{"id":50113,"date":"2025-10-19T02:54:13","date_gmt":"2025-10-19T05:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/bugonia-e-mais-um-filme-bizarro-de-yorgos-lanthimos-que-vale-apenas-por-emma-stone\/"},"modified":"2025-10-19T02:54:13","modified_gmt":"2025-10-19T05:54:13","slug":"bugonia-e-mais-um-filme-bizarro-de-yorgos-lanthimos-que-vale-apenas-por-emma-stone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/bugonia-e-mais-um-filme-bizarro-de-yorgos-lanthimos-que-vale-apenas-por-emma-stone\/","title":{"rendered":"&#8216;Bugonia&#8217; \u00e9 mais um filme bizarro de Yorgos Lanthimos que vale apenas por Emma Stone"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-start=\"401\" data-end=\"1051\">Em sua filmografia, <strong>Yorgos Lanthimos<\/strong> (<strong><em>Pobres Criaturas<\/em><\/strong>) sempre tratou a domina\u00e7\u00e3o como um espet\u00e1culo cruel, meticuloso e, por vezes, at\u00e9 estranhamente belo. Em <strong><em data-start=\"633\" data-end=\"642\">Bugonia<\/em><\/strong>, o cineasta grego volta aos temas que lhe s\u00e3o comuns e faz a sua vers\u00e3o de <strong><em data-start=\"660\" data-end=\"684\">Save the Green Planet!<\/em><\/strong> (2003), filme sul-coreano sobre um homem que acredita estar salvando o mundo de uma invas\u00e3o alien\u00edgena, aplicando uma vis\u00e3o contempor\u00e2nea, atual e muito norte-americana. Se o original era sujo e tr\u00e1gico; <strong>Lanthimos<\/strong> transforma o caos de sua vers\u00e3o em uma vitrine. Tudo \u00e9 calculado e perfeitamente insens\u00edvel, t\u00edpico de seu estilo \u2014 mas ser\u00e1 que ele casa com essa hist\u00f3ria?<\/p>\n<p data-start=\"1053\" data-end=\"1714\">A premissa permanece: dois homens sequestram uma poderosa executiva (<strong>Emma Stone<\/strong>, de <em data-start=\"1137\" data-end=\"1157\">Tipos de Gentileza<\/em>) convencidos de que ela \u00e9 uma alien\u00edgena infiltrada prestes a destruir a Terra. O roteiro, assinado por <strong>Will Tracy<\/strong> (<em data-start=\"1274\" data-end=\"1282\">O Menu<\/em>), busca costurar s\u00e1tira pol\u00edtica e paranoia contempor\u00e2nea, mas <strong>Lanthimos<\/strong> parece mais interessado em suas pr\u00f3prias simetrias, seus enquadramentos milimetricamente desconfort\u00e1veis e em manter o olhar cl\u00ednico que h\u00e1 anos confunde bizarrice com profundidade. Tudo aqui parece estudado para provocar estranheza, e n\u00e3o empatia.<\/p>\n<p data-start=\"1716\" data-end=\"2290\"><strong><em data-start=\"1716\" data-end=\"1725\">Bugonia<\/em><\/strong> quer ser uma cr\u00edtica ao presente \u2014 \u00e0s teorias conspirat\u00f3rias, \u00e0 masculinidade delirante e \u00e0 paranoia digital \u2014, mas acaba apenas zombando dessas figuras sem realmente compreend\u00ea-las. <strong>Jesse Plemons<\/strong> (<em data-start=\"1924\" data-end=\"1938\">Guerra Civil<\/em>), excelente como o conspirador sequestrador que se imagina her\u00f3i, oferece \u00f3timos trejeitos ao seu personagem, mas o roteiro e a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguem tirar mais dessa caricatura. O que poderia ser um estudo da loucura contempor\u00e2nea se transforma em desfile de tipos grotescos sem profundidade e gestos que apenas refor\u00e7am o pr\u00f3prio riso de superioridade do diretor.<\/p>\n<p data-start=\"2292\" data-end=\"2776\">\u00c9 justamente nesse ponto que o filme colapsa. <strong>Lanthimos<\/strong> se mostra prisioneiro de seu pr\u00f3prio m\u00e9todo \u2014 o tom bizarro das atitudes mais emocionais poss\u00edveis, a ironia distanciada e o prazer em reduzir os personagens a pe\u00f5es de um jogo moral j\u00e1 conhecidos de suas obras anteriores. <strong><em data-start=\"2532\" data-end=\"2541\">Bugonia<\/em><\/strong> soa como um filme que existe para provar que o autor ainda \u00e9 \u201c<em>ele mesmo<\/em>\u201d, repetindo f\u00f3rmulas e gestos estil\u00edsticos, sem acrescentar nada novo. \u00c9 pura auto imita\u00e7\u00e3o, um reflexo de um diretor confort\u00e1vel em sua pr\u00f3pria assinatura estranha e bizarra.<\/p>\n<p data-start=\"2778\" data-end=\"3300\"><strong>Emma Stone<\/strong>, por\u00e9m, permanece imune a essa esterilidade. Ela \u00e9 a \u00fanica presen\u00e7a realmente interessante em cena \u2014 al\u00e9m de <strong>Plemons<\/strong>, que consegue algum f\u00f4lego. A entrega de <strong>Stone<\/strong> \u00e9 f\u00edsica e emocional: seja ao topar raspar a cabe\u00e7a, suportar o absurdo das torturas \u00e0s quais sua personagem \u00e9 submetida ou em sustentar o sil\u00eancio apenas com o olhar. Cada gesto, cada express\u00e3o, cada frase \u2014 que n\u00e3o sabemos se s\u00e3o verdade ou n\u00e3o \u2014, torna-se um contraste com o universo exc\u00eantrico e estranho que a cerca.<\/p>\n<p data-start=\"3688\" data-end=\"4152\">Tematicamente, <strong><em data-start=\"3703\" data-end=\"3712\">Bugonia<\/em><\/strong> se perde ao transformar o absurdo em espet\u00e1culo vazio. A pergunta central \u2014 a personagem de <strong>Stone<\/strong> \u00e9 ou n\u00e3o uma alien\u00edgena? \u2014 sustenta o filme por um tempo, mas o resto \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o. <strong>Lanthimos<\/strong> se prende a gestos e maneirismos, a s\u00e1tira que deveria render mais se torna apenas superficial. Ao final, o riso que o filme provoca \u00e9 esvaziado diante da revela\u00e7\u00e3o final, como se perceb\u00eassemos que o verdadeiro protagonista \u00e9 o pr\u00f3prio estilo do diretor, e n\u00e3o a hist\u00f3ria em si.<\/p>\n<p data-start=\"4154\" data-end=\"4590\">Em suma, <strong><em data-start=\"4162\" data-end=\"4171\">Bugonia<\/em><\/strong>, presente na programa\u00e7\u00e3o da <strong>49\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/strong>, \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o do que o cinema de <strong>Lanthimos<\/strong> se tornou: autoconsciente, previs\u00edvel e prisioneiro do pr\u00f3prio estilo. \u00c9 cinema de exibi\u00e7\u00e3o, de vitrine e de gesto formal, mas sem a criatividade que uma hist\u00f3ria como essa demandava. S\u00f3 <strong>Emma Stone <\/strong>e seu mist\u00e9rio, em meio a tudo isso, permanecem capazes de transformar o filme em algo que vale a pena ser visto.<\/p>\n<p><iframe title=\"BUGONIA | Trailer Oficial (Universal Pictures) - HD\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/giAMydh9_4I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p data-start=\"2837\" data-end=\"3242\">LEIA TAMB\u00c9M: \u2018Frankenstein\u2019, de Guillermo del Toro, \u00e9 carta de amor do criador \u00e0 criatura<\/p>\n<div id=\"polls-15-loading\" class=\"wp-polls-loading\">\u00a0Loading &#8230;<\/div>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/imagem_do_whatsapp_de_2024-07-18_as_11.51.54_a5047e29-150x150.jpg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>\n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p><strong>Angelo Cordeiro<\/strong> \u00e9 rep\u00f3rter do n\u00facleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade S\u00e3o Judas, escreve sobre filmes desde 2014. Paulistano do bairro de Interlagos e fan\u00e1tico por F\u00f3rmula 1. Pisciano, mas n\u00e3o acredita em astrologia. S\u00e3o-paulino, pai de pet e cin\u00e9filo obcecado por listas\u00a0e\u00a0rankings.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua filmografia, Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas) sempre tratou a domina\u00e7\u00e3o como um espet\u00e1culo cruel, meticuloso e, por vezes, at\u00e9 estranhamente belo. Em Bugonia, o cineasta grego volta aos temas que lhe s\u00e3o comuns e faz a sua vers\u00e3o de Save the Green Planet! 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