{"id":45821,"date":"2025-09-25T16:24:23","date_gmt":"2025-09-25T19:24:23","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/paris-texas-e-poesia-da-solidao-melancolica-e-um-dos-mais-belos-filmes-ja-feitos\/"},"modified":"2025-09-25T16:24:23","modified_gmt":"2025-09-25T19:24:23","slug":"paris-texas-e-poesia-da-solidao-melancolica-e-um-dos-mais-belos-filmes-ja-feitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/paris-texas-e-poesia-da-solidao-melancolica-e-um-dos-mais-belos-filmes-ja-feitos\/","title":{"rendered":"&#8216;Paris, Texas&#8217; \u00e9 poesia da solid\u00e3o melanc\u00f3lica e um dos mais belos filmes j\u00e1 feitos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-start=\"187\" data-end=\"543\">Poucos filmes conseguem traduzir em imagens aquilo que muitas vezes escapa \u00e0s palavras. <em><strong>Paris, Texas<\/strong><\/em>, de <strong>Wim Wenders<\/strong> (<em>Asas do Desejo<\/em>), \u00e9 um desses raros casos. A hist\u00f3ria de <strong>Travis<\/strong> (<strong>Harry Dean Stanton<\/strong>, <em>Lucky<\/em>), um homem que ressurge do deserto em estado quase espectral, vai muito al\u00e9m de reencontros familiares: \u00e9 um mergulho profundo no vazio, nas feridas e nos sil\u00eancios que moldam nossas vidas.<\/p>\n<p data-start=\"545\" data-end=\"974\"><strong>Wenders<\/strong> transforma a paisagem \u00e1rida dos Estados Unidos em um espelho da alma de seu protagonista. Cada estrada intermin\u00e1vel, cada motel esquecido e cada horizonte tingido pelo p\u00f4r do sol sugere n\u00e3o apenas deslocamento f\u00edsico, mas uma travessia emocional. A solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tratada como aus\u00eancia, mas como presen\u00e7a constante \u2014 uma for\u00e7a que organiza a narrativa e d\u00e1 sentido \u00e0s pausas, aos olhares e aos espa\u00e7os entre as palavras.<\/p>\n<p data-start=\"976\" data-end=\"1365\">A rela\u00e7\u00e3o entre <strong>Travis<\/strong> e seu filho, <strong>Hunter<\/strong> (<strong>Hunter Carson<\/strong>), funciona como um fio delicado que costura a narrativa. Nesse reencontro hesitante, marcado por gestos m\u00ednimos e conversas fragmentadas, o filme revela sua ternura escondida. Mais do que um drama familiar, <strong><em data-start=\"1223\" data-end=\"1237\">Paris, Texas<\/em><\/strong> \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre o que resta depois do desgaste dos afetos, sobre a dificuldade de habitar o sil\u00eancio sem se perder nele.<\/p>\n<p data-start=\"1367\" data-end=\"1661\">O \u00e1pice chega no c\u00e9lebre di\u00e1logo entre <strong>Travis<\/strong> e <strong>Jane<\/strong> (<strong>Nastassja Kinski<\/strong>, <em>Tess<\/em>), separados por um vidro, unidos por uma verdade tardia. Ali, a melancolia encontra sua forma mais pura: n\u00e3o h\u00e1 reden\u00e7\u00e3o completa, mas h\u00e1 beleza na confiss\u00e3o, no reconhecimento do fracasso e na possibilidade de deixar o outro seguir em paz.<\/p>\n<p data-start=\"1663\" data-end=\"1985\"><strong><em data-start=\"1663\" data-end=\"1677\">Paris, Texas<\/em><\/strong> \u00e9 cinema que respira devagar, que exige entrega ao tempo, ao vazio e \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o. <strong>Wim Wenders<\/strong> nos entrega um dos mais belos filmes j\u00e1 feitos e tamb\u00e9m nos lembra que h\u00e1 grandeza nos instantes em que aparentemente nada acontece, porque \u00e9 ali que a vida pulsa de forma mais verdadeira. No fim, o filme prova, mais do que nunca \u2014 ainda mais com a nova vers\u00e3o remasterizada em 4K \u2014, que existe poesia e beleza na solid\u00e3o melanc\u00f3lica.<\/p>\n<p><iframe title=\"PARIS, TEXAS | Trailer Oficial Restaurado em 4K | 25 de setembro nos cinemas\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HsTgufq8kFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p data-start=\"1663\" data-end=\"1985\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0<\/strong>\u2018Manas\u2019 \u00e9 selecionado para representar o Brasil na 40\u00aa edi\u00e7\u00e3o dos Pr\u00eamios Goya, o \u2018Oscar espanhol\u2019<\/p>\n<div class=\"author-box clearfix mb-4\">\n<div class=\"d-flex align-items-center\">\n<div class=\"author-avatar\">\n        &#13;<br \/>\n          \n      <\/div>\n<div class=\"author-info ms-3\">\n<p><strong>Angelo Cordeiro<\/strong> \u00e9 rep\u00f3rter do n\u00facleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade S\u00e3o Judas, escreve sobre filmes desde 2014. Paulistano do bairro de Interlagos e fan\u00e1tico por F\u00f3rmula 1. Pisciano, mas n\u00e3o acredita em astrologia. S\u00e3o-paulino, pai de pet e cin\u00e9filo obcecado por listas\u00a0e\u00a0rankings.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/paris-texas-poesia-da-solidao-melancolica-um-dos-mais-belos-filmes-ja-feitos-critica\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos filmes conseguem traduzir em imagens aquilo que muitas vezes escapa \u00e0s palavras. Paris, Texas, de Wim Wenders (Asas do Desejo), \u00e9 um desses raros casos. A hist\u00f3ria de Travis (Harry Dean Stanton, Lucky), um homem que ressurge do deserto em estado quase espectral, vai muito al\u00e9m de reencontros familiares: \u00e9 um mergulho profundo no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":45822,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-45821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}