{"id":51449,"date":"2025-10-27T14:18:13","date_gmt":"2025-10-27T17:18:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/irmaos-dardenne-fazem-de-jovens-maes-um-retrato-terno-da-maternidade-precoce\/"},"modified":"2025-10-27T14:18:13","modified_gmt":"2025-10-27T17:18:13","slug":"irmaos-dardenne-fazem-de-jovens-maes-um-retrato-terno-da-maternidade-precoce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/irmaos-dardenne-fazem-de-jovens-maes-um-retrato-terno-da-maternidade-precoce\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3os Dardenne fazem de &#8216;Jovens M\u00e3es&#8217; um retrato terno da maternidade precoce"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-start=\"473\" data-end=\"1143\">Existem dois tipos de cineastas: aqueles que voc\u00ea assiste esperando ser surpreendido e aqueles que voc\u00ea j\u00e1 sabe muito bem o que vai encontrar quando os assiste. Os irm\u00e3os <strong>Jean-Pierre<\/strong> e <strong>Luc Dardenne<\/strong> (<em data-start=\"639\" data-end=\"661\">Dois Dias, Uma Noite<\/em>) fazem parte do segundo grupo. Ao longo de mais de quatro d\u00e9cadas, eles constru\u00edram um cinema reconhec\u00edvel, marcado por temas sociais urgentes, proximidade com personagens invisibilizados e pela aten\u00e7\u00e3o aos gestos cotidianos. Em <strong><em data-start=\"888\" data-end=\"901\">Jovens M\u00e3es<\/em><\/strong>, vencedor do pr\u00eamio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes deste ano e exibido na 49\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo, os irm\u00e3os seguem fielmente essa linha, oferecendo um retrato sens\u00edvel da maternidade precoce em um abrigo belga.<\/p>\n<p data-start=\"1145\" data-end=\"1701\">O foco da hist\u00f3ria recai sobre <strong>Jessica<\/strong> (<strong>Babette Verbeek<\/strong>), <strong>Perla<\/strong> (<strong>Lucie Laruelle<\/strong>), <strong>Julia<\/strong> (<strong>Elsa Houben<\/strong>), <strong>Ariane<\/strong> (<strong>Jana\u00efna Halloy Fokan<\/strong>) e <strong>Na\u00efma<\/strong> (<strong>Samia Hilmi<\/strong>), cinco adolescentes que buscam uma vida melhor para si e para seus beb\u00eas. Cada uma lida com desafios diferentes: amores n\u00e3o correspondidos, medo de repetir os erros das pr\u00f3prias m\u00e3es, aus\u00eancia do provedor da crian\u00e7a ou da fam\u00edlia, rejei\u00e7\u00e3o materna, ou depend\u00eancia de drogas. Entre decis\u00f5es dif\u00edceis e afeto, essas jovens tentam aprender a cuidar de seus filhos sendo que elas mesmas nunca receberam os mesmos cuidados.<\/p>\n<p data-start=\"1660\" data-end=\"2087\">A c\u00e2mera dos <strong>Dardenne<\/strong> permanece pr\u00f3xima, inquieta, respirando junto das personagens. \u00c9 um cinema que prefere as pequenas express\u00f5es \u00e0s grandes li\u00e7\u00f5es morais e reden\u00e7\u00f5es. O abrigo onde vivem funciona como um raro espa\u00e7o de respiro, sustentado por pol\u00edticas p\u00fablicas que contrastam com realidades de pa\u00edses ainda travados em debates sobre aborto e autonomia feminina. Dentro desse microcosmo, a ternura parece ter encontrado seu \u00faltimo ref\u00fagio. O abrigo torna-se, ao mesmo tempo, casa e escola \u2014 o lar que muitas nunca tiveram. Cada atitude e movimento dessas jovens \u00e9 uma tentativa de romper um ciclo de aus\u00eancias. O olhar dos diretores \u00e9 compreensivo, sem julgamentos, reconhecendo a humanidade de escolhas que surgem de uma realidade para a qual elas n\u00e3o estavam preparadas.<\/p>\n<p data-start=\"168\" data-end=\"630\">O que \u00e9 curioso sobre <strong><em data-start=\"190\" data-end=\"203\">Jovens M\u00e3es<\/em><\/strong> \u00e9 que, apesar do cartaz trazer as cinco adolescentes lado a lado com seus beb\u00eas, em uma esp\u00e9cie de confraterniza\u00e7\u00e3o, essa imagem jamais se concretiza na trama. Trata-se de uma promessa de comunh\u00e3o que o roteiro apenas sugere, mas nunca cumpre por completo. A intera\u00e7\u00e3o entre as jovens \u00e9 m\u00ednima, e talvez seja esse o \u00fanico dem\u00e9rito do longa: apesar das garotas conviverem nesse abrigo, s\u00e3o poucas as cenas em que elas se encontram \u2014 cada uma delas est\u00e1 ocupada demais lidando com os seus dramas particulares.<\/p>\n<p data-start=\"284\" data-end=\"801\">Nos raros momentos em que uma estende a m\u00e3o \u00e0 outra, surgem cenas de ternura genu\u00edna \u2014 pequenas demonstra\u00e7\u00f5es de cuidado que cativam por revelar, em tela, uma sororidade discreta, um lampejo de fam\u00edlia poss\u00edvel dentro do abrigo. S\u00e3o instantes que contrap\u00f5em, ainda que brevemente, o isolamento emocional que marca suas trajet\u00f3rias. \u00c9 como se o filme quisesse registrar n\u00e3o a for\u00e7a coletiva dessas jovens, mas a solid\u00e3o que as atravessa, o esfor\u00e7o \u00edntimo de quem tenta aprender, pouco a pouco, como tomar a decis\u00e3o mais importante de suas vidas: ficar com a crian\u00e7a ou n\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"2623\" data-end=\"3052\">Ao fim, <strong><em data-start=\"2631\" data-end=\"2644\">Jovens M\u00e3es<\/em><\/strong> pode parecer menor na filmografia dos <strong>Dardenne<\/strong>, mas ao abrir m\u00e3o de grandes reviravoltas e continuar fazendo o cinema social que marcou suas carreiras, eles permitem que pequenos atos nos revelem o essencial: um presente singelo que tira um sorriso honesto, um abra\u00e7o com l\u00e1grimas h\u00e1 muito tempo guardadas, um pedido de desculpas sincero, uma nova chance. \u00c9 um filme delicado, sens\u00edvel e pr\u00f3ximo do real, que refor\u00e7a como os irm\u00e3os continuam encontrando humanidade em lugares invis\u00edveis da sociedade.<\/p>\n<p><iframe title=\"JOVENS M\u00c3ES | Trailer Oficial\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LlRCqxTTqiM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> 49\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo: Acompanhe a cobertura de Rolling Stone Brasil<\/p>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          \n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p><strong>Angelo Cordeiro<\/strong> \u00e9 rep\u00f3rter do n\u00facleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade S\u00e3o Judas, escreve sobre filmes desde 2014. Paulistano do bairro de Interlagos e fan\u00e1tico por F\u00f3rmula 1. Pisciano, mas n\u00e3o acredita em astrologia. S\u00e3o-paulino, pai de pet e cin\u00e9filo obcecado por listas\u00a0e\u00a0rankings.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/irmaos-dardenne-jovens-maes-critica\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem dois tipos de cineastas: aqueles que voc\u00ea assiste esperando ser surpreendido e aqueles que voc\u00ea j\u00e1 sabe muito bem o que vai encontrar quando os assiste. Os irm\u00e3os Jean-Pierre e Luc Dardenne (Dois Dias, Uma Noite) fazem parte do segundo grupo. Ao longo de mais de quatro d\u00e9cadas, eles constru\u00edram um cinema reconhec\u00edvel, marcado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":51450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-51449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51449\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}