{"id":45972,"date":"2025-09-26T08:40:18","date_gmt":"2025-09-26T11:40:18","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/queen-conta-a-historia-por-tras-de-bohemian-rhapsody\/"},"modified":"2025-09-26T08:40:18","modified_gmt":"2025-09-26T11:40:18","slug":"queen-conta-a-historia-por-tras-de-bohemian-rhapsody","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/queen-conta-a-historia-por-tras-de-bohemian-rhapsody\/","title":{"rendered":"Queen conta a hist\u00f3ria por tr\u00e1s de \u2018Bohemian Rhapsody\u2019"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A vida real deles estava prestes a escorregar para a fantasia, o que era, at\u00e9 certo ponto, o plano. No fim dos anos 1960, <strong>Roger Taylor<\/strong> e <strong>Freddie Bulsara<\/strong> deitavam-se no ch\u00e3o juntos, lado a lado, perdidos em <strong><em>Electric Ladyland<\/em><\/strong>, conversando sobre o futuro. Talvez dividissem uma garrafa de vinho, nada mais forte. \u201c<strong>Fred<\/strong> e eu n\u00e3o \u00e9ramos bons em fumar maconha\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>, mais de cinco d\u00e9cadas depois. \u201cEu costumava achar que minha cabe\u00e7a estava pegando fogo l\u00e1 atr\u00e1s. Nunca combinou comigo.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo antes de <strong>Bulsara<\/strong> entrar na banda que viria a ser o <strong>Queen<\/strong> e se rebatizar como <strong>Freddie Mercury<\/strong>, ele e <strong>Taylor<\/strong> compartilhavam um senso de moda pesado em veludo, uma paix\u00e3o por <strong>Jimi Hendrix<\/strong> e ambi\u00e7\u00f5es robustas. \u201cQuer\u00edamos ser os melhores\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cN\u00f3s dois realmente quer\u00edamos sucesso.\u201d O baterista do <strong>Queen<\/strong> est\u00e1, no momento, sentado numa sala de estar enorme de sua propriedade rural inglesa do s\u00e9culo XVIII, em meio a 48 acres de mata. Ele talvez n\u00e3o tivesse chegado at\u00e9 aqui sem a can\u00e7\u00e3o que viemos discutir \u2014 o momento em que o Queen se esticou at\u00e9 onde qualquer banda ousou, foi al\u00e9m, e ainda acrescentou alguns \u201cGalileos\u201d para garantir: \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c, que celebra seu quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p>A faixa, tocada pela primeira vez no r\u00e1dio do Reino Unido em outubro de 1975 e lan\u00e7ada num single de sete polegadas no final daquele m\u00eas, tornou-se a can\u00e7\u00e3o mais transmitida do s\u00e9culo XX, com mais de 2,8 bilh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es s\u00f3 no <strong>Spotify<\/strong>. \u201cIncr\u00edvel\u201d, diz <strong>Brian May<\/strong> quando o visito no dia seguinte. \u201c\u2018<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u2018 n\u00e3o envelhece, n\u00e3o \u00e9? E eu suponho que essa \u00e9 a nossa m\u00e1gica. Temos sorte de n\u00e3o envelhecer.\u201d Ele faz uma pausa e corrige: \u201cA m\u00fasica \u00e9 que n\u00e3o envelhece.\u201d<\/p>\n<p>A estat\u00edstica deixa poucas d\u00favidas: a maior can\u00e7\u00e3o do <strong>Queen<\/strong> est\u00e1 a caminho de se tornar o artefato mais duradouro da era do rock, <strong>Figaro<\/strong>, <strong>Beelzebub<\/strong> e tudo o mais. \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201d \u00e9 um resqu\u00edcio de cinco minutos e cinquenta e quatro segundos de um breve per\u00edodo em que m\u00fasicos podiam gastar semanas empilhando overdubs em uma s\u00f3 faixa, quando engenheiros cortavam fitas magn\u00e9ticas com l\u00e2minas, quando bandas competiam para expandir os limites da estrutura das m\u00fasicas e da tecnologia de grava\u00e7\u00e3o e quando, como <strong>Taylor<\/strong> ironiza, \u201cvoc\u00ea realmente tinha que ser bom no seu instrumento \u2014 isso n\u00e3o parece ser um requisito necess\u00e1rio hoje em dia.\u201d Mesmo enquanto o <strong>Queen<\/strong> trabalhava em \u201c<strong>Rhapsody<\/strong>\u201d e no restante de seu quarto disco, <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>, o tempo corria: duas semanas antes do lan\u00e7amento do \u00e1lbum, o <strong>Sex Pistols<\/strong> fez seu primeiro show em Londres.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m, claro, uma encapsula\u00e7\u00e3o eterna do brilho, do humor e da dor de sua voz principal e compositor, <strong>Freddie Mercury<\/strong>, que morreu de complica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 aids em 1991, aos 45 anos. \u201cEm certas \u00e1reas, sentimos que queremos exagerar\u201d, ele chegou a dizer. \u201c\u00c9 o que nos mant\u00e9m indo, querida\u2026 Provavelmente somos a banda mais exigente do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Numa agrad\u00e1vel manh\u00e3 de final de primavera, as portas laterais da casa de <strong>Taylor<\/strong> se escancararam para o vasto jardim. Em algum lugar ali fora, n\u00e3o totalmente \u00e0 vista, est\u00e1 uma est\u00e1tua de fibra de vidro de seis metros de <strong>Mercury<\/strong> que um dia anunciava o musical <strong><em>We Will Rock You<\/em><\/strong>. <strong>Taylor<\/strong> est\u00e1 convicto de que seu amigo falecido acharia hil\u00e1rio o novo lar da pe\u00e7a. Pelo gramado tamb\u00e9m fica aquele mesmo gong de 60 polegadas que ouvimos <strong>Taylor<\/strong> tocar nos segundos finais de \u201c<strong>Rhapsody<\/strong>\u201c. \u201cLembro que o <strong>Led Zeppelin<\/strong> tinha um gong\u201d, diz Taylor com um sorriso. \u201cEnt\u00e3o a gente teve um gong bem maior. Uma forma pat\u00e9tica de querer vencer o outro, na real.\u201d<\/p>\n<p>O cabelo antes loiro de <strong>Taylor<\/strong> est\u00e1 agora grisalho, cortado curto, e ele usa uma barba combinando; veste-se como um magnata aposentado, com cal\u00e7as justas e uma camisa cinza. Perto dali h\u00e1 um piano de cauda, com um papel de rascunho e uma progress\u00e3o de acordes rabiscada; atr\u00e1s dele, livros sobre <strong>The Beatles<\/strong> e <strong>Bob Dylan<\/strong>.<\/p>\n<p>Em 1969, <strong>Taylor<\/strong> tocava bateria numa banda chamada <strong>Smile<\/strong>, ao lado de <strong>May<\/strong> \u2014 um sujeito brilhante, meticuloso e de cabelos cacheados, tamb\u00e9m disc\u00edpulo de <strong>Hendrix<\/strong> \u2014 enquanto <strong>Bulsara<\/strong> cantava no ef\u00eamero <strong>Ibex<\/strong>. Os membros dos dois grupos se enfiavam em uma sequ\u00eancia de apartamentos em Londres, e o tempo todo <strong>Bulsara<\/strong> tentava entrar para o <strong>Smile<\/strong>. Ele n\u00e3o era, de forma alguma, uma escolha \u00f3bvia. \u201cA verdade honesta\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>, \u201c\u00e9 que ele n\u00e3o era um grande cantor na \u00e9poca. Ele tinha esse som muito poderoso, mas descontrolado.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_259641\" aria-describedby=\"caption-attachment-259641\" style=\"width: 1035px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-259641\" class=\"wp-caption-text\">Ensaio fotogr\u00e1fico do Queen em 1970 (Foto: Michael Ochs Archives\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Freddie<\/strong> mantinha uma foto de <strong>Hendrix<\/strong> no espelho do quarto, desenhava retratos dele em seus trajes com babados e o viu em show pelo menos quatorze vezes. <strong>Hendrix<\/strong> \u201cvivia tudo o que eu queria ser\u201d, ele diria depois, sem mencionar que <strong>Jimi<\/strong> tamb\u00e9m foi exce\u00e7\u00e3o \u00e0 habitual branquitude do estrelato do rock \u2014 uma barreira que <strong>Freddie<\/strong> quebraria tamb\u00e9m. <strong>Bulsara<\/strong> estava desesperado para se transformar nesse molde, apagar seu passado recente de garoto desengon\u00e7ado e com os dentes para frente. Raramente falava de sua origem particular: inf\u00e2ncia com relativa privacidade na col\u00f4nia brit\u00e2nica de Zanzibar, pais parsis seguidores do zoroastrismo. Passou dos oito aos dezesseis anos em um col\u00e9gio interno de elite na \u00cdndia; ele e a fam\u00edlia fugiram para o Reino Unido em 1964, depois de uma revolu\u00e7\u00e3o em Zanzibar.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, o cantor do <strong>Smile<\/strong>, <strong>Tim Staffell<\/strong>, saiu, e <strong>Freddie<\/strong> entrou oficialmente na banda, rebatizando-a de <strong>Queen<\/strong>, para desconforto inicial de <strong>Taylor<\/strong> e <strong>May<\/strong>. O nome tinha a inten\u00e7\u00e3o \u201cno sentido r\u00e9gio\u201d, <strong>Mercury<\/strong> insistia, nem sempre de forma convincente. Mas o que hoje parece t\u00e3o \u00f3bvio sobre sua sexualidade era muitas vezes menos claro nos primeiros dias, talvez at\u00e9 para o pr\u00f3prio cantor. <strong>Mercury<\/strong> conheceu <strong>Mary Austin<\/strong>, que virou sua namorada, em 1970, e ela n\u00e3o foi a primeira mulher com quem seus companheiros de banda o viram sair. Segundo <strong>May<\/strong>, eles apenas tiveram uma \u201cligeira suspeita\u201d sobre a verdade.<\/p>\n<p>Naquele ver\u00e3o, <strong>Freddie<\/strong> encontrou seu novo sobrenome, inspirado numa linha sobre \u201c<strong>Mother Mercury<\/strong>\u201d em \u201c<strong>My Fairy King<\/strong>\u201c, do primeiro LP do <strong>Queen<\/strong>. \u201c<strong>Freddie<\/strong> meio que se fez\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cEle simplesmente forjou essa pessoa, <strong>Freddie Mercury<\/strong>, do nada.\u201d<\/p>\n<p>O estranho blend vocal que atingiu o \u00e1pice em \u201c<strong>Rhapsody<\/strong>\u201d nasceu em cavernas ecoantes nas costas da Inglaterra, durante visitas frequentes \u00e0 Cornualha, terra natal de <strong>Taylor<\/strong>. Mesmo antes da sa\u00edda de <strong>Staffell<\/strong>, <strong>May<\/strong>, <strong>Mercury<\/strong> e <strong>Taylor<\/strong> come\u00e7aram a cantar em tr\u00eas vozes por l\u00e1. \u201cA gente ia nas cavernas e s\u00f3 cantava coisas\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cA gente meio que se deleitava no som, essa bela mistura de harmonias. Particularmente <strong>Freddie<\/strong> e eu, suponho, compartilh\u00e1vamos essa paix\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o final do Queen s\u00f3 se consolidaria no ano seguinte, quando o baixista <strong>John Deacon<\/strong> entrou, mas eles j\u00e1 haviam descoberto o tipo de m\u00fasica que queriam fazer. \u201cNossa vis\u00e3o para o <strong>Queen<\/strong>\u201c, diz <strong>May<\/strong>, \u201cera ter essa densidade, esse tipo de poder e estrutura empolgante na base, e por cima ter toda essa bela melodia e harmonia. Ent\u00e3o voc\u00ea tinha tudo. Era isso que busc\u00e1vamos.\u201d Quando <strong>May<\/strong> viu um show inicial dos gigantes do prog-rock <strong>Yes<\/strong>, com sua fus\u00e3o de riffs sinuosos e harmonias ao estilo <strong>Crosby, Stills &amp; Nash<\/strong>, pensou: \u201cBem, isso chega perto.\u201d<\/p>\n<p>Em dezembro de 1969, <strong>May<\/strong>, <strong>Mercury<\/strong> e <strong>Taylor<\/strong> foram ver o <strong>The Who<\/strong> tocar o ent\u00e3o novo \u00e1lbum <strong><em>Tommy<\/em><\/strong> no London Coliseum. Foi mais uma pe\u00e7a do mapa para o futuro deles \u2014 talvez n\u00e3o rock oper\u00edstico no sentido \u00f3pera, mas certamente uma \u00f3pera rock impetuosa e bomb\u00e1stica. <strong>Taylor<\/strong> ainda acha que o \u00e1lbum de est\u00fadio <strong><em>Tommy<\/em><\/strong> foi subproduzido, um som menor que as vers\u00f5es ao vivo da banda. Esse \u00e9 um dos poucos termos que dificilmente algu\u00e9m aplicaria \u00e0 pr\u00f3pria banda dele. (Como <strong>May<\/strong> v\u00ea, o trabalho anterior do <strong>The Who<\/strong> foi mais influ\u00eancia: \u201c<strong><em>Tommy<\/em><\/strong> chegou um pouco tarde no nosso desenvolvimento\u201d, diz ele.)<\/p>\n<p><strong>May<\/strong> e <strong>Taylor<\/strong> ficaram igualmente impressionados com a imensa sobreposi\u00e7\u00e3o de vozes numa pe\u00e7a recente daquele ano, \u201c<strong>Because<\/strong>\u201c, dos <strong>Beatles<\/strong>. \u201cFicamos hipnotizados\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cSinto arrepios na espinha. Achamos: \u2018Meu Deus, isso tem que ser a pe\u00e7a harm\u00f4nica mais ousada que j\u00e1 ouvimos.&#8217;\u201d Para criar um efeito coral, os <strong>Beatles<\/strong> empilharam suas vozes em m\u00faltiplas camadas \u2014 t\u00e9cnica que <strong>May<\/strong>, <strong>Taylor<\/strong> e <strong>Mercury<\/strong> levariam adiante muito mais longe. Mas o <strong>Queen<\/strong> foi igualmente influenciado por faixas t\u00e3o antigas quanto \u201c<strong>This Boy<\/strong>\u201d (1964) e, antes disso, pelos pr\u00f3prios her\u00f3is dos Beatles, de <strong>Buddy Holly<\/strong> aos <strong>Everly Brothers<\/strong>. \u201cFoi tudo o que os <strong>Beatles<\/strong> fizeram\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cConseguimos, de certa forma, dar continuidade ao que os <strong>Beatles<\/strong> deixaram.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPensamos, \u2018bem, isso \u00e9 meio rid\u00edculo, ent\u00e3o vamos em frente\u2019. A gente realmente curtia a tolice da coisa\u201d, lembra <strong>Roger Taylor<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Eles tiveram cinquenta anos para pensar nisso, mas <strong>May<\/strong> e <strong>Taylor<\/strong> ainda n\u00e3o definiram exatamente sobre o que <strong>Mercury<\/strong> cantava em \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c. \u201cInfelizmente, n\u00e3o podemos perguntar ao <strong>Freddie<\/strong>\u201c, diz <strong>Taylor<\/strong>. Os membros do <strong>Queen<\/strong> nunca discutiam as letras entre si, e <strong>Mercury<\/strong> dificilmente se empenharia em oferecer explica\u00e7\u00f5es. \u201cAs pessoas ainda me perguntam do que \u2018<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u2018 trata\u201d, disse ele anos depois, \u201ce eu respondo que n\u00e3o sei.\u201d Qualquer revela\u00e7\u00e3o, sugeriu, \u201cdissipa o mito e arru\u00edna a m\u00edstica que as pessoas constru\u00edram.\u201d Seu amigo <strong>Kenny Everett<\/strong>, o DJ que estreou a m\u00fasica, disse que <strong>Mercury<\/strong>, em privado, chegou a descartar tudo como \u201crimas sem sentido\u201d.<\/p>\n<p><strong>John Reid<\/strong>, que viria a ser gerente do <strong>Queen<\/strong> em meados de 1975, pouco antes de come\u00e7arem a trabalhar em <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>, era abertamente gay e namorava outro cliente, <strong>Elton John<\/strong>. Depois que <strong>Reid<\/strong> mencionou sua pr\u00f3pria sexualidade durante um jantar, <strong>Mercury<\/strong> confidenciou a ele que era gay. <strong>Mercury<\/strong> ainda vivia com <strong>Mary Austin<\/strong>, mas passava as noites no clube gay <strong>Rods<\/strong>, onde conheceu um jovem chamado <strong>David Minns<\/strong> e iniciou um caso. <strong>Reid<\/strong> est\u00e1 convencido de que uma teoria difundida sobre \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201d est\u00e1 correta: a can\u00e7\u00e3o trata fundamentalmente do processo de <strong>Mercury<\/strong> de aceitar sua identidade sexual. Uma linha como \u201c<em>Gotta leave you all behind and face the truth<\/em>\u201d (\u201cTenho que deixar todos voc\u00eas para tr\u00e1s e encarar a verdade\u201d) quase implora por essa leitura. \u201cAcho que essa \u00e9 a chave\u201d, diz <strong>Reid<\/strong>, \u201ce um pouco de d\u00favida sobre si mesmo, e o fato de que ele nunca poderia ser t\u00e3o aberto com seus pais.\u201d<\/p>\n<p>Como <strong>Minns<\/strong> escreveu, <strong>Mercury<\/strong> \u201cera atormentado por algum tipo de culpa sobre sua vida passada.\u201d Esses sentimentos parecem definir \u201c<strong>Rhapsody<\/strong>\u201c, muito do que \u00e9 dirigido a \u201c<strong>Mama<\/strong>\u201c. \u00c9 tentador ver o homem que \u00e9 morto nas linhas iniciais como um substituto para o fim da pose de <strong>Mercury<\/strong> como homem heterossexual, mesmo que a letra tenha come\u00e7ado a ser escrita por ele no fim dos anos 1960. \u201cEle estava dando adeus \u00e0quela vida\u201d, diz <strong>Reid<\/strong>. (<strong>Mercury<\/strong> \u00e0s vezes dizia ser bissexual mais do que gay; um novo livro afirma que ele teria engravidado secretamente uma \u201cfilha\u201d por volta de 1976 \u2014 <strong>Reid<\/strong> considera essa hist\u00f3ria completamente absurda e n\u00e3o acredita nela.)<\/p>\n<figure id=\"attachment_259642\" aria-describedby=\"caption-attachment-259642\" style=\"width: 1035px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259642 img-fluid lazy\" alt=\"Queen\" width=\"1035\" height=\"708\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-333x228.jpg 333w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-658x450.jpg 658w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-768x525.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-1536x1050.jpg 1536w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-1389314105-2048x1400.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1035px) 100vw, 1035px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259642\" class=\"wp-caption-text\">Em Nova York para uma s\u00e9rie de shows no Teatro Uris, Queen posa em seu quarto de hotel com uma edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Creem<\/em>, maio de 1974. Da esq. para a dir.: o vocalista Freddie Mercury, o baterista Roger Meddows Taylor, o baixista John Deacon e o guitarrista Brian May (Foto: Linda D. Robbins\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para <strong>Taylor<\/strong>, quase toda especula\u00e7\u00e3o sobre \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201d \u00e9 \u201csobreinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEle estava escrevendo uma can\u00e7\u00e3o bastante intensa e reflexiva\u201d, diz ele. \u201cE ent\u00e3o colocamos todos esses trechos absurdamente bobos no meio. Muita gente fica perguntando: \u2018Qual \u00e9 o sentido secreto?\u2019 N\u00e3o tenho certeza se existe um. Acho que o que existe \u00e9 \u00f3bvio, e o resto \u00e9 sem sentido num jeito meio <strong>Lewis Carroll<\/strong>. \u2018<em>Beelzebub has a devil put aside for me<\/em>.\u2019 Para mim, \u00e9 s\u00f3 uma imag\u00e9tica legal. N\u00e3o iria me aprofundar tanto.\u201d (\u201cIsso n\u00e3o significa que estudo demonologia\u201d, <strong>Mercury<\/strong> chegou a dizer. \u201cEu s\u00f3 amo a palavra Beelzebub! \u00d3tima palavra, n\u00e9?\u201d)<\/p>\n<p><strong>May<\/strong>, que costuma falar do amigo falecido no tempo presente, est\u00e1 menos certo sobre tudo isso. \u201cEle est\u00e1 criando algo lindo na cabe\u00e7a dele\u201d, diz. \u201cE ele est\u00e1 usando tudo o que est\u00e1 na mente. Ele usa a dor, a frustra\u00e7\u00e3o, a confus\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 muito literal. N\u00e3o \u00e9 muito consciente. Se voc\u00ea ouvir \u2018<strong>My Fairy King<\/strong>\u2018, aquilo n\u00e3o \u00e9 parte da fantasia interna dele do mesmo jeito?\u201d (\u201cAlgu\u00e9m\u2026 quebrou o meu anel do c\u00edrculo dos contos de fadas\/E envergonhou o rei em todo seu orgulho\u201d, cantou <strong>Mercury<\/strong> naquela faixa. \u201cN\u00e3o posso correr\/N\u00e3o posso me esconder.\u201d) \u201c\u00c9 igualmente indireto. <strong>Freddie<\/strong> n\u00e3o sente necessidade de se explicar, ou de ser direto. \u00c0s vezes ele ama o jeito que a voz soa ao cantar certas s\u00edlabas. \u00c9 tudo uma bagun\u00e7a, uma alegria de criar. \u00c9 assim que eu vejo o <strong>Freddie<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>No trecho do meio, claramente ocorre algum tipo de batalha, com o corpo e a alma do her\u00f3i em jogo e uma \u201cmonstruosidade\u201d em persegui\u00e7\u00e3o. Mas qualquer intensidade l\u00edrica \u00e9, no m\u00ednimo, desarmada pela ludicidade das vozes de <strong>Mercury<\/strong> e pelas passagens oper\u00edsticas deliciosamente absurdas. Um rascunho de letra escrito \u00e0 m\u00e3o leiloado recentemente, rabiscado em papel de avi\u00e3o, sugere que \u201cscaramouche\u201d, \u201cFigaro\u201d, \u201cGalileo\u201d, \u201cmagnifico\u201d e \u201cfandango\u201d surgiram de um brainstorm de palavras de sonoridade italiana ou associadas \u00e0 \u00f3pera, com mais preocupa\u00e7\u00e3o com o som e a rima do que com o sentido. <strong>Mercury<\/strong> tamb\u00e9m anotou \u201cbelladonna\u201d, \u201ccastanetta\u201d e \u201cbarcaraola\u201d (provavelmente queria dizer \u201cbarcarolle\u201d), entre outras op\u00e7\u00f5es. Sem todo esse contraponto caprichoso, ele talvez n\u00e3o permitisse o vislumbre do abismo que o precede \u2014 aquele que ainda passa desapercebido por alguns ouvintes: \u201c\u00c0s vezes gostaria de nunca ter nascido.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mercury<\/strong> tinha orgulho de admitir que pesquisou \u00f3pera para a can\u00e7\u00e3o, sem, contudo, entrar em detalhes. \u201cAlgo como \u2018<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u2018 n\u00e3o saiu do nada\u201d, disse. Aulas de piano na inf\u00e2ncia lhe deram alguma base em m\u00fasica cl\u00e1ssica, e at\u00e9 o nome escolhido para a can\u00e7\u00e3o pisca para aquele mundo. As folhas de letra leiloadas mostram Mercury considerando, e depois riscando, o t\u00edtulo brincalh\u00e3o \u201c<strong>Mongolian Rhapsody<\/strong>\u201c, quase certamente uma alus\u00e3o \u00e0s <strong><em>Raps\u00f3dias H\u00fangaras<\/em><\/strong>, de <strong>Franz Liszt<\/strong>. (Quando um Pernalonga de fraque senta ao piano para tocar \u201c<strong>Hungarian Rhapsody No. 2<\/strong>\u201d no famoso desenho de 1946 <strong><em>Rhapsody Rabbit<\/em><\/strong>, ele insere uma refer\u00eancia a um personagem de uma \u00f3pera de <strong>Mozart<\/strong>: <strong>Figaro<\/strong>.)<\/p>\n<figure id=\"attachment_259643\" aria-describedby=\"caption-attachment-259643\" style=\"width: 676px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259643 img-fluid lazy\" alt=\"Freddie Mercury\" width=\"676\" height=\"1018\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-scaled.jpg 1700w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-151x228.jpg 151w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-299x450.jpg 299w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-768x1156.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-1020x1536.jpg 1020w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-109772168-1360x2048.jpg 1360w\" sizes=\"auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259643\" class=\"wp-caption-text\">O cantor Freddie Mercury , do Queen, em Londres, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1974 (Foto: Michael Putland\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Mercury<\/strong> sabia da singularidade do projeto. \u201cSe voc\u00ea realmente ouvir a parte oper\u00edstica, n\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00f5es, que \u00e9 o que queremos\u201d, disse. \u201cMas n\u00e3o sa\u00edmos por a\u00ed para ser escandalosos \u2014 isso est\u00e1 em n\u00f3s.\u201d Em certos momentos \u2014 magnifico! \u2014 a can\u00e7\u00e3o se inclina totalmente para a com\u00e9dia, com autoconsci\u00eancia camp que elude, por exemplo, \u201c<strong>Stairway to Heaven<\/strong>\u201d (1971), que trata suas pr\u00f3prias grandiosidades de modo bem s\u00e9rio. \u201cAcho saud\u00e1vel ter esse senso de humor sobre o que voc\u00ea faz\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cIsso n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea n\u00e3o seja s\u00e9rio.\u201d<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPensamos, \u2018bem, isso \u00e9 meio rid\u00edculo, ent\u00e3o vamos em frente&#8217;\u201d, acrescenta <strong>Taylor<\/strong>. \u201cRealmente curt\u00edamos a tolice disso.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Brian May<\/strong> tinha uma obra-prima na cabe\u00e7a e n\u00e3o conseguia acert\u00e1-la. Em meados de 1975, ele come\u00e7ou a escrever uma longa jornada prog-rock com estrutura intrincada, efeitos vocais estranhos e picos explosivos. Mas n\u00e3o era definitivamente \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c. Nos primeiros est\u00e1gios de <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>, o <strong>Queen<\/strong> se mudou para <strong>Ridge Farm<\/strong>, uma hora fora de Londres, para escrever. Eles escapavam de um contrato de gest\u00e3o que os deixara empobrecidos e endividados, mesmo ap\u00f3s o grande sucesso de \u201c<strong>Killer Queen<\/strong>\u201d (1974).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9ramos incrivelmente pobres\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos nada. Todo mundo pensava que est\u00e1vamos nadando em dinheiro.\u201d Ele lembra do antigo empres\u00e1rio, o falecido <strong>Norman Sheffield<\/strong>, discutindo por baquetas novas para <strong>Taylor<\/strong> e se recusando a comprar um piano novo para <strong>Mercury<\/strong>. Mas <strong>Reid<\/strong>, o novo manager, convenceu a <strong>EMI Records<\/strong> a adiantar dinheiro suficiente para permitir que a banda criasse sem limites pela primeira vez. Ele disse para cuidarem da m\u00fasica enquanto ele tratava dos contratos antigos. No seu memoir, <strong>Sheffield<\/strong> afirmou que a banda estava prestes a receber uma grande quantia de qualquer maneira, mas saiu porque <strong>Mercury<\/strong> estava impaciente. O cantor queimou <strong>Sheffield<\/strong> em \u201c<strong>Death on Two Legs<\/strong>\u201c, em <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>, uivando: \u201c<em>You suck my blood like a leech<\/em>\u201c, e o empres\u00e1rio entrou com um processo por difama\u00e7\u00e3o que foi rapidamente resolvido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_259646\" aria-describedby=\"caption-attachment-259646\" style=\"width: 605px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259646 img-fluid lazy\" alt=\"Brian May\" width=\"605\" height=\"908\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246.jpg 1365w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246-152x228.jpg 152w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246-300x450.jpg 300w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246-768x1152.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-50549246-1024x1536.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259646\" class=\"wp-caption-text\">Brian May, da banda de rock Queen (Foto: Robin Platzer\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na fazenda, <strong>May<\/strong> continuou lutando com suas ambi\u00e7\u00f5es para a faixa \u201c<strong>Prophet\u2019s Song<\/strong>\u201c, um aviso ao \u201cpovo da Terra\u201d, baseado num sonho apocal\u00edptico, que acabaria dois minutos mais longa que \u201c<strong>Rhapsody<\/strong>\u201c. Ele se sentia bloqueado enquanto se recuperava de uma \u00falcera, e n\u00e3o ajudava que um dos colegas estivesse tendo mais sorte. O <strong>Queen<\/strong> \u00e9 uma das poucas grandes bandas de rock em que cada membro escreveu singles de sucesso ao longo dos anos, mas isso n\u00e3o veio sem atritos. \u201c\u00c9ramos meio competitivos, claro\u201d, diz <strong>May<\/strong>, suavemente. \u201cEu podia ouvir <strong>Freddie<\/strong> martelando \u2018<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u2018. Est\u00e1vamos todos em quartos separados, fazendo nossas partes de composi\u00e7\u00e3o. Ele tinha um piano no quintal, e eu podia ouvi-lo batendo, e estava ficando mais complexo, mais fren\u00e9tico. E eu pensava, ahhhhh. Tenho essa vis\u00e3o para \u2018<strong>Prophet\u2019s Song<\/strong>\u2018, mas n\u00e3o consigo traz\u00ea-la \u00e0 vida. Foi um momento dif\u00edcil para mim.\u201d<\/p>\n<p><strong>May<\/strong> est\u00e1 numa esp\u00e9cie de casa anexa parecida com uma garagem em sua propriedade rural, n\u00e3o longe de <strong>Taylor<\/strong>. Ele est\u00e1 numa mesinha simples numa salinha que jura ser maior que o apartamento que dividiu com a namorada antes de gravar <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>. H\u00e1 fotos de tema astron\u00f4mico nas paredes, junto a placas celebrando vendas de \u201c<strong>We Will Rock You<\/strong>\u201d e do <strong><em>Greatest Hits<\/em><\/strong> do <strong>Queen<\/strong>. Seu cabelo, hoje grisalho, ainda \u00e9 o mesmo moicano cacheado, molhado de um mergulho matinal. \u201cTive alguns problemas f\u00edsicos\u201d, diz, numa alus\u00e3o discreta a um AVC que sofreu em agosto de 2024 e que prejudicou temporariamente sua tocabilidade. \u201cE parece fazer muita diferen\u00e7a cuidar do corpo.\u201d<\/p>\n<p>Um broche na jaqueta de <strong>May<\/strong> comemora a passagem da sonda <strong>New Horizons<\/strong> da NASA por Plut\u00e3o, em 2015, \u00e0 qual \u2014 inacreditavelmente \u2014 ele contribuiu com an\u00e1lise de dados. Em 2007, completou seu doutorado em astrof\u00edsica, d\u00e9cadas depois de ter deixado a \u00e1rea por causa do Queen. \u201cMeu pai disse: \u2018Voc\u00ea est\u00e1 jogando sua vida fora&#8217;\u201d, diz <strong>May<\/strong>. Seu pai ainda pensava assim em 1975, o que s\u00f3 acrescentou ao sentimento geral da banda sobre <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong>: \u201cEra vida ou morte\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>May<\/strong> se empolga quando menciono minha afei\u00e7\u00e3o por \u201c<strong>Prophet\u2019s Song<\/strong>\u201c, que sempre teve seus f\u00e3s, inclusive <strong>Mercury<\/strong>, que uma vez sugeriu ser um poss\u00edvel single. A <strong><em>Rolling Stone<\/em><\/strong> teve uma rela\u00e7\u00e3o complicada com o <strong>Queen<\/strong> naquela \u00e9poca \u2014 o cr\u00edtico <strong>Dave Marsh<\/strong> chegou a cham\u00e1-los de \u201ca primeira banda verdadeiramente fascista do rock\u201d em 1979 \u2014 mas nossa resenha de <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong> foi positiva. Estranhamente, ela n\u00e3o mencionava \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c, citando \u201c<strong>Prophet\u2019s Song<\/strong>\u201d como a melhor faixa do LP. \u201c\u00c9 o outro universo sombrio, realmente, essa m\u00fasica\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cNunca ganhou tanta aten\u00e7\u00e3o, por causa do behemoth do outro lado.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_259648\" aria-describedby=\"caption-attachment-259648\" style=\"width: 831px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259648 img-fluid lazy\" alt=\"Queen\" width=\"831\" height=\"561\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-338x228.jpg 338w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-667x450.jpg 667w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-768x518.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-1536x1037.jpg 1536w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-86098645-2048x1382.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 831px) 100vw, 831px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259648\" class=\"wp-caption-text\">Queen na Su\u00ed\u00e7a durante o Festival de Rock de Montreux. Da esquerda para a direita: Brian May, Roger Taylor, Freddie Mercury e John Deacon (Foto: Suzie Gibbons\/Redferns)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Enquanto <strong>May<\/strong> ouvia o nascimento de \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c, n\u00e3o p\u00f4de evitar desviar sua aten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria can\u00e7\u00e3o para a de <strong>Mercury<\/strong>. Arranjos orquestrais de guitarra e solos come\u00e7aram a fermentar. \u201cA ideia para toda a parte instrumental em \u2018<strong>Rhapsody<\/strong>\u2018 crescia enquanto eu o ouvia desenvolver a can\u00e7\u00e3o\u201d, diz. \u201c<strong>Freddie<\/strong> tinha processos de pensamento lateral incr\u00edveis. Era sempre mais f\u00e1cil para mim tocar nas m\u00fasicas dele do que nas minhas, porque havia tanta estimula\u00e7\u00e3o vindo.\u201d<\/p>\n<p>O riff pesado que acompanha a se\u00e7\u00e3o oper\u00edstica \u2014 aquele que deu \u00e0 can\u00e7\u00e3o uma de suas muitas segundas vidas quando <strong>Mike Myers<\/strong> e <strong>Dana Carvey<\/strong> balan\u00e7aram a cabe\u00e7a em <strong><em>Wayne\u2019s World<\/em><\/strong> (1992) \u2014 foi inven\u00e7\u00e3o de <strong>Mercury<\/strong>. Nunca soou totalmente certo sob os dedos de <strong>May<\/strong>. \u201c\u2018<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u2018 nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil de tocar, mesmo depois de todos esses anos\u201d, diz ele. \u201cAinda preciso manter minha cabe\u00e7a no lugar ou eu caio do trem.\u201d<\/p>\n<p>O <strong>Queen<\/strong> ent\u00e3o foi para os <strong>Rockfield Studios<\/strong>, em outra fazenda, dessa vez no Pa\u00eds de Gales, para come\u00e7ar a grava\u00e7\u00e3o. As bases \u2014 bateria, baixo, piano \u2014 vieram r\u00e1pido. Mercury embutiu as melodias das partes oper\u00edsticas em suas linhas de piano, com sua performance percussiva impulsionando o momentum. \u201cEsquece as roupas rid\u00edculas, o exibicionismo\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cAntes de tudo, ele era um m\u00fasico brilhante. Isso fica totalmente camuflado pela figura extravagante de frontman.\u201d<\/p>\n<p>A banda gravou em v\u00e1rios est\u00fadios em Londres, movimenta\u00e7\u00e3o que ajudou a alimentar o mito de que <strong><em>A Night at the Opera<\/em><\/strong> foi \u201co \u00e1lbum mais caro j\u00e1 feito\u201d. <strong>Reid<\/strong>, que saberia, chama isso de bobagem. \u201cN\u00e3o havia desperd\u00edcio\u201d, diz <strong>Reid<\/strong>. \u201cEles n\u00e3o eram m\u00fasicos esbanjadores\u2026 Tenho certeza que os <strong>Stones<\/strong> gastaram mais.\u201d<\/p>\n<p>Felizmente, para o <strong>Queen<\/strong>, os est\u00fadios n\u00e3o cobravam por overdub. \u201cAcho que entre n\u00f3s tr\u00eas recriamos um efeito de coro de 160 a 200 vozes\u201d, disse <strong>Mercury<\/strong>, que de algum modo manteve todo o arranjo na cabe\u00e7a \u2014 no m\u00e1ximo, rabiscou nota\u00e7\u00f5es para algumas partes de harmonia. Trabalharam na se\u00e7\u00e3o oper\u00edstica sozinha por tr\u00eas semanas inteiras, inclusive finais de semana, colaborando com o produtor <strong>Roy Thomas Baker<\/strong> (que morreu no in\u00edcio de 2025) e o j\u00e1 falecido engenheiro <strong>Mike Stone<\/strong>. \u201cO fato de certas partes aparecerem s\u00f3 em certos momentos e sumirem em outros? Isso \u00e9 inacredit\u00e1vel para mim que algu\u00e9m tenha tudo isso na cabe\u00e7a\u201d, diz <strong>Gary Langan<\/strong>, assistente de engenharia das sess\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cParecia que isso ia eternamente\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cA maneira como faz\u00edamos, n\u00f3s tr\u00eas cant\u00e1vamos cada parte, o que deu uma espessura real, um corpo.\u201d As exce\u00e7\u00f5es, como mostrado no filme <strong><em>Bohemian Rhapsody<\/em><\/strong> (2018), eram os \u201cGalileos\u201d mais agudos, que s\u00f3 <strong>Taylor<\/strong> conseguia alcan\u00e7ar. E o processo chegou a afetar o baterista, que teve um acesso de raiva mais intenso do que o mostrado no filme, segundo <strong>Langan<\/strong>. \u201cEle realmente perdeu a cabe\u00e7a\u201d, diz o engenheiro. \u201cFoi um pouco acima do que se v\u00ea no filme.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os \u00fanicos momentos reais de tens\u00e3o estavam ligados ao comprimento extravagante da m\u00fasica para um single. \u201cTinha o <strong>Fred<\/strong>, que defendia firmemente os seis minutos, claro\u201d, diz <strong>Langan<\/strong>. \u201cE uma fac\u00e7\u00e3o da banda dizendo: \u2018Sabe, <strong>Fred<\/strong>? Acho que voc\u00ea foi longe demais aqui.&#8217;\u201d <strong>Taylor<\/strong> lembra at\u00e9 de <strong>Deacon<\/strong> tentar fazer um corte, o que n\u00e3o agradou aos outros.<\/p>\n<p>A banda estava preocupada com a rea\u00e7\u00e3o da gravadora, mas apesar da cena do filme com a apari\u00e7\u00e3o de um executivo desdenhoso, <strong>Reid<\/strong> garante que n\u00e3o houve confronto. \u201cHavia dois ou tr\u00eas homens de promo\u00e7\u00e3o dizendo \u2018diria que \u00e9 muito longo&#8217;\u201d, ele lembra. \u201cNo fim, eles aceitaram o que falamos.\u201d Algumas das obje\u00e7\u00f5es mais fortes, de fato, vieram de <strong>Elton John<\/strong>. \u201cEle disse: \u2018Voc\u00ea est\u00e1 fora da cabe\u00e7a? Isso nunca vai ser um hit. \u00c9 longo demais!&#8217;\u201d, lembra <strong>Reid<\/strong>. \u201cEle estava convicto.\u201d<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o final da banda foi gravar um videoclipe para a m\u00fasica \u2014 movimento raro em 1975. (Anos depois, uma reedi\u00e7\u00e3o do material em <em><strong>Quanto Mais Idiota Melhor<\/strong><\/em>\u00a0relan\u00e7aria a can\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos.) Gastaram apenas quatro horas no set, no <strong>Elstree Studios<\/strong>, o mesmo local onde parte de <strong><em>Star Wars<\/em><\/strong> seria filmada um ano depois. <strong>Taylor<\/strong>, de novo, n\u00e3o se divertiu muito. \u201cTive que ficar sem camisa e coberto de \u00f3leo corporal\u201d, diz. \u201cE era tipo 1h30 da manh\u00e3.\u201d<\/p>\n<p>May gravou todas as muitas camadas de guitarra da can\u00e7\u00e3o usando sua <strong>Red Special<\/strong>, guitarra que ele construiu do zero com o pai quando adolescente, usando madeira de uma lareira antiga. Quando me leva ao est\u00fadio em casa depois da conversa, pergunto onde est\u00e1 a guitarra. \u201cOh, quer ver?\u201d ele diz, manda um funcion\u00e1rio busc\u00e1-la. Quando chega, alguns minutos depois, <strong>May<\/strong> toca alguns acordes suspensos, fala da influ\u00eancia de <strong>Pete Townshend<\/strong> (<strong>The Who<\/strong>). \u201cEla \u00e9 uma velha amiga\u201d, diz. Depois me entrega. \u00c9 pesada, com madeira densa e o peso da hist\u00f3ria, mas me atrevo a tocar os primeiros acordes do solo de \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c, sentindo os dedos no mesmo lugar exato em que <strong>May<\/strong> os posou. <strong>May<\/strong> levanta a sobrancelha e ri. \u201cAh, bom\u201d, diz. \u201cIsso poderia funcionar!\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_259649\" aria-describedby=\"caption-attachment-259649\" style=\"width: 822px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259649 img-fluid lazy\" alt=\"Queen\" width=\"822\" height=\"543\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-345x228.jpg 345w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-681x450.jpg 681w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-768x507.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-1536x1015.jpg 1536w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-88426605-2048x1353.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 822px) 100vw, 822px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259649\" class=\"wp-caption-text\">Recebendo discos de ouro pelo Greatest Hits \u2013 Da esq. para dir.: Roger Taylor, Freddie Mercury, Brian May e John Deacon (Foto: Rob Verhorst\/Redferns)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde 2011, o <strong>Queen<\/strong> tem feito turn\u00eas pelo mundo com <strong>Adam Lambert<\/strong> nos vocais, e h\u00e1 boas not\u00edcias para os f\u00e3s: \u201cAcho que n\u00e3o acabamos\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cE n\u00e3o acho que vamos dizer, sabe, \u2018turn\u00ea de despedida\u2019 ou o que quer que seja. Porque nunca \u00e9, n\u00e9?\u201d Ainda n\u00e3o lan\u00e7aram material novo do <strong>Queen<\/strong> com <strong>Lambert<\/strong>, mas <strong>May<\/strong> diz que essa ideia \u201csempre est\u00e1 na mente. Pouca gente sabe, mas <strong>Adam<\/strong> e n\u00f3s temos tentado coisas no est\u00fadio. Nada realmente se materializou at\u00e9 agora. Algumas coisas est\u00e3o destinadas a acontecer, outras n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>May<\/strong> est\u00e1 cansado da estrada, mas ainda quer atuar. \u201cFiz cinquenta anos de turn\u00ea e tem uma parte de mim que acha que j\u00e1 foi suficiente\u201d, diz. \u201cN\u00e3o gosto da ideia de acordar no quarto do hotel e me sentir preso. Tive algumas experi\u00eancias recentemente em que coisas aconteceram em casa com minha fam\u00edlia e eu n\u00e3o pude voltar. Isso me afetou e pensei: \u2018N\u00e3o sei se quero mais isso.\u2019 Sinto que j\u00e1 perdi minha liberdade muitas vezes demais. Minha sensa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 que n\u00e3o quero mais fazer turn\u00eas como antes. Ainda quero tocar shows. Quero continuar inovando.\u201d<\/p>\n<p>Com isso em mente, <strong>May<\/strong> tem em mente uma resid\u00eancia do <strong>Queen<\/strong> no <strong>Sphere<\/strong> em Las Vegas, que o impressionou com suas telas 360 graus e outras inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas quando ele assistiu a um show l\u00e1 de alguns pares do rock cl\u00e1ssico. \u201cEstou muito interessado no <strong>Sphere<\/strong>\u201c, diz <strong>May<\/strong>. \u201cIsso mexeu com minha cabe\u00e7a. Eu sentei l\u00e1 assistindo os <strong>Eagles<\/strong>, pensando \u2018dev\u00edamos fazer isso. O que poder\u00edamos trazer seria estupendo.\u2019 Ent\u00e3o, sim, eu gostaria de fazer. Estamos conversando.\u201d<\/p>\n<p>Ainda ausente dessas conversas est\u00e1 <strong>John Deacon<\/strong>. Sempre o membro mais quieto do <strong>Queen<\/strong>, ele se recolheu a uma vida privada ap\u00f3s a morte de <strong>Mercury<\/strong>; n\u00e3o deu entrevistas em d\u00e9cadas e n\u00e3o fala com os colegas da banda, nem mesmo socialmente. \u201cAcho que <strong>Roger<\/strong> e eu achamos isso bastante dif\u00edcil, mas ele n\u00e3o quer e temos que respeitar isso\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cEle quer estar separado. Mas ele ainda faz parte do destino da banda. Se tentamos tomar decis\u00f5es comerciais, ele \u00e9 sempre consultado, mas isso acontece atrav\u00e9s da ger\u00eancia ou do nosso contador. N\u00e3o falamos, o que \u00e9 uma pena, mas sabemos que temos a b\u00ean\u00e7\u00e3o dele. Isso \u00e9 importante.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_259650\" aria-describedby=\"caption-attachment-259650\" style=\"width: 920px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-259650 img-fluid lazy\" alt=\"Freddie Mercury\" width=\"920\" height=\"644\" src=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-scaled.jpg\" srcset=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-scaled.jpg 2560w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-326x228.jpg 326w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-643x450.jpg 643w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-768x538.jpg 768w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-1536x1075.jpg 1536w, https:\/\/rollingstone.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/GettyImages-629581046-2048x1434.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 920px) 100vw, 920px\"\/><figcaption id=\"caption-attachment-259650\" class=\"wp-caption-text\">Freddie Mercury, do Queen, se apresenta no palco do Royal Albert Hall, Londres, 1985 (Foto: Phil Dent\/Redferns)<\/figcaption><\/figure>\n<p>At\u00e9 <strong>Mercury<\/strong> de certo modo parece mais presente nas vidas deles. \u201c<strong>Brian<\/strong> e eu muitas vezes pensamos que ele est\u00e1 na sala num canto\u201d, diz <strong>Taylor<\/strong>. \u201cPorque sabemos exatamente o que ele diria e pensaria. Mesmo tendo se passado tantos anos desde que o perdemos.\u201d At\u00e9 hoje, Mercury costuma aparecer nos sonhos de <strong>May<\/strong>. \u201c\u00c9 sempre algo prosaico\u201d, diz. \u201cNunca \u00e9 uma surpresa que ele esteja ali. N\u00e3o penso: \u2018Voc\u00ea n\u00e3o deveria estar aqui.\u2019 \u00c9 simplesmente como se ele fizesse parte da minha vida, como sempre fez.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mercury<\/strong> \u00e0s vezes diminu\u00eda a import\u00e2ncia de sua m\u00fasica, afirmando que nada merecia perdurar \u2014 at\u00e9 \u201c<strong>Bohemian Rhapsody<\/strong>\u201c. \u201cCostumava dizer: \u2018Minha arte \u00e9 como papel de fritas&#8217;\u201d, diz <strong>May<\/strong>. \u201cVoc\u00ea lembra dessa cita\u00e7\u00e3o? Ele dizia: \u2018\u00c9 descart\u00e1vel.&#8217;\u201d Ele suspira, pensando no amigo, e repete: \u201cN\u00e3o, ele n\u00e3o pensava assim. N\u00e3o realmente.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/bohemian-rhapsody-50-anos-brian-may-e-roger-taylor-contam-a-historia-da-obra-prima-do-queen\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida real deles estava prestes a escorregar para a fantasia, o que era, at\u00e9 certo ponto, o plano. No fim dos anos 1960, Roger Taylor e Freddie Bulsara deitavam-se no ch\u00e3o juntos, lado a lado, perdidos em Electric Ladyland, conversando sobre o futuro. 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