{"id":33562,"date":"2025-07-30T09:37:12","date_gmt":"2025-07-30T12:37:12","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/angra-conta-a-rs-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-hiato-shows-finais-e-temple-of-shadows\/"},"modified":"2025-07-30T09:37:12","modified_gmt":"2025-07-30T12:37:12","slug":"angra-conta-a-rs-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-hiato-shows-finais-e-temple-of-shadows","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/angra-conta-a-rs-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-hiato-shows-finais-e-temple-of-shadows\/","title":{"rendered":"Angra conta \u00e0 RS tudo o que voc\u00ea precisa saber sobre hiato, shows finais e \u2018Temple of Shadows\u2019"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O <strong>Angra<\/strong> vai parar. N\u00e3o em definitivo, claro. Desde setembro do ano passado, os f\u00e3s de uma das maiores bandas de heavy metal da hist\u00f3ria do Brasil est\u00e3o cientes de que o grupo dar\u00e1 uma pausa nas atividades, por tempo indeterminado, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de sua atual turn\u00ea, em celebra\u00e7\u00e3o aos 20 anos de seu quinto \u00e1lbum de est\u00fadio, <em><strong>Temple of Shadows<\/strong><\/em> (2004). O show derradeiro, inclusive, acontece neste domingo, no Tokio Marine Hall, em S\u00e3o Paulo. H\u00e1 ingressos \u00e0 venda no site Ticketmaster.<\/p>\n<p>A not\u00edcia pegou muita gente de surpresa, mas quando devidamente explicada por seus integrantes, at\u00e9 que faz sentido. Em entrevista \u00e0 <strong>Rolling Stone Brasil<\/strong> tamb\u00e9m dispon\u00edvel no YouTube, o guitarrista <strong>Rafael Bittencourt<\/strong>, membro fundador, e o baixista <strong>Felipe Andreoli<\/strong>, presente desde 2001, contam que o intervalo nas atividades \u00e9 necess\u00e1rio para \u201crecarregar as baterias\u201d e oferecer a devida aten\u00e7\u00e3o a outros projetos. A ideia, segundo ambos, \u00e9 retomar o grupo com a mesma forma\u00e7\u00e3o de hoje, com <strong>Fabio Lione<\/strong> nos vocais, <strong>Marcelo Barbosa<\/strong> na outra guitarra e <strong>Bruno Valverde<\/strong> na bateria.<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Angra &#8211; Foto: Henrique Grandi<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste longo bate-papo, a dupla reflete sobre o atual momento \u2014 que, de t\u00e3o bom, permitiu um hiato em vez de uma implos\u00e3o com rompimento definitivo \u2014, revisita um de seus \u00e1lbuns mais marcantes sem deixar de citar o recente Cycles of Pain (2023) e revela o que pretende fazer durante o hiato. Confira!<\/p>\n<p><em><strong>*As declara\u00e7\u00f5es foram editadas e condensadas para melhor leitura.<\/strong><\/em><\/p>\n<h2><strong>Entrevista com Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli \u2014 Angra<\/strong><\/h2>\n<h3>1) A atual turn\u00ea dos 20 anos de Temple of Shadows<\/h3>\n<p><strong>Como tem sido revisitar o Temple of Shadows na \u00edntegra nos shows dessa turn\u00ea, que na verdade come\u00e7ou no fim do ano passado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe Andreoli:<\/strong> \u201c\u00c9 um disco bastante desafiador de se tocar, exige que a banda esteja muito em forma para executar as m\u00fasicas. Tem coisas super-r\u00e1pidas, muitas din\u00e2micas de viol\u00e3o, partes de coral. Ent\u00e3o, \u00e9 um disco intenso para se tocar de cabo a rabo. Fora o fator nost\u00e1lgico de revisitar aquela \u00e9poca, t\u00e3o boa e importante.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rafael Bittencourt:<\/strong> \u201cA parte t\u00e9cnica nos coloca no limite. Nesses 20 anos do \u00e1lbum, tamb\u00e9m fui mudando muito a minha t\u00e9cnica. Acho que tamb\u00e9m mudamos o padr\u00e3o do que aceitamos entregar para as pessoas. Melhorou muito.\u201d<\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cSabe uma coisa curiosa? Toco mais confort\u00e1vel essas m\u00fasicas hoje do que eu tocava na \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cAh, eu tamb\u00e9m. Por\u00e9m, na \u00e9poca eu tolerava mais os erros. Hoje eu procuro ser mais exigente e chato comigo mesmo. Mas tecnicamente eu me sinto bem mais preparado.\u201d<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas dois participaram do \u00e1lbum, mas hoje a banda \u00e9 completa por outros tr\u00eas que n\u00e3o participaram. De que forma voc\u00eas enxergam o jeito como os outros integrantes receberam esse \u00e1lbum no momento de agora? O que eles costumam dizer desse \u00e1lbum especificamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cSinto que eles gostam muito do disco. Acham que \u00e9 um disco incr\u00edvel em todos os sentidos. E tamb\u00e9m representa para eles um desafio. Para eles, s\u00e3o arranjos de outros m\u00fasicos. Ent\u00e3o, existe sempre uma adapta\u00e7\u00e3o, uma peculiaridade t\u00e9cnica do cara que gravou, pois o <strong>Kiko<\/strong> [<strong>Loureiro<\/strong>, ex-guitarrista] toca um pouco diferente do Marcelo, o <strong>Aquiles<\/strong> [<strong>Priester<\/strong>, ex-baterista] toca um pouco diferente do Bruno, o <strong>Edu<\/strong> [<strong>Falaschi<\/strong>, ex-vocalista] canta bem diferente do Fabio. Gostamos desse tipo de desafio. A gente se assiste nos v\u00eddeos e aproveita para identificar: \u2018aqui d\u00e1 para melhorar\u2019. Se bem que tamb\u00e9m j\u00e1 faz\u00edamos isso na \u00e9poca. Film\u00e1vamos os shows e assist\u00edamos juntos. Era uma tortura, n\u00e9? Voc\u00ea est\u00e1 cansado depois do show, mas o Aquiles n\u00e3o deixava passar. Tinha que assistir, ficar comentando e criticando construtivamente para melhorar o show. Sempre fazemos isso.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Felipe Andreoli, do Angra\" height=\"1027\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/felipe-andreoli-angra-2023-foto-henrique-grandi.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Felipe Andreoli, do Angra &#8211; Foto: Henrique Grandi<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Al\u00e9m de tocar <em>Temple of Shadows<\/em> na \u00edntegra, voc\u00eas tocam m\u00fasicas de outras fases, incluindo uma atual, \u201cTide of Changes\u201d, do \u00e1lbum mais recente, <em>Cycles of Pain<\/em> (2023). Passado um ano e meio do lan\u00e7amento do disco, como voc\u00eas o enxergam hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cAcho que \u00e9 um dos melhores \u00e1lbuns do Angra. E assim como os melhores \u00e1lbuns do Angra, ele vai ganhando representatividade com o tempo. As pessoas ouvem e v\u00e3o dando significado para as m\u00fasicas conforme ouvem. \u00c9 um \u00e1lbum que fizemos para durar muito tempo e ser celebrado daqui 10, 15, 20 anos como um grande cl\u00e1ssico. Representa demais o momento em que estamos: um momento muito legal dentro da banda, com o melhor entrosamento e maior maturidade de todos os 34 anos de hist\u00f3ria. \u00c9 mais agrad\u00e1vel estar junto. Acho que isso reflete no show e refletiu tamb\u00e9m no \u00e1lbum <em>Cycles of Pain<\/em>.\u201d<\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201c<em>Cycles of Pain<\/em> foi t\u00e3o minuciosamente elaborado. Sou f\u00e3 de prog, e o prog \u00e9 aquele tipo de m\u00fasica que voc\u00ea vai descobrindo ao longo do tempo, com nuances que voc\u00ea n\u00e3o tinha notado antes. N\u00e3o s\u00f3 o prog \u2014 grandes bandas t\u00eam essa caracter\u00edstica, como o Tears for Fears, que vou descobrindo arranjos e detalhes que n\u00e3o tinha notado antes. O <em>Cycles of Pain<\/em> \u00e9 um desses \u00e1lbuns. As melodias, os grooves e os riffs n\u00e3o s\u00e3o coisas datadas deste momento. S\u00e3o coisas que representam a banda e est\u00e3o no patamar dos grandes trabalhos que o Angra j\u00e1 fez. Ser\u00e1 lembrado por muitos anos como um dos grandes discos da banda.<\/p>\n<p><iframe title=\"ANGRA - Tide Of Changes (Official Music Video)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x_kH0Php1sA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3>2) O hiato ap\u00f3s o show de 3 de agosto<\/h3>\n<p><strong>Voc\u00eas est\u00e3o em um bom momento, um momento tranquilo. A not\u00edcia de que voc\u00eas v\u00e3o dar uma pausa, de in\u00edcio, transmite uma sensa\u00e7\u00e3o oposta: a de que est\u00e3o parando por n\u00e3o estarem satisfeitos ou felizes. Mas se fosse assim, talvez a banda tivesse implodido e acabado, e n\u00e3o decidido por um hiato. Como se chegou \u00e0 decis\u00e3o por esse hiato e como a ideia foi discutida internamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cEu j\u00e1 vinha falando que queria um tempo para reorganizar internamente. Estamos vindo de uma corrida muito forte, emendando um \u00e1lbum no outro, uma turn\u00ea na outra, \u00e0s vezes duas turn\u00eas acontecendo ao mesmo tempo, como foi o caso da turn\u00ea do Ac\u00fastico [<em>Acoustic Live at Opera de Arame<\/em>], o lan\u00e7amento do \u00e1lbum [<em>Cycles of Pain<\/em>], depois a turn\u00ea do [20\u00ba anivers\u00e1rio do] <em>Temple of Shadows<\/em>. Todos estavam desgastados,a ponto de eu farejar que aquilo poderia gerar problema, de acabar minando \u2014 com o excesso de trabalho \u2014 e pessoas quererem sair da banda. Senti um ar que n\u00e3o era s\u00f3 meu, um certo descontentamento com o desgaste, ainda que n\u00e3o com o Angra em si. Acho que \u00e9 um bom momento para se reorganizar internamente e se fortalecer. As pessoas v\u00e3o pensar o que quiserem. Tem gente que fala que eu enriqueci com meu canal Amplifica e por isso n\u00e3o quero mais. Nada a ver. \u00c9 um absurdo essa \u2018informa\u00e7\u00e3o\u2019. Pelo contr\u00e1rio: fa\u00e7o muito por amor. Me dedico e estou investindo ainda no Amplifica para que ele um dia vire algo comercial. Mas o ponto \u00e9 que vejo que para mudar de patamar \u2014 e eu gostaria que o Angra mudasse de patamar, pois a gente tem muito prest\u00edgio e respeito de muitas camadas dentro da m\u00fasica, de jornalistas e outros m\u00fasicos \u2014, acho que precisamos dar uma parada para nos fortalecer. Pensar numa estrat\u00e9gia e se fortalecer ainda mais.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Rafael Bittencourt, do Angra\" height=\"966\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/rafael-bittencourt-angra-2023-foto-henrique-grandi.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Rafael Bittencourt, do Angra &#8211; Foto: Henrique Grandi<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cAcho que n\u00e3o \u00e9 uma pausa triste, de uma banda que est\u00e1 em crise e precisa parar porque n\u00e3o est\u00e1 rolando. Acho que o que nos d\u00e1 a possibilidade de fazer essa pausa \u00e9 o bom momento em que a gente se encontra. Tomamos essa decis\u00e3o; n\u00e3o fomos for\u00e7ados a parar. Partiu do Rafa, mas todos enxergam como um benef\u00edcio. Tantas bandas teriam se beneficiado de uma pausa assim e evitado tantos problemas, como gente que saiu. \u00c0s vezes, as pessoas precisam de um tempo, para fazer outras coisas, projetos em outras esferas, projetos pessoais, tempo para a fam\u00edlia: o que voc\u00ea tiver vontade de fazer. O Angra demanda da gente e n\u00e3o deixa essas outras coisas acontecerem. \u00c9 muito dif\u00edcil conciliar o Angra, full power, com outros projetos. Ent\u00e3o, essa pausa \u00e9 boa. Tenho certeza que a volta vai ser muito boa. Vai melhorar o que j\u00e1 est\u00e1 bom. Fazer ajustes e fazer ser mais legal.\u201d<\/p>\n<p><strong>Em algum momento passado da carreira, voc\u00ea acredita que o Angra teria se beneficiado com uma pausa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cCom certeza. \u00c9 isso que eu vejo hoje. Se est\u00e1 muito bom, com entrosamento, sucesso e crescimento como banda, basta uma viradinha \u2018assim\u2019 para aquilo virar dissid\u00eancia, desentendimento e mudan\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o. Acho que a pausa vem tamb\u00e9m para prevenir isso. \u00c9 um respiro. Trabalhamos muito. Entregamos tr\u00eas shows diferentes em t\u00e3o pouco tempo, al\u00e9m de dois \u00e1lbuns e turn\u00eas mundiais. N\u00e3o me sinto em d\u00e9bito. Em 34 anos, o legado que n\u00f3s constru\u00edmos \u00e9 de se tirar o chap\u00e9u. Ent\u00e3o, \u00e9 importante saber a hora de fazer uma pausa para justamente preservar.\u201d<\/p>\n<p><strong>Acho que algum integrante chegou a dizer que a previs\u00e3o seria de dois a tr\u00eas anos para esse hiato. \u00c9 mais ou menos por a\u00ed?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cO plano \u00e9 n\u00e3o ter plano. Uma das coisas que o Angra demanda demais \u00e9 justamente na parte de planejamento. As pessoas veem os shows e grava\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o veem o tempo que estamos trocando e-mail e mensagens, discutindo um monte de outros aspectos, fazendo esses planos. Temos uma ideia de tempo, mas estamos deixando rolar no sentido de que n\u00e3o temos compromisso com uma data, em voltar em tal ocasi\u00e3o. Queremos tempo e espa\u00e7o para pensar e planejar outras coisas. Queremos voltar, temos vontade de fazer mais coisas, mas precisamos dar um tempo. Quando todo mundo sentir vontade de tocar de novo, vamos voltar. Mas n\u00e3o temos nenhum tipo de compromisso. Nem de voltar ou de n\u00e3o voltar. Vai ser como tiver que ser, da melhor maneira poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p><strong>A ideia \u00e9 retornar com a mesma forma\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o hiato?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cSim, exato. A pausa \u00e9 pela quantidade de compromissos e turn\u00eas. Shows. Botar um pouco o p\u00e9 no freio. Mas \u00f3bvio que se houver um convite legal para uma celebra\u00e7\u00e3o, uma data especial, um festival&#8230; estamos abertos. N\u00e3o significa entrar em est\u00fadio agora para fazer um \u00e1lbum. Vamos come\u00e7ar uma nova turn\u00ea e fazer v\u00e1rias datas? N\u00e3o. Mas recebemos um convite para algo pontual, superespecial&#8230; ah, vamos pensar. N\u00e3o vai macular a pausa. E continua preservando.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Angra\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/angra-banda-2023-foto-henrique-grandi-01.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Angra &#8211; Foto: Henrique Grandi<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rafael, voc\u00ea disse que o show em S\u00e3o Paulo em 3 de agosto seria o \u00faltimo \u201cnos moldes atuais\u201d. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o tem a ver tamb\u00e9m com mudan\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o, correto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201c\u2018Moldes atuais\u2019 que eu quis falar foi internamente. Nossa maneira de trabalhar, t\u00e3o maluca, estar sempre em turn\u00ea, sempre emendando compromissos e num desespero de preencher todos os espa\u00e7os, com entrevista, ensaio, viagem, fazer m\u00fasica\u2026 entendeu? Sempre fomos muito obstinados. O heavy metal n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Come\u00e7amos os ensaios no ver\u00e3o de 1991 para 1992. At\u00e9 ent\u00e3o, existiam f\u00e9rias escolares, voc\u00ea viajava; com banda, n\u00e3o. Desde o come\u00e7o entramos no modo de ensaiar que nem maluco, dedicar-se que nem maluco para garantir esse espa\u00e7o t\u00e3o dif\u00edcil. Ent\u00e3o, sempre tivemos esse ritmo louco \u2014 o que \u00e9 fundamental, pois o heavy metal estava \u00e0 margem de todas as modas, ainda que os f\u00e3s permane\u00e7am bem leais. Mas precisa trabalhar muito para se manter. N\u00e3o tem como fazer \u2018mais ou menos\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>O Marcelo [Barbosa] at\u00e9 disse em uma entrevista recente que voc\u00ea teria sugerido do Angra fazer uma turn\u00ea sem voc\u00ea.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cQuando comecei a dizer que precisava tirar um tempo, eu n\u00e3o queria empatar o Angra. N\u00e3o quero prejudicar a banda ou que ela deixe de fazer os shows por minha causa. Foi por isso. Mas no fim, por uma somat\u00f3ria de fatores, pois n\u00e3o fui s\u00f3 eu que me agradei com a ideia de fazer a pausa, acabamos fazendo a pausa todo mundo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ningu\u00e9m te disse que a ideia era maluca, de fazer uma turn\u00ea sem voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201c[Risos] Claro que disse.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cDiscordo. J\u00e1 sobrevivemos a tantos desfalques. A figuras que eram t\u00e3o emblem\u00e1ticas e importantes. Acho que o Angra tem um nome muito forte, acima dos nomes individuais.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, do Angra\" height=\"966\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/rafael-bittencourt-felipe-andreoli-angra-2023-foto-henrique-grandi.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, do Angra &#8211; Foto: Henrique Grandi<\/figcaption><\/figure>\n<h3>3) As lembran\u00e7as de Temple of Shadows<\/h3>\n<p><strong>Voltando ao disco <em>Temple of Shadows<\/em>: \u00e0 \u00e9poca, ele gerou uma recep\u00e7\u00e3o um pouco mista. Teve gente que n\u00e3o entendeu uma parte dele, por ser um pouco experimental. E algo que o Angra sempre fez foi n\u00e3o se repetir. Mas ao longo do tempo, esse \u00e1lbum se fortificou e se tornou um cl\u00e1ssico. Quais lembran\u00e7as voc\u00eas t\u00eam de gravar e compor esse disco 20 anos atr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cEst\u00e1vamos numa fase em que passamos pela aprova\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar o <em>Rebirth<\/em> [\u00e1lbum anterior, de 2001] com uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e3o diferente da anterior [tr\u00eas novos integrantes]. A turn\u00ea e a recep\u00e7\u00e3o do <em>Rebirth<\/em> foram t\u00e3o boas que nos deu muita confian\u00e7a. Nos soltamos ao compor o <em>Temple of Shadows<\/em>, pois j\u00e1 n\u00e3o tinha mais o que provar. Os tr\u00eas mais novos tiveram mais liberdade e isso retroalimentou o Kiko e o Rafa para uma fase \u2018sangue nos olhos\u2019, sem limites, experimentando para ver at\u00e9 onde iria. Lembro que o <strong>Dennis<\/strong> [<strong>Ward<\/strong>, produtor] veio para o Brasil e ensai\u00e1vamos na casa do Kiko. Em algumas partes das m\u00fasicas, ele dizia assim: \u2018muito abstrato, isso \u00e9 muito abstrato\u2019. Ele nos ajudou a deixar as m\u00fasicas mais coesas, mas s\u00e3o mais experimentais \u2014 seja na dura\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o muito longas, ou na instrumenta\u00e7\u00e3o, com instrumentos diferentes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Recebi o Edu Falaschi aqui no est\u00fadio e tamb\u00e9m conversamos sobre esse disco. O atraso nas grava\u00e7\u00f5es da voz [devido a um refluxo] e os problemas que ele passou a ter na voz foram superados, mas isso deixou alguma inseguran\u00e7a em voc\u00eas? Trazer um novo vocalista e ele ter problema logo no segundo disco gerou algum clima de inseguran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cUm pouco, sim. Claro. Mas a primeira coisa \u00e9 o acolhimento. Dar amparo para que a pessoa se sinta segura. Se trate. Fa\u00e7a sua parte. J\u00e1 ca\u00edmos em turn\u00ea em seguida e foi melhorando.\u201d<\/p>\n<p><strong>Olhando para esse disco hoje, como voc\u00eas o enxergam? H\u00e1 v\u00e1rios cl\u00e1ssicos na discografia do Angra, mas como voc\u00eas posicionam esse disco no Angra e tamb\u00e9m no power metal como um todo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cAcho que ele \u00e9 um disco muito representativo do Angra. Tem muito do Angra, seja do lance mais brasileiro, o lance progressivo, o power metal, a virtuose, a m\u00fasica cl\u00e1ssica. Tudo isso est\u00e1 nesse disco e foi explorado a fundo. Muita riqueza. \u00c9 um bom disco para quem quer conhecer a banda. Acho que o <em>Cycles of Pain<\/em> \u00e9 um pouco assim tamb\u00e9m, na minha opini\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Angra - Wishing Well (Official)\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6b0Dn2mBaTs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Estando aqui com o autor das letras [Rafael], seria legal discutir isso, pois \u00e9 um disco disruptivo em tem\u00e1tica para esse segmento. Especialmente quando pensamos em power metal, as letras muitas vezes n\u00e3o t\u00eam esse senso cr\u00edtico, questionamentos como os trazidos pelo <em>Temple of Shadows<\/em>. Lendo entrevistas antigas suas, li que voc\u00ea disse que \u201cUnholy Wars\u201d [m\u00fasica do \u00e1lbum <em>Rebirth<\/em>] te trouxe para a tem\u00e1tica desse disco [a trama se passa durante as Cruzadas, um per\u00edodo marcado pelas contradi\u00e7\u00f5es da viol\u00eancia motivada pela f\u00e9 cega]. Como foi o processo de trabalhar nesse conceito e como as letras foram geradas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cDesde o come\u00e7o, me inspiro pelas contradi\u00e7\u00f5es humanas, o sistema de cren\u00e7as e como isso conflita com as a\u00e7\u00f5es. Um cara com camisa de Jesus brigando no tr\u00e2nsito, querendo matar o outro na porrada. A religi\u00e3o \u00e9 um campo maravilhoso. J\u00e1 fiz muito isso, antes mesmo do <em>Temple of Shadows<\/em> ou de \u2018Unholy Wars\u2019, como na m\u00fasica \u2018Lullaby for Lucifer\u2019, uma \u2018cantiga de ninar para L\u00facifer\u2019. Como as m\u00fasicas pareciam muito abstratas, fiquei preocupado que o \u00e1lbum e as m\u00fasicas parecessem desconectadas. Ent\u00e3o, quis uma hist\u00f3ria em que essas nuances, aparentemente t\u00e3o diferentes, fossem as nuances da hist\u00f3ria. Come\u00e7ou assim. Em 2003, 2004, era novo para mim pesquisar tudo no Google, fiquei deslumbrado com a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel. Ent\u00e3o, pesquisei muito sobre as Cruzadas e aquele momento da hist\u00f3ria em que a Igreja Cat\u00f3lica, em nome de Jesus e do amor e do perd\u00e3o, assassinava quem n\u00e3o acreditava nisso. \u00c9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o e gerou guerras. Durou s\u00e9culos. Achei que isso daria pano para uma hist\u00f3ria muito legal. Conforme ouvia as m\u00fasicas, pesquisava e pensava nas nuances, fui escrevendo essa fantasia. Como teve o atraso pelo problema na voz do Edu, pude reescrever muitas vezes as letras at\u00e9 chegar numa vers\u00e3o final. Por exemplo, a m\u00fasica \u2018Sprouts of Time\u2019 \u2014 que at\u00e9 hoje eu corrigiria o t\u00edtulo \u2014 foi a terceira vers\u00e3o de letra. Escrevi uma letra inteira, n\u00e3o fiquei contente, escrevi uma segunda e depois pude escrever a terceira, de tanto tempo que tive.\u201d<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea reescrevia do zero? Descartava a letra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cDeixava algumas frases. \u00c9 comum imaginar um assunto e come\u00e7ar a dissertar sobre ele na letra, a\u00ed de repente vem um insight muito legal, mas que cai em outro assunto, n\u00e3o aquele que voc\u00ea prop\u00f4s. Ent\u00e3o, eu guardava algum peda\u00e7o muito bom e mudava outro. Fazia uma outra conclus\u00e3o e, para ficar legal mesmo, tinha que mudar outra parte, que foi aquela que me fez mudar a primeira parte. \u00c9 para ter coer\u00eancia e ficar redondinho mesmo, um cr\u00f4nica misturada com poesia. Ao mesmo tempo, precisa ter frases f\u00e1ceis de memorizar, sonoridade interessante. Mudei muita coisa. Mudei por conta de fonemas. Como o Edu estava tratando o problema dele na voz, ele tinha mais dificuldade, por exemplo, para fazer o \u2018i\u2019 do que o \u2018e\u2019. Eu tinha que refazer as rimas. Ent\u00e3o, foi um exerc\u00edcio muito bom. Aprimorei o jeito de fazer letras, considerando sonoridade, conceito e conex\u00e3o entre as ideias.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Sprouts of Time\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AXEn5SFkhJs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea citou uma m\u00fasica que teve mexidas, \u201cSprouts of Time\u201d. Teve alguma que nasceu mais pronta? Seja na letra ou na parte da m\u00fasica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cO Edu traz as m\u00fasicas j\u00e1 quase prontas. \u00c9 um excelente compositor. Quando traz, j\u00e1 traz bem encaminhada. J\u00e1 comigo e o Kiko \u00e9 o seguinte: ele me empresta peda\u00e7os, e eu junto com outros peda\u00e7os. As m\u00fasicas acabam ficando grandes, pois vamos juntando v\u00e1rios peda\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cA \u2018Spread Your Fire\u2019 surgiu super-r\u00e1pido. Chegamos ao fim do processo e o Dennis achava que faltava uma m\u00fasica r\u00e1pida para abrir o disco. T\u00ednhamos \u2018The Temple of Hate\u2019, mas ele n\u00e3o sentia que era uma abertura de disco. A\u00ed o Edu j\u00e1 tinha o riff, trouxe ele de novo, e trabalhamos nele muito r\u00e1pido. Foi a \u00faltima m\u00fasica a ser feita, a mais r\u00e1pida, e acabou sendo a abertura do disco.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cEu nem lembrava disso! \u00c9 verdade.\u201d<\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cEle j\u00e1 tinha mostrado o riff, mas s\u00e3o tantas ideias. Quando voc\u00ea vai fazer um disco com 11 m\u00fasicas, tem pelo menos 30 ou 40 ideias. Muitas ideias boas ficam pelo caminho. No <em>Omni<\/em> [\u00e1lbum de 2018], teve um caso parecido. O Jens [Bogren, produtor de <em>Omni<\/em>] falou que precisava de uma m\u00fasica pesada, mais r\u00e1pida. Eu tinha um riff que j\u00e1 tinha mostrado, mas n\u00e3o tinha ido para lugar algum. Fui trabalhar de novo esse riff. Foi a \u2018War Horns\u2019, que acabou virando o clipe depois. \u2018Wishing Well\u2019, por exemplo, \u00e9 o refr\u00e3o de uma m\u00fasica do Edu com verso e ponte de outra m\u00fasica. Gost\u00e1vamos bastante de verso e ponte de uma, mas do refr\u00e3o, nem tanto. Gost\u00e1vamos bastante do refr\u00e3o de outra, mas do restante, nem tanto. O Dennis deu a ideia e juntar as duas, juntamos e virou \u2018Wishing Well\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cNem lembrava disso tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Spread Your Fire\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1kcvj1BW9p8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h3>4) Os planos individuais para o per\u00edodo de hiato<\/h3>\n<p><strong>Sei que voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o querendo fazer planos para esse hiato, mas o que voc\u00eas j\u00e1 definiram individualmente para depois do dia 3 de agosto, que ser\u00e1 o dia do \u00faltimo show da turn\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rafael:<\/strong> \u201cPretendo me dedicar ao meu canal, que \u00e9 o canal Amplifica. Ele est\u00e1 precisando de aten\u00e7\u00e3o para se estruturar, pois ganhou uma propor\u00e7\u00e3o maior do que eu imaginava. H\u00e1 projetos musicais que comecei l\u00e1 atr\u00e1s e acabei n\u00e3o me dedicando. O <strong>Bittencourt Project<\/strong>, que comecei em 2008 e n\u00e3o pude me dedicar. Gostaria de preparar um novo \u00e1lbum, voltar a fazer shows e fazer isso ter giro. Tenho um projeto em homenagem a <strong>Raul Seixas<\/strong>, com m\u00fasicas n\u00e3o t\u00e3o conhecidas, para justamente mudar a imagem que as pessoas t\u00eam dele. Vejo Raul Seixas como um grande g\u00eanio, mas ele tem um estigma de ser s\u00f3 um \u2018maluco beleza\u2019. Muitos n\u00e3o t\u00eam paci\u00eancia para as m\u00fasicas dele. Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito com ele, pois acho que \u00e9 minha refer\u00eancia principal na minha forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Ele est\u00e1 muito no Angra: nas letras, nos questionamentos da incoer\u00eancia e questionamentos filos\u00f3ficos e religiosos. Tamb\u00e9m estou me dedicando a um projeto infantil de audiovisual e v\u00e1rias outras coisas como collabs e m\u00fasicas que quero fazer em colabora\u00e7\u00e3o com outros artistas.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Dedicated My Soul - Bittencourt Project Live Brainworms 2016 - Remasterizado\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IAuecNUxDKs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea, Felipe?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cQuero me dedicar mais aos meus cursos de baixo, gravar um novo curso e atualizar os que j\u00e1 tenho, me dedicar bastante a essa parte did\u00e1tica. Tamb\u00e9m quero fazer meu segundo disco solo, s\u00f3 com a pausa do Angra para ser poss\u00edvel. Tamb\u00e9m tenho muita vontade \u2014 e o projeto \u2014 de fazer um disco com releituras de compositores brasileiros. At\u00e9 comecei a fazer. Teve um festival de m\u00fasica instrumental recentemente em que o homenageado era o <strong>Oswaldo Montenegro<\/strong>, e eu gravei uma vers\u00e3o do Oswaldo. Apesar de a m\u00fasica n\u00e3o ter entrado no festival, ela me inspirou a fazer o mesmo tipo de releitura de outros compositores brasileiros. \u00c9 algo que eu quero fazer.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Felipe Andreoli - Chaos Theory [Live in S\u00e3o Paulo at Bourbon Street]\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_DpwtUv68mg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Em quais compositores voc\u00ea pensou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Felipe:<\/strong> \u201cEm todos que eu amo. <strong>Egberto Gismonti<\/strong>, <strong>Djavan<\/strong>, <strong>Ivan Lins<\/strong>, <strong>Fl\u00e1vio Venturini<\/strong>, <strong>Guilherme Arantes<\/strong>, <strong>Marisa Monte<\/strong>, <strong>Milton Nascimento<\/strong>, <strong>Gilberto Gil<\/strong>. Tem tantos. \u00c9 muito dif\u00edcil, na verdade, escolher um repert\u00f3rio. Mas est\u00e1 no processo. Al\u00e9m disso, continuar tocando com o <strong>Matanza Ritual<\/strong>, como venho fazendo. Lan\u00e7amos um disco esse ano, <em>A Vingan\u00e7a \u00c9 Meu Motor<\/em>, e estamos na turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o consigo participar constantemente, pois o Angra acaba tomando bastante do meu tempo. E estou tamb\u00e9m na turn\u00ea com o projeto solo do Kiko. Em novembro e dezembro, vamos fazer uma turn\u00ea grande pela Europa, tocando, inclusive, em pa\u00edses em que nunca toquei, como Finl\u00e2ndia e Turquia, o que deve se estender para o ano que vem. E projetos pessoais, grandes e importantes, que precisam da minha dedica\u00e7\u00e3o e do meu tempo.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"ANGRA - Rolling Stone Entrevista #24\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ACgIpPldaXI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Edu Falaschi fala \u00e0 RS sobre turn\u00ea, Temple of Shadows, pr\u00f3ximo \u00e1lbum e Guilherme Arantes<br \/>+++ LEIA MAIS: O baterista brasileiro que mudou a vida de Aquiles Priester<br \/>+++ LEIA MAIS: O guitarrista de metal que pode ajudar Toninho Geraes a vencer Adele na Justi\u00e7a<br \/>+++ LEIA MAIS: <\/strong><strong>Tr\u00eas brasileiros s\u00e3o eleitos melhores bateristas do mundo pela Modern Drummer<\/strong><br \/><strong>+++ Clique aqui para seguir a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram<br \/>+++ Clique aqui para seguir o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/angra-conta-a-rs-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-hiato-shows-finais-e-temple-of-shadows\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Angra vai parar. N\u00e3o em definitivo, claro. Desde setembro do ano passado, os f\u00e3s de uma das maiores bandas de heavy metal da hist\u00f3ria do Brasil est\u00e3o cientes de que o grupo dar\u00e1 uma pausa nas atividades, por tempo indeterminado, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de sua atual turn\u00ea, em celebra\u00e7\u00e3o aos 20 anos de seu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":33563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-33562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33562\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}