{"id":50042,"date":"2025-10-18T10:35:15","date_gmt":"2025-10-18T13:35:15","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/investimentos-chineses-no-brasil-controle-sobre-ativos-estrategicos\/"},"modified":"2025-10-18T10:35:15","modified_gmt":"2025-10-18T13:35:15","slug":"investimentos-chineses-no-brasil-controle-sobre-ativos-estrategicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/investimentos-chineses-no-brasil-controle-sobre-ativos-estrategicos\/","title":{"rendered":"Investimentos chineses no Brasil: controle sobre ativos estrat\u00e9gicos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China sabe o que quer do Brasil \u2014 e est\u00e1 conseguindo. Sem uma pol\u00edtica clara de inser\u00e7\u00e3o internacional, o Brasil cede o controle de ativos estrat\u00e9gicos ao gigante asi\u00e1tico, permitindo que setores vitais como energia, portos, agroneg\u00f3cio e minerais cr\u00edticos passem ao controle chin\u00eas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Enquanto o Brasil opera sem definir quais setores s\u00e3o negoci\u00e1veis e quais comprometem sua autonomia econ\u00f4mica, a aus\u00eancia de diretrizes transforma negocia\u00e7\u00f5es com um regime de planejamento centralizado em um jogo de cartas marcadas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Os n\u00fameros comprovam a assimetria: investimentos chineses no Brasil saltaram 113% em 2024, chegando a US$ 4,18 bilh\u00f5es e tornando o pa\u00eds o terceiro maior destino global do capital de Pequim, atr\u00e1s apenas do Reino Unido e da Hungria. segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A expans\u00e3o ocorreu enquanto o fluxo internacional de capital recuou 11%, segundo a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Alexandre Uehara, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da ESPM, alerta para o risco de o Brasil replicar uma rela\u00e7\u00e3o comercial baseada apenas em exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas. &#8220;Nesse contexto, o pa\u00eds precisa estabelecer uma pol\u00edtica mais clara de inser\u00e7\u00e3o internacional, definindo quais s\u00e3o seus interesses&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Tens\u00f5es globais redirecionam capital chin\u00eas para o Brasil<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China ampliou investimentos no Brasil em um cen\u00e1rio de maiores incertezas comerciais e tens\u00f5es geopol\u00edticas. O pa\u00eds consolidou-se como principal receptor de capital chin\u00eas entre economias emergentes, enquanto Pequim reduziu em 11% os aportes aos Estados Unidos e em 41% \u00e0 Austr\u00e1lia entre 2023 e 2024.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Segundo analistas do Bradesco, a &#8220;prioriza\u00e7\u00e3o da agenda dom\u00e9stica e o ambiente geopol\u00edtico global mais austero&#8221; levam a China a ajustar suas estrat\u00e9gias, deslocando o foco para parceiros como o Brasil. A diplomacia mais alinhada a Pequim favoreceu essa mudan\u00e7a. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) visitou o pa\u00eds no fim de mar\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Carlos Honorato, professor da FIA Business School, comparou \u00e0 <em>CNN Money<\/em> a abordagem chinesa ao jogo Go, no qual a estrat\u00e9gia se baseia em cercar lentamente o advers\u00e1rio. Segundo ele, Pequim age em perspectiva de d\u00e9cadas, &#8220;ocupando mais o espa\u00e7o para as necessidades que ela tem l\u00e1 dentro&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O objetivo n\u00e3o \u00e9 a grande opera\u00e7\u00e3o pontual, mas a ocupa\u00e7\u00e3o gradual de posi\u00e7\u00f5es-chave. Uehara destaca que o Brasil precisa definir como receber e fixar esse capital, pois sem isso o pa\u00eds pode perder esses recursos rapidamente.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Investimentos chineses por empresa no Brasil s\u00e3o menores, mas a presen\u00e7a \u00e9 mais ampla<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os dados do CEBC revelam a mudan\u00e7a de perfil. As empresas chinesas focam em empreendimentos menos intensivos em capital, mas ligados a inova\u00e7\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. A pulveriza\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas iniciativas menores dificulta o rastreamento e reduz a visibilidade pol\u00edtica, ao mesmo tempo em que amplia a capilaridade em diversos setores simultaneamente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas t\u00e1tica, mas estrutural. O modelo econ\u00f4mico chin\u00eas permite que o Estado mantenha controle direto sobre grandes empresas. Enquanto companhias ocidentais est\u00e3o sujeitas \u00e0 press\u00e3o de acionistas e resultados trimestrais, as empresas chinesas t\u00eam decis\u00e3o centralizada, o que permite absorver preju\u00edzos no curto prazo para alcan\u00e7ar metas de longo prazo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo Uehara, essa centraliza\u00e7\u00e3o confere \u00e0s empresas chinesas &#8220;um pouco mais de determina\u00e7\u00e3o&#8221; para investir. Muitas delas s\u00e3o estatais, cujo interesse \u00e9 primariamente econ\u00f4mico \u2014 ter neg\u00f3cios e recursos para garantir rentabilidade. Mas o alinhamento com objetivos do Estado chin\u00eas \u00e9 ineg\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Analistas apontam que o Brasil precisa reconhecer essa realidade. O problema agrava-se sem pol\u00edtica nacional coesa para proteger os interesses brasileiros.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Energia: o setor de maior depend\u00eancia chinesa<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A China consolidou presen\u00e7a em infraestrutura e energia, \u00e1rea que representa o maior risco de depend\u00eancia. Entre 2007 e 2024, a eletricidade absorveu 45% do valor total investido, reflexo da compra de hidrel\u00e9tricas e linhas de transmiss\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No ano passado, o segmento absorveu 34% dos novos recursos, mas liderou em quantidade de projetos com 56% do total \u2014 foram 22 empreendimentos, o maior n\u00famero j\u00e1 registrado em um \u00fanico ano.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Esse padr\u00e3o revela estrat\u00e9gia de consolida\u00e7\u00e3o: ao ampliar o n\u00famero de iniciativas em infraestrutura energ\u00e9tica j\u00e1 controlada, empresas chinesas aprofundam presen\u00e7a e tornam mais custosa qualquer tentativa futura de revers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A maioria desses novos empreendimentos foca em sustentabilidade e energias verdes, mas o interesse chin\u00eas em fontes tradicionais n\u00e3o diminuiu. Em 2024, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo foi respons\u00e1vel por 25% dos investimentos no Brasil, chegando a cerca de US$ 1 bilh\u00e3o, um dos maiores registrados na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A presen\u00e7a estrangeira no setor el\u00e9trico gera preocupa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 seguran\u00e7a energ\u00e9tica e \u00e0 autonomia de decis\u00e3o do pa\u00eds em caso de tens\u00f5es geopol\u00edticas. Uehara reconhece que h\u00e1 discuss\u00e3o sobre a vulnerabilidade que os pa\u00edses enfrentam em &#8220;\u00e1reas sens\u00edveis&#8221; como energia, j\u00e1 que o controle sobre gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o confere poder de press\u00e3o significativo em cen\u00e1rios de crise.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Investimentos chineses no Brasil mostram controle do escoamento de commodities<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A expans\u00e3o chinesa sobre a log\u00edstica nacional completa o cerco sobre setores-chave. O controle sobre sistemas de escoamento de commodities \u2014 produtos b\u00e1sicos como gr\u00e3os e min\u00e9rios \u2014 confere a Pequim alavanca de influ\u00eancia econ\u00f4mica e geopol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A Cofco International, estatal chinesa de comercializa\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, arrematou a concess\u00e3o do terminal STS-11 no Porto de Santos (SP), a maior opera\u00e7\u00e3o de seu portf\u00f3lio fora da China, com aporte previsto de US$ 285 milh\u00f5es na primeira fase. Ela tamb\u00e9m comprou 23 locomotivas e 979 vag\u00f5es com objetivo de transportar at\u00e9 4 milh\u00f5es de toneladas de commodities anualmente para esta instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China Merchants Port assumiu o controle do Terminal de Cont\u00eaineres de Paranagu\u00e1 (PR) em 2017 e anunciou acordo para comprar o \u00fanico terminal portu\u00e1rio privado brasileiro preparado para operar navios petroleiros de grande porte no Porto do A\u00e7u (RJ).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outras estatais chinesas, como a Cosco e a CCCC, manifestaram interesse no leil\u00e3o do Tecon 10, a maior instala\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria de cont\u00eaineres do Brasil, localizada no Porto de Santos, cuja concess\u00e3o exigir\u00e1 investimento de R$ 6,45 bilh\u00f5es.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">O cerco no agroneg\u00f3cio<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Essa concentra\u00e7\u00e3o de controle portu\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: garante a Pequim n\u00e3o apenas acesso preferencial a commodities brasileiras, mas tamb\u00e9m capacidade de influenciar pre\u00e7os e fluxos comerciais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O controle da Cofco sobre o escoamento, &#8220;da semente ao porto&#8221;, permite \u00e0 China garantir o fluxo cont\u00ednuo de recursos necess\u00e1rios \u00e0 sua economia, transformando o Brasil em centro de distribui\u00e7\u00e3o para o mercado asi\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A presen\u00e7a chinesa estende-se para al\u00e9m da infraestrutura. No agroneg\u00f3cio, respons\u00e1vel por 23,4% do PIB brasileiro no ano passado, a penetra\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a toda a cadeia produtiva.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A estatal Cofco International \u00e9 uma das maiores comercializadoras de gr\u00e3os no Brasil. Em um movimento de reorganiza\u00e7\u00e3o entre empresas chinesas, ela vendeu a subsidi\u00e1ria Nidera, sediada nos Pa\u00edses Baixos e que atua no segmento de sementes, para a Syngenta, que tamb\u00e9m pertence ao grupo estatal ChemChina.<\/p>\n<h4 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h4__csw3o\">Transfer\u00eancia de conhecimento e bancos gen\u00e9ticos<\/h4>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Ativos estrat\u00e9gicos como sementes de milho da Dow AgroSciences passaram para o controle de grupos de Pequim em transa\u00e7\u00e3o que incluiu acesso total ao banco gen\u00e9tico de milho brasileiro. Esse acervo re\u00fane variedades e informa\u00e7\u00f5es sobre a adapta\u00e7\u00e3o da planta ao clima e solo do pa\u00eds. As compradoras foram a Yuan LongPing High-Tech Agriculture e a CITIC Agri Fund Management. A opera\u00e7\u00e3o representa a transfer\u00eancia de conhecimento acumulado em d\u00e9cadas de pesquisa adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es brasileiras.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A consolida\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a chinesa, da produ\u00e7\u00e3o de insumos \u00e0 log\u00edstica portu\u00e1ria, gerou rea\u00e7\u00e3o externa. O senador republicano Tom Cotton, dos EUA, incluiu no projeto de lei do or\u00e7amento dos \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia americanos uma exig\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o sobre a expans\u00e3o chinesa no setor agr\u00edcola brasileiro, com justificativa que cita impactos na cadeia de suprimentos e na seguran\u00e7a alimentar global.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Investimentos chineses no Brasil: minerais cr\u00edticos na mira chinesa<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China ampliou presen\u00e7a em minerais cr\u00edticos \u2014 elementos fundamentais para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e tecnologias de ponta, que incluem ni\u00f3bio, t\u00e2ntalo e l\u00edtio. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China Nonferrous Metal Mining Group adquiriu a mineradora Taboca em Presidente Figueiredo (AM), que atua na explora\u00e7\u00e3o de estanho, ni\u00f3bio e t\u00e2ntalo, enquanto a BYD, que tamb\u00e9m produz carros el\u00e9tricos na Bahia, adquiriu direitos miner\u00e1rios sobre dois lotes em regi\u00e3o rica em l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha (MG) em 2023.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Segundo a CEBC, o segmento de minera\u00e7\u00e3o absorveu 13% do valor investido em 2024, totalizando US$ 556 milh\u00f5es. O risco \u00e9 que o Brasil se limite \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, j\u00e1 que o pa\u00eds ainda n\u00e3o det\u00e9m a tecnologia necess\u00e1ria para transformar esses minerais em produtos de maior valor, como baterias e componentes eletr\u00f4nicos, apontam analistas consultados pela <strong>Gazeta do Povo<\/strong>.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Expans\u00e3o geogr\u00e1fica amplifica a influ\u00eancia chinesa<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A China tamb\u00e9m est\u00e1 mudando a din\u00e2mica regional do Brasil. No ano passado, as empresas chinesas investiram em 14 estados brasileiros, seis a mais do que no ano anterior, o maior n\u00famero registrado desde 2019. O Sudeste ainda lidera o total de empreendimentos entre 2007 e 2024, com 54%, mas sua representatividade no valor investido tem diminu\u00eddo, caindo de pico de 79% em 2021 para 48% em 2024, um dos n\u00edveis mais baixos da s\u00e9rie hist\u00f3rica do CEBC.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A dispers\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 acidental: reflete estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o que reduz a visibilidade pol\u00edtica da presen\u00e7a chinesa e dificulta a articula\u00e7\u00e3o de resposta nacional coordenada. A descentraliza\u00e7\u00e3o levou ao aumento da presen\u00e7a chinesa em outras regi\u00f5es, com o Sul ficando com 17% dos investimentos em 2024, o Nordeste com 14% e o Norte com 7%, o que indica que Pequim busca maior capilaridade e abrang\u00eancia regional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A amplia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica pode trazer benef\u00edcios a regi\u00f5es carentes de capital, mas tamb\u00e9m significa que a influ\u00eancia chinesa se espalha para diversas economias regionais, criando m\u00faltiplos pontos de depend\u00eancia simult\u00e2neos. A consolida\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a em setores como energia e log\u00edstica est\u00e1 presente em grande parte do Norte e Nordeste, o que refor\u00e7a a estrat\u00e9gia de ocupar espa\u00e7os e garantir recursos essenciais para a economia chinesa.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Falta de resposta nacional diante do controle consolidado<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O controle chin\u00eas sobre ativos estrat\u00e9gicos brasileiros deixou de ser tend\u00eancia para se tornar realidade consolidada. A pulveriza\u00e7\u00e3o em projetos menores e a expans\u00e3o para 14 estados em 2024 revelam sofistica\u00e7\u00e3o: reduz visibilidade pol\u00edtica enquanto amplia capilaridade e dificulta coordena\u00e7\u00e3o de resposta nacional.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Alexandre Uehara, da ESPM, ressalta que o Brasil precisa definir mecanismos para amarrar esses investimentos chineses e garantir que n\u00e3o sejam redirecionados se outros mercados se tornarem mais atrativos. A vulnerabilidade brasileira aumenta porque o pa\u00eds negocia com regime centralizado capaz de impor metas de longo prazo com determina\u00e7\u00e3o superior \u00e0 de empresas ocidentais pressionadas por resultados trimestrais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A rea\u00e7\u00e3o do senador americano Tom Cotton evidencia que o tema transcende a rela\u00e7\u00e3o bilateral. Trata-se de disputa geopol\u00edtica na qual o Brasil se tornou pe\u00e7a de valor. A quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 se o capital chin\u00eas deve ou n\u00e3o ser bem-vindo, mas definir sob quais condi\u00e7\u00f5es e em quais setores essa presen\u00e7a pode avan\u00e7ar.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A experi\u00eancia internacional oferece caminhos. A Austr\u00e1lia implementou mecanismos de revis\u00e3o obrigat\u00f3ria para investimentos estrangeiros em setores sens\u00edveis, com crit\u00e9rios claros de interesse nacional e poder de veto governamental. A Uni\u00e3o Europeia criou em 2019 marco regulat\u00f3rio que permite aos Estados-membros bloquear investimentos que ameacem seguran\u00e7a ou ordem p\u00fablica.\u00a0<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Esses mecanismos n\u00e3o impedem investimentos, mas garantem que ocorram sob condi\u00e7\u00f5es que protejam interesses nacionais \u2014 algo que o Brasil ainda precisa construir.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/china-investimentos-controle-ativos-estrategicos-brasil\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China sabe o que quer do Brasil \u2014 e est\u00e1 conseguindo. Sem uma pol\u00edtica clara de inser\u00e7\u00e3o internacional, o Brasil cede o controle de ativos estrat\u00e9gicos ao gigante asi\u00e1tico, permitindo que setores vitais como energia, portos, agroneg\u00f3cio e minerais cr\u00edticos passem ao controle chin\u00eas. 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