{"id":36077,"date":"2025-08-10T23:13:14","date_gmt":"2025-08-11T02:13:14","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/a-estrategia-de-trump-para-manter-a-hegemonia\/"},"modified":"2025-08-10T23:13:14","modified_gmt":"2025-08-11T02:13:14","slug":"a-estrategia-de-trump-para-manter-a-hegemonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-estrategia-de-trump-para-manter-a-hegemonia\/","title":{"rendered":"a estrat\u00e9gia de Trump para manter a hegemonia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A guerra tarif\u00e1ria do presidente americano Donald Trump, que est\u00e1 desestabilizando alian\u00e7as hist\u00f3ricas, bagun\u00e7ando as cadeias produtivas e reordenando fluxos comerciais ao redor do mundo, representa a reedi\u00e7\u00e3o do velho <em>Big Stick<\/em> americano \u2013 a diplomacia da for\u00e7a, simbolizada pelo &#8220;grande porrete&#8221;.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">J\u00e1 utilizada no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 pelo presidente Theodore Roosevelt, a estrat\u00e9gia visava garantir os interesses dos EUA no quintal latino-americano contra a influ\u00eancia inglesa, sob o lema da Doutrina Monroe: \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d. Sua premissa declarada \u2014 que justificou interven\u00e7\u00f5es militares, press\u00f5es diplom\u00e1ticas e imposi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas em toda a regi\u00e3o \u2014 se resumia na seguinte m\u00e1xima: \u201cFale com suavidade e carregue um grande porrete\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Mas h\u00e1 diferen\u00e7as. O republicano n\u00e3o fala com suavidade e tampouco seu foco \u00e9 somente a Am\u00e9rica Latina. Brasil e regi\u00e3o figuram como \u00e1reas de influ\u00eancia econ\u00f4mica importante, mas o republicano ergue seu porrete para o mundo mirando a China, a principal amea\u00e7a \u00e0 hegemonia econ\u00f4mica americana.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cO pano de fundo \u00e9 conter a ascens\u00e3o chinesa\u201d, afirma L\u00edvio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV-Ibre). \u201cCom a expans\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica na nossa regi\u00e3o nos \u00faltimos 25 anos, viramos um campo de batalha \u00f3bvio entre as duas maiores pot\u00eancias mundiais. Por conta disso, a promo\u00e7\u00e3o dos interesses americanos com o Trump \u00e9 hiperagressiva com todo mundo.\u201d<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><\/picture><\/div>\n<p>Brasil, China, \u00cdndia: quem est\u00e1 no radar de Trump por financiar a guerra na Ucr\u00e2nia<\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/08\/06110817\/trump-russia-putin-tarifaco-brasil-380x214.jpg.webp\" alt=\"Para asfixiar Moscou, Trump pode retaliar pa\u00edses que negociam com a R\u00fassia, de quem o Brasil compra muito diesel e fertilizante.\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Ruim a tarifa de 50%? Pois Trump pode subir a 100% \u2013 ou fazer coisa pior<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cTrump tamb\u00e9m tenta colocar os EUA numa posi\u00e7\u00e3o de favorecimento transversal, acima de tudo, como era no Big Stick\u201d, refor\u00e7a Leonardo Paz Neves, pesquisador do N\u00facleo de Intelig\u00eancia Internacional da FGV. Mas o xadrez de Trump com a China \u00e9 \u201cerr\u00e1tico\u201d e est\u00e1 indefinido.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A novidade \u00e9 que os EUA se confrontam com um oponente que consegue dialogar \u2014 n\u00e3o de igual para igual, pois nenhum pa\u00eds tem o protagonismo econ\u00f4mico americano, mas em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis. \u201cTrump quer promover os interesses americanos, mas ele tem um competidor de tamanho suficiente para atrapalhar seus planos\u201d, avalia Ribeiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para o pesquisador, o republicano pode at\u00e9 conseguir atrasar ou conter os interesses expansionistas chineses, mas a certeza \u00e9 que eles v\u00e3o \u201cdar trabalho\u201d. \u201cA China n\u00e3o vai se submeter, essa \u00e9 a quest\u00e3o\u201d, afirma. \u201cEla vai negociar. E se tem algu\u00e9m no mundo que pode negociar de verdade [com os EUA], \u00e9 a China.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">China apostou em planejamento <\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel do gigante asi\u00e1tico \u00e9 fruto da grande voca\u00e7\u00e3o para o planejamento econ\u00f4mico que caracteriza o modus operandi do Partido Comunista Chin\u00eas, que controla o pa\u00eds. A China vem se preparando para blindar sua economia desde a crise financeira de 2008, quando percebeu que n\u00e3o poderia permanecer t\u00e3o dependente das exporta\u00e7\u00f5es para o mercado americano.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A turbul\u00eancia no sistema financeiro dos EUA \u2014 que derrubou o consumo das principais economias ocidentais \u2014 fez Pequim investir no fortalecimento de seu mercado interno e na diversifica\u00e7\u00e3o de parceiros comerciais. Ao mesmo tempo, a resposta da Casa Branca \u00e0 crise \u2014 com forte expans\u00e3o monet\u00e1ria e emiss\u00e3o maci\u00e7a de d\u00f3lares \u2014 evidenciou o risco de manter reservas e transa\u00e7\u00f5es concentradas na moeda americana, al\u00e9m de intensificar o debate sobre o protecionismo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cA China j\u00e1 estava administrando a mudan\u00e7a de diretriz dos Estados Unidos, que veio num crescente, a cada administra\u00e7\u00e3o \u2014 [Barack] Obama, [Donald] Trump, [Joe] Biden \u2014 aumentando o contencioso\u201d, diz Ribeiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A diferen\u00e7a agora, afirma o pesquisador, \u00e9 o estilo: \u201cObama e Biden faziam isso com diplomacia, acordos. Trump \u00e9 barulhento, parece que faz mais, mas na verdade, s\u00f3 faz mais barulho. Mas Pequim tem se mostrado preparada.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Prova disso, segundo ele, foi a resili\u00eancia do pa\u00eds diante do choque tarif\u00e1rio que permitiu manter a racionalidade nas decis\u00f5es. Pequim explorou seu dom\u00ednio quase absoluto sobre o processamento global de terras raras \u2014 insumos essenciais para smartphones, ve\u00edculos el\u00e9tricos, turbinas e sistemas de defesa. \u201cTerras raras t\u00eam atualmente o mesmo poder de convencimento da bomba at\u00f4mica\u201d, ilustra Ribeiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Ao impor restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de sete elementos cr\u00edticos, a China provocou impacto imediato nas cadeias produtivas americanas e for\u00e7ou Washington a sentar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o. O envio foi retomado em troca do al\u00edvio de tarifas de exporta\u00e7\u00e3o sobre produtos chineses, que chegaram a 145% e hoje est\u00e3o em torno de 30%.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Trump quer cadeias produtivas nos EUA<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O poder de barganha da China tem outros componentes. Um dos principais \u00e9 a estrutura da ind\u00fastria global que se organizou, nos \u00faltimos 25 anos, na \u00c1sia, sob lideran\u00e7a de Pequim.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Trump pretende, com a reindustrializa\u00e7\u00e3o dos EUA, reverter este quadro, transferir ind\u00fastrias para solo americano e reduzir a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a cadeias produtivas estrangeiras, num movimento que agrada a uma parcela da popula\u00e7\u00e3o que se sente perdedora na globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Via tarifas, acredita fortalecer setores industriais estrat\u00e9gicos para impulsionar o crescimento econ\u00f4mico interno, gerar empregos e, de quebra, reduzir o d\u00e9ficit comercial dos EUA, substituindo importa\u00e7\u00f5es pela produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Neves tamb\u00e9m cita que a falta de previsibilidade nas regras comerciais pode inviabilizar a migra\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas para os EUA. \u201cSeria necess\u00e1rio garantir estabilidade nas regras por d\u00e9cadas\u201d, diz. \u201cSen\u00e3o voc\u00ea traz a f\u00e1brica agora e, daqui a dez anos, teria que lev\u00e1-la de volta para a \u00c1sia\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201c\u00c9 um movimento complexo e caro\u201d, afirma Ribeiro. Al\u00e9m disso, aponta que \u201cessa ideia de gerar empregos em linhas de produ\u00e7\u00e3o nos EUA \u00e9 ilus\u00f3ria\u201d. \u201cO americano m\u00e9dio \u00e9 rico, n\u00e3o quer ficar numa f\u00e1brica. Isso \u00e9 coisa de popula\u00e7\u00e3o pobre \u2014 Camboja, Vietn\u00e3, Laos. J\u00e1 foi o chin\u00eas, hoje nem \u00e9 mais tanto.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Trump, no entanto, tem comemorado os resultados iniciais. Como resultado da guerra tarif\u00e1ria, em junho de 2025, o d\u00e9ficit comercial dos EUA caiu para cerca de US$ 60,2 bilh\u00f5es, o valor mais baixo desde setembro de 2023.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/07\/31161055\/gado-bovino-agro-tarifaco-380x214.jpg.webp\" alt=\"Setor de carne bovina, um dos principais produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, est\u00e1 entre os que n\u00e3o escaparam do tarifa\u00e7o no agro\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Agro \u00e9 o setor mais prejudicado pelo tarifa\u00e7o de Trump<\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\">\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-image__5gUSe\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img decoding=\"async\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/07\/31121624\/tarifaco-cafe-carne-precos-brasil-380x214.jpg.webp\" alt=\"Carne de boi e caf\u00e9 est\u00e3o entre os itens que ficaram de fora da lista de exce\u00e7\u00f5es do tarifa\u00e7o americano. Queda nas exporta\u00e7\u00f5es pode levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os no mercado brasileiro\" width=\"72\" height=\"72\"\/><\/picture><\/div>\n<p>Sem escapar do tarifa\u00e7o, caf\u00e9 e carne bovina podem ter queda de pre\u00e7os no Brasil<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Trump joga Brasil no colo da China <\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Na avalia\u00e7\u00e3o dos economistas, a estrat\u00e9gia do Big Stick de<em> <\/em>Trump apresenta efeitos corrosivos, sobretudo ao ser aplicada contra aliados tradicionais, sem oferecer contrapartidas. Foi o que Trump fez com Coreia do Sul, Jap\u00e3o, Canad\u00e1 e, principalmente, pa\u00edses europeus. \u201cEle imp\u00f4s um acordo pesado que deixou l\u00edderes europeus com um gosto amargo, sabendo que n\u00e3o foi bom neg\u00f3cio\u201d, diz Neves.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Essa postura, avalia, fragiliza parcerias importantes e empurra outros pa\u00edses para a \u00f3rbita de pot\u00eancias rivais, sobretudo a China. O Brasil deu exemplo emblem\u00e1tico desse movimento dias atr\u00e1s. Ciente da dificuldade dos produtores brasieiros em vender caf\u00e9 nos EUA ap\u00f3s a tarifa de 50%, a China logo se aproximou e licenciou mais de 180 empresas brasileiras. \u201cNa pr\u00e1tica, Trump tira com\u00e9rcio dos Estados Unidos e o entrega para a China\u201d, resume.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A aproxima\u00e7\u00e3o brasileira dos demais pa\u00edses do Brics tamb\u00e9m \u00e9 iminente. Na quarta-feira (6), em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Reuters, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva afirmou que planejava telefonar para l\u00edderes do grupo, come\u00e7ando pela \u00cdndia e China, para discutir uma poss\u00edvel resposta conjunta \u00e0s tarifas dos EUA.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">No dia seguinte, Lula conversou com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi para refor\u00e7ar a parceria comercial entre os dois pa\u00edses. A conversa ocorreu poucos dias depois de Trump ampliar para 50% a sobretaxa imposta \u00e0 \u00cdndia, uma retalia\u00e7\u00e3o indireta \u00e0 R\u00fassia por n\u00e3o ceder aos apelos americanos para encerrar a guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cA pol\u00edtica agressiva de Trump pode at\u00e9 atrasar o avan\u00e7o chin\u00eas, mas tamb\u00e9m afasta aliados\u201d, afirma o economista do Ibre. \u201cTrump n\u00e3o tem aliados, tem submissos, e isso, com o tempo, desgasta.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Hegemonia persiste, mas n\u00e3o absoluta<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para al\u00e9m da turbul\u00eancia mundial e da aposta na eros\u00e3o da estrat\u00e9gia americana, no curto prazo, os analistas concordam que a hegemonia americana resiste, apoiada na presen\u00e7a global e em uma rede hist\u00f3rica de alian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cQuem antecipa o fim do imp\u00e9rio americano vai errar por muito tempo\u201d, diz Ribeiro. \u201cMas, sim, surgem novos atores. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o fim dos EUA, \u00e9 a emerg\u00eancia de outros.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cTalvez n\u00e3o vejamos um pa\u00eds substituir os EUA, mas sim uma fragmenta\u00e7\u00e3o do poder global\u201d, avalia Neves.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Por enquanto, o que prevalece \u00e9 a incerteza. H\u00e1 d\u00favidas se o crescimento industrial nos EUA ser\u00e1 suficiente para justificar as perdas decorrentes do fechamento de mercados e do encarecimento de insumos importados. A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa, mas persistente, e h\u00e1 sinais de queda no consumo \u2013 e ainda n\u00e3o est\u00e1 fechado o escopo completo das tarifas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O presidente americano tamb\u00e9m parece n\u00e3o se incomodar com resultados preliminares. Alguma sinaliza\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a depender\u00e1 das elei\u00e7\u00f5es legislativas (as <em>midterms<\/em>), no ano que vem. \u201cCaso a agenda trumpista n\u00e3o gere efeitos r\u00e1pidos, ele poder\u00e1 enfrentar problemas\u201d, prev\u00ea Ribeiro. \u201cS\u00f3 uma coisa, por\u00e9m, \u00e9 certa. Trump n\u00e3o vai parar, de jeito nenhum.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/trump-resgata-o-centenario-grande-porrete-para-consolidar-hegemonia-dos-eua\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra tarif\u00e1ria do presidente americano Donald Trump, que est\u00e1 desestabilizando alian\u00e7as hist\u00f3ricas, bagun\u00e7ando as cadeias produtivas e reordenando fluxos comerciais ao redor do mundo, representa a reedi\u00e7\u00e3o do velho Big Stick americano \u2013 a diplomacia da for\u00e7a, simbolizada pelo &#8220;grande porrete&#8221;. 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