{"id":49622,"date":"2025-10-16T04:43:13","date_gmt":"2025-10-16T07:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/conheca-jonathan-ferr-o-pianista-que-mistura-o-jazz-e-autotune\/"},"modified":"2025-10-16T04:43:13","modified_gmt":"2025-10-16T07:43:13","slug":"conheca-jonathan-ferr-o-pianista-que-mistura-o-jazz-e-autotune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/conheca-jonathan-ferr-o-pianista-que-mistura-o-jazz-e-autotune\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a Jonathan Ferr, o pianista que mistura o jazz e autotune"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, n\u00e3o \u00e9 todo dia que um artista de jazz ganha os holofotes \u2014 na verdade, nunca foi. De tempos em tempos, um ou outro m\u00fasico consegue chamar aten\u00e7\u00e3o: Hermeto Pascoal, Leny Andrade, Jo\u00e3o Gilberto, Bola Sete\u2026 nomes que atravessaram fronteiras sonoras e culturais, mas que ainda s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es em um g\u00eanero que, por aqui, costuma habitar o subterr\u00e2neo da m\u00fasica popular. O jazz brasileiro sempre existiu, mas quase sempre ficou \u00e0 margem, visto como algo distante, elitizado ou dif\u00edcil demais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse cen\u00e1rio que surge <\/span><b>Jonathan Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, carioca de Madureira que decidiu virar essa p\u00e1gina e escrever um novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do jazz no pa\u00eds. Ele contou tudo em uma entrevista exclusiva para a<\/span> <b><i>Rolling Stone<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pianista em primeiro lugar, como ele mesmo diz, compositor e expoente do g\u00eanero no Brasil, <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> entendeu cedo que n\u00e3o caberia dentro de moldes impostos. \u201cEu sempre fui muito questionador sobre o status quo que me apresentavam\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa inquieta\u00e7\u00e3o o levou a criar um som pr\u00f3prio, o urban jazz, que mistura improviso e beat, espiritualidade e rua, tradi\u00e7\u00e3o e modernidade. O resultado \u00e9 uma m\u00fasica que carrega o piano como lar, mas se abre ao mundo. Afinal, como o pr\u00f3prio Ferr resume: \u201cEu sou pianista. Todo o restante que eu uso \u00e9 artif\u00edcio \u2014 autotune, voz, poema \u2014 \u00e9 livre express\u00e3o desse lugar que come\u00e7a a partir do piano\u201d.<\/span><\/p>\n<h2><b>As origens do amor pelo piano e jazz<\/b><\/h2>\n<p><iframe title=\"Jonathan Ferr, Marcos Valle - Almar (Lar Session)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YeCbF1WKEl0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A rela\u00e7\u00e3o de <\/span><b>Jonathan<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> com o piano foi constru\u00edda ainda cedo, em um espa\u00e7o dom\u00e9stico de afeto e curiosidade. \u201cQuando eu tinha uns sete para oito anos, eu via um programa chamado <\/span><b><i>Pian\u00edssimo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que era do Pedrinho Mattar, um pianista j\u00e1 falecido que tocava jazz e algumas coisas de bossa nova no piano. Eu adorava\u201d, recorda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A rela\u00e7\u00e3o de <\/span><b>Jonathan<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> com o piano foi constru\u00edda ainda cedo, em um espa\u00e7o dom\u00e9stico de afeto e curiosidade. Quando tinha sete anos, assistia ao programa <\/span><b><i>Pian\u00edssimo<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, apresentado por Pedrinho Mattar \u2013 \u201cum pianista j\u00e1 falecido que tocava jazz e algumas coisas de bossa nova no piano. Eu adorava\u201d \u2013, na Rede Vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas noites de s\u00e1bado, ele se acomodava com os pais para assistir \u00e0quele show televisivo em branco e preto enquanto os irm\u00e3os dormiam. \u201cFic\u00e1vamos conversando e vendo esse programa, e eu ficava ali sentado com eles, recebendo o carinho dos dois, comendo uma pipoquinha ou uma pizza que meu pai fazia.\u201d Essas mem\u00f3rias de afeto e presen\u00e7a se tornaram o terreno onde seu sens\u00edvel ouvido musical foi cultivado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o jazz como linguagem profunda s\u00f3 o fisgou aos 18 anos, quando ouviu <\/span><b><i>A Love Supreme<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (1965), de <\/span><b>John Coltrane<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, em uma aula de aprecia\u00e7\u00e3o musical: \u201cQuando deu play naquele saxofone visceral\u2026 falei: \u2018Meu irm\u00e3o, que viagem \u00e9 essa?\u2019 Um neg\u00f3cio transcendental que me levou para outras esferas.\u201d A partir da\u00ed, <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> se lan\u00e7ou numa miss\u00e3o de absorver o jazz: escutou <\/span><b>Coltrane<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Miles Davis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Herbie Hancock<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e buscou refer\u00eancias no jazz brasileiro, no legado de <\/span><b>Hermeto Pascoal<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Azymuth<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e muitos outros. Com o tempo, essas escutas se cruzaram com suas ra\u00edzes culturais: m\u00fasica negra, rap, batidas, os ru\u00eddos da cidade, todos conversando dentro dele.<\/span><\/p>\n<p><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o seguiu uma trajet\u00f3ria puramente rom\u00e2ntica: ele tamb\u00e9m estudou formalmente. Passou pela Escola de M\u00fasica Villa-Lobos (Rio de Janeiro), onde adquiriu no\u00e7\u00f5es de teoria, reg\u00eancia, arranjo e orquestra\u00e7\u00e3o. Essa fus\u00e3o entre estudo e viv\u00eancia, entre a rua e os livros, moldou sua identidade art\u00edstica: um jazz visceral, mas tamb\u00e9m tecnicamente apurado.<\/span><\/p>\n<h2><b><i>Trilogia do Amor<\/i><\/b><b> (2019): seu primeiro trabalho<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro disco de <\/span><b>Jonathan<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> como m\u00fasico profissional, o \u00e1lbum <\/span><b><i>Trilogia do Amor<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, traz colabora\u00e7\u00f5es com <\/span><b>Donatinho<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Alma Thomas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><b>Mari Milani<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, entre outros nomes, al\u00e9m de arranjos de cordas, timbres eletr\u00f4nicos e uma proposta conceitual forte.<\/span><\/p>\n<p><b><i>Trilogia do Amor<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> era um manifesto: lan\u00e7ar sua vis\u00e3o de urban jazz, colocar piano, sintetizadores e voz em di\u00e1logo, explorar refer\u00eancias afrofuturistas, climas espirituais e cora\u00e7\u00f5es abertos. <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> fala de misticismo, espiritualidade, ancestralidade e futurismo \u2014 de como ele queria que o amor fosse atravessado por energia, cura e revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas sentimentalismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Musicalmente, o \u00e1lbum j\u00e1 apresentava pontos fortes que se tornariam marcas registradas: arranjos de cordas que dialogam com batidas eletr\u00f4nicas; uso de instrumentos ac\u00fasticos como piano Rhodes e sintetizadores; transi\u00e7\u00f5es fluidas entre jazz e elementos de beat. Ele n\u00e3o usou, ainda nessa fase, vocais com autotune pesados ou rupturas radicais, mas plantou a semente de que o jazz seria apenas o ponto de partida para v\u00e1rias outras dire\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse \u00e1lbum fez com que o nome <\/span><b>Jonathan Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> come\u00e7asse a ecoar fora dos nichos instrumentais: ele passou a ser visto como um artista vision\u00e1rio capaz de aproximar o jazz de plateias que nunca tinham ouvido esse tipo de sonoridade.<\/span><\/p>\n<h2><b><i>Cura<\/i><\/b><b> (2021): reconstru\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><iframe title=\"Canto Djavan - O Document\u00e1rio\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/awYgIAObacY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dois anos depois, num contexto marcado pela suspens\u00e3o de shows e pelo isolamento da pandemia, <\/span><b>Jonathan<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> lan\u00e7ou <\/span><b><i>Cura<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, um \u00e1lbum intimista centrado no piano e nas emo\u00e7\u00f5es do momento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><b><i>Cura<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> tem a ver com o curamento que estava no processo de pandemia. Quando eu compus essas can\u00e7\u00f5es, nem imaginava que iriam virar um \u00e1lbum, na verdade. Eram m\u00fasicas que eu fazia para me curar \u2014 quase como um mantra que eu ficava tocando no piano. Eu entrava numa viagem minha para sair da ansiedade que estava sentindo pela possibilidade de perder minha fam\u00edlia e amigos queridos pela pandemia e tantas outras coisas que acho que todo mundo passou. Eu tinha esse processo comigo muito forte, ent\u00e3o o piano foi um lugar onde eu me ajudava a me curar nesse sentido\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O disco traz nove faixas com t\u00edtulos como \u201c<\/span><b>Esperan\u00e7a<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c, \u201c<\/span><b>Amor<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c, \u201c<\/span><b>Felicidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d e \u201c<\/span><b>Choro<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d \u2014 nomes que funcionam quase como estados de alma. A obra tamb\u00e9m re\u00fane participa\u00e7\u00f5es que ampliam essa dimens\u00e3o: o violoncelista <\/span><b>Jacques Morelenbaum<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o cantor <\/span><b>Serj\u00e3o Loroza<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e a fil\u00f3sofa <\/span><b>Viviane Mos\u00e9<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> aparecem em colabora\u00e7\u00f5es pontuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sonoramente, apesar de minimalista, ele n\u00e3o \u00e9 completamente nu: h\u00e1 sutis texturas eletr\u00f4nicas, arranjos de cordas delicadas e atmosferas que suspiram entre o interno e o c\u00f3smico \u2014 mais um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do novo g\u00eanero. Neste trabalho, <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> demonstra que pode ser vulner\u00e1vel e profundo ao mesmo tempo, construindo pontes entre introspec\u00e7\u00e3o e linguagem moderna.<\/span><\/p>\n<h2><b><i>Liberdade<\/i><\/b><b> (2023): depois da cura vem o qu\u00ea?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><b><i>Cura<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> me levou para <\/span><b><i>Liberdade<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o disco seguinte. A proposta dele vem de um pensamento de <\/span><b>Nietzsche<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que fala que nunca \u00e9 alto pre\u00e7o a se pagar pelo privil\u00e9gio de pertencer a si. Depois da cura, depois que o curamento acontece, eu me emancipo. Me emancipo das coisas que me prendem\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um \u00e1lbum de autonomia simb\u00f3lica e musical \u2014 um disco que diz: \u201cEu escolho quem sou e como me mostro\u201d. \u00c9 aqui que ele incorpora mais elementos eletr\u00f4nicos, colabora\u00e7\u00f5es com artistas de rap e vozes femininas (<\/span><b>Luedji Luna<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Rashid<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> etc.) e uma concep\u00e7\u00e3o mais pop sem deixar o jazz de lado. O \u00e1lbum foi bem recebido: <\/span><b><i>Liberdade<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> foi escolhido como um dos 50 melhores \u00e1lbuns nacionais de 2023 pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte.<\/span><\/p>\n<p><b><i>Liberdade<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> consolidou Ferr como uma figura de aproxima\u00e7\u00e3o: o jazz que atrai novos ouvintes, que conversa com o pop e com o rap, mas sem desfazer sua base instrumental e sua sofistica\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<h2><b><i>LAR<\/i><\/b><b> (2025): a casa expandida da m\u00fasica<\/b><\/h2>\n<p><iframe title=\"Jonathan Ferr - LAR Session\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nbsH2vswSA8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o chegamos a <\/span><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, seu mais novo lan\u00e7amento e, mais do que um novo cap\u00edtulo, a s\u00edntese de um ciclo pessoal e est\u00e9tico. Concebido depois da morte do pai, durante a turn\u00ea de <\/span><b><i>Liberdade<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o disco nasce de uma pergunta que atravessa o artista: o que \u00e9 lar?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO lar sou eu, o lar \u00e9 minha fam\u00edlia, s\u00e3o as pessoas que eu amo\u2026 \u00e9 a casa, a estrutura f\u00edsica. \u00c9 a cultura que me habita independente do territ\u00f3rio que eu v\u00e1\u201d, explica <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A perda abriu uma fresta por onde entrou luz. Ele conta que viu o enterro do pai por Zoom, \u201cno \u00e1pice\u201d de uma agenda de festivais na Europa, e que a \u00faltima conversa entre os dois \u2014 um telefonema antes do voo \u2014 virou al\u00edvio: \u201cPai, eu t\u00f4 te levando pra Europa junto comigo\u2026 Voc\u00ea tem m\u00e9rito nisso a\u00ed\u201d. A frase ganhou novo sentido quando o pai partiu; desde ent\u00e3o, <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> repete publicamente o recado: diga que ama enquanto h\u00e1 tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Musicalmente, <\/span><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> se apresenta como um mergulho em 11 faixas que passeiam do urban jazz ao hip hop, do neo-soul \u00e0 m\u00fasica brasileira, com participa\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m contam essa hist\u00f3ria de pertencimento: <\/span><b>Marcos Valle<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>ALMAR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c), um discurso de <\/span><b>Pedro Bial<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>PERMAN\u00caNCIA DO SOM<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c), <\/span><b>Luccas Carlos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>TUDO O QUE SOU<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c), <\/span><b>Dino D\u2019Santiago<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><b>Nova Orquestra<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>INFINITO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c), <\/span><b>Ana Karina Sebasti\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>CASA<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c), <\/span><b>Duda Raupp<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>EIXO NOVO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c) e <\/span><b>Jok3r<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201c<\/span><b>RARO<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d e \u201c<\/span><b>VISCERAL<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A narrativa refor\u00e7a o arco iniciado nos \u00faltimos projetos. Se o primeiro tratava da autocicatriza\u00e7\u00e3o e o segundo da emancipa\u00e7\u00e3o, <\/span><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> representa a presen\u00e7a absoluta e o entendimento de quem se \u00e9 no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se fosse um espa\u00e7o f\u00edsico, \u201cseria numa montanha, com p\u00e9 direito bem alto, um piso grande, v\u00e1rias paredes de vidro, um piano \u2018bem bonito\u2019 no meio da sala e com muito verde\u201d, brincou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse projeto que <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> adotou de vez o autotune, n\u00e3o como adorno oportunista ou muleta, mas como linguagem, ferramenta. Ele conta que come\u00e7ou a experimentar em 2022, ouvindo muito trap e hip hop, e partiu para o gesto: \u201cCara, eu vou tentar trazer o autotune para o jazz\u2026 no Brasil n\u00e3o tem, eu sou o primeiro cara a fazer isso\u201d. Ele sabe que \u201cuma galera torce o nariz\u201d, mas insiste porque o efeito \u201cme faz legitimar quem eu sou\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais do que efeito, \u00e9 t\u00e9cnica e contexto: \u201cEu uso o autotune de outra maneira\u2026 melodias modais, harmonias noutro lugar\u201d, explica, descrevendo como cruza a voz \u201cmeio futurista\u201d com a banda, saxofone improvisado e harmonias de jazz.<\/span><\/p>\n<p><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 o trabalho mais acess\u00edvel de <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> sem perder profundidade. O piano ainda guia, mas agora ele abre espa\u00e7o para can\u00e7\u00f5es que respiram com naturalidade pop.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perguntado sobre a nova fase da carreira em compara\u00e7\u00e3o ao <\/span><b>Jon<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> l\u00e1 do primeiro trabalho, o artista disparou: \u201cEu n\u00e3o quero ser o mesmo artista\u2026 adoro artistas que se prop\u00f5em a fazer coisas novas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Jonathan Ferr, Nova Orquestra - Saudade (Lar Session)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jXZSSs42FOQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2><b>E depois de <\/b><b><i>LAR<\/i><\/b><b>, vem o qu\u00ea?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de <\/span><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, Jonathan pretende entrar no lar do maior n\u00famero de pessoas poss\u00edvel:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUm sonho meu \u00e9 fazer um disco que seja popular o suficiente para chegar no m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edvel. Fazendo exatamente o que eu t\u00f4 fazendo, falando de espiritualidade, de amor, de autoconhecimento, que \u00e9 a coisa que eu mais gosto de fazer\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> reflete de maneira otimista: \u201cAcho que o sonho j\u00e1 t\u00e1 acontecendo\u201d, e realmente est\u00e1. Nos \u00faltimos meses, ele foi chamado para participar do projeto <\/span><b><i>Canto Djavan<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, gravando, com autoriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio, a vers\u00e3o de \u201c<\/span><b>Adorava Me Ver Como Seu<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d e \u201c<\/span><b>P\u00e9tala<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c, participou de outros grandes projetos brasileiros como <\/span><b><i>BUNMI<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (2025), de <\/span><b>Stefanie<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, e virou a capa da playlist de \u201cBrasilidades\u201d do <\/span><b>Spotify<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e de \u201c<\/span><b>Caramelo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c, do YouTube.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o projetar um sucesso maior para <\/span><b>Jonathan Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b><i>LAR<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> prova que ele tem uma sonoridade interessante, dom\u00ednio de linguagem, das t\u00e9cnicas e vis\u00e3o \u2014 sabe o que est\u00e1 fazendo, para onde quer ir e com quem quer caminhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O urban jazz que ele lapidou \u00e9, hoje, um idioma com pot\u00eancia de popularizar o instrumental sem perder densidade; d\u00e1 para v\u00ea-lo ocupando festivais maiores, alcan\u00e7ando novos p\u00fablicos e abrindo portas para quem vier atr\u00e1s. Se a m\u00fasica de <\/span><b>Ferr<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 uma casa de portas abertas, o anfitri\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 \u2014 e essa combina\u00e7\u00e3o, rara, costuma transformar bons artistas em nomes incontorn\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><b>+++LEIA MAIS: Jonathan Ferr lan\u00e7a \u2018LAR\u2019, novo \u00e1lbum que explora mem\u00f3ria e pertencimento<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          \n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p>Kadu Soares \u00e9 formando em Jornalismo pela Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero, passa o dia consumindo m\u00fasica, esportes, filmes e s\u00e9ries. Possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/conheca-jonathan-ferr-o-pianista-carioca-que-reinventou-o-jazz-com-alma-e-autotune\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, n\u00e3o \u00e9 todo dia que um artista de jazz ganha os holofotes \u2014 na verdade, nunca foi. De tempos em tempos, um ou outro m\u00fasico consegue chamar aten\u00e7\u00e3o: Hermeto Pascoal, Leny Andrade, Jo\u00e3o Gilberto, Bola Sete\u2026 nomes que atravessaram fronteiras sonoras e culturais, mas que ainda s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es em um g\u00eanero que, por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":49623,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-49622","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49622\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}