{"id":45112,"date":"2025-09-22T14:08:19","date_gmt":"2025-09-22T17:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/estamos-testemunhando-a-queda-do-imperio-americano\/"},"modified":"2025-09-22T14:08:19","modified_gmt":"2025-09-22T17:08:19","slug":"estamos-testemunhando-a-queda-do-imperio-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/estamos-testemunhando-a-queda-do-imperio-americano\/","title":{"rendered":"Estamos testemunhando a queda do imp\u00e9rio americano?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Mike Duncan<\/strong> sabe como os imp\u00e9rios caem. Ele j\u00e1 analisou alguns dos colapsos, revoltas e mudan\u00e7as de regime mais marcantes da hist\u00f3ria em seus podcasts <em>Revolutions e The History of Rome<\/em> \u2014 este \u00faltimo um gigante de 179 epis\u00f3dios e 73 horas que explora a trajet\u00f3ria da Rep\u00fablica e do Imp\u00e9rio Romano, do surgimento \u00e0 queda. Ele sabe como as coisas se parecem quando come\u00e7am a dar errado.<\/p>\n<p>Em 2025, para <strong>Duncan<\/strong>, est\u00e1 claro que o imp\u00e9rio americano, que dominou a geopol\u00edtica global no \u00faltimo s\u00e9culo, j\u00e1 passou do seu auge. Sob o governo <strong>Trump<\/strong>, a degrada\u00e7\u00e3o do ideal americano acelerou em alguns aspectos que s\u00f3 poderiam existir no contexto \u00fanico do momento atual \u2014 e em outros que espelham o previs\u00edvel, secular e repetitivo ciclo de ascens\u00e3o e decl\u00ednio do poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cTudo tem prazo de validade\u201d, diz <strong>Duncan<\/strong> \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>. \u201cTudo tem um ciclo de vida e, eventualmente, voc\u00ea entra em algum tipo de fase de decl\u00ednio. Os Estados Unidos ainda s\u00e3o enormemente poderosos; n\u00e3o estamos \u00e0 beira de desaparecer do quadro das grandes pot\u00eancias do planeta. Mas ser\u00e1 que esse neg\u00f3cio est\u00e1 se empurrando rumo a algum tipo de colapso terminal? \u00c9, com certeza parece que sim.\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como o lento desmoronamento do experimento americano se compara aos grandes decl\u00ednios e per\u00edodos revolucion\u00e1rios da hist\u00f3ria mundial? Ningu\u00e9m est\u00e1 mais bem posicionado para ler o cen\u00e1rio do que <strong>Duncan<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Comecemos por Roma. N\u00e3o d\u00e1 para falar de todos os 179 epis\u00f3dios, mas vamos a um breve resumo da queda da Rep\u00fablica e depois do Imp\u00e9rio.<\/strong><br \/>A queda da Rep\u00fablica soa muito mais pr\u00f3xima do que estamos vivendo agora. Ela tem a ver com o momento em que a Rep\u00fablica Romana surge, pela primeira vez, como a pot\u00eancia dominante no Mediterr\u00e2neo. E isso desencadeia um ciclo em que a desigualdade econ\u00f4mica come\u00e7a a crescer entre os romanos mais ricos e os mais pobres, levando a todo tipo de conflito social.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma guerra civil na pen\u00ednsula It\u00e1lica entre italianos que s\u00f3 querem cidadania para poder participar da sociedade da qual fazem parte e a velha guarda romana, que tenta resistir. \u00c0 medida que esses conflitos se intensificam, os pr\u00f3prios pol\u00edticos perdem qualquer senso de decoro ou limite sobre o que pode e deve ser feito para atingir seus objetivos.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea perde uma vota\u00e7\u00e3o ou uma elei\u00e7\u00e3o, como reage? Havia um consenso est\u00e1vel de que se aceitava a derrota. No mundo romano, os l\u00edderes pol\u00edticos e militares eram os mesmos. Ent\u00e3o, de repente, voc\u00ea tem l\u00edderes pol\u00edticos no comando de ex\u00e9rcitos inteiros, que passam a jog\u00e1-los uns contra os outros \u2014 e \u00e9 isso que leva, de fato, ao colapso da Rep\u00fablica Romana.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, nos Estados Unidos, temos enormes disparidades de riqueza e de renda, lutas sobre cidadania e sobre quem tem direito a participar da nossa pol\u00edtica, algo que est\u00e1 nos dilacerando. E temos pol\u00edticos que pensam: \u201cAh, perdi uma elei\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o vamos organizar uma insurrei\u00e7\u00e3o armada dentro do Capit\u00f3lio em 6 de janeiro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Depois que a Rep\u00fablica cai, o Imp\u00e9rio continua a existir por mais 500 anos.<\/strong><br \/>Quando a Rep\u00fablica virou Imp\u00e9rio, n\u00e3o foi como se Augusto dissesse: \u201cAgora eu sou o imperador e isto \u00e9 um imp\u00e9rio.\u201d Ainda havia elei\u00e7\u00f5es todo ano, ainda havia disputa entre as classes senatoriais para conquistar cargos e vencer essas elei\u00e7\u00f5es. Todo o aparato da Rep\u00fablica foi mantido como fachada. Apenas todo o poder foi absorvido em uma \u00fanica pessoa.<\/p>\n<p>Seria como se <strong>Trump<\/strong>, ou qualquer presidente, fosse ao mesmo tempo Presidente dos Estados Unidos, Presidente da C\u00e2mara, L\u00edder da Maioria no Senado e Chefe de Justi\u00e7a da Suprema Corte \u2014 que, ali\u00e1s, tivesse seu voto valendo mais que o de todos os outros ministros da Corte.<\/p>\n<p>De fora, ainda parecia que a Rep\u00fablica estava de p\u00e9. Se seguirmos esse caminho, continuaremos a ter congressos, Suprema Corte, um Presidente dos Estados Unidos, governadores, elei\u00e7\u00f5es \u2014 s\u00f3 que o que importa \u00e9 o que acontece por baixo dessa fachada. A fachada nunca vai desaparecer; a quest\u00e3o \u00e9 o qu\u00e3o fina, quase transparente, essa fachada \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Vamos nos aprofundar um pouco no papel das \u201celites\u201d aqui, no tipo de poder que elas t\u00eam para moldar um movimento.<\/strong><br \/>Por causa da forma como os recursos s\u00e3o distribu\u00eddos em nossa sociedade fundamentalmente desigual, pouqu\u00edssimas pessoas det\u00eam as cartas mais fortes em termos de riqueza e recursos diante de todo o resto da popula\u00e7\u00e3o. A legitimidade do governante e do sistema de governo \u2014 seja ele qual for \u2014 depende, em primeiro lugar, de apaziguar esses gigantescos detentores de capital, para manter o regime de p\u00e9.<\/p>\n<p>Se eles se afastam, s\u00e3o justamente essas pessoas que podem substituir o que existe por algo diferente \u2014 e \u00e9 muito dif\u00edcil fazer isso apenas com uma revolta camponesa. Revoltas camponesas sempre existiram ao longo da hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es. Elas tendem a se extinguir, acabando derrotadas ou contidas. Mas, se aqueles que controlam a riqueza, os recursos e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a superioridade militar do pa\u00eds se unem em oposi\u00e7\u00e3o, nada passa de uma rebeli\u00e3o ef\u00eamera. Por\u00e9m, se parte dessas elites resolve aderir, voc\u00ea passa a ter um influxo de capacidade material para derrubar o regime vigente.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 basicamente o que aconteceu na Revolu\u00e7\u00e3o Americana: a maioria dos pais fundadores estava entre as camadas mais ricas das col\u00f4nias.<\/strong><br \/>Pois \u00e9! Mas, por exemplo, na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, as coisas come\u00e7aram em parte por causa da agita\u00e7\u00e3o popular e dos levantes do povo, mas tamb\u00e9m porque havia um c\u00edrculo interno de membros da nobreza francesa que estavam completamente irritados com Lu\u00eds XVI. Eles queriam reformar o sistema e eram ambiciosos o bastante para tentar abrir caminho para o poder, usando o fervor popular como parte disso. O mesmo aconteceu na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, quando at\u00e9 membros da fam\u00edlia Romanov se voltaram contra o czar Nicolau II, certo? \u00c9 nesse ponto que voc\u00ea realmente consegue derrubar algu\u00e9m do poder. Eu adoraria saber o que estava acontecendo nos c\u00edrculos internos de, digamos, Bashar al-Assad quando ele foi expulso da S\u00edria. Quem foi que finalmente disse a ele que era hora de ir?<\/p>\n<p><strong>Trazendo isso de volta aos EUA, houve um momento logo ap\u00f3s o 6 de janeiro em que quase parecia que a elite republicana estava disposta a romper com Trump, e ele conseguiu reafirmar sua autoridade e puxar todos de volta. Como a captura de um partido \u2014 a submiss\u00e3o de sistemas inteiros \u2014 entra nessa equa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\u00c9 simplesmente um culto \u00e0 personalidade em sua forma mais cl\u00e1ssica. Parte partido pol\u00edtico, parte extens\u00e3o de uma \u00fanica pessoa, algo que j\u00e1 vimos repetidas vezes na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vai ser muito interessante ver o que acontece quando Trump finalmente morrer e o que ocorrer\u00e1 com esse movimento, o quanto ele realmente depende de seu status \u00fanico de celebridade, algo que nenhum outro membro do grupo possui. Se voc\u00ea tira isso, o que acontece com o movimento? Algu\u00e9m consegue entrar, substituir e se tornar o novo ponto central desse culto \u00e0 personalidade? N\u00e3o sei se algum deles tem for\u00e7a para isso.<\/p>\n<p><strong>Momentos assim s\u00e3o, em si, pontos de inflex\u00e3o. Mudando um pouco de assunto \u2014 o que voc\u00ea achou do filme Guerra Civil, da A24? Eu tenho dificuldade em imaginar aquele tipo de desfecho, mas fiquei curioso se trouxe algo \u00e0 sua mente.<\/strong><br \/>Fiz v\u00e1rias acrobacias mentais para que aquele filme fizesse sentido para mim. Mas cheguei l\u00e1 no fim. Voc\u00ea estava perguntando o que seria necess\u00e1rio para realmente haver uma revolu\u00e7\u00e3o desse tipo neste pa\u00eds, e o problema \u00e9 que eu n\u00e3o vejo isso acontecer. Simplesmente n\u00e3o vejo, de jeito nenhum.<\/p>\n<p>Todas as revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o, no fim das contas, guerras civis, certo? Nos EUA, h\u00e1 um lado nessa disputa que \u00e9 incrivelmente bem armado, como parte central de sua identidade cultural, e do outro lado h\u00e1 uma oposi\u00e7\u00e3o que, em compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. Toda a for\u00e7a, toda a for\u00e7a letal, parece realmente estar agora com a extrema direita fascista \u2014 o que \u00e9 p\u00e9ssimo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que os EUA continuam sendo o imp\u00e9rio global preeminente ou estamos em decl\u00ednio? A China parece estar ocupando os espa\u00e7os internacionais deixados pela reconfigura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es exteriores durante o governo Trump.<\/strong><br \/>Sim, o ponto m\u00e1ximo da influ\u00eancia americana no mundo j\u00e1 ficou para tr\u00e1s. Todos os imp\u00e9rios s\u00e3o transit\u00f3rios, certo? Se voc\u00ea sobe, inevitavelmente vai estagnar e cair. Ent\u00e3o prever que os Estados Unidos n\u00e3o seriam t\u00e3o poderosos no s\u00e9culo XXI quanto foram no s\u00e9culo XX era, na verdade, algo bem f\u00e1cil de dizer, porque as chances eram de que isso aconteceria.<\/p>\n<p>Muita gente, se voc\u00ea dissesse: \u201cOlha, os Estados Unidos v\u00e3o ser bem menos poderosos. Isso \u00e9 algo positivo ou negativo para o mundo?\u201d, responderia que \u00e9 algo positivo. Acho que isso vem um pouco de colocar os EUA demais no papel de vil\u00e3o supremo em compara\u00e7\u00e3o com outros sistemas, governos ou quem quer que seja.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 vil\u00f5es por toda parte.<\/strong><br \/>H\u00e1 muitos. E um mundo governado pelos Estados Unidos versus um mundo governado pela China \u2014 em termos de crimes contra a humanidade, n\u00famero de mortos e explora\u00e7\u00e3o \u2014 provavelmente seria mais ou menos a mesma coisa, se n\u00e3o pior, no caso da China.<\/p>\n<p>E isso remonta a George W. Bush, que fez muito para incendiar o \u201cpoder brando\u201d dos EUA e sua preemin\u00eancia global, porque queimamos muitas alian\u00e7as ao invadir o Iraque. Depois veio a corre\u00e7\u00e3o com Obama, e o mundo, naquele ponto, pensou: \u201cOK, voc\u00eas enlouqueceram por uns 10 anos, mas agora est\u00e3o de volta. Estamos dispostos a seguir com voc\u00eas.\u201d Obama era um cara muito voltado para uma ordem internacional baseada em regras. Era algo como: \u201cN\u00e3o colocaremos tropas em solo. Vamos apenas matar pessoas do c\u00e9u.\u201d<\/p>\n<p><strong>Temos essas coisas novas. Elas se chamam drones.<\/strong><br \/>Isso nos livra de nossa responsabilidade moral. Mas os europeus e o restante do mundo, acho, estavam prontos para voltar a confiar em n\u00f3s \u2014 e ent\u00e3o elegemos Trump. Agora, o resto do mundo olha para um pa\u00eds que, dependendo de como for a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o manter\u00e1 nenhum dos compromissos assumidos, seja em tratados, seja em acordos comerciais. Somos simplesmente imprevis\u00edveis. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o racional para fazer acordos de longo prazo com os Estados Unidos ou contar com eles de qualquer forma.<\/p>\n<p>O segundo ponto de tudo isso: ainda somos incrivelmente ricos, mas incrivelmente ricos mesmo. Temos tanta riqueza, poder e recursos que, mesmo sendo um gigante est\u00fapido e pouco confi\u00e1vel, continuamos sendo um gigante est\u00fapido \u2014 e, por isso, estamos presentes e influentes em tudo, de qualquer maneira.<\/p>\n<p><strong>A queda de Roma foi t\u00e3o idiota assim? Isso \u00e9 algo muito s\u00e9rio, mas \u00e0s vezes parece profundamente est\u00fapido.<\/strong><br \/>N\u00e3o acho que tenha sido t\u00e3o idiota. Pensei muito sobre isso. Primeiro: idiota para quem? Porque a maioria das pessoas, na \u00e9poca romana, era analfabeta e totalmente desconectada das not\u00edcias do mundo. Noventa por cento das pessoas eram apenas camponeses, analfabetos, vivendo em suas vilas e, portanto, sem saber o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>No final do Imp\u00e9rio, a sede do poder tinha se mudado de Roma para Mil\u00e3o \u2014 mais perto dos campos de batalha \u2014 e depois de Mil\u00e3o para Ravena, porque Ravena \u00e9 cercada por p\u00e2ntanos e \u00e1gua, o que a tornava fisicamente dif\u00edcil de alcan\u00e7ar. Isso, na pr\u00e1tica, isolou bastante a corte imperial de todo o resto que acontecia ao redor.<\/p>\n<p>Dentro desses c\u00edrculos, havia uma esp\u00e9cie de miopia cultista em torno daqueles imperadores-crian\u00e7a que comandavam as coisas. Talvez, se f\u00f4ssemos at\u00e9 l\u00e1 e olh\u00e1ssemos em volta, dir\u00edamos: \u201cIsso \u00e9 bem idiota. Voc\u00eas est\u00e3o agindo de maneira bem idiota.\u201d<\/p>\n<p>Talvez fosse realmente t\u00e3o idiota, mas ningu\u00e9m saberia. Nossa maldi\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 que, por causa da alfabetiza\u00e7\u00e3o em massa, da educa\u00e7\u00e3o em massa e da comunica\u00e7\u00e3o em massa, somos expostos a cada coisa est\u00fapida que essas pessoas fazem \u2014 e estamos todos extremamente cientes de todas as tolices que elas cometem para desmontar uma sociedade que era, basicamente, perfeitamente funcional.<\/p>\n<p>Mas o ponto principal que eu queria destacar \u00e9 que existe um certo tipo de pessoa na hist\u00f3ria: o \u201cfavorito da corte\u201d. Voc\u00ea tem um rei ou uma rainha que se encanta por um cavalari\u00e7o, um ator, uma mulher com quem decide dormir, ou um homem. E, por serem o favorito da corte, de repente s\u00e3o nomeados Secret\u00e1rio de Estado, e todos os outros nobres do reino ficam se perguntando: \u201cPor que esse cara \u00e9 secret\u00e1rio? Por que ele vai negociar com os Habsburgo?\u201d E o sujeito \u00e9 um idiota, \u00e9 incompetente, e normalmente acaba expulso, assassinado ou decapitado, porque est\u00e1 completamente fora de sua capacidade.<\/p>\n<p>O que nosso governo atualmente pressup\u00f5e \u00e9: \u201cE se todo mundo que governa fosse um favorito da corte?\u201d No n\u00edvel de favorito da corte: capacidade, intelig\u00eancia, no\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo, ideias realmente boas \u2014 eles n\u00e3o t\u00eam nada disso. Nosso governo inteiro \u00e9 dirigido por favoritos da corte. Em vez de haver apenas uma pessoa bagun\u00e7ando tudo, \u00e9 literalmente todo mundo.<\/p>\n<p><strong>Como seria a fase terminal?<\/strong><br \/>Bem, no podcast Revolutions, desenvolveu-se toda uma teoria: a \u201cGrande Teoria do Idiota\u201d das Revolu\u00e7\u00f5es. Seria como o oposto da teoria do \u201cgrande homem\u201d da hist\u00f3ria. Mas, nesses casos, o que vejo repetidamente s\u00e3o governos que se tornam incompetentes, que cometem erros, que tentam impor coisas t\u00e3o impopulares que o povo se levanta contra elas.<\/p>\n<p>Falta gente nos c\u00edrculos internos de decis\u00e3o que tenha qualquer tipo de vis\u00e3o de longo prazo ou habilidade para lidar com pol\u00edtica, para manipular pessoas. Eles simplesmente fazem coisas que irritam a popula\u00e7\u00e3o. Um governo bem administrado n\u00e3o sofre revolu\u00e7\u00e3o. Um governo bem administrado n\u00e3o provoca revolta. Um governo bem administrado continua a existir.<\/p>\n<p>\u00c9 quando o aparato n\u00e3o consegue mais se adaptar \u00e0s circunst\u00e2ncias presentes que surge o perigo de ser completamente derrubado. E, se temos um aparato como o que temos hoje, que talvez n\u00e3o esteja \u00e0 altura do momento e, na verdade, est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o oposta, ent\u00e3o esse \u00e9 o tipo de incompet\u00eancia que leva a uma convuls\u00e3o social total e completa.<\/p>\n<p><strong>Os EUA j\u00e1 passaram do ponto sem volta?<\/strong><br \/>N\u00e3o sei. Posso dizer que sou, por natureza, um otimista. Tenho algo como a aposta de Pascal com a esperan\u00e7a e o otimismo: provavelmente \u00e9 melhor agir como se a esperan\u00e7a pudesse existir do que simplesmente dizer que ela n\u00e3o existe e que estamos condenados. Ent\u00e3o, minha resposta oficial \u00e9: n\u00e3o estamos condenados, e h\u00e1 sa\u00eddas, porque sempre h\u00e1 sa\u00eddas. Somos macaquinhos engenhosos e criativos, conseguimos escapar de enrascadas. J\u00e1 escapamos antes. Talvez consigamos escapar desta.<\/p>\n<p>Eu odiaria que a li\u00e7\u00e3o fosse que n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a e que estamos simplesmente perdidos. O fato de as coisas parecerem muito ruins e de poderem terminar mal n\u00e3o significa que v\u00e3o, de fato, terminar mal. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade, e sempre existem maneiras de lutar e reverter o curso dos acontecimentos.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Woody Allen relembra experi\u00eancia ao dirigir Donald Trump: \u2018Educado e profissional\u2019<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/politica\/estamos-testemunhando-a-queda-do-imperio-americano\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mike Duncan sabe como os imp\u00e9rios caem. 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