{"id":50272,"date":"2025-10-20T16:32:17","date_gmt":"2025-10-20T19:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/nouvelle-vague-apresenta-os-bastidores-de-acossado-em-exercicio-cinefilo-divertido-e-agradavel\/"},"modified":"2025-10-20T16:32:17","modified_gmt":"2025-10-20T19:32:17","slug":"nouvelle-vague-apresenta-os-bastidores-de-acossado-em-exercicio-cinefilo-divertido-e-agradavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/nouvelle-vague-apresenta-os-bastidores-de-acossado-em-exercicio-cinefilo-divertido-e-agradavel\/","title":{"rendered":"&#8216;Nouvelle Vague&#8217; apresenta os bastidores de &#8216;Acossado&#8217; em exerc\u00edcio cin\u00e9filo divertido e agrad\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">Mais do que um movimento cinematogr\u00e1fico, a <em>nouvelle vague<\/em> foi uma revolu\u00e7\u00e3o de linguagem. Nascida na Fran\u00e7a no fim dos anos 1950, ela colocou a c\u00e2mera nas m\u00e3os de jovens cr\u00edticos e sonhadores que queriam libertar o cinema das amarras de est\u00fadio e aproxim\u00e1-lo da vida real.<\/p>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">Entre seus nomes mais celebrados est\u00e1 o de <strong data-start=\"588\" data-end=\"607\">Jean-Luc Godard<\/strong>, que se tornou o s\u00edmbolo m\u00e1ximo dessa rebeldia: com <strong><em data-start=\"655\" data-end=\"665\">Acossado<\/em><\/strong> (<em data-start=\"667\" data-end=\"686\">\u00c0 bout de souffle<\/em>, 1960), ele transformou a improvisa\u00e7\u00e3o, o corte brusco e o acaso em armas po\u00e9ticas, redefinindo o modo como o mundo enxergava a imagem em movimento.<\/p>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">Mais de seis d\u00e9cadas depois, <strong data-start=\"861\" data-end=\"882\">Richard Linklater<\/strong> (<em>Assassino por Acaso<\/em>) revisita essa fa\u00edsca inicial com <strong><em data-start=\"916\" data-end=\"932\">Nouvelle Vague<\/em><\/strong>, um filme que n\u00e3o busca apenas reencenar a revolu\u00e7\u00e3o, mas compreender o que pulsa no cora\u00e7\u00e3o de quem ama o cinema.<\/p>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">H\u00e1 algo de irresist\u00edvel na ideia de um cineasta norte-americano recriar o set de <strong><em data-start=\"1144\" data-end=\"1154\">Acossado<\/em><\/strong>. O risco da rever\u00eancia vazia era grande, mas <strong>Linklater<\/strong> escapa dele com facilidade. Em vez de um exerc\u00edcio autoconsciente, o cineasta faz um filme leve, espirituoso e caloroso, sobre o prazer\u00a0 \u2014 e a loucura \u2014 de filmar e de pertencer a uma comunidade que acredita nas imagens.<\/p>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">A c\u00e2mera passeia entre bastidores e nomes e caras da \u00e9poca, revelando n\u00e3o apenas os personagens e ambienta\u00e7\u00f5es, mas o pr\u00f3prio amor que sustenta a feitura do cinema. \u00c9 uma brincadeira de cin\u00e9filo para cin\u00e9filos, mas nunca exclusiva: \u00e9 poss\u00edvel embarcar mesmo sem ter assistido a <em>Acossado<\/em>.<\/p>\n<p data-start=\"298\" data-end=\"1070\">No longa, apresentado ao p\u00fablico brasileiro na <strong>49\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/strong>, ap\u00f3s escrever para a conceituada revista Cahiers du Cin\u00e9ma, o jovem <strong>Godard<\/strong> (<strong>Guillaume Marbeck<\/strong>) decide que fazer filmes \u00e9 a melhor forma de cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica. Ele consegue que seu amigo e produtor <strong>Georges de Beauregard<\/strong> (<strong>Bruno Dreyf\u00fcrst<\/strong>) financie um longa de baixo or\u00e7amento, criando um roteiro resumido junto com <strong>Fran\u00e7ois Truffaut<\/strong> (<strong>Adrien Rouyard<\/strong>) sobre um casal de g\u00e2ngsteres.<\/p>\n<p data-start=\"84\" data-end=\"1009\">Ao recriar o nascimento de um mito, <strong>Linklater<\/strong> fala tamb\u00e9m de seu pr\u00f3prio fasc\u00ednio juvenil pelo cinema e do desejo de reviver o instante em que tudo parecia poss\u00edvel \u2014 um tema que atravessa toda a sua filmografia, de <strong><em>Jovens, Loucos e Rebeldes<\/em><\/strong> (1993) e <strong><em>Boyhood: Da Inf\u00e2ncia \u00e0 Juventude<\/em><\/strong> (2014) a <strong><em>Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial<\/em><\/strong> (2022), obras que capturam o olhar maravilhado de quem descobre o mundo (e a si mesmo) pela primeira vez.<\/p>\n<p data-start=\"84\" data-end=\"1009\">Em <strong><em data-start=\"450\" data-end=\"466\">Nouvelle Vague<\/em><\/strong>, esse encantamento se traduz na c\u00e2mera, que observa com do\u00e7ura tanto a juventude da <em>nouvelle vague<\/em> quanto o fasc\u00ednio de quem ainda acredita no poder das imagens. Ao mesmo tempo, a aten\u00e7\u00e3o meticulosa \u00e0 ambienta\u00e7\u00e3o \u2014 os figurinos, a cenografia, os equipamentos de c\u00e2mera, os detalhes de <strong>Godard<\/strong> \u2014 refor\u00e7a essa ideia, permitindo que o p\u00fablico compartilhe n\u00e3o apenas o mundo f\u00edsico da \u00e9poca, mas tamb\u00e9m o entusiasmo e a energia daqueles jovens cineastas e atores franceses, tornando a experi\u00eancia t\u00e3o afetiva quanto hist\u00f3rica.<\/p>\n<p data-start=\"2149\" data-end=\"2652\">H\u00e1, contudo, uma camada de ironia que torna o filme ainda mais interessante e divertido. <strong data-start=\"2233\" data-end=\"2254\">Guillaume Marbeck<\/strong> encarna um Godard dividido entre o g\u00eanio e o rid\u00edculo, enquanto <strong data-start=\"2319\" data-end=\"2334\">Zoey Deutch<\/strong> (<em>Tinha que Ser Ele?<\/em>) traz luz e rebeldia \u00e0 sua <strong>Jean Seberg<\/strong>, arrependida de ter sa\u00eddo de Hollywood para ir atuar em um filme de um cineasta que \u201c<em>n\u00e3o \u00e9 <strong>Claude Chabrol<\/strong> nem <strong>Fran\u00e7ois Truffaut<\/strong><\/em>\u201c, sem roteiro e que vive do improviso.<\/p>\n<p data-start=\"2149\" data-end=\"2652\">Essa din\u00e2mica entre pessoas e artistas t\u00e3o opostos d\u00e1 corpo ao filme, lembrando que toda revolu\u00e7\u00e3o nasce de pessoas exc\u00eantricas e ego\u00edstas, mas tamb\u00e9m aplicadas e apaixonadas. <strong>Linklater<\/strong> observa esses egos e entusiasmos com uma pitada de deboche \u2014 quase uma com\u00e9dia de erros sobre o que \u00e9 fazer arte e conviver com ela.<\/p>\n<p data-start=\"2654\" data-end=\"3162\">No fim, <strong><em data-start=\"2662\" data-end=\"2678\">Nouvelle Vague<\/em><\/strong> \u00e9 menos uma tentativa de explicar a <em>nouvelle vague<\/em> e mais um convite para senti-la de novo em algum n\u00edvel, ainda que n\u00e3o aplique seus preceitos em sua estrutura. <strong data-start=\"2771\" data-end=\"2847\">Linklater<\/strong> n\u00e3o parece ter grandes pretens\u00f5es nesse sentido mais formal do fazer cinema, mas sim apenas em celebrar sua persist\u00eancia e o nascimento de um dos filmes mais celebrados da hist\u00f3ria da s\u00e9tima arte. Um tributo que diverte em seu exerc\u00edcio cin\u00e9filo cheio de acenos e refer\u00eancias e, como toda boa homenagem, nos faz lembrar por que amamos o cinema em primeiro lugar.<\/p>\n<p data-start=\"2654\" data-end=\"3162\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> 49\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo: Acompanhe a cobertura de Rolling Stone Brasil<\/p>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          \n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p><strong>Angelo Cordeiro<\/strong> \u00e9 rep\u00f3rter do n\u00facleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade S\u00e3o Judas, escreve sobre filmes desde 2014. Paulistano do bairro de Interlagos e fan\u00e1tico por F\u00f3rmula 1. Pisciano, mas n\u00e3o acredita em astrologia. S\u00e3o-paulino, pai de pet e cin\u00e9filo obcecado por listas\u00a0e\u00a0rankings.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/nouvelle-vague-acossado-critica\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que um movimento cinematogr\u00e1fico, a nouvelle vague foi uma revolu\u00e7\u00e3o de linguagem. Nascida na Fran\u00e7a no fim dos anos 1950, ela colocou a c\u00e2mera nas m\u00e3os de jovens cr\u00edticos e sonhadores que queriam libertar o cinema das amarras de est\u00fadio e aproxim\u00e1-lo da vida real. 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