{"id":51514,"date":"2025-10-27T23:25:19","date_gmt":"2025-10-28T02:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/a-chance-do-brasil-na-disputa-china-eua\/"},"modified":"2025-10-27T23:25:19","modified_gmt":"2025-10-28T02:25:19","slug":"a-chance-do-brasil-na-disputa-china-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-chance-do-brasil-na-disputa-china-eua\/","title":{"rendered":"a chance do Brasil na disputa China-EUA"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos e m\u00edsseis guiados dependem de terras raras, os minerais estrat\u00e9gicos mais valiosos do planeta. Dono da segunda maior reserva mundial, o Brasil se tornou pe\u00e7a central na disputa entre China e EUA por esses recursos. O pa\u00eds det\u00e9m um poder de barganha in\u00e9dito, mas sem uma pol\u00edtica industrial clara, corre o risco de repetir o erro hist\u00f3rico de exportar mat\u00e9ria-prima bruta enquanto a China, que j\u00e1 domina 90% do refino global, avan\u00e7a para controlar tamb\u00e9m a extra\u00e7\u00e3o em solo brasileiro.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A corrida global pelos minerais do futuro<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A demanda global por terras raras deve crescer sete vezes at\u00e9 2040, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), impulsionada pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e pela corrida tecnol\u00f3gica. Quem controla o fornecimento desses minerais define quem lidera a nova economia. Quem os processa e industrializa captura os lucros.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><\/picture><\/div>\n<p>Sem pol\u00edtica clara, Brasil cede controle de neg\u00f3cios estrat\u00e9gicos \u00e0 China<\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/08\/07165225\/terras-raras-brasil-china-eua-380x214.jpg.webp\" alt=\"China e Estados Unidos lideram a demanda mundial por terras raras.\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Terras raras: por que a \u201ccartada\u201d de Haddad contra o tarifa\u00e7o pode fracassar<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil tem todos os ingredientes para ser protagonista: recursos abundantes, matriz energ\u00e9tica limpa, estabilidade democr\u00e1tica e dep\u00f3sitos de alta qualidade em Minas Gerais. Mas a janela de oportunidade \u00e9 estreita.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Sem uma pol\u00edtica industrial coordenada que agregue valor localmente, o pa\u00eds corre o risco de repetir o erro colonial de exportar riqueza bruta enquanto outros capturam os lucros da industrializa\u00e7\u00e3o, aponta Alexandre Uehara, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da ESPM.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O monop\u00f3lio chin\u00eas: uma li\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gia<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China n\u00e3o conquistou o dom\u00ednio sobre terras raras por acaso. Foi resultado de pol\u00edticas de Estado de longo prazo, como o Made in China 2025 e o 14.\u00ba Plano Quinquenal (2021-2025), desenhadas para garantir os insumos necess\u00e1rios ao avan\u00e7o tecnol\u00f3gico do pa\u00eds.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Controle da cadeia produtiva<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os n\u00fameros revelam a extens\u00e3o desse controle: empresas chinesas dominam cerca de 60% da extra\u00e7\u00e3o global de terras raras e quase 90% do refino. Constantin Caranopolis, executivo com 30 anos na ind\u00fastria, explica que a China progrediu no processamento desses materiais ao criar um ecossistema que integra academia, universidades e institui\u00e7\u00f5es governamentais, todos voltados para desenvolver tecnologias e formar engenheiros e cientistas para o setor.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O monop\u00f3lio permite a Pequim usar os minerais como instrumento de press\u00e3o geoecon\u00f4mica. A China j\u00e1 imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de sete minerais essenciais para os Estados Unidos. Elementos pesados, cruciais para a ind\u00fastria de defesa, permanecem sob forte controle chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O professor Fernando Gomes Landgraf, da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), alerta para as implica\u00e7\u00f5es militares dessa depend\u00eancia. &#8220;O que aconteceria se a China decidisse cortar o fornecimento de \u00edm\u00e3s essenciais para aeronaves de guerra americanas?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A resposta global \u00e9 clara: pa\u00edses buscam urgentemente diversificar suas cadeias de suprimento para garantir resili\u00eancia e seguran\u00e7a. Isso eleva o Brasil a candidato natural para suprir parte dessa demanda.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A estrat\u00e9gia chinesa no Brasil<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A abordagem chinesa no Brasil segue a l\u00f3gica do jogo de Go: cercar o advers\u00e1rio e ocupar posi\u00e7\u00f5es-chave com perspectiva de d\u00e9cadas. Os n\u00fameros comprovam a estrat\u00e9gia. O investimento geral chin\u00eas no pa\u00eds cresceu 113% em 2024, atingindo US$ 4,18 bilh\u00f5es, tornando o Brasil o terceiro maior destino global do capital de Pequim, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Ocupa\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O aumento ocorreu justamente quando investimentos chineses recuaram em outros mercados. Nos Estados Unidos, os aportes ca\u00edram 11% em 2024. Na Austr\u00e1lia, a queda foi de 41%. O Brasil se tornou atrativo porque a China est\u00e1 redirecionando capital para evitar a hostilidade regulat\u00f3ria desses mercados.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O perfil dos investimentos mudou. O valor m\u00e9dio dos projetos diminuiu, mas o n\u00famero de empreendimentos aumentou, com foco em iniciativas de alto valor estrat\u00e9gico nos setores de energia el\u00e9trica, petr\u00f3leo e minerais cr\u00edticos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China busca controlar toda a cadeia produtiva. Em minera\u00e7\u00e3o, o capital chin\u00eas avan\u00e7a sobre ni\u00f3bio, t\u00e2ntalo, estanho e, mais recentemente, l\u00edtio. A BYD, gigante de ve\u00edculos el\u00e9tricos, adquiriu direitos miner\u00e1rios sobre dois lotes ricos em l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha (MG) em 2023. A compra de ativos de n\u00edquel da Anglo American pela chinesa MMG em 2025 refor\u00e7a a integra\u00e7\u00e3o entre minera\u00e7\u00e3o e montagem de ve\u00edculos el\u00e9tricos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Pequim tamb\u00e9m consolida influ\u00eancia sobre a log\u00edstica de escoamento. A estatal Cofco International arrematou a concess\u00e3o do terminal STS-11 no Porto de Santos (SP). A China Merchants Port (CMPort) adquiriu o controle do Terminal de Cont\u00eaineres de Paranagu\u00e1 (PR) e manifestou interesse em terminais petroleiros. Esse controle log\u00edstico confere \u00e0 China alavancas de influ\u00eancia geopol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Empresas chinesas, muitas estatais, t\u00eam vantagem estrutural: operam com gest\u00e3o centralizada, o que permite absorver preju\u00edzos no curto prazo em busca de metas estrat\u00e9gicas de longo prazo. Essa determina\u00e7\u00e3o supera a de empresas ocidentais, pressionadas por resultados trimestrais de acionistas.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A resposta americana: seguran\u00e7a nacional e <em>friendshoring<\/em><\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Do lado americano, o interesse em minerais estrat\u00e9gicos brasileiros est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 seguran\u00e7a nacional e \u00e0 necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o. A urg\u00eancia \u00e9 motivada pela depend\u00eancia chinesa em tecnologias de defesa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O Brasil \u00e9 alvo natural para a estrat\u00e9gia de <em>friendshoring<\/em> \u2014 fortalecimento de parcerias com aliados democr\u00e1ticos e confi\u00e1veis. Um executivo da australiana Liberty Metals, que adquiriu projetos de terras raras no Brasil, afirmou \u00e0 <em>CNN Brasil<\/em> que a transa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais alinhada \u00e0 estrat\u00e9gia dos Estados Unidos para minerais cr\u00edticos, voltada a fortalecer cadeias de fornecimento seguras e transparentes.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A press\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 real. O senador republicano Tom Cotton incluiu pedido de investiga\u00e7\u00e3o no projeto de lei do or\u00e7amento dos \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia dos EUA sobre a expans\u00e3o chinesa no agroneg\u00f3cio brasileiro. Isso sublinha que o tema dos minerais cr\u00edticos transcende a economia e se insere na disputa geopol\u00edtica global.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O di\u00e1logo entre o presidente Lula e Donald Trump j\u00e1 utiliza a quest\u00e3o dos minerais cr\u00edticos como moeda de troca nas negocia\u00e7\u00f5es sobre tarifas comerciais. Volnei Eyng, CEO da  gestora Multiplike, observa o alinhamento de interesses: &#8220;Os Estados Unidos t\u00eam interesse nas terras raras do Brasil, no caf\u00e9 e em outros produtos que impactam a infla\u00e7\u00e3o americana. J\u00e1 o Brasil tem o mesmo interesse em eliminar as tarifas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A diplomacia americana acompanha de perto a aproxima\u00e7\u00e3o sino-brasileira, demonstrando que o Brasil \u00e9 pe\u00e7a valiosa nesse tabuleiro.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O trunfo brasileiro: vantagens geol\u00f3gicas e ambientais<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil tem vantagens geol\u00f3gicas que v\u00e3o al\u00e9m do volume de reservas. Os dep\u00f3sitos de terras raras em argilas i\u00f4nicas, especialmente em Po\u00e7os de Caldas (MG), s\u00e3o considerados os melhores do mundo para explora\u00e7\u00e3o. Esses dep\u00f3sitos oferecem vantagens decisivas sobre as reservas em rocha dura, mais comuns.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Viabilidade econ\u00f4mica e sustentabilidade das terras raras<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A viabilidade econ\u00f4mica \u00e9 superior. O processo de extra\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais simples e exige menos reagentes qu\u00edmicos, reduzindo custos operacionais. O custo operacional pode ser de apenas US$ 8,8 por quilo de \u00f3xido de terras raras, tornando esses projetos vi\u00e1veis mesmo em cen\u00e1rios de pre\u00e7os baixos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A sustentabilidade ambiental tamb\u00e9m \u00e9 diferencial. Os projetos podem operar com menor impacto ambiental e sem a necessidade de grandes barragens de rejeito. Jos\u00e9 Marques Braga J\u00fanior, diretor executivo da mineradora Viridis, destaca que o projeto Colossus da empresa, em Minas Gerais, n\u00e3o tem barragem nem pilhas definitivas de rejeito, representando avan\u00e7o tecnol\u00f3gico significativo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Essas caracter\u00edsticas tornam os projetos brasileiros altamente atrativos para China e Estados Unidos. Contudo, o pa\u00eds enfrenta um obst\u00e1culo hist\u00f3rico: a falta de agrega\u00e7\u00e3o de valor local.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O gargalo da industrializa\u00e7\u00e3o das terras raras: o risco de exportar riqueza bruta<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil ainda n\u00e3o tem plantas industriais para separa\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos elementos de terras raras. Sem processamento local, o pa\u00eds se limita a exportar compostos mistos, que t\u00eam valor de mercado bem menor que o produto refinado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Enquanto o concentrado misto pode valer US$ 10 por quilo, os \u00f3xidos separados alcan\u00e7am de US$ 50 a US$ 200 por quilo, dependendo do elemento. \u00cdm\u00e3s permanentes de alta performance, o produto da cadeia, podem valer milhares de d\u00f3lares por quilo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil precisa avan\u00e7ar da extra\u00e7\u00e3o para o processamento e a fabrica\u00e7\u00e3o de ligas e \u00edm\u00e3s. Constantin Caranopolis, engenheiro e consultor na Strategic Materials Advice, enfatizou em evento do Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o (Ibram) que a estrat\u00e9gia brasileira deve ir para o pr\u00f3ximo n\u00edvel, &#8220;onde se captura valor adicional e se criam mais empregos para os brasileiros&#8221;.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A tecnologia de separa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal gargalo. O processo \u00e9 complexo, exige expertise qu\u00edmica avan\u00e7ada e investimentos significativos. A China dominou essa tecnologia ao longo de d\u00e9cadas de investimento coordenado entre governo, universidades e ind\u00fastria.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Soberania sobre terras raras exige pol\u00edtica de Estado<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O principal desafio para o Brasil \u00e9 deixar de ser um pa\u00eds de excepcional dota\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica \u2014 apenas ter a riqueza \u2014 para se tornar um pa\u00eds com voca\u00e7\u00e3o mineral \u2014 usar a riqueza para desenvolvimento nacional. Isso requer pol\u00edtica de Estado, destaca o Ibram.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">A urg\u00eancia da Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A falta de uma pol\u00edtica nacional clara e coordenada para minerais cr\u00edticos tem permitido que setores vitais passem ao controle estrangeiro. Sem regras definidas sobre quais setores comprometem a autonomia econ\u00f4mica, as negocia\u00e7\u00f5es se tornam desequilibradas com na\u00e7\u00f5es que operam com planejamento centralizado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A proposta de criar uma Pol\u00edtica Nacional de Minerais Cr\u00edticos e Estrat\u00e9gicos (PNMCE), em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso (PL 2780\/2024), \u00e9 vista como passo essencial. Essa pol\u00edtica poderia dar rumo, seguran\u00e7a jur\u00eddica e coordena\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias ao setor.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) defende que a PNMCE deve coordenar todas as iniciativas em andamento e definir prioridades de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o. O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Hugo Motta, determinou a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o especial para discutir o assunto.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A inseguran\u00e7a jur\u00eddica e a lentid\u00e3o dos tr\u00e2mites desestimulam investimentos. Obter todas as autoriza\u00e7\u00f5es para um projeto de minera\u00e7\u00e3o pode levar at\u00e9 16 anos no Brasil, lembra Adalberto Junqueira, gestor da unidade de neg\u00f3cios da Tractebel Brasil, Chile e Canad\u00e1.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Ibram ressalta que o processo de licenciamento ambiental, embora necess\u00e1rio para garantir salvaguardas socioambientais, \u00e9 gargalo que precisa ser modernizado e desburocratizado.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">A falta de investimento em tecnologia em terras raras<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para competir com a China, o Brasil precisa investir maci\u00e7amente em tecnologia e capital humano. O pa\u00eds investe significativamente menos em pesquisa mineral que os l\u00edderes globais. O or\u00e7amento do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), unidade de pesquisa do MCTI voltada ao desenvolvimento de tecnologias para o uso sustent\u00e1vel dos recursos minerais brasileiros, equivale a apenas 2,5% do dispon\u00edvel em \u00f3rg\u00e3o equivalente nos Estados Unidos e a apenas 1,4% da verba no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Silvia Fran\u00e7a, diretora do Cetem, afirmou em evento do Ibram que, para competir globalmente, o Brasil deve elevar os investimentos da casa dos milh\u00f5es para as centenas de milh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A depend\u00eancia tecnol\u00f3gica se manifesta no processamento. O setor precisa de financiamento de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O governo, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), sinalizou apoio com o lan\u00e7amento de uma chamada de R$ 5 bilh\u00f5es para projetos de transforma\u00e7\u00e3o de minerais estrat\u00e9gicos. Contudo, a demanda do setor privado somou R$ 85 bilh\u00f5es, evidenciando o fosso entre o recurso dispon\u00edvel e a necessidade real.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">As vantagens competitivas do Brasil<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">China e Estados Unidos buscam fornecedor que ofere\u00e7a n\u00e3o apenas volume, mas tamb\u00e9m sustentabilidade e transpar\u00eancia. O Brasil tem vantagens comparativas que podem ser exploradas.<\/p>\n<ul class=\"postList_post-list-container__W0E4y postList_visual-type-unordered-list__M8U7t\">\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Matriz energ\u00e9tica limpa:<\/strong> A matriz el\u00e9trica brasileira \u00e9 mais de 80% renov\u00e1vel, o que pode garantir uma minera\u00e7\u00e3o com menor pegada de carbono, um diferencial para mercados como a Uni\u00e3o Europeia.<\/span><\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Sustentabilidade e rastreabilidade:<\/strong> A robusta legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira, aliada a uma infraestrutura digital de rastreabilidade, pode consolidar uma marca global de confiabilidade.<\/span><\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Neutralidade geopol\u00edtica:<\/strong> A boa rela\u00e7\u00e3o do Brasil com diferentes blocos (OCDE, BRICS, Mercosul) \u00e9 um ativo estrat\u00e9gico que permite ao pa\u00eds liderar a forma\u00e7\u00e3o de cadeias de suprimento mais est\u00e1veis.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">O que o Brasil precisa fazer: um plano de a\u00e7\u00e3o para as terras raras<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para que o Brasil maximize sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na disputa por <strong>terras raras<\/strong> e outros <strong>minerais cr\u00edticos<\/strong>, o pa\u00eds precisa de um plano de a\u00e7\u00e3o imediato que v\u00e1 al\u00e9m da ret\u00f3rica. A resposta deve ser t\u00e9cnica e pragm\u00e1tica, focando em competitividade e efici\u00eancia.<\/p>\n<ul class=\"postList_post-list-container__W0E4y postList_visual-type-unordered-list__M8U7t\">\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Criar infraestrutura de processamento e fabrica\u00e7\u00e3o:<\/strong> Projetos como a parceria entre a australiana Viridis e a Ionic Rare Earths para construir a primeira f\u00e1brica de \u00f3xidos de terras raras na Am\u00e9rica do Sul e o projeto Magbras (para produzir \u00edm\u00e3s permanentes em Minas Gerais) mostram o caminho. A tecnologia para separa\u00e7\u00e3o \u00e9 o gargalo, e o Cetem tem projetos em curso para nacionalizar esse processo.<\/span><\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Coordenar desenvolvimento mineral com infraestrutura:<\/strong> A minera\u00e7\u00e3o demanda novas linhas de transmiss\u00e3o. A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) projeta que o Brasil precisar\u00e1 de 1 milh\u00e3o de toneladas de alum\u00ednio e a\u00e7o apenas para a constru\u00e7\u00e3o das estruturas de transmiss\u00e3o necess\u00e1rias at\u00e9 2034.<\/span><\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Fomentar o desenvolvimento regional:<\/strong> Investimentos privados precisam se conectar com desenvolvimento social, como exemplificado por projetos no Vale do L\u00edtio (MG) que envolvem o custeio de estudos para seguran\u00e7a de barragens e o desenvolvimento de infraestrutura compartilhada.<\/span><\/li>\n<li class=\"postList_post-list-item__34Ck1\"><span><strong>Investir em minera\u00e7\u00e3o urbana e reciclagem:<\/strong> O Brasil exporta res\u00edduos que cont\u00eam elementos valiosos a pre\u00e7o de sucata. O avan\u00e7o no reaproveitamento de res\u00edduos de estanho para produ\u00e7\u00e3o de terras raras pesadas pela Minera\u00e7\u00e3o Taboca demonstra a viabilidade de buscar valor em ativos j\u00e1 explorados.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/terras-raras-brasil-disputa-china-eua\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Turbinas e\u00f3licas, ve\u00edculos el\u00e9tricos e m\u00edsseis guiados dependem de terras raras, os minerais estrat\u00e9gicos mais valiosos do planeta. Dono da segunda maior reserva mundial, o Brasil se tornou pe\u00e7a central na disputa entre China e EUA por esses recursos. O pa\u00eds det\u00e9m um poder de barganha in\u00e9dito, mas sem uma pol\u00edtica industrial clara, corre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":35646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-51514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}