico de despesas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;O governo brasileiro n\u00e3o investe porque n\u00e3o poupa. Os governos, em todos os n\u00edveis, operam em d\u00e9ficit permanente, gastando mais do que arrecadam. Esta situa\u00e7\u00e3o impede que sobre caixa para investir&#8221;, lembra Paulo Feldman, professor da FIA Business School.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Esse engessamento torna o ajuste fiscal estrutural praticamente imposs\u00edvel. Mesmo em momentos de crise, a m\u00e1quina p\u00fablica continua expandindo gastos, e a \u00fanica alternativa passa a ser a eleva\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Fatores culturais e estruturais da baixa poupan\u00e7a<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Uma das raz\u00f5es para a alta poupan\u00e7a chinesa \u00e9 a aus\u00eancia de um sistema de previd\u00eancia p\u00fablica abrangente, o que for\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o a poupar para a aposentadoria. No Brasil, acontece o oposto.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O sistema previdenci\u00e1rio brasileiro cria um paradoxo. Por um lado, garante prote\u00e7\u00e3o social essencial para milh\u00f5es de brasileiros. Por outro, reduz drasticamente o incentivo individual para poupar. A ampla cobertura previdenci\u00e1ria, somada a programas assistenciais como o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) e o Bolsa Fam\u00edlia, cria uma rede de prote\u00e7\u00e3o que, embora necess\u00e1ria, desincentiva a forma\u00e7\u00e3o de reservas privadas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O envelhecimento populacional agrava esse quadro. Dados do IBGE mostram que a idade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o brasileira passou de 28,3 anos, em 2000, para 35,5 em 2022. Na virada do s\u00e9culo havia 28,9 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 crian\u00e7as e adolescentes. Mais recentemente, essa rela\u00e7\u00e3o passou para 55,2 para cada 100.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essa press\u00e3o demogr\u00e1fica eleva os gastos com o regime geral, que paga as aposentadorias e os benef\u00edcios do INSS, de 4,9% para 8% do PIB entre 1997 e 2022, segundo estudo realizado pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe). O custo crescente aperta o or\u00e7amento p\u00fablico, reduzindo ainda mais o espa\u00e7o para investimentos p\u00fablicos e perpetuando o ciclo de rigidez fiscal.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Traumas hist\u00f3ricos e a cultura do consumo imediato<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O comportamento das fam\u00edlias foi moldado por traumas hist\u00f3ricos. D\u00e9cadas de infla\u00e7\u00e3o alta, planos econ\u00f4micos fracassados e moedas que perdiam valor rapidamente condicionaram gera\u00e7\u00f5es inteiras a priorizar o consumo imediato em vez da poupan\u00e7a de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Quem viveu as d\u00e9cadas de 1980 e 1990 percebeu que guardar dinheiro significava v\u00ea-lo evaporar. A hiperinfla\u00e7\u00e3o castigava as economias das fam\u00edlias e eliminava qualquer possibilidade de planejamento financeiro. Confiscos de poupan\u00e7a, mudan\u00e7as abruptas de regras econ\u00f4micas e sucessivas crises deixaram a popula\u00e7\u00e3o em estado de alerta permanente. Esse hist\u00f3rico forjou uma mentalidade coletiva de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao futuro \u2014 desconfian\u00e7a racional, baseada em experi\u00eancias concretas de perda.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mesmo ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de relativa estabilidade monet\u00e1ria desde o Plano Real em 1994, a mem\u00f3ria inflacion\u00e1ria persiste e condiciona escolhas: prefer\u00eancia por consumo presente, resist\u00eancia a poupar, desconfian\u00e7a em aplica\u00e7\u00f5es financeiras de longo prazo e busca por bens tang\u00edveis em vez de ativos financeiros. Fundos de pens\u00e3o privados, previd\u00eancia complementar e t\u00edtulos p\u00fablicos enfrentam resist\u00eancia cultural. Poupar ainda parece irracional quando a hist\u00f3ria ensinou que o dinheiro guardado pode evaporar.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;A inseguran\u00e7a e a volatilidade hist\u00f3rica contribuem: os choques frequentes na economia brasileira levaram fam\u00edlias e empresas a preferirem liquidez de curto prazo&#8221;, destaca Andr\u00e9 Braz, coordenador de \u00edndices de pre\u00e7os do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV Ibre).<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A realidade financeira: renda baixa e endividamento cr\u00edtico<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Milh\u00f5es de brasileiros simplesmente n\u00e3o t\u00eam renda suficiente para poupar, mesmo que quisessem. Segundo o IBGE, mais de 40% das fam\u00edlias brasileiras t\u00eam renda por pessoa inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Para essas fam\u00edlias, o or\u00e7amento mensal \u00e9 inteiramente destinado a alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, transporte e sa\u00fade. Qualquer imprevisto (desemprego, doen\u00e7a, despesa extraordin\u00e1ria) se transforma em crise financeira imediata, for\u00e7ando o endividamento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Al\u00e9m disso, o mercado de trabalho brasileiro \u00e9 marcado por informalidade elevada, que no final do segundo trimestre de 2025 atingia 37,8% das pessoas com mais de 14 anos e que estavam ocupadas, e pela instabilidade. Trabalhadores informais n\u00e3o t\u00eam acesso a benef\u00edcios trabalhistas nem a linhas de cr\u00e9dito mais baratas, o que dificulta ainda mais qualquer tentativa de planejamento financeiro de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O endividamento atingiu patamares cr\u00edticos. Quatro em cada cinco fam\u00edlias brasileiras estavam endividadas em outubro, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O cr\u00e9dito funciona n\u00e3o como ferramenta de planejamento, mas como substituto da renda insuficiente. Fam\u00edlias antecipam consumo via cart\u00e3o de cr\u00e9dito e parcelamentos, comprometendo a renda futura.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Os juros elevados ao consumidor agravam o problema: as taxas praticadas no mercado partem da taxa b\u00e1sica (Selic) e chegam \u00e0 ponta de forma muito mais restritiva, encarecendo o cr\u00e9dito e acelerando o crescimento das d\u00edvidas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;A alta carga tribut\u00e1ria e a baixa renda, que mal garante a subsist\u00eancia para boa parte da popula\u00e7\u00e3o, anulam o excedente para poupar&#8221;, ressalta Yihao Lin, coordenador econ\u00f4mico da Genial Investimentos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O resultado \u00e9 um ciclo de sobreviv\u00eancia financeira permanente: qualquer renda extra vai para cobrir parcelas atrasadas, n\u00e3o para formar reservas. Poupar se torna invi\u00e1vel mesmo para quem tem inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Juros altos sufocam empresas e limitam sobreviv\u00eancia<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A baixa poupan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 exclusividade das fam\u00edlias. Empresas tamb\u00e9m contribuem para esse quadro. A necessidade de juros altos contribui para que as empresas tenham mais dificuldades para crescer. Segundo o IBGE, atualmente o Brasil tem cerca de 23,2 milh\u00f5es de empresas ativas, mas a taxa de sobreviv\u00eancia de novos neg\u00f3cios \u00e9 baixa. Apenas 37,3% das empresas sobrevivem ap\u00f3s cinco anos de atividade.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O cen\u00e1rio atual \u00e9 extremamente desconfort\u00e1vel. Segundo a Serasa Experian, 8,1 milh\u00f5es de empresas estavam negativadas em agosto de 2024, o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 2016. Duas em cada mil empresas est\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o judicial, aponta a RG F Associados, o maior n\u00edvel desde 2023. E cerca de 30% das que saem dessa modalidade encerram as atividades.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">&#8220;As altas taxas de juros encarecem a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e tornam o cr\u00e9dito mais restritivo. O volume recorde de inadimplentes fecha um ciclo que complica a recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e a sa\u00edda da inadimpl\u00eancia&#8221;, diz a economista Camila Abdelmalack, da Serasa Experian.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">As que sobrevivem t\u00eam um duro fardo. Empresas menores operam com margens reduzidas e fluxo de caixa restrito, destinando qualquer excedente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e ao pagamento de d\u00edvidas. O acesso limitado a cr\u00e9dito barato torna a capacidade de acumular reservas ou investir em expans\u00e3o praticamente invi\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Quando empresas n\u00e3o conseguem investir em inova\u00e7\u00e3o ou ganhos de produtividade, a economia como um todo perde dinamismo, criando um ambiente hostil ao empreendedorismo produtivo.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O ciclo vicioso: Estado ineficiente e baixo investimento<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No setor p\u00fablico, o investimento tamb\u00e9m \u00e9 baixo. Segundo dados do Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal do FGV Ibre, no ano passado foi de 2,2% do PIB, n\u00e3o incluindo as empresas p\u00fablicas. Em 1994, ano do Plano Real, foi de 3,2%. A maior parte dos recursos p\u00fablicos \u00e9 consumida por despesas correntes (sal\u00e1rios, benef\u00edcios, custeio da m\u00e1quina), sobrando pouco para investimento em infraestrutura ou capital produtivo.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Estado ineficiente: arrecada muito, entrega pouco<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A baixa efici\u00eancia do gasto p\u00fablico fecha o c\u00edrculo de desconfian\u00e7a. O governo arrecada muito \u2014 a carga tribut\u00e1ria est\u00e1 entre as mais altas do mundo para pa\u00edses emergentes \u2014 mas devolve pouco em servi\u00e7os de qualidade. A contrapartida em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e infraestrutura \u00e9 insatisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Um levantamento do Banco Mundial \u2013 o <em>Government Effectiveness Index<\/em> \u2013 mostra que a qualidade de servi\u00e7os p\u00fablicos, efic\u00e1cia do governo, formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no pa\u00eds estava em 2023 em um dos n\u00edveis mais baixos desde 1996. Dos 209 pa\u00edses e territ\u00f3rios analisados, o Brasil ocupava a 141\u00aa posi\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s de pa\u00edses como Cuba, Tanz\u00e2nia, Camboja, Uzbequist\u00e3o e Costa do Marfim.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Analistas ouvidos pela <strong>Gazeta do Povo<\/strong> apontam que quando o Estado n\u00e3o entrega servi\u00e7os adequados, fam\u00edlias e empresas precisam recorrer ao setor privado: planos de sa\u00fade, escolas particulares, seguran\u00e7a privada, at\u00e9 infraestrutura pr\u00f3pria. Isso drena a renda dispon\u00edvel, reduzindo ainda mais a capacidade de poupan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O subinvestimento p\u00fablico em \u00e1reas essenciais cria obst\u00e1culos que o setor privado e as fam\u00edlias precisam contornar, perpetuando um ciclo perverso: o cidad\u00e3o paga muito, recebe pouco, e n\u00e3o consegue poupar para melhorar sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/rasil-poupanca-endividamento-futuro\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro em cada cinco fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o endividadas. Mais de 40% ganham menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa. Mesmo quem tem renda maior v\u00ea o dinheiro evaporar entre impostos recordes, Selic de 15% ao ano e servi\u00e7os p\u00fablicos prec\u00e1rios. O Brasil poupa apenas 14,5% do PIB \u2014 um ter\u00e7o do \u00edndice da China e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55400,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-55399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}