{"id":39934,"date":"2025-08-26T16:19:30","date_gmt":"2025-08-26T19:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/riscos-modificaveis-estao-associados-a-quase-60-dos-casos-de-demencia\/"},"modified":"2025-08-26T16:19:30","modified_gmt":"2025-08-26T19:19:30","slug":"riscos-modificaveis-estao-associados-a-quase-60-dos-casos-de-demencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/riscos-modificaveis-estao-associados-a-quase-60-dos-casos-de-demencia\/","title":{"rendered":"Riscos modific\u00e1veis est\u00e3o associados a quase 60% dos casos de dem\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Fatores de risco modific\u00e1veis foram\u00a0associados a quase 60% dos casos de dem\u00eancia no Brasil por\u00a0um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Segundo os pesquisadores, as\u00a0<strong>tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis com maior impacto s\u00e3o<\/strong>:<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1655903&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<ul>\n<li>baixa escolaridade no in\u00edcio da vida,<\/li>\n<li>perda da capacidade visual n\u00e3o tratada,\u00a0<\/li>\n<li>depress\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Os fatores de risco modific\u00e1veis s\u00e3o aqueles que podem ser evitados ou atenuados\u00a0por pol\u00edticas p\u00fablicas, interven\u00e7\u00f5es\u00a0de sa\u00fade\u00a0ou iniciativas\u00a0individuais de preven\u00e7\u00e3o. Isso os diferencia\u00a0do envelhecimento e da predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, por exemplo, que tamb\u00e9m influenciam na incid\u00eancia da doen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>Estudos populacionais mais recentes, do Relat\u00f3rio Nacional sobre a Dem\u00eancia, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, estimam que <strong>entre 12,5% e 17,5% da popula\u00e7\u00e3o idosa no Brasil tenham alguma forma da doen\u00e7a<\/strong>, que se torna mais importante conforme aumenta o\u00a0percentual de brasileiros nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Estrat\u00e9gias de sa\u00fade p\u00fablica podem levar a redu\u00e7\u00f5es mais substanciais e equitativas na preval\u00eancia e na incid\u00eancia da doen\u00e7a e devem ser priorizadas, com foco especial no acesso educacional desde a inf\u00e2ncia, no cuidado oftalmol\u00f3gico acess\u00edvel e na amplia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade mental, sobretudo para popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade&#8221;, concluem os pesquisadores, em artigo publicado este m\u00eas na sess\u00e3o <em>Regional Health Americas<\/em>, da revista cient\u00edfica <em>The Lancet<\/em>.<\/p>\n<p>&gt;&gt; Siga o canal da <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>no WhatsApp<\/p>\n<p><strong>A pesquisa estimou a contribui\u00e7\u00e3o de cada um dos 14 fatores de risco modific\u00e1veis para a dem\u00eancia<\/strong>, utilizando dados do Estudo Longitudinal da Sa\u00fade dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz). A soma de todos eles pode ser associada a 59,5% dos casos de dem\u00eancia, propor\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia mundial, que \u00e9 de 45%.<\/p>\n<h2>Fatores de risco modific\u00e1veis<\/h2>\n<p><strong>A baixa escolaridade na fase inicial da vida foi o fator modific\u00e1vel com a maior porcentagem de associa\u00e7\u00e3o a casos de dem\u00eancia,\u00a09,5% de casos<\/strong>;\u00a0seguida pela perda visual na velhice, com 9,2%;\u00a0e pela depress\u00e3o na meia-idade com 6,3%.<\/p>\n<p><strong>Os outros 11 fatores modific\u00e1veis que aumentam o risco de dem\u00eancia, segundo a pesquisa, s\u00e3o: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>isolamento social;<\/li>\n<li>polui\u00e7\u00e3o do ar;<\/li>\n<li>traumatismo cranioencef\u00e1lico;<\/li>\n<li>hipertens\u00e3o arterial;<\/li>\n<li>diabetes;<\/li>\n<li>obesidade;<\/li>\n<li>falta de atividade f\u00edsica;<\/li>\n<li>tabagismo;<\/li>\n<li>consumo excessivo de \u00e1lcool;<\/li>\n<li>perda auditiva;<\/li>\n<li>colesterol elevado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A influ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da vida est\u00e1 relacionada \u00e0 reserva cognitiva: <strong>durante o aprendizado, os neur\u00f4nios criam novas conex\u00f5es, o que aumenta a capacidade do c\u00e9rebro de compensar danos no futuro.<\/strong>\u00a0Os est\u00edmulos cognitivos tamb\u00e9m explicam porque a perda visual tem tanto impacto:<\/p>\n<p>&#8220;O nosso c\u00e9rebro integra as informa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s recebemos do meio externo, atrav\u00e9s da audi\u00e7\u00e3o e\u00a0da vis\u00e3o, com as informa\u00e7\u00f5es que a gente j\u00e1 sabe do mundo. E,\u00a0a partir disso, a gente programa uma resposta. Ent\u00e3o, quando a gente tem uma perda visual, parte da nossa estimula\u00e7\u00e3o cerebral cessa. A gente deixa de enxergar coisas que nos ajudariam a melhorar a nossa mem\u00f3ria e estimular nosso c\u00e9rebro&#8221;, complementa a professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, Cl\u00e1udia Suemoto, uma das autoras da pesquisa.<\/p>\n<p>Esse mesmo mecanismo tamb\u00e9m pode explicar a influ\u00eancia da depress\u00e3o.\u00a0&#8220;Quando a pessoa est\u00e1 deprimida, ela n\u00e3o sente vontade de fazer coisas novas, de estimular o c\u00e9rebro com novos desafios. Uma outra explica\u00e7\u00e3o, mais biol\u00f3gica, \u00e9 que o desbalan\u00e7o de neurotransmiss\u00f5es, que acontece na depress\u00e3o, poderia, a longo prazo, levar \u00e0\u00a0perda neural. Ent\u00e3o, existem essas duas hip\u00f3teses, que provavelmente n\u00e3o s\u00e3o concorrentes, as duas devem ter impacto.&#8221;<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o brasileira foi maior do que a m\u00e9dia mundial em 10\u00a0fatores, incluindo os tr\u00eas principais. Para os pesquisadores, isso demonstra &#8220;como <strong>as desigualdades socioecon\u00f4micas e o acesso inadequado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos cuidados de sa\u00fade mental podem contribuir para o risco de dem\u00eancia<\/strong>&#8220;. As exce\u00e7\u00f5es foram perda auditiva, colesterol elevado, isolamento social e consumo excessivo de \u00e1lcool.<\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas preventivas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisa identificou que a contribui\u00e7\u00e3o da baixa escolaridade e da perda visual n\u00e3o tratada foi maior nas regi\u00f5es mais pobres do Brasil e entre as pessoas negras, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia nacional, quanto em compara\u00e7\u00e3o com regi\u00f5es mais ricas e pessoas brancas.<\/p>\n<p><strong>A professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP enfatiza que as descobertas apontam medidas de preven\u00e7\u00e3o, que podem ser tomadas individualmente, mas devem, principalmente, fundamentar pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, n\u00f3s estamos envelhecendo rapidamente, e o aumento da idade \u00e9 o principal fator de risco para dem\u00eancia, mas esse n\u00e3o \u00e9 modific\u00e1vel \u2500\u00a0enquanto estivermos vivos, estaremos envelhecendo. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds no mundo que consiga lidar com uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida que tenha uma alta preval\u00eancia de dem\u00eancia. Por isso,\u00a0a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial.&#8221;<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;A gente pensa em dem\u00eancia como uma doen\u00e7a da velhice, porque ela \u00e9 muito mais frequente ap\u00f3s os 65 anos. Mas a preven\u00e7\u00e3o come\u00e7a cedo e deve ser feita em v\u00e1rios momentos da vida&#8221;, alerta\u00a0Cl\u00e1udia Suemoto.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A geriatra defende que os\u00a0gestores devem olhar para esses fatores \u2500 como baixa educa\u00e7\u00e3o, depress\u00e3o e\u00a0risco cardiovascular \u2500 e planejar interven\u00e7\u00f5es e\u00a0programas de sa\u00fade p\u00fablica que ajudem e informem a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ao aumentar a escolaridade, tratar a depress\u00e3o, diagnosticar e tratar press\u00e3o alta, diabetes, colesterol, perda visual, perda auditiva, tamb\u00e9m se previne a dem\u00eancia&#8221;, complementa a professora da USP.<\/p>\n<p><em>*Colaborou Ana Cristina Campos<\/em><\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2025-08\/riscos-modificaveis-estao-associados-a-quase-60-dos-casos-de-demencia\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fatores de risco modific\u00e1veis foram\u00a0associados a quase 60% dos casos de dem\u00eancia no Brasil por\u00a0um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). 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