{"id":40930,"date":"2025-08-30T09:26:15","date_gmt":"2025-08-30T12:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/metallica-conquista-e-destroi-os-hamptons-no-menor-show-em-10-anos\/"},"modified":"2025-08-30T09:26:15","modified_gmt":"2025-08-30T12:26:15","slug":"metallica-conquista-e-destroi-os-hamptons-no-menor-show-em-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/metallica-conquista-e-destroi-os-hamptons-no-menor-show-em-10-anos\/","title":{"rendered":"Metallica conquista e destr\u00f3i os Hamptons no menor show em 10 anos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Olha, n\u00e3o \u00e9 como se o <strong>Metallica<\/strong> tivesse qualquer semelhan\u00e7a com aqueles ador\u00e1veis encrenqueiros de 20 e poucos anos que aterrorizavam a <strong>Bay Area<\/strong> e al\u00e9m. Hoje, todos est\u00e3o na casa dos sessenta, mais calmos, mais gentis e, presumivelmente, absurdamente ricos \u2014 deuses do rock que voc\u00ea facilmente imaginaria como os vizinhos exc\u00eantricos e deslocados em um enclave ridiculamente rico como os Hamptons. A Wikip\u00e9dia at\u00e9 tenta disfar\u00e7ar, descrevendo os cerca de 80 km da regi\u00e3o como \u201cum famoso resort \u00e0 beira-mar e uma das col\u00f4nias de ver\u00e3o hist\u00f3ricas do nordeste dos Estados Unidos\u201d. Tecnicamente, isso est\u00e1 certo \u2014 do mesmo jeito que dizer que <strong>LeBron James<\/strong> \u00e9 um \u201cjogador popular de basquete bom em marcar pontos\u201d est\u00e1. Mas os sinais de ostenta\u00e7\u00e3o encontrados em v\u00e1rias \u00e1reas daqui \u2014 do tipo \u201csai da frente, salada de lagosta de 100 d\u00f3lares\u201d para \u201caqui nos Hamptons, esses mel\u00f5es custam 400 d\u00f3lares\u201d \u2014 chegam a um n\u00edvel de par\u00f3dia que nem <strong>Christopher Guest<\/strong> conseguiria imaginar.<\/p>\n<p>Por isso, quando a banda sobe ao palco de uma tenda gigante atr\u00e1s do <strong>Stephen Talkhouse<\/strong>, em Amagansett, na noite de quinta, 28, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o imaginar um universo paralelo no qual os pioneiros do thrash \u2014 que um dia chutaram portas de hot\u00e9is \u2014 agora passam os ver\u00f5es por aqui, ao lado de moradores famosos como <strong>Billy Joel<\/strong>, <strong>Jay-Z<\/strong> e <strong>Paul McCartney<\/strong> (este \u00faltimo, inclusive, curtindo o show na lateral do palco). Nesse mundo alternativo, d\u00e1 para imaginar o <strong>Lars<\/strong> degustando um <strong>Chardonnay<\/strong> da <strong>Wolffer Estate<\/strong> no <strong>Hampton Classic Horse Show<\/strong>. O <strong>Robert<\/strong>, alguns metros dali, tomando algo chamado \u201c<strong>Heavy Metal Detox Smoothie<\/strong>\u201d em um restaurante natureba local (com p\u00f3 de suco de grama de cevada, alga atl\u00e2ntica org\u00e2nica e spirulina \u2014 os mesmos \u201ccombust\u00edveis\u201d, presumo, que alimentaram bandas como <strong>Exodus<\/strong> e <strong>Venom<\/strong>). O <strong>Kirk<\/strong>, folheando a revista <em>Modern Luxury Hamptons<\/em> a caminho da loja de roupas das g\u00eameas <strong>Olsen<\/strong>. E o <strong>James<\/strong>, atravessando a rua at\u00e9 a charmosa <strong>Amagansett Square<\/strong>, comprando ghee de leite de cabra (US$ 19,95 o pote), mel de ac\u00e1cia com trufas brancas org\u00e2nicas (US$ 18,95 o pote) e, seja l\u00e1 o que for, um tal de \u201cmushroom mocha milk\u201d (US$ 34,95 o pacote) no mercado local. No quintal deles, por assim dizer, est\u00e1 o palco improvisado para 500 pessoas \u2014 o menor show que a banda fez em quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Para encontrar um show t\u00e3o pequeno quanto esse, seria preciso voltar a 2016 ou, literalmente, \u00e0 Ant\u00e1rtida. Eles vieram comemorar o <strong>Maximum Metallica<\/strong>, um novo canal de m\u00fasica 24 horas dedicado \u00e0 banda, que estreia nesta sexta-feira na <em>SiriusXM<\/em>. (A empresa j\u00e1 fez eventos parecidos aqui com <strong>Coldplay<\/strong>, <strong>Dave Matthews<\/strong>, <strong>Ed Sheeran<\/strong> e <strong>Mumford &amp; Sons<\/strong>. Todos, claramente, com a mesma energia \u201c<strong>Heavy Metal Detox Smoothie<\/strong>\u201d.) \u201cO local deste show n\u00e3o \u00e9 o t\u00edpico espa\u00e7o de show do <strong>Metallica<\/strong>\u201d, avisa o site oficial da banda \u2014 e n\u00e3o \u00e9 exagero.<\/p>\n<p>\u00c0 minha frente, f\u00e3s hardcore que viajam pelo mundo para ver o maior n\u00famero poss\u00edvel de apresenta\u00e7\u00f5es se aglomeram na grade. \u00c0 esquerda, <strong>Howard<\/strong> e <strong>Beth Ostrosky Stern<\/strong> cumprimentam <strong>Michael J. Fox<\/strong>, enquanto o baterista do <strong>Red Hot Chili Peppers<\/strong>, <strong>Chad Smith<\/strong>, e o lutador <strong>Chris Jericho<\/strong> circulam por perto. (<strong>Colin Jost<\/strong>, <strong>Sylvester Stallone<\/strong> e <strong>Andy Cohen<\/strong> tamb\u00e9m est\u00e3o por ali, cada um no seu canto, embora eu prefira imaginar os tr\u00eas trocando suas lembran\u00e7as favoritas de <em><strong>Cliff \u2019Em All<\/strong><\/em>.)<\/p>\n<p>\u00c0 direita, a ex-integrante do <em><strong>SNL <\/strong><\/em><strong>Heidi Gardner<\/strong> assiste discretamente ao show, enquanto, atr\u00e1s de mim, tr\u00eas mulheres de vestidos de coquetel \u2014 socialites dos <strong>Hamptons<\/strong> ou cosplayers de <strong>Real Housewives<\/strong>, dif\u00edcil dizer \u2014 passeiam por ali, j\u00e1 que este \u00e9 \u201co show da temporada\u201d. Isso sem contar a apari\u00e7\u00e3o de <strong>Topper Mortimer<\/strong>, ex-marido de uma <strong>Housewife<\/strong> de verdade. Mas vamos ao show.<\/p>\n<p>Definitivamente, n\u00e3o \u00e9 um lugar comum para o <strong>Metallica<\/strong>. Mas, ao longo de 95 minutos, a banda equilibra o surrealismo da ocasi\u00e3o tocando os cl\u00e1ssicos \u2014 nove das 13 m\u00fasicas do set est\u00e3o entre as mais executadas da carreira, com \u201c<strong>Whiskey in the Jar<\/strong>\u201d sendo o \u00fanico \u201clado B\u201d de verdade. E isso n\u00e3o \u00e9 uma reclama\u00e7\u00e3o: os caras pareciam revigorados por tocar num espa\u00e7o t\u00e3o \u00edntimo. \u201cIsso lembra os dias de clube, quando fic\u00e1vamos todos suados e empolgados\u201d, disse <strong>James Hetfield<\/strong>, arrancando rugidos da plateia antes de emendar a explosiva \u201c<strong>Fuel<\/strong>\u201d. \u201cBem perto, pessoal. Todo mundo se divertindo. Super alto. Todo mundo se sentindo seguro e como se fizesse parte disso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa nossa \u00e9poca, a gente n\u00e3o conseguiu ver eles em shows de clube\u201d, contou \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> o superf\u00e3 <strong>Austin Manning<\/strong>, antes do show. Ao lado de dezenas de f\u00e3s que chegaram \u00e0s seis da manh\u00e3 para garantir um bom lugar, ele comentou: \u201cA gente n\u00e3o viu eles com o [<em>baixista<\/em>] <strong>Cliff<\/strong> [<em><strong>Burton<\/strong>, que morreu em 1986<\/em>]. Nossa experi\u00eancia sempre foi festival, arena, est\u00e1dio. Isso aqui \u00e9 o mais perto que vou chegar de um show old school.\u201d <strong>Manning<\/strong>, que j\u00e1 foi a mais de 80 apresenta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 aparece em um document\u00e1rio aprovado pela pr\u00f3pria banda, chegou na cidade na quarta \u00e0 noite \u2014 e, por sorte, esbarrou com <strong>Hetfield<\/strong> em um restaurante local. Segundo ele, o vocalista comentou, rindo, sobre a situa\u00e7\u00e3o surreal: \u201c\u00c9 bom ver um rosto conhecido por aqui.\u201d<\/p>\n<p>No palco, por\u00e9m, <strong>Hetfield<\/strong> deixou a m\u00fasica falar mais alto, com exce\u00e7\u00e3o de uma divertida provoca\u00e7\u00e3o antes de \u201c<strong>For Whom the Bell Tolls<\/strong>\u201d \u2014 \u201cHoje vai ser alto. Os vizinhos v\u00e3o saber quem t\u00e1 aqui\u201d \u2014 e uma introdu\u00e7\u00e3o engra\u00e7ada antes de \u201c<strong>Sad But True<\/strong>\u201d: \u201cAcho que voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o gostar muito da pr\u00f3xima m\u00fasica, mas a gente vai tocar mesmo assim. Ela \u00e9 boa. Um pouco pesada, mas boa.\u201d<\/p>\n<p>O guitarrista <strong>Kirk Hammett<\/strong> e o baixista <strong>Robert Trujillo<\/strong> fizeram seu tradicional \u201cdoodle\u201d da noite, desta vez dedicando-o a \u201c<strong>Crazy Train<\/strong>\u201d, do <strong>Ozzy Osbourne<\/strong> \u2014 um dos momentos mais aplaudidos do show. E os \u00faltimos quatro hinos \u2014 \u201c<strong>Seek and Destroy<\/strong>\u201d, \u201c<strong>One<\/strong>\u201d, \u201c<strong>Master of Puppets<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Enter Sandman<\/strong>\u201d \u2014 esmagaram a plateia com a mesma intensidade de quando foram lan\u00e7ados d\u00e9cadas atr\u00e1s. (Ali\u00e1s, para o f\u00e3 adolescente perto de mim que ligou para a m\u00e3e s\u00f3 para ela ouvir \u201c<strong>Enter Sandman<\/strong>\u201d: voc\u00eas dois s\u00e3o incr\u00edveis.)<\/p>\n<p>Embora o setlist possa ter sido pensado para um p\u00fablico mais casual, os superf\u00e3s sa\u00edram felizes. <strong>Camila Guerrero Diaz<\/strong> \u00e9 conhecida entre os devotos da banda como uma das f\u00e3s mais dedicadas do <strong>Metallica<\/strong>, tendo ido a cerca de 180 shows, ostentando v\u00e1rias tatuagens da banda e recebendo cumprimentos pessoais de <strong>Lars<\/strong> na maioria das apresenta\u00e7\u00f5es. Ela trabalha em um acampamento de minera\u00e7\u00e3o no sul da Austr\u00e1lia, em \u201cum lugar remoto ao qual s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel chegar de avi\u00e3o\u201d. Quando a equipe da banda a convidou para o show h\u00e1 tr\u00eas semanas, a decis\u00e3o foi f\u00e1cil. Ela \u201cvoltou para a civiliza\u00e7\u00e3o\u201d e pegou mais tr\u00eas voos \u2014 de Adelaide para Auckland, de Auckland para Houston e de Houston para Nova York \u2014 para estar presente. \u201cAs \u00faltimas 24 horas da minha vida foram passadas no ar\u201d, contou. Na sexta, ela faria tudo de novo para voltar para casa. (Ali\u00e1s, essa nem de longe foi a maior dist\u00e2ncia que ela percorreu para ver a banda. Esse t\u00edtulo vai para as 63 horas que passou em um barco para ser uma das poucas sortudas a assistir ao <strong>Metallica<\/strong> tocar na Ant\u00e1rtida, em 2013. \u201cO cheiro que sa\u00eda do ralo era horr\u00edvel, porque todo mundo estava passando mal no barco\u201d, ela lembra. \u201cMas valeu a pena.\u201d)<\/p>\n<p>E para onde a banda vai a partir daqui? Circulam rumores sobre o interesse do grupo em fazer uma resid\u00eancia no <strong>Las Vegas Sphere<\/strong>, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se isso tem fundamento ou se \u00e9 mais um desejo dos f\u00e3s. Por enquanto, no entanto, o improv\u00e1vel casamento entre os pioneiros do thrash e a elite abastada dos Hamptons aconteceu de forma perfeita. E talvez, s\u00f3 talvez, amanh\u00e3 um roqueiro de bigode em forma de ferradura, olhar endurecido e voz grave saia discretamente de um mercado local carregando seu mushroom mocha milk para casa.<\/p>\n<h2>Abaixo, veja o setlist do Metallica no Stephen Talkhouse:<\/h2>\n<p>1. \u201cCreeping Death\u201d<br \/>2. \u201cFor Whom the Bell Tolls\u201d<br \/>3. \u201cWherever I May Roam\u201d<br \/>4. \u201cKirk and Rob Doodle\u201d (Ozzy Osbourne\u2019s \u201cCrazy Train\u201d) <br \/>5. \u201cFuel\u201d<br \/>6. \u201cFade to Black\u201d<br \/>7. \u201cSad but True\u201d<br \/>8. \u201cThe Unforgiven\u201d<br \/>9. \u201cWhiskey in the Jar\u201d <br \/>10. \u201cNothing Else Matters\u201d<br \/>11. \u201cSeek &amp; Destroy\u201d<br \/>12. \u201cOne\u201d<br \/>13. \u201cMaster of Puppets\u201d<br \/>14. \u201cEnter Sandman\u201d<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Ap\u00f3s \u2018Stranger Things\u2019, a novidade que pode fazer cl\u00e1ssico do Metallica ressurgir<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/metallica-conquista-e-destroi-os-hamptons-no-menor-show-em-10-anos\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olha, n\u00e3o \u00e9 como se o Metallica tivesse qualquer semelhan\u00e7a com aqueles ador\u00e1veis encrenqueiros de 20 e poucos anos que aterrorizavam a Bay Area e al\u00e9m. 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