{"id":32961,"date":"2025-07-28T15:44:25","date_gmt":"2025-07-28T18:44:25","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/tarifaco-de-trump-deixa-licoes-duras-para-o-brasil\/"},"modified":"2025-07-28T15:44:25","modified_gmt":"2025-07-28T18:44:25","slug":"tarifaco-de-trump-deixa-licoes-duras-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/tarifaco-de-trump-deixa-licoes-duras-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Tarifa\u00e7o de Trump deixa li\u00e7\u00f5es duras para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O tarifa\u00e7o imposto ao Brasil pelo presidente americano Donald Trump j\u00e1 faz sangrar os setores mais dependentes do com\u00e9rcio com os Estados Unidos. Empresas v\u00eam reduzindo a produ\u00e7\u00e3o destinada \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, que ter\u00e3o as al\u00edquotas aumentadas para 50% a partir de 1.\u00ba de agosto.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Mas o tsunami comercial pode trazer li\u00e7\u00f5es tanto para o governo quanto para a iniciativa privada. A principal delas \u00e9 o alerta para a necessidade de maior inser\u00e7\u00e3o do Brasil no com\u00e9rcio mundial \u2014 o que, na pr\u00e1tica, significa ter mais parceiros e mais oportunidades de com\u00e9rcio bilateral.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Apesar dos discursos oficiais em defesa da integra\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds continua figurando entre os mais protecionistas do mundo. Essa baixa diversifica\u00e7\u00e3o deixa o Brasil especialmente vulner\u00e1vel: quando um parceiro importante imp\u00f5e barreiras, faltam alternativas r\u00e1pidas para redirecionar as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Neste domingo (27), Trump confirmou que as tarifas anunciadas entrar\u00e3o em vigor no dia 1.\u00ba, como planejado. O Brasil foi a grande exce\u00e7\u00e3o entre os principais parceiros comerciais dos EUA.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Nos \u00faltimos dias, Reino Unido, Vietn\u00e3, Indon\u00e9sia, Filipinas e Jap\u00e3o conseguiram negociar a redu\u00e7\u00e3o das taxas anunciadas pelo governo americano. O presidente americano anunciou ainda um acordo comercial com a Uni\u00e3o Europeia, reduzindo as tarifas impostas ao bloco de 30% para 15%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No Brasil, a importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os representa apenas 15,7% do Produto Interno Bruto (PIB) \u2014 a sexta menor porcentagem do mundo entre 189 pa\u00edses, segundo o Banco Mundial. \u201cEstamos muito isolados\u201d, destaca Sim\u00e3o Davi Silber, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo. \u201cO Brasil tem uma das economias mais fechadas do planeta, s\u00f3 perdendo para o Sud\u00e3o, que est\u00e1 em guerra com o Sud\u00e3o do Sul, o Turcomenist\u00e3o, a Argentina e a Eti\u00f3pia. E vem, j\u00e1 h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, perdendo a chance de se inserir no com\u00e9rcio global.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para ele, o baixo porcentual \u00e9 consequ\u00eancia da \u201cinsist\u00eancia em produzir quase tudo internamente\u201d. \u201cO resultado \u00e9 uma produtividade muito baixa\u201d, afirma. Na avalia\u00e7\u00e3o do economista, seria necess\u00e1rio dobrar essa participa\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es no PIB para que o pa\u00eds consiga impulsionar o crescimento econ\u00f4mico \u2014 hoje, um dos maiores desafios do Brasil. \u201cSe compr\u00e1ssemos componentes melhores no exterior, conseguir\u00edamos promover inova\u00e7\u00e3o e aumentar a competitividade global das nossas empresas\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No ritmo de crescimento atual, alerta S\u00edlber, a renda per capita do brasileiro levar\u00e1 70 anos para dobrar.<\/p>\n<div class=\"postViewMore_post-view-more-container___5wai\" data-mrf-recirculation=\"Post - Veja tamb\u00e9m\">\n<p class=\"gp-styles-module-size-small-afeYRa gp-styles-module-font-family2-afeYRa gp-styles-module-color-secondary-afeYRa gp-styles-module-weight-bold-afeYRa\">VEJA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<ul class=\"postViewMore_post-view-more-list__CU_CE\">\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\"><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-icon___stPC\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"16\" height=\"16\" viewbox=\"0 0 16 16\"><rect width=\"16\" height=\"16\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(3 3)\"><path d=\"M22.5,15l3.4,3.4-3.4,3.4\" transform=\"translate(-15.896 -11.793)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><path d=\"M6,6v4.2a2.452,2.452,0,0,0,2.5,2.4H16\" transform=\"translate(-6 -6)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><\/g><\/svg><\/span><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-text__hO_kM\">Lula conversa com presidente do M\u00e9xico sobre \u201cincertezas\u201d com tarifas de Trump<\/span><\/li>\n<li class=\"postViewMore_post-view-more-item__2MzRb\"><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-icon___stPC\"><svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"16\" height=\"16\" viewbox=\"0 0 16 16\"><rect width=\"16\" height=\"16\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(3 3)\"><path d=\"M22.5,15l3.4,3.4-3.4,3.4\" transform=\"translate(-15.896 -11.793)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><path d=\"M6,6v4.2a2.452,2.452,0,0,0,2.5,2.4H16\" transform=\"translate(-6 -6)\" fill=\"none\" stroke=\"#717171\" stroke-linecap=\"round\" stroke-width=\"1.4\"\/><\/g><\/svg><\/span><span class=\"postViewMore_post-view-more-link-text__hO_kM\">Trump cerca parceiros da China com acordos comerciais<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Protecionismo \u00e9 heran\u00e7a antiga<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria nacional n\u00e3o \u00e9 nova. \u201cO Brasil j\u00e1 usava o modelo nos anos 1930, mas ele ganhou for\u00e7a mesmo no p\u00f3s-guerra, especialmente nos anos 1950, como parte da pol\u00edtica de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es adotada por muitos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, explica Silber. A escassez de divisas e o colapso do com\u00e9rcio internacional durante a Segunda Guerra refor\u00e7aram essa l\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No p\u00f3s-guerra, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) consolidou essa vis\u00e3o, defendendo que a Am\u00e9rica Latina precisava romper com a depend\u00eancia de exportar produtos prim\u00e1rios e importar bens industrializados caros, fechando o mercado para estimular o crescimento da ind\u00fastria local.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Atualmente, o protecionismo brasileiro se traduz nas tarifas m\u00e9dias aplicadas a produtos importados: 7,26%, mais que o dobro da m\u00e9dia global, que gira entre 2% e 3%, segundo dados atualizados do Banco Mundial.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Na rela\u00e7\u00e3o bilateral com os Estados Unidos, a assimetria \u00e9 ainda mais evidente. Estimativas do setor privado americano mostram que o Brasil aplica uma tarifa m\u00e9dia de cerca de 5,8% sobre produtos dos EUA, enquanto os americanos imp\u00f5em apenas 1,3% sobre produtos brasileiros.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Al\u00e9m das tarifas, uma s\u00e9rie de barreiras regulat\u00f3rias torna a entrada de produtos estrangeiros ainda mais dif\u00edcil. Um estudo do banco BTG Pactual, com base na plataforma WITS (World Integrated Trade Solution), revelou que 86,4% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras est\u00e3o sujeitas a algum tipo de barreira \u2014 como exig\u00eancias sanit\u00e1rias, certifica\u00e7\u00f5es do Inmetro ou da Anvisa, licen\u00e7as de importa\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas espec\u00edficas. O \u00edndice est\u00e1 bem acima da m\u00e9dia global, de 72%, e supera o dos Estados Unidos (77%), conhecidos por seu sistema regulat\u00f3rio rigoroso.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Pa\u00edses asi\u00e1ticos abdicaram de protecionismo<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Silber lembra que pa\u00edses asi\u00e1ticos, como Coreia do Sul, Taiwan e Mal\u00e1sia, tamb\u00e9m adotaram medidas protecionistas no p\u00f3s-guerra, mas reorientaram suas estrat\u00e9gias a partir das d\u00e9cadas de 1960 e 1970. \u201cCombinando investimentos em educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura e incentivos \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, essas na\u00e7\u00f5es criaram zonas econ\u00f4micas especiais, facilitaram a entrada de capital estrangeiro e se integraram \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, apostando em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e ganhos de competitividade\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Enquanto isso, o Brasil manteve uma estrutura tarif\u00e1ria elevada e apostou em acordos regionais de baixo dinamismo, como o Mercosul. \u201cA \u00c1sia se abriu para o mundo, passou a importar mais para poder exportar melhor. J\u00e1 a Am\u00e9rica Latina, em especial o Brasil, continuou fechada. E a \u00fanica abertura que houve, no \u00e2mbito do Mercosul, foi com parceiros muito pobres, o que limitou os ganhos\u201d, observa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A \u00fanica tentativa significativa de abertura brasileira ocorreu nos anos 1990, durante o governo de Fernando Collor, de maneira abrupta e question\u00e1vel. Mais tarde, com Fernando Henrique Cardoso, ensaiou um voo t\u00edmido. \u201cLula, por sua vez, aumentou o protecionismo\u201d, afirma Silber.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Hoje o contraste \u00e9 claro: o Brasil responde por menos de 1% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais, enquanto a Coreia do Sul, com popula\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rio menores, aparece com 2,5% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais em 2023, segundo Banco Mundial.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Tarifa\u00e7o de Trump sobre o Brasil imp\u00f5e li\u00e7\u00e3o, mas tarefa \u00e9 ingl\u00f3ria   <\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para L\u00edvio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), a li\u00e7\u00e3o da abertura pode ser assimilada pelo empresariado, mas a tarefa n\u00e3o \u00e9 simples. Al\u00e9m de falta de vis\u00e3o governamental sobre o tema, h\u00e1 tamb\u00e9m diverg\u00eancias conceituais entre a validade da medida para pa\u00edses emergentes e, sobretudo, forte resist\u00eancia de parte do empresariado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cO protecionismo, como a pol\u00edtica industrial, s\u00f3 faz sentido at\u00e9 que a ind\u00fastria nacional desenvolva musculatura suficiente pra competir dentro e fora do pa\u00eds\u201d, explica Ribeiro. \u201cMas o Brasil nunca conseguiu isso. H\u00e1 d\u00e9cadas usamos o argumento da \u2018ind\u00fastria nascente\u2019, que se traduziu apenas em reserva de mercado. O resultado s\u00e3o setores protegidos, caros e pouco competitivos.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O pesquisador explica que tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 consenso entre economistas de que a inser\u00e7\u00e3o global, por si s\u00f3, gere crescimento. \u201cTem quem defenda que isso deve ser feito num tempo certo, com pol\u00edtica adequada\u201d, afirma. \u201cA maioria da academia acredita na integra\u00e7\u00e3o como fator de produtividade, mas n\u00e3o \u00e9 unanimidade.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Abrir o mercado, na sua avalia\u00e7\u00e3o, traria benef\u00edcios \u2014 mais competi\u00e7\u00e3o, pre\u00e7os menores, maior bem-estar. \u201cMas tem quem diga que o Brasil \u00e9 grande, precisa gerar empregos, e que a ind\u00fastria n\u00e3o aguenta competi\u00e7\u00e3o aberta\u201d, explica. \u201cEnt\u00e3o, escolhemos subsidiar a ind\u00fastria mesmo que ela seja ineficiente. O argumento de gera\u00e7\u00e3o de emprego e crescimento acaba sendo usado como pretexto pra manter prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pra fomentar competitividade.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Ele lembra tamb\u00e9m o apelo populista da pol\u00edtica. \u201cQuando voc\u00ea pergunta para o cidad\u00e3o brasileiro m\u00e9dio se tem que proteger a ind\u00fastria nacional, 90% v\u00e3o dizer que sim, sem entender que isso significa produto pior e mais caro.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Ribeiro destaca tamb\u00e9m as dificuldades para repetir a experi\u00eancia asi\u00e1tica, como falta de produtividade (com base educacional) e de log\u00edstica eficiente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cNosso custo log\u00edstico \u00e9 crescente, n\u00e3o decrescente. Temos setores e empresas competitivos, como Embraer, JBS, Vale, WEG&#8230;, mas d\u00e1 pra contar nos dedos de uma m\u00e3o\u201d, afirma. \u201cN\u00e3o s\u00e3o setores \u2014 s\u00e3o empresas. A base industrial n\u00e3o \u00e9 competitiva. A agenda da ind\u00fastria brasileira, por sua vez, em vez de reivindicar pol\u00edticas horizontais que aumentem a competitividade geral, busca pol\u00edticas verticais \u2014 subs\u00eddio e prote\u00e7\u00e3o para setores espec\u00edficos.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Trump impulsiona acordos com tarifa\u00e7o<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Mesmo com resist\u00eancias internas, os especialistas ouvidos pela <strong>Gazeta do Povo<\/strong> concordam que a atitude intempestiva de Trump com o tarifa\u00e7o deve impulsionar os pa\u00edses, n\u00e3o apenas o Brasil, a procurar fazer acordos fora da \u00f3rbita americana. \u201cA li\u00e7\u00e3o do tarifa\u00e7o pode at\u00e9 ser assimilada, mas a tarefa, no nosso caso, n\u00e3o \u00e9 simples\u201d, avalia Ribeiro.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Na sua avalia\u00e7\u00e3o, os Estados Unidos s\u00e3o o maior mercado mundial e a pauta que o Brasil tem com os americanos \u00e9 muito diferente da m\u00e9dia das nossas exporta\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 uma pauta intraind\u00fastria, com produtos manufaturados, partes e pe\u00e7as de meio de cadeia\u201d, explica. \u201cAlgumas coisas est\u00e3o na ponta, como avi\u00f5es, mas no geral exportamos componentes. N\u00e3o d\u00e1 para deslocar isso para outro lugar rapidamente. Voc\u00ea n\u00e3o simplesmente transfere isso para Europa, M\u00e9xico ou China.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Al\u00e9m disso, um acordo, mesmo assinado, leva anos para afetar de fato a estrutura comercial. \u201c\u00c9 importante negociar, diversificar, resolver as tens\u00f5es na diplomacia \u2014 n\u00e3o com confrontos diretos, como o Trump tenta. Mas os efeitos disso n\u00e3o s\u00e3o de curto prazo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Para ele, a tarifa de 50% n\u00e3o deixar\u00e1 alternativa para os setores atingidos, em especial o agroneg\u00f3cio. &#8220;V\u00e3o perder renda&#8221;, diz. &#8220;O governo pode at\u00e9 discutir linhas especiais de cr\u00e9dito, como j\u00e1 tem feito. Mas de novo: \u00e9 pol\u00edtica vertical, n\u00e3o pol\u00edtica industrial horizontal para atingir a todos os segmentos.\u201d<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">S\u00edlvio Campos Neto, economista da consultoria Tend\u00eancias, ressalta que, embora do ponto de vista econ\u00f4mico a import\u00e2ncia de ter um grau maior de abertura seja um dos grandes \u201clegados\u201d do tarifa\u00e7o, \u00e9 inevit\u00e1vel observar que a proemin\u00eancia da economia americana torna a tarefa ingl\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">\u201cSe esse epis\u00f3dio funcionar como uma alavanca para destravar o acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, j\u00e1 seria um ganho importante, principalmente diante da animosidade com os EUA e dos aspectos geopol\u00edticos envolvidos\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para Silber, da USP, as iniciativas de inser\u00e7\u00e3o mundial, que devem ser predominantemente governamentais, n\u00e3o parecem estar no radar. A iniciativa privada, mesmo querendo, tem poucas condi\u00e7\u00f5es de articular pol\u00edticas setoriais de incremento \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 uma coisa que n\u00e3o vai acontecer nesta gest\u00e3o, porque n\u00e3o faz parte da cartilha do PT, que \u00e9 nacionalista e protecionista por natureza&#8221;, afirma. &#8220;Teremos que esperar outro governo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/economia\/tarifaco-de-trump-escancara-isolamento-do-brasil-e-deixa-duras-licoes-ao-pais\/\">Gazeta do Povo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tarifa\u00e7o imposto ao Brasil pelo presidente americano Donald Trump j\u00e1 faz sangrar os setores mais dependentes do com\u00e9rcio com os Estados Unidos. Empresas v\u00eam reduzindo a produ\u00e7\u00e3o destinada \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, que ter\u00e3o as al\u00edquotas aumentadas para 50% a partir de 1.\u00ba de agosto. 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