{"id":35936,"date":"2025-08-09T18:32:03","date_gmt":"2025-08-09T21:32:03","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/michael-lydon-editor-fundador-da-rolling-stone-morre-aos-82-anos\/"},"modified":"2025-08-09T18:32:03","modified_gmt":"2025-08-09T21:32:03","slug":"michael-lydon-editor-fundador-da-rolling-stone-morre-aos-82-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/michael-lydon-editor-fundador-da-rolling-stone-morre-aos-82-anos\/","title":{"rendered":"Michael Lydon, editor fundador da Rolling Stone, morre aos 82 anos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Michael Lydon<\/strong>, veterano jornalista musical que atuou como editor assistente original da <em><strong>Rolling Stone EUA<\/strong><\/em> quando a revista operava de um pequeno loft em S\u00e3o Francisco com uma equipe reduzida supervisionada pelo cofundador <strong>Jann Wenner<\/strong>, morreu em 30 de julho, aos 82 anos.<\/p>\n<p>Sua esposa, <strong>Ellen Mandel<\/strong>, confirmou a morte ao <em>The New York Times<\/em>, acrescentando que a causa foram complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a de Parkinson.<\/p>\n<p>Quando a edi\u00e7\u00e3o inaugural da <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> chegou \u00e0s bancas, em 6 de novembro de 1967, um artigo investigativo de <strong>Lydon<\/strong> sobre fundos desaparecidos do festival <strong>Monterey Pop<\/strong> ocupava a primeira p\u00e1gina. \u201cMeses ap\u00f3s o <strong>Mamas and Papas<\/strong> encerrar o show na madrugada de segunda-feira, um gosto ligeiramente amargo ainda permanece\u201d, ele escreveu. \u201cO que foi um festival para alguns, foi um passeio gratuito para outros. A maioria dos artistas chegou l\u00e1 com talento, alguns com influ\u00eancia. Um festival que deveria \u2014 e poderia \u2014 ter sido totalmente transparente ainda deixa perguntas feitas e sem resposta.\u201d<\/p>\n<p>\u201c<strong>Jann<\/strong> n\u00e3o queria ser apenas um fanzine\u201d, disse <strong>Lydon<\/strong> \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> em 2017. \u201cN\u00e3o ia ser s\u00f3: \u2018Ah, toda estrela \u00e9 maravilhosa e todo neg\u00f3cio \u00e9 lindo\u2019 e tudo mais. Isso foi o pequeno jornalismo investigativo que <strong>Jann<\/strong> queria. Ele queria que estivesse na primeira edi\u00e7\u00e3o para dizer: \u2018O material do <strong>Matt Taibbi<\/strong> e todo o mundo da <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>, de certa forma, v\u00eam disso.\u2019\u201d<\/p>\n<p>Antes de conhecer <strong>Wenner<\/strong> e integrar a equipe original da revista, <strong>Lydon<\/strong> era rep\u00f3rter de m\u00fasica pop na <em>Newsweek<\/em>. Em janeiro de 1967, foi transferido do escrit\u00f3rio de Londres para S\u00e3o Francisco, justamente quando a cena musical da cidade explodia com <strong>Grateful Dead<\/strong>, <strong>Jefferson Airplane<\/strong> e todos os eventos no <strong>Fillmore<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cUma das primeiras coisas a que fui foi o <strong>Human Be-In<\/strong>\u201d, disse ele em 2017, referindo-se ao famoso evento de 1967 no <strong>Golden Gate Park<\/strong>, em S\u00e3o Francisco, com apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo de <strong>Jefferson Airplane<\/strong>, <strong>Grateful Dead<\/strong>, <strong>Big Brother and the Holding Company<\/strong>, <strong>Quicksilver Messenger Service<\/strong> e <strong>Blue Cheer<\/strong>. \u201cAquilo foi um dos passos que colocou toda a coisa hippie em movimento, um encontro das tribos, como chamavam. E eu estava constantemente procurando hist\u00f3rias nesse campo&#8221;.<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a exata de <strong>Lydon<\/strong> sobre quando conheceu <strong>Wenner<\/strong> era um pouco vaga, mas ele acreditava que foi na \u00e1rea de imprensa do <strong>Monterey Pop Festival<\/strong>, em junho de 1967. Algumas semanas depois, <strong>Wenner<\/strong> o convidou para um caf\u00e9 e contou sobre os planos de criar uma nova revista de rock. \u201cBasicamente, ele me disse: \u2018O tempo da <em>Esquire<\/em> acabou. H\u00e1 uma nova sensibilidade que precisa de um ponto de vista. H\u00e1 artistas realmente interessantes para entrevistar. H\u00e1 quest\u00f5es sociais a cobrir\u2019\u201d, lembrou <strong>Lydon<\/strong>. \u201cEle j\u00e1 tinha o nome e o logotipo da <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> naquela \u00e9poca. <strong>Baron Wolman<\/strong> entrou como fot\u00f3grafo da equipe, e <strong>Jann<\/strong> me pediu para, essencialmente, atuar como editor-chefe.\u201d<\/p>\n<p>Era uma proposta arriscada, especialmente porque <strong>Lydon<\/strong> tinha um bom emprego na <em>Newsweek<\/em>. Mas ele estava exausto da rotina e de trabalhar em mat\u00e9rias nas quais n\u00e3o recebia cr\u00e9dito. \u201cNa <em>Newsweek<\/em>, eu mandava um relat\u00f3rio de S\u00e3o Francisco e aquilo virava apenas material bruto para o editor em Nova York\u201d, disse. \u201cEle simplesmente inclu\u00eda no pr\u00f3prio texto. Eu estava realmente insatisfeito com isso. Eu queria meu pr\u00f3prio nome.\u201d<\/p>\n<p>A <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> foi a chance de ajudar a construir algo do zero e receber o devido reconhecimento. E, mesmo 50 anos depois, ele ainda conseguia visualizar seus primeiros dias no loft da <strong>Brannan Street<\/strong>. \u201cTrabalh\u00e1vamos acima de uma gr\u00e1fica\u201d, contou. \u201cE n\u00e3o havia nada do lado de fora que dissesse o que era. Entr\u00e1vamos por uma porta lateral e sub\u00edamos um lance de escadas. Era s\u00f3 um s\u00f3t\u00e3o cl\u00e1ssico. Empoeirado, quase nada l\u00e1 dentro. Mas t\u00ednhamos a sensa\u00e7\u00e3o de que era uma tabula rasa, uma folha em branco. Come\u00e7ar\u00edamos dali, e isso era empolgante.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o sobre o <strong>Monterey Pop<\/strong>, <strong>Lydon<\/strong> escreveu um perfil r\u00e1pido do pioneiro do rock dos anos 1950 <strong>Bill Haley<\/strong> para a primeira edi\u00e7\u00e3o. \u201cEu estava em Reno fazendo uma mat\u00e9ria sobre um festival a\u00e9reo para a <em>Newsweek<\/em>\u201d, disse. &#8220;Vi que <strong>Bill Haley<\/strong> estava tocando na esquina. Ent\u00e3o, simplesmente fui at\u00e9 l\u00e1 e consegui uma pequena hist\u00f3ria sobre ele. Foi puro acaso&#8221;.<\/p>\n<p>Muitos artigos daquela edi\u00e7\u00e3o sa\u00edram sem assinatura, incluindo uma reportagem sobre <strong>Grateful Dead<\/strong> sendo preso por policiais de narc\u00f3ticos em sua casa, em S\u00e3o Francisco. \u201cTalvez eu tenha escrito isso\u201d, disse <strong>Lydon<\/strong>. \u201cN\u00e3o quer\u00edamos colocar nossos nomes em tudo porque isso mostraria qu\u00e3o poucas pessoas trabalhavam no jornal&#8221;.<\/p>\n<p>Quando a edi\u00e7\u00e3o finalmente ficou pronta, <strong>Lydon<\/strong>, <strong>Wenner<\/strong> e boa parte da equipe desceram \u00e0 gr\u00e1fica para v\u00ea-la sair das m\u00e1quinas. A princ\u00edpio, nada aconteceu, enquanto os t\u00e9cnicos apertavam parafusos e ajustavam as chapas met\u00e1licas. \u201cDe repente, a m\u00e1quina come\u00e7ou a fazer \u2018kabunk, kabunk, kabunk\u2019\u201d, lembrou. &#8220;E a cada \u2018kabunk\u2019, surgia uma <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>, ainda molhada. Abrimos champanhe e brindamos. Foi muito, muito emocionante&#8221;.<\/p>\n<p>Dias depois, receberam retornos de <strong>Eric Clapton<\/strong>, <strong>John Sebastian<\/strong> e pessoas de todo o pa\u00eds. E, nas semanas seguintes, <strong>Lydon<\/strong> escreveu uma dura cr\u00edtica ao \u00e1lbum <em><strong>Get That Feeling<\/strong><\/em>, de <strong>Jimi Hendrix<\/strong> (\u201c<em>Esse disco mal representa o que Hendrix est\u00e1 fazendo agora e \u00e9 um constrangimento para ele como m\u00fasico<\/em>\u201d), um perfil de <strong>Smokey Robinson<\/strong> (\u201c<em>Desde que os Beatles e os Beach Boys abandonaram o padr\u00e3o de single seguido de \u00e1lbum voltado ao p\u00fablico adolescente do AM, William \u2018Smokey\u2019 Robinson reinou sozinho<\/em>\u201d) e uma mat\u00e9ria sobre o \u00edcone do rockabilly <strong>Carl Perkins<\/strong> (\u201c<em>Carl, agora com 36 anos, a extensa calv\u00edcie coberta por um topete posti\u00e7o e os dentes da frente substitu\u00eddos por uma placa<\/em>\u201d).<\/p>\n<p>Mas seu tempo na <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> foi relativamente breve. \u201cEu realmente queria ser freelancer\u201d, disse. &#8220;N\u00e3o queria trabalhar apenas para <strong>Jann Wenner<\/strong>. Queria escrever para quem comprasse meus artigos. Escrevi para a <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> algumas vezes depois das f\u00e9rias de Natal [<em>de 1967<\/em>], mas j\u00e1 n\u00e3o fazia parte da equipe&#8221;.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, <strong>Lydon<\/strong> lan\u00e7ou o livro <em><strong>Rock Folk: Portraits from the Rock \u2018N Roll Pantheon<\/strong><\/em>, uma colet\u00e2nea de artigos sobre <strong>Chuck Berry<\/strong>, <strong>Perkins<\/strong>, <strong>Robinson<\/strong>, <strong>Grateful Dead<\/strong>, <strong>Janis Joplin<\/strong> e os <strong>Rolling Stones<\/strong>. Ele tamb\u00e9m come\u00e7ou a se apresentar em clubes de folk como dupla com <strong>Mandel<\/strong>, com quem se casou em 1981.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s anos ouvindo avidamente, achei que acrescentaria minha voz ao coro mundial do pop\u201d, escreveu <strong>Lydon<\/strong> em seu site oficial. \u201c<strong>Ellen<\/strong> e eu estreamos num caf\u00e9 em Berkeley e depois come\u00e7amos a subir a todo palco que encontr\u00e1vamos, um deles um show de talentos sem cach\u00ea em S\u00e3o Francisco com <strong>Robin Williams<\/strong>. (\u2026) Nos mudamos para Manhattan, juntando-nos a todos os jovens ambiciosos que montavam seus n\u00fameros na <strong>Big Apple<\/strong>. Abrimos shows em faculdades e clubes de rock para <strong>Muddy Waters<\/strong>, <strong>Manhattan Transfer<\/strong> e <strong>Mose Allison<\/strong>. <strong>Ellen<\/strong> come\u00e7ou a compor para teatro; eu toquei durante anos no metr\u00f4.\u201d<\/p>\n<p>Nos anos 1990, <strong>Lydon<\/strong> escreveu o livro <em><strong>Ray Charles: Man and Music<\/strong><\/em>. \u201cA m\u00fasica me abriu para sons magn\u00edficos e ideias desafiadoras\u201d, escreveu ele no site. \u201cEm cada nota que toco, tento condensar tudo o que j\u00e1 ouvi e devolver isso, como eu, para quem quiser escutar. Quando recebo de volta sorrisos bobos de casais dan\u00e7ando ao meu ritmo e cantando o refr\u00e3o, agrade\u00e7o \u00e0s minhas inspira\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m penso: \u2018Cuidado, mundo, a\u00ed vem <strong>Michael Lydon<\/strong>!\u2019\u201d<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Filme sobre Ozzy e Sharon Osbourne continua em produ\u00e7\u00e3o; saiba mais<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/noticia\/michael-lydon-editor-fundador-da-rolling-stone-morre-aos-82-anos\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael Lydon, veterano jornalista musical que atuou como editor assistente original da Rolling Stone EUA quando a revista operava de um pequeno loft em S\u00e3o Francisco com uma equipe reduzida supervisionada pelo cofundador Jann Wenner, morreu em 30 de julho, aos 82 anos. 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