{"id":48972,"date":"2025-10-13T04:11:19","date_gmt":"2025-10-13T07:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/pcc-leniencia-omissao-e-cumplicidade\/"},"modified":"2025-10-13T04:11:19","modified_gmt":"2025-10-13T07:11:19","slug":"pcc-leniencia-omissao-e-cumplicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/pcc-leniencia-omissao-e-cumplicidade\/","title":{"rendered":"PCC: leni\u00eancia, omiss\u00e3o e cumplicidade"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O promotor Lincoln Gakiya, uma das autoridades mais respeitadas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi cir\u00fargico ao depor na Comiss\u00e3o Especial sobre as Compet\u00eancias Federativas e Seguran\u00e7a P\u00fablica, na C\u00e2mara dos Deputados. Em 23 de setembro, Gakiya afirmou com todas as letras: \u201cS\u00e3o Paulo fracassou na conten\u00e7\u00e3o do crime organizado<em>\u201d<\/em>. E acrescentou: \u201cO Estado permitiu o surgimento da primeira m\u00e1fia brasileira\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A frase n\u00e3o \u00e9 uma figura de ret\u00f3rica. \u00c9 a constata\u00e7\u00e3o amarga de uma trag\u00e9dia anunciada. Fracassamos por leni\u00eancia, por incompet\u00eancia e, pior, por coniv\u00eancia. A verdade d\u00f3i, mas precisa ser dita: houve omiss\u00e3o deliberada de agentes p\u00fablicos. Onde o Estado recua, o crime avan\u00e7a. E o Brasil, lentamente, vai se transformando num territ\u00f3rio sob o dom\u00ednio paralelo de fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Editorial do jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em> resumiu bem o drama: \u201cS\u00e3o Paulo fracassou em conter o PCC. De Taubat\u00e9 \u00e0 Faria Lima, a fac\u00e7\u00e3o se consolidou como m\u00e1fia pela neglig\u00eancia, quando n\u00e3o pela cumplicidade, de agentes p\u00fablicos paulistas\u201d. N\u00e3o se trata de mero descuido administrativo. Trata-se de falha moral e pol\u00edtica. O poder p\u00fablico permitiu que o crime crescesse e se estruturasse.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<div class=\"postQuote_post-quote-content__wp4c4\">\n<p>Onde o Estado recua, o crime avan\u00e7a. E o Brasil, lentamente, vai se transformando num territ\u00f3rio sob o dom\u00ednio paralelo de fac\u00e7\u00f5es criminosas<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Em 2005, o ent\u00e3o governador Geraldo Alckmin declarou que o PCC estava extinto como organiza\u00e7\u00e3o estruturada. Uma avalia\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo, ing\u00eanua e precipitada. Hoje, duas d\u00e9cadas depois, a fac\u00e7\u00e3o atua como uma m\u00e1fia empresarial com bra\u00e7os em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Tem hierarquia, c\u00f3digos, contabilidade, estrutura financeira e, sobretudo, um poder de intimida\u00e7\u00e3o que rivaliza com o do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Na Amaz\u00f4nia, por exemplo, o crime organizado est\u00e1 assumindo o lugar das institui\u00e7\u00f5es. Fac\u00e7\u00f5es investigam, julgam, condenam e executam. Depois, enviam os v\u00eddeos das execu\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades p\u00fablicas. Um governo paralelo, armado e cruel, imp\u00f5e sua pr\u00f3pria lei. \u00c9 a barb\u00e1rie institucionalizada. A aus\u00eancia do Estado e a covardia de sucessivos governos criaram o terreno f\u00e9rtil para o avan\u00e7o dessa criminalidade sem freios.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Enquanto isso, o veto permanente ao desenvolvimento sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia, disfar\u00e7ado de defesa ambiental, contribui para agravar o problema. A pol\u00edtica de paralisia promovida pela ministra Marina Silva, pelo Ibama e por um ex\u00e9rcito de ONGs ideologizadas impede a gera\u00e7\u00e3o de emprego e empurra milhares de jovens para o colo das fac\u00e7\u00f5es. A mis\u00e9ria \u00e9 a principal aliada do crime. O combate \u00e0 criminalidade exige repress\u00e3o qualificada, mas tamb\u00e9m oportunidades reais de trabalho e educa\u00e7\u00e3o. Sem desenvolvimento, n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil n\u00e3o pode se curvar ao crime. A cria\u00e7\u00e3o de um narcoestado n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese distante \u2013 \u00e9 uma realidade em r\u00e1pida consolida\u00e7\u00e3o. O Estado precisa reagir com firmeza e intelig\u00eancia. O presidente Michel Temer, \u00e0 \u00e9poca, acertou ao criar o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica e instituir o Sistema \u00danico de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Susp). Foi um passo importante. O combate ao crime exige uma articula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u00c9 preciso declarar guerra ao crime organizado. Guerra sem tr\u00e9guas. Isso significa intelig\u00eancia policial articulada, repress\u00e3o firme, penas severas e um sistema prisional realmente controlado pelo Estado \u2013 e n\u00e3o pelas fac\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso acabar com a impunidade e com o faz de conta institucional. O combate ao PCC e a outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o regional. \u00c9 uma guerra nacional. E precisa ser tratada como tal.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O crime avan\u00e7a porque o Estado se omite. A leni\u00eancia de autoridades, a politiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e o populismo penal alimentam o monstro que agora amea\u00e7a devorar o pa\u00eds. A hist\u00f3ria recente mostra que, quando o Estado hesita, o crime ocupa o espa\u00e7o. O PCC \u00e9 o retrato vivo dessa omiss\u00e3o prolongada. Nasceu nos pres\u00eddios, cresceu com a coniv\u00eancia dos poderosos e hoje imp\u00f5e sua lei \u00e0 sociedade.<\/p>\n<blockquote class=\"postQuote_post-quote-container__KXTpH\">\n<div class=\"postQuote_post-quote-content__wp4c4\">\n<p>A leni\u00eancia de autoridades, a politiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a e o populismo penal alimentam o monstro que agora amea\u00e7a devorar o pa\u00eds<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O enfrentamento, portanto, n\u00e3o pode ser epis\u00f3dico nem ret\u00f3rico. \u00c9 preciso uma pol\u00edtica de Estado, n\u00e3o de governo. Uma estrat\u00e9gia nacional que envolva as For\u00e7as Armadas, a Pol\u00edcia Federal, as pol\u00edcias estaduais e o sistema de intelig\u00eancia. O Brasil precisa recuperar o monop\u00f3lio da for\u00e7a, fundamento essencial da soberania. Onde o Estado perde esse monop\u00f3lio, instala-se o caos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A omiss\u00e3o tem um pre\u00e7o \u2013 e ele \u00e9 pago em sangue. Policiais assassinados, civis aterrorizados, comunidades dominadas, jovens aliciados. Cada morte \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o. Cada sil\u00eancio, uma cumplicidade.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A sociedade brasileira clama por seguran\u00e7a e por ordem. A covardia pol\u00edtica diante do crime organizado \u00e9 um atentado contra a pr\u00f3pria democracia. N\u00e3o h\u00e1 liberdade onde reina o medo. N\u00e3o h\u00e1 paz social quando o Estado abdica do dever de proteger seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O tema estar\u00e1 no centro do debate eleitoral de 2026. E ser\u00e1 inevit\u00e1vel. O pa\u00eds quer respostas, n\u00e3o justificativas. Quem se omitir, quem relativizar, quem preferir o sil\u00eancio c\u00famplice estar\u00e1 do lado errado da hist\u00f3ria. O Brasil precisa de l\u00edderes corajosos, capazes de dizer o \u00f3bvio: o crime n\u00e3o \u00e9 um ator pol\u00edtico, \u00e9 um inimigo da na\u00e7\u00e3o. E contra inimigos, a resposta deve ser firme, coordenada e implac\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/carlos-alberto-di-franco\/pcc-leniencia-omissao-cumplicidade\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O promotor Lincoln Gakiya, uma das autoridades mais respeitadas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi cir\u00fargico ao depor na Comiss\u00e3o Especial sobre as Compet\u00eancias Federativas e Seguran\u00e7a P\u00fablica, na C\u00e2mara dos Deputados. Em 23 de setembro, Gakiya afirmou com todas as letras: \u201cS\u00e3o Paulo fracassou na conten\u00e7\u00e3o do crime organizado\u201d. 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