{"id":44962,"date":"2025-09-20T22:24:17","date_gmt":"2025-09-21T01:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/vazio-que-custa-bilhoes-ao-brasil\/"},"modified":"2025-09-20T22:24:17","modified_gmt":"2025-09-21T01:24:17","slug":"vazio-que-custa-bilhoes-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/vazio-que-custa-bilhoes-ao-brasil\/","title":{"rendered":"vazio que custa bilh\u00f5es ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil enfrenta uma crise silenciosa e custosa: mais de 10 milh\u00f5es de jovens entre 18 e 24 anos \u2013 um em cada quatro \u2013 est\u00e3o fora do mercado de trabalho e n\u00e3o estudam, compondo a &#8220;gera\u00e7\u00e3o nem-nem&#8221;.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Enquanto a m\u00e9dia mundial de jovens que pertencem \u00e0 gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; gira em torno de 15% e pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) mant\u00eam o \u00edndice em 13%, o Brasil amarga 24% da popula\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria completamente fora do mercado produtivo. Os dados foram divulgados pela organiza\u00e7\u00e3o na semana passada.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Essa inatividade de alto custo n\u00e3o apenas drena bilh\u00f5es da economia anualmente em produtividade e arrecada\u00e7\u00e3o, como compromete o futuro desses jovens, lan\u00e7ando-os em um estado de vulnerabilidade e afastando o pa\u00eds dos padr\u00f5es de desenvolvimento da OCDE.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Algum progresso vem sendo realizado pelo Brasil. Saindo de 30% de jovens nem-nem em 2019 para os atuais 24%, a velocidade dessa melhoria \u00e9, contudo, insuficiente diante da urg\u00eancia do problema.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A dist\u00e2ncia de dez pontos percentuais da m\u00e9dia da OCDE representa uma gera\u00e7\u00e3o inteira perdendo oportunidades de forma\u00e7\u00e3o de capital humano no per\u00edodo mais cr\u00edtico para definir trajet\u00f3rias profissionais e contribui\u00e7\u00f5es produtivas \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A disparidade de g\u00eanero agrava o cen\u00e1rio. Enquanto pa\u00edses da OCDE registram taxas similares entre homens e mulheres, o Brasil apresenta 29% das jovens mulheres na condi\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221;, enquanto entre os homens o \u00edndice \u00e9 de 19%. Essa diferen\u00e7a indica que responsabilidades familiares e culturais erguem barreiras que afastam as mulheres da educa\u00e7\u00e3o e do mercado de trabalho de forma desproporcional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Independentemente do g\u00eanero, a situa\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; compromete trajet\u00f3rias profissionais permanentemente para esses jovens. Eles enfrentam dificuldades para conseguir emprego formal, recebem remunera\u00e7\u00e3o menor e correm risco de marginaliza\u00e7\u00e3o social. Para a economia, isso acarreta perda de produtividade, menor arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e forte press\u00e3o sobre sistemas de assist\u00eancia social.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Lacuna educacional freia o Brasil: gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; reflete defici\u00eancia<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O problema causado pela gera\u00e7\u00e3o &#8220;nem-nem&#8221; reflete defici\u00eancias profundas no sistema educacional brasileiro, com impactos diretos na produtividade e distribui\u00e7\u00e3o de renda do pa\u00eds. No Brasil, 27% dos jovens adultos (25-34 anos) n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio em 2023, quase o dobro da OCDE.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Essa lacuna educacional gera consequ\u00eancias estruturais: apenas 64% dos jovens sem ensino m\u00e9dio est\u00e3o empregados, contra 75% dos que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Al\u00e9m disso, 59% dos trabalhadores sem ensino m\u00e9dio recebem menos da metade da renda mediana do Brasil, comparado a apenas 28% na OCDE, evidenciando grande desigualidade salarial.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">Ensino t\u00e9cnico cresce, mas est\u00e1 distante de padr\u00f5es da Am\u00e9rica Latina<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O ensino t\u00e9cnico, fundamental para o desenvolvimento de m\u00e3o de obra especializada, cresceu de 8% para 14% dos alunos do ensino m\u00e9dio entre 2013 e 2023, mas ainda representa um ter\u00e7o da m\u00e9dia da OCDE e \u00e9 inferior \u00e0 de outros pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">As reformas do Novo Ensino M\u00e9dio buscaram flexibilizar a educa\u00e7\u00e3o vocacional, por\u00e9m o caminho para resultados mais ambiciosos permanece longo, aponta a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h3__xSAn9\">S\u00f3 um em cada quatro jovens adultos tem faculdade<\/h3>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os desafios, contudo, n\u00e3o se limitam ao ensino m\u00e9dio. A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 problem\u00e1tica no ensino superior. Apenas 24% dos jovens adultos t\u00eam essa qualifica\u00e7\u00e3o, menos da metade do \u00edndice verificado nos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Tr\u00eas quartos dos que entram em faculdades e universidades no Brasil tiraram pelo menos um ano sab\u00e1tico (<em>gap year<\/em>) entre o ensino m\u00e9dio e a universidade, um n\u00famero bem acima da m\u00e9dia de 44% da OCDE. Embora possa ter benef\u00edcios individuais, essa situa\u00e7\u00e3o levanta quest\u00f5es sobre o planejamento e a transi\u00e7\u00e3o para a vida acad\u00eamica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outras preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas ao ensino superior est\u00e3o relacionadas ao tempo de conclus\u00e3o. Apenas 38% dos estudantes conclu\u00edram a faculdade no tempo m\u00ednimo. Mesmo com tr\u00eas anos adicionais, essa taxa sobe para 49%, enquanto na OCDE, as taxas s\u00e3o de 43% e 70, respectivamente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A evas\u00e3o no primeiro ano de cursos de bacharelado no Brasil \u00e9 de 25%, quase o dobro da m\u00e9dia da OCDE (13%). Isso pode indicar uma desconex\u00e3o entre as expectativas dos alunos e a realidade dos cursos, talvez por falta de orienta\u00e7\u00e3o vocacional ou de apoio adequado aos calouros.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Apenas 1% dos jovens adultos tem mestrado, muito abaixo da m\u00e9dia de 16% da OCDE. A falta de profissionais com forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada pode limitar a inova\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento em \u00e1reas estrat\u00e9gicas do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O ensino superior no Brasil oferece um retorno financeiro significativamente alto, comparativamente aos pa\u00edses da OCDE. No Brasil, trabalhadores com esse n\u00edvel educacional ganhavam, em m\u00e9dia, 148% mais que os que tinham ensino m\u00e9dio completo em 2023. Nos pa\u00edses que fazem parte da organiza\u00e7\u00e3o, essa diferen\u00e7a \u00e9 de 54%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A OCDE aponta que essa disparidade salarial no Brasil revela tanto a valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o quanto a alta desigualdade no pa\u00eds.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Investimento educacional total supera o da OCDE, mas por aluno \u00e9 muito inferior<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os dados da OCDE mostram que o Brasil enfrenta um problema educacional que revela muito sobre os desafios estruturais do pa\u00eds: apesar de destinar uma parcela significativa de seu PIB \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u2014 superior \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses desenvolvidos \u2014, o investimento por aluno permanece dramaticamente baixo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Brasil destina 4,3% de sua economia ao financiamento p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o (fundamental ao superior), superando a m\u00e9dia de 3,6% da OCDE. Mas o gasto p\u00fablico anual por aluno, excluindo pesquisa e desenvolvimento, \u00e9 de apenas US$ 3.762, representando cerca de um ter\u00e7o da m\u00e9dia da OCDE, que investe US$ 15.102 por estudante.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O alto percentual do PIB comparativamente ao baixo gasto por aluno aponta para um problema estrutural: a dilui\u00e7\u00e3o do investimento pela grande popula\u00e7\u00e3o estudantil brasileira.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Agravando esse cen\u00e1rio, os dados revelam uma tend\u00eancia preocupante. Entre 2015 e 2021, o gasto p\u00fablico em educa\u00e7\u00e3o no Brasil diminuiu 2,5% ao ano, contrastando com o aumento anual de 2,1% registrado na OCDE no mesmo per\u00edodo. Simultaneamente, a participa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento governamental encolheu de 11% para 10,6%, sinalizando uma perda de prioridade pol\u00edtica do setor.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Alguns indicadores, entretanto, v\u00eam melhorando nos \u00faltimos anos. As matr\u00edculas de crian\u00e7as de at\u00e9 dois anos aumentaram de 16% para 25% do total, mesmo considerando que a gratuidade da educa\u00e7\u00e3o infantil come\u00e7a aos quatro anos. Mesmo com crescimento, os n\u00fameros s\u00e3o baixos para os padr\u00f5es da OCDE.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No \u00faltimo ano antes do ensino fundamental, 90% das crian\u00e7as brasileiras est\u00e3o matriculadas, \u00edndice ligeiramente inferior aos 96% da OCDE.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outro indicador favor\u00e1vel ao Brasil \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no tamanho das salas: a m\u00e9dia de 20 alunos por turma em 2023 representa redu\u00e7\u00e3o de tr\u00eas estudantes desde 2013. Contudo, a carga hor\u00e1ria brasileira de 800 horas anuais no ensino fundamental permanece inferior aos padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Nos pa\u00edses da OCDE, a m\u00e9dia no fundamental I (equivalente at\u00e9 o quinto ano no Brasil) \u00e9 de 804 horas, e no fundamental II (do sexto ao nono ano) \u00e9 de 909 horas.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/geracao-nem-nem-brasil-custo-economia\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil enfrenta uma crise silenciosa e custosa: mais de 10 milh\u00f5es de jovens entre 18 e 24 anos \u2013 um em cada quatro \u2013 est\u00e3o fora do mercado de trabalho e n\u00e3o estudam, compondo a &#8220;gera\u00e7\u00e3o nem-nem&#8221;. 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