{"id":48391,"date":"2025-10-09T05:55:13","date_gmt":"2025-10-09T08:55:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/12-erros-e-acertos-de-monstro-a-historia-de-ed-gein-segundo-rolling-stone\/"},"modified":"2025-10-09T05:55:13","modified_gmt":"2025-10-09T08:55:13","slug":"12-erros-e-acertos-de-monstro-a-historia-de-ed-gein-segundo-rolling-stone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/12-erros-e-acertos-de-monstro-a-historia-de-ed-gein-segundo-rolling-stone\/","title":{"rendered":"12 erros e acertos de &#8216;Monstro: A Hist\u00f3ria de Ed Gein&#8217;, segundo Rolling Stone"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Ryan Murphy<\/strong> adora pegar o que o p\u00fablico acha que sabe e virar de cabe\u00e7a para baixo. Ele fez isso com a hist\u00f3ria de <strong>O. J. Simpson<\/strong>, nos fazendo questionar se a promotora <strong>Marcia Clark<\/strong> havia sido injustamente difamada. Fez o mesmo com o caso <strong>Clinton-Lewinsky<\/strong>, apresentando a hist\u00f3ria de uma forma que reconhecia tanto o interesse sexual de <strong>Monica<\/strong> quanto a responsabilidade final de <strong>Bill<\/strong>. E, em 2024, fez isso com os irm\u00e3os <strong>Menendez<\/strong>, reexaminando o caso com tanta for\u00e7a e resson\u00e2ncia que os tribunais da Calif\u00f3rnia chegaram a reverter suas senten\u00e7as, abrindo a possibilidade de liberdade condicional.<\/p>\n<p>Por isso, foi um pouco surpreendente saber que o novo cap\u00edtulo da antologia <em><strong>Monstro<\/strong><\/em>, da <strong>Netflix<\/strong> \u2014 produzida por <strong>Murphy<\/strong> e, neste caso, escrita inteiramente por seu colaborador de longa data <strong>Ian Brennan<\/strong> \u2014, teria como foco o assassino e ladr\u00e3o de t\u00famulos <strong>Ed Gein<\/strong>. Parecia n\u00e3o haver muito o que reavaliar sobre o \u201c<strong>Monstro de Plainfield<\/strong>\u201d, como ficou conhecido \u2014 um assassino infame por vestir a pele de cad\u00e1veres e manter uma casa cheia de objetos grotescos feitos de partes humanas em sua cidade natal, em Wisconsin, entre meados dos anos 1940 e 1950. Afinal, ele foi a inspira\u00e7\u00e3o not\u00f3ria de cl\u00e1ssicos do terror como <em><strong>Psicose<\/strong><\/em> e <strong><em>O Sil\u00eancio dos Inocentes<\/em><\/strong>. (E, assim como quando <strong>Murphy<\/strong> escalou <strong>Harry Styles<\/strong> para interpretar o assassino e canibal <strong>Jeffrey Dahmer<\/strong>, muita gente estranhou a escolha de colocar o extremamente atraente <strong>Charlie Hunnam<\/strong> no papel principal.)<\/p>\n<p>Mas, claro, a <strong>Ryan Murphy Productions<\/strong> encontrou um jeito. E mais: para o terceiro cap\u00edtulo de <em><strong>Monstro<\/strong><\/em>, a equipe acrescentou uma nova virada. <em><strong>Monstro: A Hist\u00f3ria de Ed Gein<\/strong><\/em> vai al\u00e9m de apenas lan\u00e7ar luz sobre os crimes do protagonista; ao incorporar as hist\u00f3rias que o inspiraram, bem como as hist\u00f3rias que ele acabou inspirando, a s\u00e9rie coloca um espelho diante daqueles que consomem e se fascinam com o g\u00eanero do true crime. \u201cToda essa s\u00e9rie vira a c\u00e2mera diretamente para n\u00f3s\u201d, disse <strong>Brennan<\/strong> ao site oficial da <strong>Netflix<\/strong>, <strong>Tudum<\/strong>. \u201c\u00c9 muito importante o que voc\u00ea escolhe assistir e as imagens e hist\u00f3rias que consome. Elas ficam com voc\u00ea \u2014 e t\u00eam impacto.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, para quem n\u00e3o est\u00e1 familiarizado, pode ser dif\u00edcil distinguir o quanto da hist\u00f3ria de <strong>Gein<\/strong> \u00e9 ficcionalizada, o quanto \u00e9 exagerado e o quanto \u00e9, de fato, chocantemente verdadeiro. A seguir, um resumo para separar fato de fic\u00e7\u00e3o, segundo <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>.<\/p>\n<h2>A m\u00e3e de Gein era cruel e autorit\u00e1ria<\/h2>\n<p>O relacionamento mais importante da vida de Ed Gein foi com sua m\u00e3e, Augusta Gein (interpretada na s\u00e9rie por Laurie Metcalf). Augusta era, de fato, controladora e fanaticamente religiosa, e proibia seus dois filhos de terem qualquer rela\u00e7\u00e3o com mulheres, que ela via como pecadoras devassas. E embora n\u00e3o haja evid\u00eancias de que ela repetisse a frase tantas vezes quanto na s\u00e9rie, relatos indicam que ela realmente dizia ao filho: \u201cs\u00f3 uma m\u00e3e poderia te amar\u201d, segundo o livro fundamental sobre o caso, Deviant: The Shocking True Story of the Original \u2018Psycho\u2019, de Harold Schechter. Assim como mostrado em Monstro, Augusta sofreu um derrame fatal ap\u00f3s se enfurecer com uma mulher local que acreditava estar vivendo em pecado \u2014 e, ap\u00f3s sua morte, em 1945, Gein tentou (sem sucesso) exumar o corpo da m\u00e3e de um cemit\u00e9rio local, como retratado na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Gein nunca foi oficialmente ligado \u00e0 morte do irm\u00e3o<\/h2>\n<p>O irm\u00e3o mais velho de Gein, Henry (interpretado por Hudson Oz), aparece brevemente no primeiro epis\u00f3dio \u2014 apenas para ser morto por Ed. Na s\u00e9rie, depois que Henry amea\u00e7a se mudar para morar com uma mulher duas vezes divorciada, Gein o atinge na cabe\u00e7a com um tronco, arrasta o corpo at\u00e9 a fazenda da fam\u00edlia e encena um inc\u00eandio no mato para queimar o cad\u00e1ver. Na vida real, Ed afirmou que ele e o irm\u00e3o estavam tentando controlar um inc\u00eandio quando Henry morreu (embora Henry j\u00e1 tivesse mencionado que talvez se mudasse para viver com uma namorada). A pol\u00edcia descartou a hip\u00f3tese de homic\u00eddio e determinou que a causa oficial da morte foi asfixia, levando \u00e0 fal\u00eancia card\u00edaca. Depois que os crimes de Ed foram descobertos, surgiram suspeitas persistentes, mas ele nunca confessou ter matado o irm\u00e3o.<\/p>\n<h2>Adeline Watkins negou ter namorado Gein<\/h2>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o de uma mulher chamada Adeline Watkins (Suzanna Son) como namorada de Gein \u00e9 bastante livre. Embora uma mulher com esse nome realmente vivesse em Plainfield na \u00e9poca dos crimes, o grau de contato ou rela\u00e7\u00e3o entre ela e Gein \u00e9 incerto. Em uma entrevista de novembro de 1957 ao Minneapolis Tribune, Watkins afirmou ter tido um relacionamento de 20 anos com Gein e que ele chegou a pedi-la em casamento em seu \u00faltimo encontro, em fevereiro de 1955 \u2014 proposta que ela recusou. Ela tamb\u00e9m o descreveu como \u201cbom, gentil e doce\u201d. No entanto, poucos dias depois, Watkins entrou em contato com o editor do jornal local Plainfield Sun, negando ter tido um romance de duas d\u00e9cadas com Gein, dizendo que eram apenas amigos e que s\u00f3 o conhecia melhor desde 1954.<\/p>\n<h2>A casa da fazenda dos Gein era um casar\u00e3o decadente e assustador<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da fam\u00edlia Gein, Monstro tamb\u00e9m mostra o interior da casa da fazenda \u2014 tanto antes quanto depois dos crimes. Assim como na vida real, a casa estava em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, j\u00e1 que a fam\u00edlia n\u00e3o conseguia pagar por reformas desde que se mudou para l\u00e1, em 1914. Por exemplo, a casa n\u00e3o tinha eletricidade nem encanamento interno. Monstro tamb\u00e9m retrata com precis\u00e3o o interior da resid\u00eancia ap\u00f3s Gein desenterrar nove corpos de mulheres: um cen\u00e1rio ca\u00f3tico de ac\u00famulo de lixo, com partes de corpos guardadas em caixas e sacos, e m\u00e1scaras feitas de rostos humanos penduradas nas paredes.<\/p>\n<h2>Gein era obcecado por uma nazista conhecida como a \u201cCadela de Buchenwald\u201d<\/h2>\n<p>De acordo com Harold Schechter, Gein realmente tinha uma fascina\u00e7\u00e3o por Ilse Koch, que foi acusada de cometer algumas das piores atrocidades do Holocausto \u2014 incluindo usar pele humana para fabricar abajures e encaderna\u00e7\u00f5es de livros. \u201cCom sua imagina\u00e7\u00e3o doentia alimentada por relatos sobre Ilse Koch e seus artefatos de pele humana, Gein se ocupava produzindo objetos igualmente abomin\u00e1veis\u201d, escreve Schechter. Embora n\u00e3o haja provas da exist\u00eancia de uma revista em quadrinhos detalhando os crimes dela, como mostrado na s\u00e9rie, havia de fato publica\u00e7\u00f5es sensacionalistas do p\u00f3s-guerra que narravam as acusa\u00e7\u00f5es contra Koch em detalhes brutais \u2014 muitas vezes alegando que ela era uma ninfoman\u00edaca que sentia prazer na tortura e no sofrimento dos outros.<\/p>\n<p>Essa vers\u00e3o caricata de Koch \u00e9 a que aparece em Monstro, e foi, na verdade, parte do que convenceu a atriz alem\u00e3 Vicky Krieps \u2014 cujo av\u00f4 morreu no Holocausto \u2014 a aceitar o papel na adapta\u00e7\u00e3o de Ryan Murphy. \u201cO que me ajudou foi saber que ela \u00e9 baseada em um personagem de quadrinhos e, portanto, a fantasia de Ed Gein sobre ela vem dessa imagem\u201d, contou \u00e0 Variety. \u201cIsso me libertou, e foi por isso que senti que poderia fazer o papel \u2014 porque era mais claro, interpretar algu\u00e9m maior do que a vida.\u201d<\/p>\n<p>Koch nunca foi condenada por mutilar os corpos das v\u00edtimas assassinadas em Buchenwald; embora itens macabros tenham sido encontrados l\u00e1, n\u00e3o houve provas de que estivessem ligados a ela. Ela foi, no entanto, condenada por crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seu envolvimento com o campo de concentra\u00e7\u00e3o. \u00c9 improv\u00e1vel que estivesse presente quando os americanos libertaram o campo \u2014 como retratado em Monstro \u2014 j\u00e1 que seu marido, o diretor do campo, havia sido destitu\u00eddo do cargo em 1941 por suspeita de corrup\u00e7\u00e3o e desvio de verbas, e executado pelos alem\u00e3es em 1945. (Ela realmente, como mostrado na s\u00e9rie, morreu por suic\u00eddio em 1967, em sua cela na Alemanha Ocidental sob ocupa\u00e7\u00e3o americana.)<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, h\u00e1 um movimento para reavaliar o papel de Koch na guerra. O livro Ilse Koch on Trial: Making the Bitch of Buchenwald (2023) argumenta que, embora ela tenha sido uma criminosa, sua persona sexualizada e monstruosa foi inflada para transform\u00e1-la em bode expiat\u00f3rio do povo alem\u00e3o \u2014 uma forma de concentrar as atrocidades do Holocausto em uma \u00fanica figura.<\/p>\n<p>Koch n\u00e3o foi a \u00fanica nazista sobre quem Gein leu. Segundo Schechter, ele tamb\u00e9m se interessava por Irma Grese, conhecida como a \u201cHiena de Auschwitz\u201d. Gein tamb\u00e9m lia vorazmente sobre \u201ccanibais e ca\u00e7adores de cabe\u00e7as\u201d, demonstrando especial fasc\u00ednio pelo processo de encolhimento de cr\u00e2nios.<\/p>\n<h2>Gein realmente roubava t\u00famulos e coletava \u201ctrof\u00e9us\u201d dos corpos<\/h2>\n<p>A maneira como Monstro retrata o tratamento dado por Gein aos corpos das mulheres que ele exumava mistura fato e fic\u00e7\u00e3o. Gein confessou ter desenterrado nove corpos femininos de cemit\u00e9rios locais, como mostrado na s\u00e9rie. De forma perturbadora, as cenas que exibem os \u201ctrof\u00e9us\u201d retirados e guardados por ele tamb\u00e9m t\u00eam base real. A pol\u00edcia encontrou, em sua casa, uma caixa contendo nove vulvas, um \u201ctraje feminino\u201d (um colete feito do tronco de uma mulher e cal\u00e7as feitas de suas pernas), v\u00e1rias m\u00e1scaras feitas de rostos humanos, quatro cadeiras revestidas com pele humana e tigelas feitas de metades de cr\u00e2nios.<\/p>\n<h2>Gein provavelmente n\u00e3o era necr\u00f3filo<\/h2>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que a obsess\u00e3o de Gein por corpos femininos mortos inclu\u00edsse pr\u00e1ticas sexuais. Embora Monstro o mostre praticando necrofilia com pelo menos um dos cad\u00e1veres, na vida real ele negou essa acusa\u00e7\u00e3o, afirmando que o cheiro dos corpos o repelia. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que ele fosse canibal ou tenha distribu\u00eddo carne humana a vizinhos dizendo que era carne de veado, como mostrado na s\u00e9rie. Como explicou Chlo\u00eb Manon, co-propriet\u00e1ria e curadora do Graveface Museum, em Savannah, Ge\u00f3rgia, \u00e0 Rolling Stone, das nove mulheres exumadas por Gein, a maioria j\u00e1 havia sido embalsamada \u2014 o que torna altamente improv\u00e1vel que ele as tenha consumido.<\/p>\n<h2>Apenas dois assassinatos foram definitivamente atribu\u00eddos a Gein<\/h2>\n<p>Embora Monstro mostre Gein cometendo v\u00e1rios assassinatos, apenas duas v\u00edtimas s\u00e3o conhecidas: a bartender Mary Hogan, amiga de Gein, e Bernice Worden, dona da loja de ferragens local. Ele foi julgado apenas pelo assassinato de Hogan e, embora inicialmente considerado culpado, uma nova audi\u00eancia o declarou inimput\u00e1vel por insanidade \u2014 o que resultou em sua interna\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua em um hospital psiqui\u00e1trico criminal.<\/p>\n<p>Gein confessou o assassinato de Hogan. Vale notar que ambas as v\u00edtimas tinham semelhan\u00e7as f\u00edsicas com sua falecida m\u00e3e: eram mulheres de meia-idade e de constitui\u00e7\u00e3o robusta. (Na s\u00e9rie, isso n\u00e3o fica t\u00e3o evidente, j\u00e1 que Laurie Metcalf \u00e9 pequena ao lado de Charlie Hunnam, que tem porte maior.)<\/p>\n<p>Embora seja poss\u00edvel que Gein tenha matado o irm\u00e3o, todos os outros assassinatos mostrados em Monstro s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es \u2014 dramatiza\u00e7\u00f5es criadas para ilustrar o impacto de sua hist\u00f3ria na cultura do terror americana. Em diversos momentos da s\u00e9rie, o \u201cverdadeiro\u201d Ed \u00e9 inserido em cenas inspiradas diretamente nos filmes que ele viria a inspirar, como Psicose e O Massacre da Serra El\u00e9trica. Ele \u00e9 mostrado assumindo as personas desses personagens \u2014 esfaqueando Adeline como em Psicose (embora a cena original nem mostrasse viol\u00eancia expl\u00edcita) e perseguindo ca\u00e7adores com uma motosserra.<\/p>\n<h2>As autoridades nunca atribu\u00edram o desaparecimento de Evelyn Hartley a Gein<\/h2>\n<p>Evelyn Hartley, interpretada por Addison Rae na s\u00e9rie, foi de fato uma jovem que desapareceu enquanto trabalhava como bab\u00e1 em Wisconsin. No entanto, o desaparecimento aconteceu a cerca de duas horas de onde Gein morava, e ele foi inocentado de qualquer envolvimento ainda em 1957. Portanto, o sequestro e a tortura de Hartley mostrados em Monstro s\u00e3o totalmente ficcionais. Muitos espectadores podem ter presumido que o detalhe de que ele tamb\u00e9m cuidava de crian\u00e7as era inven\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie, mas, segundo Schechter, Gein realmente chegou a fazer bicos de bab\u00e1 para crian\u00e7as locais \u2014 e at\u00e9 pode ter feito alguns truques de m\u00e1gica; mas isso ocorreu antes da morte de sua m\u00e3e e muito antes de ele come\u00e7ar a desenterrar corpos.<\/p>\n<h2>Gein foi diagnosticado com esquizofrenia<\/h2>\n<p>Em Monstro, o diagn\u00f3stico de esquizofrenia de Gein serve como uma explica\u00e7\u00e3o para seus crimes. Ele recebeu o mesmo diagn\u00f3stico na vida real, em dezembro de 1957, um m\u00eas ap\u00f3s ser preso. Essa foi a conclus\u00e3o de um painel de seis m\u00e9dicos que o avaliaram ap\u00f3s extensos interrogat\u00f3rios sobre seu passado. Os m\u00e9dicos e psiquiatras chegaram \u00e0 conclus\u00e3o com base no fato de que Gein continuava a ouvir a voz da m\u00e3e muito tempo depois de sua morte, via rostos em pilhas de folhas, tinha del\u00edrios e n\u00e3o conseguia distinguir o certo do errado. Como resultado, o painel determinou que ele era \u201clegalmente insano\u201d e \u201cinapto para ser julgado\u201d. (Uma d\u00e9cada depois, Gein seria levado a julgamento, e um juiz concluiria que ele era inocente por motivo de insanidade.)<\/p>\n<h2>Gein era obcecado por uma mulher trans chamada Christine Jorgensen<\/h2>\n<p>Monstro inclui a hist\u00f3ria de Christine Jorgensen \u2014 uma mulher trans que serviu no ex\u00e9rcito dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, depois viajou para a Dinamarca em 1950 para realizar tratamentos de afirma\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e se tornou uma celebridade ao retornar aos Estados Unidos. Na s\u00e9rie, Adeline mostra a Gein uma mat\u00e9ria de jornal sobre Jorgensen, o que desperta imediatamente o interesse dele por sua vida e transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais tarde na s\u00e9rie, Gein alucina uma conversa com Jorgensen, na qual eles discutem identidade sexual. Ele afirma acreditar ser \u201ctransexual\u201d \u2014 termo ent\u00e3o usado para o que hoje chamamos de transg\u00eanero \u2014 e ela lhe diz que ele \u00e9 \u201cginef\u00edlico\u201d, uma palavra que descreve algu\u00e9m que, independentemente do pr\u00f3prio g\u00eanero, sente tanta atra\u00e7\u00e3o pelo corpo feminino que deseja estar dentro dele. Embora n\u00e3o se saiba se esse foi um diagn\u00f3stico real de Gein, os criadores da s\u00e9rie fizeram quest\u00e3o de incluir esse di\u00e1logo para diferenci\u00e1-lo das discuss\u00f5es contempor\u00e2neas sobre a comunidade trans. \u201cEra muito importante para n\u00f3s deixar clara essa distin\u00e7\u00e3o, dizer: \u2018Olha, s\u00e3o duas coisas muito diferentes\u2019\u201d, explicou Brennan \u00e0 Tudum. \u201cE foi legal poder colocar isso na boca da Christine Jorgensen.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o livro de Schechter, Gein realmente sabia e era fascinado por Jorgensen, gra\u00e7as \u00e0 ampla cobertura da m\u00eddia sobre sua transi\u00e7\u00e3o. \u201cDesde a inf\u00e2ncia, ele frequentemente fantasiava sobre se tornar uma garota e imaginava como seria ter partes sexuais femininas em vez de um p\u00eanis\u201d, escreve Schechter.<\/p>\n<h2>Gein n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00f5es com outros assassinos famosos<\/h2>\n<p>Nos epis\u00f3dios finais \u2014 inteligentes, mas potencialmente confusos \u2014, a s\u00e9rie faz uma conex\u00e3o com outra grande produ\u00e7\u00e3o de true crime da Netflix: Mindhunter. Essa s\u00e9rie, exibida entre 2017 e 2019, retratava os primeiros anos da Unidade de Ci\u00eancia do Comportamento do FBI, durante os quais dois agentes \u2014 nas telas, os personagens ficcionais Holden Ford e Bill Tench \u2014 viajavam pelos Estados Unidos entrevistando assassinos not\u00f3rios, como Ed Kemper e Richard Speck, para construir um perfil psicol\u00f3gico de serial killers.<\/p>\n<p>Ford e Tench foram inspirados nos agentes reais Robert Ressler e John Douglas, e em Monstro, a dupla aparece entrevistando alguns dos mesmos criminosos. Quando conversam com Jerry Brudos, o \u201cAssassino da Lux\u00faria\u201d (interpretado nas duas s\u00e9ries pelo ator Happy Anderson), ele menciona ter se inspirado em Gein. Logo depois, o espectador encontra Richard Speck (Tobias Jelinek), famoso por assassinar oito estudantes de enfermagem em uma casa nos arredores de Chicago no final dos anos 1960. (Talvez voc\u00ea se lembre dele da primeira temporada de American Horror Story.) Vemos Speck praticando atos sexuais em troca de drogas na pris\u00e3o, enquanto conversa com um parceiro sobre como tamb\u00e9m admirava Gein \u2014 chegando at\u00e9 a enviar-lhe cartas de f\u00e3. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 motivo para acreditar que o verdadeiro Speck tenha tido qualquer correspond\u00eancia com Gein, nem que o admirasse. \u201cN\u00e3o sou como ningu\u00e9m\u201d, disse Speck a um jornalista em 1978. \u201cSou um aberra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Em Monstro, os agentes Ressler e Douglas entrevistam Gein, e ele os ajuda a capturar um serial killer foragido: Ted Bundy (interpretado por John T. O\u2019Brien). Na realidade, Bundy foi preso ap\u00f3s uma abordagem de tr\u00e2nsito rotineira; e embora Douglas tenha entrevistado Gein, o encontro n\u00e3o rendeu muita coisa. \u201cTive a oportunidade de conhec\u00ea-lo brevemente, mas Gein era t\u00e3o psic\u00f3tico que n\u00e3o foi exatamente uma entrevista\u201d, contou ele em 2017. \u201cNada como as que fiz depois com outros assassinos em s\u00e9rie. Foi realmente estranho: ele estava trabalhando na oficina de couro da pris\u00e3o, o Instituto Mental Estadual de Mendota.\u201d<\/p>\n<p>Esse ponto da trama parece ser apenas uma forma dos criadores de Monstro inverterem a l\u00f3gica de O Sil\u00eancio dos Inocentes, no qual o assassino Hannibal Lecter ajuda o FBI a encontrar outro assassino, Buffalo Bill \u2014 que, por sinal, foi inspirado no pr\u00f3prio Ed Gein.<\/p>\n<p>No fim, como em boa parte da obra de Ryan Murphy, trata-se de um exame da rela\u00e7\u00e3o americana com o crime, a obsess\u00e3o e a fama \u2014 com uma rela\u00e7\u00e3o frouxa com a verdade.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Ed Gein realmente matou seu irm\u00e3o na vida real?<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/tv\/12-erros-e-acertos-de-monstro-a-historia-de-ed-gein-segundo-rolling-stone\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ryan Murphy adora pegar o que o p\u00fablico acha que sabe e virar de cabe\u00e7a para baixo. Ele fez isso com a hist\u00f3ria de O. J. Simpson, nos fazendo questionar se a promotora Marcia Clark havia sido injustamente difamada. Fez o mesmo com o caso Clinton-Lewinsky, apresentando a hist\u00f3ria de uma forma que reconhecia tanto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":48392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-48391","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48391"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48391\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}