{"id":48200,"date":"2025-10-08T07:33:17","date_gmt":"2025-10-08T10:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/o-mundo-segundo-fleezus-entrevista\/"},"modified":"2025-10-08T07:33:17","modified_gmt":"2025-10-08T10:33:17","slug":"o-mundo-segundo-fleezus-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-mundo-segundo-fleezus-entrevista\/","title":{"rendered":"O mundo segundo Fleezus [ENTREVISTA]"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Falar de suas vit\u00f3rias, dos rol\u00eas, do futebol e de temas mais populares foi um caminho que deu certo na carreira do rapper paulistano <strong>Fleezus<\/strong>, que se destacou tanto na trajet\u00f3ria solo quanto em colabora\u00e7\u00f5es \u2014 como em \u201c<strong>Que Tal<\/strong>\u201d, de <strong>Marina Sena<\/strong>, e no <em><strong>Brime!<\/strong><\/em>, projeto criado ao lado de <strong>CESRV<\/strong> e <strong>Febem<\/strong>. Mas ele sentia que faltava abordar outros assuntos e temas que v\u00e3o al\u00e9m da camisa de time, da correntinha de ouro e do bon\u00e9 de lado.<\/p>\n<p>O artista percebeu essa lacuna durante a produ\u00e7\u00e3o de seu segundo disco de est\u00fadio, <em><strong>Off Mode<\/strong><\/em> (2023), um trabalho mais \u201cpra frente\u201d, com timbres alegres e vibrantes. Foi ent\u00e3o que decidiu tirar essa armadura criativa e pessoal para entregar uma obra mais intimista, com o intuito de estabelecer um di\u00e1logo mais pr\u00f3ximo com o p\u00fablico, em um exerc\u00edcio de autoconhecimento que vai dos \u00eaxitos \u00e0s falhas e \u00e0s quest\u00f5es mais humanas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 <em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em>, terceiro \u00e1lbum de <strong>Fleezus<\/strong>, lan\u00e7ado nas plataformas digitais nesta quarta, 8. O disco funciona como um complemento de <em><strong>Off Mode<\/strong><\/em>, aprofundando e expandindo os temas apresentados no trabalho anterior. S\u00e3o, portanto, ideias que se completam.<\/p>\n<p><iframe style=\"border-radius: 12px;\" src=\"\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-testid=\"embed-iframe\" data-src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/4MId32a3619pi8cFydwvFZ?utm_source=generator\" class=\"lazy\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cEquilibrar essa balan\u00e7a foi muito importante, porque, da mesma forma que <em><strong>Off Mode<\/strong><\/em> tem sua particularidade, <em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em> tamb\u00e9m tem\u201d, afirmou o cantor \u00e0 <em><strong>Rolling Stone Brasil<\/strong><\/em>. \u201cS\u00f3 que <em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em> \u00e9 um disco mais denso.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c<em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em> vem para tocar mais as pessoas no \u00edntimo, para buscarem o autoconhecimento. Por mais que eu esteja falando de mim em v\u00e1rias faixas, eu sei que, quando as pessoas escutam o \u00e1lbum, sentem que \u00e9 com elas que estou falando tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Complementares, sim, mas completamente diferentes. Durante o processo criativo do novo disco, <em><strong>Fleezus<\/strong><\/em> acreditou na ideia que tinha e teve coragem de investir seu tempo em uma nova narrativa: \u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 pronto, d\u00e1 esse passo e automaticamente tira aquela armadura e fala: \u2018Agora vou entregar pra voc\u00eas o que realmente eu quero\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, na arte, existe uma certa armadura que muitos rappers colocam e que, muitas vezes, os mant\u00e9m em uma zona de conforto. Ou seja, \u00e9 mais f\u00e1cil abordar um tema sem ter profundidade sobre ele. Com <strong><em>Cr\u00f4nicas<\/em><\/strong>, <strong>Fleezus<\/strong> prop\u00f5e o oposto: um papo reto. \u201c\u2018Vem um pouquinho mais comigo pra gente entender o que eu t\u00f4 sentindo, vamos ter essa troca juntos.\u2019 <em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em> \u00e9 sobre isso\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Com influ\u00eancias do grime (a base da arte de <strong>Fleezus<\/strong>), do samba, do rap, do funk e at\u00e9 do filme <em><strong>Os Bons Companheiros<\/strong><\/em> (1990), o rapper abre sua cabe\u00e7a para o p\u00fablico e mostra as ideias que realmente quer transmitir.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO <strong>Fleezus<\/strong> pelo <strong>Fleezus<\/strong>. Em <em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em>, decidi dar esse passo adiante pra que os f\u00e3s pudessem ter um contato mais pr\u00f3ximo comigo nas m\u00fasicas. Acho muito legal ter egotrip no rol\u00ea, abordar certos temas, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante mostrar esse outro lado. Sem palavras dif\u00edceis, porque isso \u00e0s vezes afasta as pessoas.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Com uma linguagem mais simples e direta, <strong>Fleezus<\/strong> traz, de fato, cr\u00f4nicas da pr\u00f3pria mente e de como enxerga o mundo, a vida, a rua. \u201cPorque a rua sabe como funciona o procedimento. Se a gente conseguir levar essa ideia pra essa galera da rua, vai ser daora. Vai ser legal.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Cr\u00f4nicas<\/strong><\/em> \u00e9, no fim das contas, a vis\u00e3o do rapper sobre a vida, com todas as suas dificuldades, hipocrisias, vit\u00f3rias, lamentos e amores. \u201cSeu \u2018cart\u00e3o de visitas\u2019 \u00e0s vezes \u00e9 o t\u00eanis da Nike, o 12 molas \u2014 e muitas vezes a galera n\u00e3o quer te ouvir falar disso, mas quer saber como voc\u00ea t\u00e1, como funciona sua mente e como voc\u00ea observa o mundo.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cUm dos meus objetivos \u00e9 dar mais amplitude pro meu p\u00fablico, porque minha base j\u00e1 me conhece. Tamb\u00e9m t\u00f4 num processo de deixar um pouco \u2014 sem esquecer minhas ra\u00edzes, pelo amor de Deus \u2014 a camisa de time e dizer: \u2018Galera, vamos pra esse caminho aqui?\u2019 Dar uma direcionada pra um olhar mais de dentro. \u00c9 legal falar de futebol, uma linguagem popular nossa, e eu j\u00e1 falo disso em outros lugares. Agora, o <strong>Fleezus<\/strong> da carreira solo tenta entrar mais a fundo nas situa\u00e7\u00f5es, nas quest\u00f5es \u00edntimas da mente, do corpo, enfim.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DPSUttPiVMv\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\"><\/blockquote>\n<p><strong><em>Cr\u00f4nicas<\/em> foi um exerc\u00edcio de mostrar esse outro lado para a galera ou de autoentendimento?<br \/><\/strong>\u00c9 um exerc\u00edcio de autoentendimento. Tanto que, ao escrever, eu termino, paro e penso sobre o que escrevi. Eu olho a letra e falo: \u201cbeleza, pera a\u00ed, eu queria falar isso, mas n\u00e3o consegui passar da forma que eu queria\u201d. A\u00ed apago e escrevo de novo. \u00c9 como se fosse uma terapia comigo mesmo.<\/p>\n<p>Da\u00ed veio o nome Cr\u00f4nicas, porque quero trazer cr\u00f4nicas da minha mente \u2014 da forma como enxergo o mundo, a vida, a rua. Porque a rua sabe como funciona o procedimento. Se a gente conseguir levar essa ideia mais cr\u00f4nica pra essa galera da rua, vai ser daora. Vai ser legal.<\/p>\n<p><strong>Por que \u201cPace de Malandro\u201d como single foco?<br \/><\/strong>Porque \u201cPace de Malandro\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que eu quis fazer pros meus amigos \u2014 pra galera do City Hunters, coletivo de corrida do qual fa\u00e7o parte. Quis fazer pra eles como forma de agradecimento, por me ajudarem nesse processo de mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Fiz tamb\u00e9m pra galera do corre do dia a dia: o cara que levanta cinco da manh\u00e3 pra trabalhar, a pessoa que t\u00e1 na labuta di\u00e1ria. Quis direcionar pra esses dois corres \u2014 o de cuidar do corpo e da mente atrav\u00e9s da corrida, e o corre geral da vida.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, eu tava muito envolvido com a corrida, engajado com essa causa, at\u00e9 como uma forma de democratizar, porque sabemos que o ambiente da corrida \u00e9 muito elitista. E a gente sempre brigou pra tornar isso mais popular, mais pr\u00f3ximo do povo, da base mesmo.<\/p>\n<p>Quando fiz \u201cPace de Malandro\u201d, eu estava dentro desse momento, desse rol\u00ea. N\u00e3o que eu tenha sa\u00eddo, continuo, mas aquele foi um momento crucial. Tanto que eu falo que as ideias est\u00e3o sempre no ar, permeando \u2014 e quem tiver o feeling de sacar o momento certo pra puxar a ideia e trazer pra si, essa \u00e9 a chave.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o podia perder o timing da parada, ent\u00e3o tudo casou pra que \u201cPace de Malandro\u201d fosse a introdu\u00e7\u00e3o do disco, porque o momento pedia essa m\u00fasica. Eu sentia que, quando a gente ia correr e ligava a JBL, rolavam v\u00e1rios sons, e isso \u00e9 massa. Mas quando toca um som que \u00e9 pra sua galera, muda tudo.<\/p>\n<p>A\u00ed tudo passa a fazer sentido praquele mano e aquela mina que acordam \u00e0s cinco, botam o fone e v\u00e3o pro trampo. Eu sentia que precisava fazer algo sobre corrida e autocuidado mental e f\u00edsico \u2014 n\u00e3o s\u00f3 sobre as ideias.<\/p>\n<p><iframe title=\"Fleezus - Pace De Malandro (Official Video)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7h03aF4MxHE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea corre com frequ\u00eancia? Ou quando d\u00e1?<br \/><\/strong>Agora, quando d\u00e1. N\u00e3o vou ser hip\u00f3crita e dizer que sou atleta \u2014 longe disso. Quando d\u00e1, t\u00f4 com eles, que sabem da minha correria com os trampos, mas sempre que posso t\u00f4 junto e somando com a galera da corrida, que eu acho muito importante.<\/p>\n<p>O mundo da corrida tem um papel social, e a gente tenta ao m\u00e1ximo levar essa ideia pra base \u2014 pra galera que mora l\u00e1 no fund\u00e3o da Zona Sul. A mensagem \u00e9: \u201cmano, n\u00e3o se preocupa com o t\u00eanis que voc\u00ea tem, s\u00f3 vem, soma com a gente, corre!\u201d.<\/p>\n<p>Por mais que a corrida esteja em alta, com v\u00e1rios coletivos surgindo, \u00e9 uma moda do bem. \u00c9 sobre cuidar da sa\u00fade, da mente. No fim do dia, \u00e9 sobre isso.<\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o precisa daquele t\u00eanis de R$ 3 mil, que dobra.<br \/><\/strong>Nossa proposta n\u00e3o \u00e9 essa. A gente deixa isso pros atletas, pra galera que quer se destacar mais. Tipo: tem gente que quer fazer maratona, e a gente apoia, d\u00e1 o suporte que consegue pra essa pessoa alcan\u00e7ar o objetivo.<\/p>\n<p>Mas a nossa proposta \u00e9 outra: trazer pessoas da base pra cuidar do corpo, correr, fazer uma atividade f\u00edsica e estar com a gente. Depois tem uma cervejinha, a resenha. \u00c9 sobre socializar.<\/p>\n<p>Vem muita gente legal, de v\u00e1rios lugares de S\u00e3o Paulo, pra somar. \u00c9 muito importante ver a galera fazendo amizade por causa do City. N\u00e3o \u00e9 sobre o t\u00eanis de tr\u00eas mil \u2014 porque eu t\u00f4 nem a\u00ed pra isso. Quero saber se voc\u00ea t\u00e1 afim de correr com a gente.<\/p>\n<p><strong>Em quest\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, quem voc\u00ea trouxe para este disco? Ou centralizou em voc\u00ea?<br \/><\/strong>O disco tem produ\u00e7\u00f5es do Cesinha [apelido do produtor CESRV]; do Paulinho [Paulo Vitor], do Deekapz; e do El Lif, l\u00e1 do Rio. Eu quis trazer meus amigos. Durante o processo de cria\u00e7\u00e3o dos meus discos, costumo chamar pessoas pr\u00f3ximas a mim \u2014 gente que faz parte do meu rol\u00ea, com quem eu saio pra tomar uma cerveja, jantar ou dar um rol\u00ea. Raras s\u00e3o as vezes em que voc\u00ea vai ver uma pessoa \u201cX\u201d nos meus trabalhos.<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas que fizeram parte da minha vida em algum momento, que somaram comigo, e esses tr\u00eas produtores fazem parte disso. O Cesinha j\u00e1 \u00e9 de casa, nenhuma novidade. Mas o Paulinho e o El Lif est\u00e3o muito pr\u00f3ximos de mim nesse momento \u2014 a gente vive os mesmos rol\u00eas, cria junto, e quis cham\u00e1-los porque acredito e gosto muito do trabalho dos tr\u00eas. Cada um tem o seu jeito de fazer e analisar as coisas, e, quando consegui juntar todos, cada um trazendo seu toque e suas ideias, foi uma experi\u00eancia muito legal.<\/p>\n<p><strong>Falando mais especificamente sobre o Cesinha, com quem voc\u00ea colabora h\u00e1 muito tempo, inclusive no <em>Brime!<\/em>. Como voc\u00eas tamb\u00e9m conseguem se renovar para n\u00e3o repetir o mesmo?<br \/><\/strong>Se eu te falar que as ideias surgem das formas mais bizarras poss\u00edveis\u2026 A gente t\u00e1 sempre na rua, trocando ideia, mostrando som um pro outro, e dali as coisas come\u00e7am a nascer. Minha cabe\u00e7a funciona assim: quando eu tenho uma ideia e um conceito do que quero entregar, na minha mente o disco j\u00e1 est\u00e1 pronto \u2014 eu s\u00f3 preciso destrinchar. Ent\u00e3o, no fim, fazer m\u00fasica \u00e9 a parte mais f\u00e1cil, porque parte da ideia.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos uma nascente. Uma hora ou outra, a nascente pode baixar, a \u00e1gua pode baixar. Somos seres humanos, e \u00e9 natural ter momentos de bloqueio criativo. J\u00e1 aconteceu comigo, j\u00e1 aconteceu com amigos tamb\u00e9m. Mas quando voc\u00ea tem uma base de amigos pr\u00f3xima que te fala \u201c\u00f4, mano, vamos! Essa ideia \u00e9 massa, vamos fazer tal coisa\u201d, isso ajuda muito.<\/p>\n<p>Estar na rua, ver gente, conhecer pessoas e coisas novas tamb\u00e9m alimenta a criatividade. J\u00e1 tive dificuldades criativas ao longo da carreira, e tamb\u00e9m j\u00e1 vivi fases, como agora, de muita inspira\u00e7\u00e3o. Terminei o Cr\u00f4nicas, acelerei o Cesinha e j\u00e1 estamos no processo do outro disco \u2014 porque \u00e9 sobre o momento, t\u00e1 ligado? E vai ter hora que eu vou falar: \u201cPutz, mano, n\u00e3o t\u00e1 saindo nada\u201d.<\/p>\n<p>Artistas s\u00e3o seres humanos como qualquer outra pessoa. Vai ter hora que a gente olha e fala: \u201cT\u00f4 castelando aqui, nada t\u00e1 fluindo\u201d. \u00c9 quest\u00e3o de resili\u00eancia tamb\u00e9m. Abra\u00e7a o momento, tenta entender, e vai viver outras coisas: ver filmes que voc\u00ea n\u00e3o costuma ver, ler livros que voc\u00ea n\u00e3o costuma ler\u2026 sair um pouco daquela atmosfera muda a dire\u00e7\u00e3o da sua energia.<\/p>\n<p><strong>E o nome faz muito jus a tudo o que voc\u00ea canta no disco, n\u00e9? J\u00e1 vamos entrar em maiores detalhes em algumas das m\u00fasicas em breve, mas quais temas e assuntos voc\u00ea quis trazer aqui?<br \/><\/strong>Inseguran\u00e7a, amor, cuidado e a rua \u2014 mas com mais profundidade. Eu sentia que ficar na superf\u00edcie era confort\u00e1vel, mas ir l\u00e1 no fundo do oceano te permite passar a mensagem com mais clareza. Quando eu quis fazer o Cr\u00f4nicas, a ideia era realmente falar de forma mais direta sobre o cuidado com o corpo e a mente, sobre a forma como voc\u00ea trata as pessoas, como enxerga o mundo. \u00c9 uma \u00f3tica de como eu vejo a vida.<\/p>\n<p>Quis falar de amor de v\u00e1rias formas poss\u00edveis, mostrar que eu tamb\u00e9m sou humano, erro, tenho falhas \u2014 e que \u00e9 preciso coragem pra colocar isso numa letra. Tem que tirar a armadura, como eu disse l\u00e1 no in\u00edcio. Cr\u00f4nicas \u00e9 sobre tirar a armadura e dizer: \u201cAgora voc\u00eas est\u00e3o vendo o Fleezus aqui, galera. Voc\u00eas v\u00eam comigo? Eu vou com voc\u00eas, se voc\u00eas forem comigo.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_261884\" aria-describedby=\"caption-attachment-261884\" style=\"width: 1369px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-261884\" class=\"wp-caption-text\">Fleezus (Foto: Bruno Sabongi)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voc\u00ea conta com diversas parcerias em <em>Cr\u00f4nicas<\/em>: LPT Zlatan, PLK, Criolo, Febem, VND, SD9, BradockDan, Hot e Pastor. Como foi essa troca com outros artistas?<br \/><\/strong>Cara, foi uma troca muito massa. Tem uma hist\u00f3ria, inclusive, sobre a produ\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica com o Criolo que foi bem engra\u00e7ada. O disco j\u00e1 estava em processo de produ\u00e7\u00e3o, mas ainda meio cru \u2014 faltava um refr\u00e3o. Eu at\u00e9 conseguia canetar, mas travava justamente nessa parte. \u00c9 aquilo que falei: artista tamb\u00e9m trava, d\u00e1 um flip na mente.<\/p>\n<p>O Cesinha falava: \u201cMano, respira, vai tomar um ar, daqui a pouco voc\u00ea volta e pensa no refr\u00e3o\u201d. A\u00ed liguei pro Criolo e falei: \u201c\u00d4, mano, onde voc\u00ea t\u00e1? N\u00e3o quer vir aqui escutar umas m\u00fasicas do disco que eu t\u00f4 fazendo?\u201d. Ele respondeu: \u201cT\u00f4 almo\u00e7ando, me d\u00e1 meia hora pra ver se consigo chegar\u201d.<\/p>\n<p>Meia hora depois, ele apareceu l\u00e1 no est\u00fadio do Cesinha. A gente foi buscar ele, comecei a mostrar umas m\u00fasicas, e ele: \u201cPera a\u00ed!\u201d. Pausava a faixa, j\u00e1 colocava o celular pra gravar, o Cesinha soltava o beat e ele ia gravando. Nessa brincadeira, a gente fez tr\u00eas m\u00fasicas \u2014 uma intro (que era pra ser a intro do meu disco, mas acabou ficando mais a cara dele) e mais duas faixas. E tem uma em que o nome dele est\u00e1 escondido, mas ele tamb\u00e9m faz parte.<\/p>\n<p>Foi um dia muito especial. A gente tava viajando no est\u00fadio \u2014 e \u201cviajando\u201d de som mesmo. Compramos v\u00e1rias c\u00e1psulas de caf\u00e9, e quando vimos, j\u00e1 tinham acabado todas. Ficamos at\u00e9 altas horas falando de m\u00fasica. Eu sou muito f\u00e3 do Criolo, ent\u00e3o poder ter essa troca em est\u00fadio foi muito marcante pra mim.<\/p>\n<p>O mais louco foi ver a simplicidade dele e a forma como ele enxerga as coisas. Ele mudou completamente a cara de uma m\u00fasica. Me disse: \u201cAs pessoas n\u00e3o querem ver os \u00eddolos delas pra baixo; d\u00e1 pra mudar o sentido dessa narrativa que voc\u00ea t\u00e1 tentando trazer\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um disco em que falo muito sobre minhas inseguran\u00e7as em algumas quest\u00f5es da vida \u2014 que eu vou deixar pra galera escutar e entender.<\/p>\n<p>Com o VND tamb\u00e9m foi muito massa. A ideia era construir uma m\u00fasica sobre rivalidade \u2014 sobre serem rivais \u2014 e o Cesinha ajudou muito a moldar essa cr\u00f4nica da rivalidade: cada um em um ambiente, vivendo uma coisa diferente. Um t\u00e1 na neurose, num quarto, falando um monte; o outro t\u00e1 na rua, passando por uma situa\u00e7\u00e3o cabulosa.<\/p>\n<p>Esses dois s\u00e3o rivais dentro das suas realidades, e no fim rola uma trag\u00e9dia dentro dessa rivalidade. Uma narrativa muito foda. O VND entrou nessa viagem comigo \u2014 parecia que n\u00f3s dois \u00e9ramos o Martin Scorsese criando uma hist\u00f3ria juntos.<\/p>\n<p><strong>A primeira faixa mostra uma transmiss\u00e3o da <em>R\u00e1dio Libertadora<\/em>, que j\u00e1 faz a transi\u00e7\u00e3o para um discurso do Galo de Luta em \u201cQuem Vai Rezar Por Voc\u00eas\u201d, sem contar seus posicionamentos anteriores pr\u00f3-Palestina. Para voc\u00ea, qual a import\u00e2ncia de trazer esse discurso pol\u00edtico para sua arte, ainda mais hoje que muitos artistas preferem se abster ou ficar em cima do muro para n\u00e3o atrapalhar contatos, perder seguidores, etc. Voc\u00ea at\u00e9 fala um pouco disso em \u201cNois \u00e9 Nois\u201d.<br \/><\/strong>Eu acho que \u00e9 dever do rapper se posicionar. Se voc\u00ea t\u00e1 em cima do muro, voc\u00ea est\u00e1 no lugar errado. Voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela sua realidade. E se voc\u00ea n\u00e3o quer que as pessoas saibam o seu posicionamento, amigo\u2026 a gente j\u00e1 sabe de que lado voc\u00ea est\u00e1, quem voc\u00ea quer agradar n\u00e3o se posicionando. N\u00e3o tem nem muito o que falar sobre isso. Eu s\u00f3 tento fazer a minha parte.<\/p>\n<p>A gente aborda temas pol\u00edticos dentro do disco, como voc\u00ea falou. Da minha parte ainda, sendo bem criterioso, o pr\u00f3ximo vir\u00e1 quente nessa quest\u00e3o de posicionamento. \u00c9 aquilo que a gente conversou no Off Mode, uma parada que complementa Cr\u00f4nicas. A gente faz parte de um movimento que \u00e9 contra tudo isso que t\u00e1 acontecendo no nosso pa\u00eds. Se a gente n\u00e3o fizer nada, quem vai fazer? A gente v\u00ea Jones Manoel, Renato, Galo de Luta\u2026 pessoas que t\u00e3o conseguindo fazer uma movimenta\u00e7\u00e3o muito foda no pa\u00eds. FBC faz um trabalho excepcional. Vamos porque precisa. E ir pra rua expor suas ideias sem medo.<\/p>\n<p>\u00c9 igual \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de Gaza. Como eu vou subir no palco e n\u00e3o dar uma palavra sobre? Olha o genoc\u00eddio em Gaza. Como eu vou subir no palco e n\u00e3o falar nem um pouco sobre e fingir que t\u00e1 tudo bem? Foda-se se voc\u00ea a\u00ed do outro lado, que t\u00e1 me ouvindo agora, n\u00e3o quiser me contratar mais tamb\u00e9m \u2014 eu n\u00e3o t\u00f4 nem a\u00ed pra voc\u00eas. N\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea o recado. Eu vou ser pr\u00f3-Palestina at\u00e9 o fim. Eu n\u00e3o posso ser ignorante ao ponto de achar que \u00e9 uma guerra \u2014 o que n\u00e3o \u00e9. \u00c9 um genoc\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>Acho que uma das minhas faixas favoritas \u00e9 \u201cRivais\u201d, com VND, na qual voc\u00ea traz todo um discurso de tentar encontrar a luz, falando do peso que voc\u00ea carrega tamb\u00e9m. Como foi fazer esse exerc\u00edcio?<br \/><\/strong>\u00c9 a parte do rival que t\u00e1 no quarto dele castelando, expondo as inseguran\u00e7as dele. O cara n\u00e3o consegue nem enxergar a janela do quarto, de t\u00e3o neur\u00f3tico que t\u00e1, pensando em v\u00e1rias quest\u00f5es da vida. Autocobran\u00e7a e ansiedade demais.<\/p>\n<p>O outro t\u00e1 em outra situa\u00e7\u00e3o, na rua. E os dois, ao mesmo tempo que s\u00e3o rivais, partem do princ\u00edpio de que a nossa mente \u00e9 o gatilho de muita coisa. Os dois est\u00e3o com a mente zoada. N\u00e3o \u00e9 sobre o rival. \u00c9 sobre a minha mente e o que passa dentro dela, as coisas que passam comigo e me d\u00e3o ansiedade em alguma quest\u00e3o. Conseguir passar isso em \u201cRivais\u201d \u00e9 a parte mais importante. Tem muita gente que passa pela mesma coisa, que t\u00e1 no quarto ansioso. E acontece.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 sobre o sentimento do ser humano e mostrar que o rapper n\u00e3o \u00e9 intoc\u00e1vel: tem inseguran\u00e7as e passa por problemas \u2014 e tudo bem.<\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea colocou trechos de <em>Os Bons Companheiros <\/em>(1990), n\u00e9? Como os filmes te influenciam artisticamente na m\u00fasica?<br \/><\/strong>Boa pergunta. Os Bons Companheiros \u00e9 um filme que todo rapper deveria assistir. No que diz respeito a comportamento, \u00e9 um filme muito massa pra voc\u00ea entender algumas coisas. A parte do trecho que eu coloco \u00e9 pra mostrar, no final, o que acontece naquela hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 aquela jornada de her\u00f3i, mas uma jornada em que o cara saiu do quarto dele e, naquele curto espa\u00e7o de tempo em que decidiu ir pra rua, ele encontra o rival \u2014 e a\u00ed fim de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nem sempre as hist\u00f3rias precisam ter final feliz. Filmes e s\u00e9ries que me surpreendem nesse ponto, \u00e0s vezes no come\u00e7o eu n\u00e3o entendo, mas depois eu gosto. J\u00e1 aconteceu algumas vezes.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Sopranos, voc\u00ea n\u00e3o sabe o que acontece no final, e isso eu acho muito foda, porque a\u00ed fica a interpreta\u00e7\u00e3o. Eu acho legal como as pessoas enxergam a m\u00fasica tamb\u00e9m, porque \u00e9 igual ler um livro: cada um vai interpretar e entender de um jeito, principalmente se tratando de uma cr\u00f4nica, que te d\u00e1 esse espa\u00e7o pra ter a sua pr\u00f3pria leitura.<\/p>\n<p><strong>E eu tamb\u00e9m senti que voc\u00ea faz outro desabafo em \u201cPuro\u201d, mas desta vez de dentro pra fora, com a interpola\u00e7\u00e3o de \u201cOitavo Anjo\u201d, do Dexter, e relembra tamb\u00e9m do que voc\u00ea, Febem e Cesinha fizeram com <em>Brime!<\/em>. O que te motivou para esta letra?<br \/><\/strong>N\u00f3s, como seres humanos, temos mem\u00f3ria fraca. Quando eu tenho espa\u00e7o de voz psra contar um pouco da minha trajet\u00f3ria no grime, minha base formadora, eu vou, de alguma forma, tentar encaixar isso nos meus trabalhos. N\u00e3o \u00e9 nem carteirada \u2014 s\u00e3o fatos relatados na m\u00fasica. A gente tava l\u00e1 quando tudo era mato. Antes eu tinha receio de chegar e expor isso em p\u00fablico. Mas a gente tem que falar, porque o povo esquece.<\/p>\n<p>E quem tava l\u00e1? Quem capinou o mato para voc\u00eas poderem caminhar gostosinho? Eu, SD9, Febem, Vandal e por a\u00ed vai. Tem v\u00e1rios outros caras. Eu s\u00f3 t\u00f4 contando minha hist\u00f3ria. Pode achar prepot\u00eancia \u2014 \u00e9 hist\u00f3ria, fato, n\u00famero, dado. Pode pesquisar onde voc\u00eas quiserem. T\u00e1 tudo registrado, e eu s\u00f3 t\u00f4 colocando na caneta.<\/p>\n<p><strong>Aproveitando este tema do <em>Brime!<\/em>, voc\u00eas celebraram os cinco anos do disco em 2025, quebraram tudo no Baile do Brime na Audio e a Rolling Stone Brasil falou com voc\u00eas antes deste show. Mas agora, alguns meses depois, como foi esse momento de celebra\u00e7\u00e3o para voc\u00ea?<br \/><\/strong>Foi muito importante e gratificante tamb\u00e9m. Manter uma hist\u00f3ria durante cinco anos, com tr\u00eas mentes pensantes e diferentes, que muitas vezes conflitam, \u00e9 algo pra celebrar. Foi correr pro abra\u00e7o, curtir. Uma caminhada \u00e1rdua pra chegar at\u00e9 aqui. Foi treta porque teve pandemia \u2014 j\u00e1 contei isso em outras oportunidades. Quando eu pisei no palco, olhava pra tr\u00e1s e via o Cesinha, olhava pro lado e via o Febem, olhava pra frente e via voc\u00eas, eu falava: \u201cCaralho, a gente conseguiu!\u201d.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia t\u00e1 mais no f\u00e3 que me para na rua e agradece pelo Brime! do que nos anos. \u00c9 muito massa construir um rol\u00ea e uma atmosfera \u2014 que inclusive foi copiada, mas \u00e9 isso mesmo. Estamos sempre trazendo novidade. Se a gente tivesse a grana que esses boys t\u00eam, j\u00e1 ter\u00edamos feito coisas absurdas com o Brime!. A gente s\u00f3 n\u00e3o faz por quest\u00e3o financeira. \u00c9 uma caminhada muito foda, me orgulho muito de fazer parte disso.<\/p>\n<p>O Brime! \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o constante: 90 minutos de festa, igual \u00e0 torcida do Corinthians, sem parar quieto. Temos ideias para trazer outra atmosfera e outro olhar, mas isso \u00e9 papo para depois.<\/p>\n<p>Esses cinco anos foram maravilhosos, e espero que venham mais cinco pela frente, se Deus quiser.<\/p>\n<p><iframe title=\"5 ANOS DE BRIME! FEBEM, FLEEZUS E CESRV COMENTAM IMPACTO DO DISCO NO RAP E REVELAM CURIOSIDADES\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RV8U1RGGk9k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Para mim \u00e9 um movimento cultural muito louco.<br \/><\/strong>\u00c9 isso. E essa fidelidade e identifica\u00e7\u00e3o que o p\u00fablico tem com o nosso rol\u00ea \u00e9 muito massa. Voc\u00ea v\u00ea a galera na rua, vestida com a camiseta\u2026 eu fico em choque. Quando eu passo na rua e tem algu\u00e9m com a camiseta do Brime!, eu acho uma doideira.<\/p>\n<p>A gente n\u00e3o consegue dimensionar a responsabilidade que tem quando sobe no palco.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 meio que o Romarinho dando a cavadinha na La Bombonera em final de Libertadores.<br \/><\/strong>Perfeito, essa an\u00e1lise foi cir\u00fargica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_261885\" aria-describedby=\"caption-attachment-261885\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-261885 img-fluid lazy\" alt=\"Da esq. para dir.: CESRV, Fleezus e Febem, trio respons\u00e1vel pelo Brime! (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-342x228.jpg 342w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-675x450.jpg 675w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-768x512.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/brime-cesrv-fleezus-febem-foto-divulgacao-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-261885\" class=\"wp-caption-text\">Da esq. para dir.: CESRV, Fleezus e Febem, trio respons\u00e1vel pelo Brime! (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Eu tamb\u00e9m queria falar de \u201c2 Glock\u201d, com SD9, que tem uma influ\u00eancia maior de funk, assim como \u201cCARDS\u201d. O que voc\u00ea acha de t\u00e3o interessante em fundir o rap ao funk?<br \/><\/strong>\u00c9 voltar pra superf\u00edcie e se divertir. \u00c9 uma extens\u00e3o do que eu penso quando quero fazer algo com o Brime! e me divertir. Trago os moleques pra perto e falo: \u201cMano, vamos tirar onda aqui nessa faixa?\u201d. E ningu\u00e9m melhor do que o SD pra fazer isso comigo. Mano, eu vou contar a hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o dessa m\u00fasica.<\/p>\n<p>Era dia de jogo do Vasco e a gente falou: \u201cDepois do jogo a gente grava, t\u00e1 de boa\u201d. E a\u00ed, j\u00e1 sabe \u2014 come\u00e7amos a beber cerveja. Chegou uma hora que terminamos de escrever a m\u00fasica, mas est\u00e1vamos t\u00e3o confusos que n\u00e3o consegu\u00edamos contar as barras. Foi muito engra\u00e7ado.<\/p>\n<p>O SD tem uma aura espetacular, \u00e9 um moleque que transforma o ambiente onde vai. Ele \u00e9 muito engra\u00e7ado. Eu falei: \u201cEu e voc\u00ea temos que fazer uma faixa com funk, t\u00e1 ligado?\u201d. N\u00e3o ia fazer sentido fazer outra parada. A gente j\u00e1 vinha da base do grime, muito agressivo. Quis tirar uma onda. Se deixar eu e o SD com uma caixa de Brahma, a gente faz um disco.<\/p>\n<p>[Em \u201cCARDS\u201d, com] Bradockdan foi a mesma coisa: ritmo de S\u00e3o Paulo, aquela picota. \u00c9 s\u00f3 ditar um ritmo da vis\u00e3o que a gente tem tamb\u00e9m sobre tudo que vimos. Essas duas faixas s\u00e3o coisas que j\u00e1 vivenciei de perto, de fato, sabendo o que acontece e qual \u00e9 o movimento. Em uma eu quis ser mais leve, e na outra a gente foi um pouquinho mais denso.<\/p>\n<p><strong>E eu queria entender tamb\u00e9m um pouco mais da sua rela\u00e7\u00e3o com o samba. Nos shows do Brime que eu vi voc\u00ea sempre faz uma palhinha e tudo mais, sem contar que voc\u00eas falaram que o g\u00eanero tamb\u00e9m influenciou o disco.<br \/><\/strong>Cara, o samba sempre fez parte da minha vida. Ele remete muito ao almo\u00e7o de fam\u00edlia de domingo, aquela comunh\u00e3o e uni\u00e3o, com todo mundo junto. Festas de final de ano, anivers\u00e1rio. O samba me remete a isso. No fim do dia, eu quero sempre aproximar as pessoas, trazer elas pra perto do meu universo e que entendam onde est\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia do samba em si n\u00e3o \u00e9 nem na parte musical, mas na ideia mesmo. O pr\u00f3prio Martinho da Vila, em alguns sambas, \u00e9 muito complexo no que ele quer passar. E ele \u00e9 profundo. Jorge Arag\u00e3o \u00e9 profundo no que quer passar. E a\u00ed eu trago um pouco dessa profundidade e dessa vontade de querer oferecer algo mais pro p\u00fablico, muito por influ\u00eancia do samba. O samba-rock, que \u00e9 minha escola.<\/p>\n<p>E isso tamb\u00e9m faz parte do processo. Passei uma semana produzindo o disco no Rio. A gente n\u00e3o saiu nenhum dia, mas eu te garanto que, se tivesse botado o p\u00e9 pra fora pra tomar uma cerveja na esquina, ia estar tocando samba. Aquilo pode me influenciar a criar alguma melodia \u2014 como j\u00e1 foi feito. Pode me inspirar, trazer um tema diferente. Samba serve pra isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Tyler, the Creator merece ser mencionado entre os maiores do hip hop<\/strong><\/p>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          <img decoding=\"async\" alt=\"Felipe Grutter (@felipegrutter)\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/foto-felipe_grutter-150x150.jpg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>\n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p>Formado em Jornalismo pela Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero, gosta de ver filmes e s\u00e9ries e ficar com as duas calopsitas de estima\u00e7\u00e3o no tempo livre. Na carreira, tem passagem por R\u00e1dio Gazeta AM, Exito\u00edna, CineBuzz e Showmetech.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/o-mundo-segundo-fleezus-a-rua-sabe-como-funciona-o-procedimento\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar de suas vit\u00f3rias, dos rol\u00eas, do futebol e de temas mais populares foi um caminho que deu certo na carreira do rapper paulistano Fleezus, que se destacou tanto na trajet\u00f3ria solo quanto em colabora\u00e7\u00f5es \u2014 como em \u201cQue Tal\u201d, de Marina Sena, e no Brime!, projeto criado ao lado de CESRV e Febem. 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