{"id":50552,"date":"2025-10-22T03:07:13","date_gmt":"2025-10-22T06:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/thundercat-fala-sobre-sam-rivers-limp-bizkit-e-as-linhas-de-baixo-que-sacudiram-uma-geracao\/"},"modified":"2025-10-22T03:07:13","modified_gmt":"2025-10-22T06:07:13","slug":"thundercat-fala-sobre-sam-rivers-limp-bizkit-e-as-linhas-de-baixo-que-sacudiram-uma-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/thundercat-fala-sobre-sam-rivers-limp-bizkit-e-as-linhas-de-baixo-que-sacudiram-uma-geracao\/","title":{"rendered":"Thundercat fala sobre Sam Rivers, Limp Bizkit e as linhas de baixo que sacudiram uma gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Ap\u00f3s a morte de <strong>Sam Rivers<\/strong>, baixista fundador do <strong>Limp Bizkit<\/strong>, em 18 de outubro aos 48 anos, <strong>Thundercat<\/strong> diz que falar sobre isso em uma entrevista parece \u201cnecess\u00e1rio\u201d. <strong>Rivers<\/strong> tinha apenas 19 anos quando o \u00e1lbum de estreia da banda, <em><strong>Three Dollar Bill, Y\u2019all<\/strong><\/em>, foi lan\u00e7ado em 1997, e esteve com o grupo durante seus momentos mais marcantes \u2014 e controversos \u2014 incluindo o enorme sucesso dos discos seguintes, <em><strong>Significant Other<\/strong><\/em> e <em><strong>Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Considerando os tr\u00eas \u00e1lbuns, <strong>Thundercat<\/strong> diz que n\u00e3o h\u00e1 faixas descart\u00e1veis. \u201cCada um deles em que ele tocou \u2014 cada m\u00fasica em que ele tocou \u2014 essas m\u00fasicas, para mim, eram especiais\u201d, diz o baixista, nascido <strong>Stephen Bruner<\/strong>. O pr\u00f3prio trabalho de <strong>Thundercat<\/strong> abrange hip hop, R&amp;B, eletr\u00f4nico, jazz e mais. Ap\u00f3s come\u00e7ar como m\u00fasico do <strong>Suicidal Tendencies<\/strong>, ele passou a colaborar com nomes como <strong>Kendrick Lamar<\/strong>, <strong>Flying Lotus<\/strong>, <strong>Erykah Badu<\/strong> e outros. Mas antes de <em><strong>It Is What It Is<\/strong><\/em>, <strong>Thundercat<\/strong> diz que era apenas um adolescente no col\u00e9gio, ouvindo pela primeira vez a linha de baixo trovejante de <strong>Rivers<\/strong> em \u201c<strong>Nookie<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Limp Bizkit<\/strong> foi revolucion\u00e1rio, e n\u00e3o precisava de prova disso\u201d, ele conta \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>. \u201cVoc\u00ea via isso na rea\u00e7\u00e3o das pessoas, e <strong>Sam<\/strong> era um dos mec\u00e2nicos da nossa inf\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>Falando por telefone com a <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>, <strong>Thundercat<\/strong> reflete sobre como <strong>Rivers<\/strong> e a abordagem destemida do <strong>Limp Bizkit<\/strong> ao atravessar g\u00eaneros moldou seu pr\u00f3prio som, sobre a capacidade impressionante de <strong>Rivers<\/strong> de extrair as emo\u00e7\u00f5es mais intensas de sua guitarra, e sobre como o trabalho da banda inspirou uma gera\u00e7\u00e3o a existir em seus pr\u00f3prios termos.<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea disse que essa entrevista parecia necess\u00e1ria, o que estava pensando exatamente?<\/strong><br \/>\u201cO trabalho [de Rivers] no Limp Bizkit \u00e9 algo que definiu v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, e para mim, pessoalmente, eu sou uma crian\u00e7a que cresceu ouvindo Limp Bizkit. Eu amava o primeiro \u00e1lbum. Amava o segundo. Entre ele e [o baterista da banda] John Otto, era um sentimento a ser buscado como m\u00fasico. A m\u00fasica dele tamb\u00e9m definiu meu crescimento inicial como m\u00fasico \u2014 de \u2018Re-Arranged\u2019 a \u2018My Generation\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea definiria esse \u2018sentimento\u2019 que buscava?<\/strong><br \/>Acho que a linha entre a m\u00fasica pop e o rock \u2014 o rock enquanto eu crescia aqui em Los Angeles, especialmente \u2014 n\u00e3o tinha muita representatividade de m\u00fasica ao vivo que fosse aceita na cultura pop, al\u00e9m do pr\u00f3prio rock. Havia momentos, claro, mas poder ouvir m\u00fasica ao vivo enquanto eu crescia como instrumentista, esses momentos grudavam em mim. E era sempre rock. Bandas que todos n\u00f3s am\u00e1vamos \u2014 Rage Against the Machine, Korn, Slipknot \u2014 definiram musicalidade e habilidade pra gente desde cedo. Mesmo Linkin Park, Blink-182. Essa foi a era em que crescemos. [Pessoas como] Sam nos mostravam exemplos de como tocar.<\/p>\n<p>O Limp Bizkit foi um grupo inovador. [Eles tinham] seu pr\u00f3prio som, sua pr\u00f3pria identidade. Quando se tratava de fazer rap, cantar, gritar \u2014 fazer tudo isso \u2014 ningu\u00e9m mais estava fazendo aquilo. N\u00e3o importa o que digam, o Limp Bizkit era incr\u00edvel. Dentro dos altos e baixos da cultura pop, em que se tenta encaixar tudo em uma caixinha \u2014 eles estavam fora da caixa pra todo mundo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 verdade que eles ajudaram a popularizar a era do \u201cnu metal\u201d. Mas depois do que voc\u00ea disse, at\u00e9 hesito em usar esse termo.<\/strong><br \/>A\u00ed est\u00e1. Essa \u00e9 a caixinha.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 \u2018pop-rock\u2019 soa estranho.<\/strong><br \/>\u00c9 estranho que exista dessa forma, mas acontece. \u00c9 um sinal do sucesso, pra ser honesto. \u00c9 a realidade agridoce que vem junto com a cultura pop, a m\u00fasica e a comercializa\u00e7\u00e3o dela. Mas, como eu disse, o Limp Bizkit foi revolucion\u00e1rio, e n\u00e3o precisava de prova. Voc\u00ea via isso na rea\u00e7\u00e3o das pessoas [\u00e0 m\u00fasica], e Sam era um dos mec\u00e2nicos da nossa inf\u00e2ncia, pra dizer o m\u00ednimo. Minha experi\u00eancia na escola e no ensino m\u00e9dio foi ouvindo Limp Bizkit, com certeza.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se lembra de quando ouviu o trabalho de Sam pela primeira vez?<\/strong><br \/>Sinto que todo mundo ouviu o Sam ao mesmo tempo. Foi com \u201cNookie\u201d. Todos n\u00f3s ouvimos aquela linha de baixo. Aquilo era uma combina\u00e7\u00e3o dele e do Wes. Foi o primeiro momento de todo mundo ouvindo Sam e Wes, e tinha aquela capa de \u00e1lbum feita pelo Mear One. Era uma declara\u00e7\u00e3o. Era hip-hop, rock, rap \u2014 tudo junto.<\/p>\n<p><strong>Isso te evocou alguma coisa?<\/strong><br \/>Me lembrou de \u201cSly\u201d, do Herbie Hancock. [Imita os instrumentos da faixa.] Pra mim, foi a\u00ed que fez sentido. E tenho certeza de que, se voc\u00ea perguntasse pro Wes, e se perguntasse pro Sam\u2026 eles provavelmente amavam o Herbie Hancock. As conex\u00f5es sonoras pra mim\u2026 h\u00e1 lacunas no som e no tempo que, quando aparecem, fazem voc\u00ea pensar \u2018caramba, isso me lembra aquilo\u2019, mas quando o Limp Bizkit surgiu, nada soava como o Limp Bizkit. Ent\u00e3o, existe um lugar especial no meu cora\u00e7\u00e3o para o Sam.<\/p>\n<p><iframe title=\"Limp Bizkit - Nookie (Official Music Video)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JTMVOzPPtiw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Como algu\u00e9m que mistura g\u00eaneros e sonoridades, voc\u00ea v\u00ea algum paralelo entre o trabalho de Sam e o seu?<\/strong><br \/>Sem sombra de d\u00favida, ele influenciou a minha m\u00fasica, com certeza.<\/p>\n<p><strong>O Limp Bizkit muitas vezes recebia respostas mistas, mas o impacto da banda \u00e9 inegavelmente marcante. O que voc\u00ea acha que o trabalho deles diz sobre a m\u00fasica dos anos 1990 \u2014 e sobre onde ela est\u00e1 hoje?<\/strong><br \/>Parecia que algu\u00e9m se importava com a m\u00fasica. \u00c0s vezes isso ficava enterrado dentro do rock, e eles escondiam bem a \u201cnutri\u00e7\u00e3o\u201d, por assim dizer. A contribui\u00e7\u00e3o deles para a m\u00fasica e para a cultura dizia sobre n\u00f3s \u2014 e sobre mim na \u00e9poca \u2014 que todo mundo queria ouvir algo diferente e novo. \u00c9 isso que o Limp Bizkit representava \u2014 e o Sam tamb\u00e9m. Voc\u00ea n\u00e3o pode ter um sem o outro. A influ\u00eancia deles. A influ\u00eancia do Sam. Isso era inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, cada gera\u00e7\u00e3o tem seus artistas que, quando voc\u00ea fica velho demais, voc\u00ea simplesmente n\u00e3o entende. Isso acontece com todo mundo. Em certo momento, foi o jazz \u2014 todos achavam que o jazz era a m\u00fasica do diabo. Depois foi o rap; diziam que o rap era a m\u00fasica do diabo. Toda gera\u00e7\u00e3o tem seus artistas que as pessoas desprezam ou tentam minimizar o trabalho \u00e1rduo deles. E eu acho que o Limp Bizkit tamb\u00e9m mostrava o que era trabalho duro.<\/p>\n<p><strong>Depois que Sam morreu, o Limp Bizkit o chamou de \u201co cora\u00e7\u00e3o\u201d da banda. Como voc\u00ea interpreta essa ideia de o baixista ser o alicerce da identidade de um grupo?<\/strong><br \/>Os pap\u00e9is de baixista e baterista s\u00e3o muito locomotivos dentro da m\u00fasica. Se voc\u00ea pensar em termos de motores, voc\u00ea pode ter um motor V12 e cobrir muito terreno rapidamente com um motor desses. Quanto melhor o motor funciona, melhor \u00e9 o carro. \u00c9 isso que isso representa. E, de novo, Sam mantinha tudo funcionando. Isso \u00e9 prova de que voc\u00ea n\u00e3o podia negar a contribui\u00e7\u00e3o dele pra m\u00fasica, porque ele desempenhava o papel de baixista de uma forma muito musical. Era como \u00e1gua \u2014 sem forma, depois colidia, depois moldava montanhas. \u00c9 preciso um tipo diferente de m\u00fasico pra fazer isso, n\u00e3o importa o que digam.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o pode desmerecer isso. N\u00e3o pode ignorar isso. E a morte dele \u00e9 um lembrete de qu\u00e3o grande ele foi. \u00c9 uma pena que \u00e0s vezes a gente s\u00f3 perceba isso assim. Mas e se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos o Limp Bizkit? O mundo era melhor com ele aqui. Meus melhores amigos e eu s\u00f3 fazemos gritar letras do Limp Bizkit uns pros outros, de forma ir\u00f4nica e n\u00e3o ir\u00f4nica. Isso representa a minha inf\u00e2ncia, a nossa inf\u00e2ncia, a minha gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pode citar uma frase ir\u00f4nica e uma n\u00e3o ir\u00f4nica?<\/strong><br \/>A primeira linha de Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water \u2014 quando as coisas ficam meio esquisitas, voc\u00ea grita \u201cCHOCOLATE STARFISH!\u201d Da\u00ed pra \u201cTake \u2019em to the Matthews Bridge!\u201d [de \u201cMy Generation\u201d] \u2014 \u00e9 tipo, algo est\u00e1 prestes a mudar, pro bem ou pro mal.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o essa \u00e9 ir\u00f4nica ou n\u00e3o ir\u00f4nica?<\/strong><br \/>T\u00e1 vendo o que eu quero dizer? Oscila. Pode ser a melhor coisa do mundo ou a pior.<\/p>\n<p><strong>Quando uma banda ou artista se torna parte da hist\u00f3ria de uma amizade, isso \u00e9 resson\u00e2ncia.<\/strong><br \/>A m\u00fasica est\u00e1 ali pra todos n\u00f3s. O mundo \u00e9 grande. No fim das contas, voc\u00ea pode transformar o que quiser, e acho que \u00e9 isso que o Limp Bizkit representou pra muita gente. O Wes Borland estava l\u00e1, arrebentando. Ele era tipo o Sonic, o ouri\u00e7o. E o Sam, ele segurava tudo, era simplesmente uma lenda. Tinha um som distinto. Voc\u00ea sabia quem ele era. Eu me sinto muito aben\u00e7oado por ter vivenciado a m\u00fasica e a criatividade de Sam enquanto ele estava aqui.<\/p>\n<p>+++LEIA MAIS:<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/thundercat-fala-sobre-sam-rivers-limp-bizkit-e-as-linhas-de-baixo-que-sacudiram-uma-geracao\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a morte de Sam Rivers, baixista fundador do Limp Bizkit, em 18 de outubro aos 48 anos, Thundercat diz que falar sobre isso em uma entrevista parece \u201cnecess\u00e1rio\u201d. 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