{"id":49896,"date":"2025-10-17T13:16:13","date_gmt":"2025-10-17T16:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/frankenstein-de-guillermo-del-toro-e-carta-de-amor-do-criador-a-criatura\/"},"modified":"2025-10-17T13:16:13","modified_gmt":"2025-10-17T16:16:13","slug":"frankenstein-de-guillermo-del-toro-e-carta-de-amor-do-criador-a-criatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/frankenstein-de-guillermo-del-toro-e-carta-de-amor-do-criador-a-criatura\/","title":{"rendered":"&#8216;Frankenstein&#8217;, de Guillermo del Toro, \u00e9 carta de amor do criador \u00e0 criatura"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-start=\"448\" data-end=\"1150\"><strong>Guillermo del Toro<\/strong> (<strong><em>O Labirinto do Fauno<\/em><\/strong>) sempre foi atra\u00eddo pelos monstros \u2014 n\u00e3o apenas pelas criaturas fant\u00e1sticas que habitam seus filmes, mas tamb\u00e9m pelos monstros que carregamos dentro de n\u00f3s. Em obras como <strong><em data-start=\"652\" data-end=\"672\">A Espinha do Diabo<\/em><\/strong> (2001) e <strong><em data-start=\"675\" data-end=\"695\">O Beco do Pesadelo <\/em><\/strong>(2021), ele enxerga o horror nos homens e adota um tom amargo, quase desencantado, diante da crueldade humana. J\u00e1 quando volta o olhar para o outro lado \u2014 para os seres rejeitados, deformados, incompreendidos \u2014 como em <strong><em data-start=\"908\" data-end=\"925\">A Forma da \u00c1gua<\/em><\/strong> (2017), <strong><em>Pin\u00f3quio<\/em><\/strong> (2022) e agora neste novo <strong><em data-start=\"945\" data-end=\"959\">Frankenstein<\/em><\/strong>, o cineasta se deixa guiar pela ternura. \u00c9 quando seus filmes se tornam cartas de amor \u00e0s criaturas, lembrando que, no fundo, os verdadeiros monstros raramente s\u00e3o aqueles que parecem ser.<\/p>\n<p data-start=\"1152\" data-end=\"1458\">Em <strong><em data-start=\"1155\" data-end=\"1169\">Frankenstein<\/em><\/strong>, novo filme do diretor que chega em breve aos cinemas e, posteriormente, ao cat\u00e1logo da <strong>Netflix<\/strong>, est\u00e1 na programa\u00e7\u00e3o da <strong>49\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/strong>, e apresenta <strong>Victor Frankenstein<\/strong> (<strong>Oscar Isaac<\/strong>, <em>Moon Knight<\/em>), um cientista brilhante, por\u00e9m egoc\u00eantrico, que d\u00e1 vida a uma criatura em um experimento que acaba levando \u00e0 ru\u00edna tanto o criador quanto sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"1152\" data-end=\"1458\">Nesta nova adapta\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico de <strong>Mary Shelley<\/strong>, <strong>del Toro<\/strong> d\u00e1 \u00e0 hist\u00f3ria um romantismo g\u00f3tico inconfund\u00edvel, um deleite visual e emocional que reflete o carinho e o fasc\u00ednio que o diretor tem pela criatura. \u00c9 um filme n\u00e3o apenas <em data-start=\"1743\" data-end=\"1750\">sobre<\/em> monstros, mas feito <em data-start=\"1765\" data-end=\"1770\">por<\/em> algu\u00e9m que os ama profundamente. E essa devo\u00e7\u00e3o se manifesta sobretudo na atua\u00e7\u00e3o hipnotizante de <strong>Jacob Elordi<\/strong> (<strong><em>Euphoria<\/em><\/strong>), que d\u00e1 vida \u2014 e uma comovente humanidade \u2014 \u00e0 criatura. Sua interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 contida e dolorosa, feita de gestos quebrados e olhares aflitos, e que merecia maior sorte na temporada de premia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"2081\" data-end=\"2720\"><strong>Del Toro<\/strong> transforma o cl\u00e1ssico em uma f\u00e1bula sobre o divino. O simbolismo \u00e9 n\u00edtido: o \u201cbrincar de Deus\u201d \u00e9 um tema constante, refor\u00e7ado por refer\u00eancias b\u00edblicas, como na sequ\u00eancia da leitura da hist\u00f3ria de Ad\u00e3o e Eva feita pela criatura, e tamb\u00e9m por sua pose em formato de cruz ao ser eletrocutado por raios e, posteriormente, ganhar vida. O monstro de <strong>Elordi<\/strong> \u00e9 como um <strong>Jesus Cristo<\/strong> \u2014 um ser criado \u00e0 imagem de seu criador, rejeitado pelo mundo, condenado por ser diferente. H\u00e1 um eco de reden\u00e7\u00e3o e sofrimento, de amor e ira. O eterno conflito entre pai e filho se desdobra em camadas: primeiro entre <strong>Victor Frankenstein<\/strong> e seu pr\u00f3prio pai (<strong>Charles Dance<\/strong>, <em>Dr\u00e1cula: A Hist\u00f3ria Nunca Contada<\/em>), e depois entre <strong>Victor<\/strong> e a criatura \u2014 um reflexo tr\u00e1gico do mesmo amor distorcido que o criou.<\/p>\n<p data-start=\"2722\" data-end=\"3168\">Visualmente, <strong><em data-start=\"2735\" data-end=\"2749\">Frankenstein<\/em><\/strong> \u00e9 o que se espera do cineasta mexicano. A <strong>Netflix<\/strong> deu a <strong>del Toro<\/strong> a liberdade e os recursos que ele merecia, e o resultado \u00e9 um espet\u00e1culo que remete \u00e0 opul\u00eancia de <strong><em data-start=\"2890\" data-end=\"2910\">A Colina Escarlate<\/em><\/strong> (2015). Cada cen\u00e1rio \u00e9 grandioso, decadente e belo, com suas sombras e luzes que parecem pulsar vida e, ao mesmo tempo, a morte \u2014 um espelho tanto do pr\u00f3prio <strong>Victor<\/strong> quanto da obsess\u00e3o do pr\u00f3prio <strong>del Toro<\/strong> em dar forma ao inomin\u00e1vel.\u00a0A viol\u00eancia, por vezes chocante, nunca \u00e9 gratuita. Ela se torna express\u00e3o dos males humanos e das feridas da cria\u00e7\u00e3o. Quando a criatura se entrega \u00e0 raiva, n\u00e3o \u00e9 sua monstruosidade que transborda, mas sua humanidade. \u00c9 o gesto mais humano poss\u00edvel: sofrer, amar e, por fim, destruir.<\/p>\n<p data-start=\"3490\" data-end=\"3992\">Muitos, inclusive o pr\u00f3prio <strong>del Toro<\/strong> e parte do elenco, como <strong>Mia Goth<\/strong> (<strong><em>MaXXXine<\/em><\/strong>), chegaram a firmar em entrevistas que <strong><em data-start=\"3575\" data-end=\"3589\">Frankenstein<\/em><\/strong> n\u00e3o \u00e9 um filme de terror. E \u00e9 poss\u00edvel compreend\u00ea-los, ao menos em parte. O filme nasce do terror, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma obra de fantasia, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e drama. Ainda assim, n\u00e3o h\u00e1 como negar: este \u00e9 um filme de terror em sua ess\u00eancia, mas um terror banhado pela melancolia do romantismo g\u00f3tico de <strong>Shelley<\/strong> ao qual <strong>del Toro<\/strong> d\u00e1 vida como poucos conseguiriam fazer.<\/p>\n<p data-start=\"155\" data-end=\"858\"><strong>Del Toro<\/strong> cria aqui sua obra mais humana \u2014 e talvez a mais pessoal \u2014 desde <strong><em data-start=\"229\" data-end=\"246\">A Forma da \u00c1gua<\/em><\/strong>. \u00c9 o gesto de um homem apaixonado por tudo o que \u00e9 imperfeito, que finalmente encontra em <strong><em data-start=\"337\" data-end=\"351\">Frankenstein<\/em><\/strong> a oportunidade de declarar esse amor. Porque, no fundo, o que \u00e9 um diretor sen\u00e3o um criador obcecado em dar alma ao inanimado, em transformar dor em beleza, sombra em poesia? Se <strong>Victor Frankenstein<\/strong> ergueu um monstro, <strong>Guillermo del Toro<\/strong> ergue um amor: um filme que pulsa com a ternura e a melancolia de quem acredita que at\u00e9 as criaturas merecem ser amadas. <strong><em data-start=\"704\" data-end=\"718\">Frankenstein<\/em><\/strong> \u00e9 seu filho e sua confiss\u00e3o: a mais pura e comovente declara\u00e7\u00e3o de amor a uma criatura, dentre todas as que j\u00e1 ganharam vida a partir de suas obras.<\/p>\n<p><iframe title=\"Frankenstein | Guillermo del Toro | Trailer oficial | Netflix\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IZ4qobQAto8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M: \u2018Frankenstein\u2019, \u2018No Other Choice\u2019, \u2018Bugonia\u2019 e mais destaques internacionais na 49\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<div id=\"polls-15-loading\" class=\"wp-polls-loading\">\u00a0Loading &#8230;<\/div>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/imagem_do_whatsapp_de_2024-07-18_as_11.51.54_a5047e29-150x150.jpg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>\n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p><strong>Angelo Cordeiro<\/strong> \u00e9 rep\u00f3rter do n\u00facleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade S\u00e3o Judas, escreve sobre filmes desde 2014. Paulistano do bairro de Interlagos e fan\u00e1tico por F\u00f3rmula 1. Pisciano, mas n\u00e3o acredita em astrologia. S\u00e3o-paulino, pai de pet e cin\u00e9filo obcecado por listas\u00a0e\u00a0rankings.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/frankenstein-guillermo-del-toro-critica\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) sempre foi atra\u00eddo pelos monstros \u2014 n\u00e3o apenas pelas criaturas fant\u00e1sticas que habitam seus filmes, mas tamb\u00e9m pelos monstros que carregamos dentro de n\u00f3s. 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