{"id":39738,"date":"2025-08-25T21:37:07","date_gmt":"2025-08-26T00:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/fresno-fala-a-rs-sobre-i-wanna-be-tour-movimento-emo-e-nostalgia-so-ate-certo-ponto\/"},"modified":"2025-08-25T21:37:07","modified_gmt":"2025-08-26T00:37:07","slug":"fresno-fala-a-rs-sobre-i-wanna-be-tour-movimento-emo-e-nostalgia-so-ate-certo-ponto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/fresno-fala-a-rs-sobre-i-wanna-be-tour-movimento-emo-e-nostalgia-so-ate-certo-ponto\/","title":{"rendered":"Fresno fala \u00e0 RS sobre I Wanna Be Tour, movimento emo e nostalgia s\u00f3 at\u00e9 certo ponto"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Nem mesmo no per\u00edodo de auge do movimento emo\/hardcore mel\u00f3dico, nos anos 2000, havia um evento com porte de est\u00e1dio totalmente focado nesse tipo de som no Brasil. Antes tarde do que nunca: a <strong>I Wanna Be Tour<\/strong>, uma turn\u00ea em formato de festival, chega \u00e0 sua segunda edi\u00e7\u00e3o em 2025, com uma data na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, realizada no \u00faltimo fim de semana, e outra no Allianz Parque, em S\u00e3o Paulo, marcada para este s\u00e1bado, 30. E apenas uma banda tocou nos dois anos: <strong>Fresno<\/strong>, talvez o nome mais representativo desse segmento em \u00e2mbito nacional. Quase um sin\u00f4nimo de \u201cemo\u201d, palavra que h\u00e1 tempos deixou de soar pejorativa.<\/p>\n<p>O grupo formado por <strong>Lucas Silveira<\/strong> (voz e guitarra), <strong>Gustavo Mantovani<\/strong> (guitarra) e <strong>Thiago Guerra<\/strong> (bateria) reconhece estar ficando mal acostumado com \u201cshowz\u00f5es\u201d. Em Curitiba, tocaram para cerca de 20 mil pessoas em posi\u00e7\u00e3o favorecida no lineup, mais \u00e0 noite, diferentemente de 2024, quando abriram a programa\u00e7\u00e3o. \u00c0 <strong>Rolling Stone Brasil<\/strong>, Lucas reflete:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cEm Curitiba pude sentir a diferen\u00e7a do que \u00e9 um p\u00fablico de 7 a 10 mil \u2014 que j\u00e1 \u00e9 maluco, ensurdecedor \u2014 para um p\u00fablico de 20 mil. L\u00e1, parecia que o n\u00famero de pessoas n\u00e3o tinha fim, n\u00e3o apenas assistindo como participando. [&#8230;] E o que vamos viver neste s\u00e1bado [em S\u00e3o Paulo, para um p\u00fablico estimado entre 40 mil e 50 mil pessoas], n\u00f3s nunca vivemos.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Na Pedreira, a Fresno tocou pouco mais de 10 m\u00fasicas em um set de uma hora, antes apenas das atra\u00e7\u00f5es principais <strong>Fall Out Boy<\/strong>, <strong>Good Charlotte<\/strong> e <strong>Yellowcard<\/strong>. Hits de outros momentos como <strong>\u201cQuebre as Correntes\u201d<\/strong> e <strong>\u201cDesde Quando Voc\u00ea se Foi\u201d<\/strong> marcaram presen\u00e7a, mas can\u00e7\u00f5es mais recentes a exemplo de <strong>\u201cCasa Assombrada\u201d<\/strong> e <strong>\u201cEu Nunca Fui Embora\u201d<\/strong> \u2014 faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum mais recente, de 2024 \u2014 tamb\u00e9m foram tocadas. Na vis\u00e3o de Lucas, era necess\u00e1rio equilibrar passado e presente na montagem do repert\u00f3rio \u2014 que, sim, pode mudar para o show no Allianz:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cPensamos no tamanho do p\u00fablico da I Wanna Be Tour e na expectativa dessas pessoas. Muitos ali n\u00e3o ficaram indo a shows da Fresno nos \u00faltimos 10 anos e esperam algo saudosista. Ainda assim, tamb\u00e9m trazemos coisas atuais e que dialogam com isso. Temos a particularidade de nossos f\u00e3s realmente ouvirem nossos trabalhos recentes. O \u00e1lbum <strong>Eu Nunca Fui Embora<\/strong> deve estar pr\u00f3ximo de 20 milh\u00f5es de streams.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Empolgado com a \u201cfome\u201d da plateia da Fresno por novidades para al\u00e9m da nostalgia, Vavo complementa:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cN\u00e3o vejo isso em outra banda: os f\u00e3s da Fresno querem que a banda lance novos \u00e1lbuns e toque todas as m\u00fasicas do disco novo na turn\u00ea de lan\u00e7amento. Ficam furiosos se pular uma m\u00fasica.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Fresno na I Wanna Be Tour &#8211; Curitiba &#8211; Foto: Henrique Augusto \/ @bmaisca<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para o trio, diga-se, \u00e9 interessante observar como as demais atra\u00e7\u00f5es do lineup tamb\u00e9m n\u00e3o pararam no tempo. A maioria das bandas escaladas para a I Wanna Be Tour 2025 continuou a trabalhar mesmo na d\u00e9cada passada, per\u00edodo em que o movimento emo \u201cesfriou\u201d em termos de popularidade. Silveira comenta, citando o grande headliner da turn\u00ea:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cFall Out Boy, por exemplo, nunca parou e continuou lan\u00e7ando discos quando as pessoas n\u00e3o estavam mais falando de emo nem de Fall Out Boy. Tocar m\u00fasicas desse per\u00edodo serve para brindar os f\u00e3s que se mantiveram ali todo esse tempo.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h3>Emo em grandes palcos: s\u00f3 nostalgia?<\/h3>\n<p>Por que, no fim das contas, uma iniciativa como a I Wanna Be Tour n\u00e3o existia no apogeu do movimento emo? \u00c9 apenas fruto de um comportamento nost\u00e1lgico do p\u00fablico? N\u00e3o h\u00e1 resposta certa para esta pergunta, mas a Fresno, com conhecimento de causa, apresenta suas teorias.<\/p>\n<p>Lucas Silveira reconhece que \u201co emo era visto com certa descren\u00e7a\u201d no per\u00edodo de sua maior popularidade. Ele pontua:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cHavia uma avalanche de bandas surgidas \u00e0 revelia de grandes gravadoras. Nenhuma delas nasceu numa grande gravadora: todas elas, em algum momento, haviam estourado no underground e viraram algo muito grande por for\u00e7a do pr\u00f3prio trabalho. Por\u00e9m, na \u00e9poca, por ter sido a primeira gera\u00e7\u00e3o de bandas que surgiu para quem n\u00e3o estava acompanhando, foi \u2018do nada\u2019 e foi visto com muita descren\u00e7a \u2014 a ponto de, na \u00e9poca, n\u00e3o terem tido eventos desse tamanho quando era ainda mais favor\u00e1vel. Com o d\u00f3lar a R$ 1,70 em 2011, trar\u00edamos cinquenta bandas internacionais dessas a\u00ed e n\u00e3o dez. [Risos]\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Por outro lado, a onda nost\u00e1lgica de agora ocorre porque, tamb\u00e9m de acordo com o vocalista e guitarrista, \u201co emo envelheceu muito bem e se mostrou longevo\u201d. Fa\u00e7anhas como ocupar um est\u00e1dio do porte do Allianz Parque ocorreram at\u00e9 com shows individuais fora do contexto de festival, a exemplo de <strong>NX Zero<\/strong> (duas datas em 2023) e <strong>Forfun<\/strong> (em 2024 \u2014 grupo tamb\u00e9m escalado para a I Wanna Be Tour).<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cN\u00e3o \u00e9 qualquer coisa de muito sucesso em 2004 que vai encher o Allianz. H\u00e1 algo muito forte ali. Enxergamos isso de outra forma porque atravessamos todo o momento em que esse revival n\u00e3o estava acontecendo. Atravessamos toda a fase da \u2018ressaca\u2019 da exposi\u00e7\u00e3o e dos sucessos. Para n\u00f3s \u00e9 ainda mais valioso.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ao mesmo tempo, a Fresno n\u00e3o quer se apoiar somente na nostalgia \u2014 pois sabe que, uma hora, isso acaba. Daqui a pouco outro revival pode tomar os holofotes. Lucas crava que \u201cuma hora as pessoas v\u00e3o se cansar de ficar s\u00f3 comemorando anivers\u00e1rio de discos\u201d. Entra, a\u00ed, uma observa\u00e7\u00e3o de Thiago Guerra: <em>\u201cfoi muito legal o revival acontecer no momento em que a Fresno est\u00e1\u201d<\/em>, vindo de \u00e1lbuns elogiados como <em><strong>Sua Alegria Foi Cancelada<\/strong><\/em> (2019) e <em><strong>Vou Ter Que Me Virar<\/strong><\/em> (2021). Silveira elabora:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cUm amigo disse: quando ocorrem esses momentos de exposi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o causados por voc\u00ea, mas que fazem as pessoas olharem para voc\u00ea\u2026 a \u00fanica coisa ao seu controle \u00e9 fazer com que voc\u00ea esteja bem no momento em que as pessoas te olham. Nesse momento do revival, uma pessoa em casa pesquisa: \u2018que fim teve aquela banda tal?\u2019. Se essa pessoa v\u00ea que a banda n\u00e3o lan\u00e7a disco h\u00e1 8 anos, est\u00e1 com fotos p\u00e9ssimas, etc, \u00e9 um sinal de que a banda n\u00e3o est\u00e1 cuidando bem da carreira. Ent\u00e3o, fazemos o nosso. Temos nosso p\u00fablico, mas sabemos que \u00e0s vezes somos levados a mais pessoas. Quando isso acontece, temos que estar com nossa agenda de shows, lan\u00e7ando \u00e1lbum.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"A banda Fresno\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/08\/fresno-por-camila-cornelsen_enfe_2.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>A banda Fresno &#8211; Foto: Camila Cornelsen<\/figcaption><\/figure>\n<h3>A for\u00e7a do emo BR<\/h3>\n<p>O movimento emo foi uma febre global, mas poucos pa\u00edses abra\u00e7aram tanto o subg\u00eanero como o Brasil. N\u00e3o \u00e0 toa, houve e ainda h\u00e1 enorme oferta de artistas e bandas praticantes ou influenciadas pelo estilo por aqui. Tanto na I Wanna Be Tour deste ano quanto na anterior, <em>\u201cos gringos at\u00e9 assustaram\u201d<\/em> quando viram os grupos nacionais e a ades\u00e3o do p\u00fablico local a eles, segundo Thiago Guerra.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para tamanha for\u00e7a em territ\u00f3rio nacional, segundo Lucas Silveira, est\u00e1 em algo que pode parecer trivial, mas n\u00e3o \u00e9: letras em portugu\u00eas. Ele diz:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cO emo brasileiro canta em portugu\u00eas. As poucas bandas de metal ou de hard rock que se atreveram a cantar em portugu\u00eas foram muito execradas por conta de um pensamento da \u00e9poca. Se pegar a gera\u00e7\u00e3o imediatamente antes da Fresno, que \u00e9 a do Hateen do \u2018velho testamento\u2019, Dance of Days, entre outras bandas, era em ingl\u00eas. O pensamento era: \u2018fa\u00e7o parte de uma cena mundial de bandas que cantam em ingl\u00eas\u2019. J\u00e1 n\u00f3s pegamos esse momento em que a internet estava mais dispon\u00edvel e havia bandas meio parecidas em portugu\u00eas, como o <strong>CPM 22<\/strong>. J\u00e1 havia para onde olhar. Para n\u00f3s foi muito \u00f3bvio.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O vocalista e guitarrista admite ter feito at\u00e9 uma pesquisa curiosa: como era a cena de outros pa\u00edses no per\u00edodo do \u201cboom\u201d do movimento emo nos Estados Unidos, principal mercado fonogr\u00e1fico mundial? A resposta encontrada vai ao encontro de sua reflex\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cQuando voc\u00ea fala o idioma das pessoas, h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 mais profunda. Quando o emo estourou no Brasil, em outros pa\u00edses como M\u00e9xico, Portugal e Argentina as bandas ainda cantavam em ingl\u00eas. Havia pouco dessa identifica\u00e7\u00e3o local. S\u00f3 de cantarmos em portugu\u00eas, abre um leque muito grande, at\u00e9 de sonoridade.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<hr\/>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Esteban Tavares revisita \u2018Saca la Muerte de tu Vida\u2019 com show forte em SP; veja como foi<\/strong><br \/><strong>+++ LEIA MAIS: Deftones fala \u00e0 RS sobre \u2018Private Music\u2019, momento atual, Brasil e \u2018Eros\u2019<br \/>+++ LEIA MAIS: P.O.D.: Sonny Sandoval fala \u00e0 RS sobre single com argentino, Brasil e carreira<br \/>+++ LEIA MAIS: Outras entrevistas conduzidas pelo jornalista Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil<\/strong><br \/><strong>+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram<br \/>+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Veja tamb\u00e9m:<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"GLORIA - Rolling Stone Entrevista #23\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Osl1dzEy3OQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/fresno-fala-a-rs-sobre-i-wanna-be-tour-movimento-emo-e-nostalgia-so-ate-certo-ponto\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem mesmo no per\u00edodo de auge do movimento emo\/hardcore mel\u00f3dico, nos anos 2000, havia um evento com porte de est\u00e1dio totalmente focado nesse tipo de som no Brasil. 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