{"id":32541,"date":"2025-07-26T08:49:41","date_gmt":"2025-07-26T11:49:41","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/o-que-matou-raul-seixas-e-a-unica-droga-liberada-o-alcool\/"},"modified":"2025-07-26T08:49:41","modified_gmt":"2025-07-26T11:49:41","slug":"o-que-matou-raul-seixas-e-a-unica-droga-liberada-o-alcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-que-matou-raul-seixas-e-a-unica-droga-liberada-o-alcool\/","title":{"rendered":"\u201cO que matou Raul Seixas \u00e9 a \u00fanica droga liberada, o \u00e1lcool\u201d"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Quando os n\u00fameros conseguem explicar uma pessoa, n\u00e3o importa a equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica desses n\u00fameros, mas sim esse algu\u00e9m \u201ca mais\u201d que os n\u00fameros explicam; esse algu\u00e9m que ultrapassa a soma zero na teoria dos jogos humanos. <strong>Paulo Coelho<\/strong> \u00e9 uma dessas pessoas. Vender mais de 350 milh\u00f5es de livros \u2013 sete vezes mais do que os vendidos pelo segundo escritor brasileiro mais lido, <strong>Jorge Amado<\/strong> \u2013 \u00e9 ingressar na lista dos top 25 do mundo. Melhor do que isso, independentemente da posi\u00e7\u00e3o no ranking, \u00e9 fazer parte da privilegiada lista da hist\u00f3ria da literatura universal, considerando todas as l\u00ednguas.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de l\u00ednguas, estar presente nas prateleiras de livrarias e bibliotecas p\u00fablicas e privadas em mais de 170 pa\u00edses \u00e9 um feito que tamb\u00e9m coloca <strong>Paulo Coelho<\/strong> ao lado de <strong>Cam\u00f5es<\/strong>, <strong>Saint-Exup\u00e9ry<\/strong>,<strong>\u00a0Twain<\/strong>, <strong>Cervantes<\/strong>, <strong>Shakespeare<\/strong>, <strong>Tolst\u00f3i<\/strong>, <strong>Borges<\/strong>, <strong>Hemingway<\/strong> e outros poucos que transcendem as vendas e s\u00e3o os mais lidos em todo o planeta, ontem e hoje. Como diria <strong>M\u00e1rio Jorge Lobo Zagallo<\/strong>, os cr\u00edticos t\u00eam que engoli-lo.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno <strong>Paulo Coelho<\/strong>, por\u00e9m, ultrapassa seus pr\u00f3prios n\u00fameros &#8211; que podem aumentar, assim como sua obra, porque, diferentemente dos outros, ele est\u00e1 vivo. Ele agrega um diferencial pouco comum: tamb\u00e9m \u00e9, ou foi, letrista. Dessa vez, sua notoriedade \u00e9 refor\u00e7ada pela parceria que deu \u00e0s suas letras um mito exclusivamente brasileiro: <strong>Raul Seixas<\/strong>. O seriado, que a <strong>Globoplay<\/strong> acaba de lan\u00e7ar e rapidamente se tornou um dos mais assistidos no pa\u00eds, narrando de forma impec\u00e1vel a vida truncada do artista baiano que driblou a ditadura melhor do que ningu\u00e9m, revela o que j\u00e1 se sabia, mas n\u00e3o estava t\u00e3o incorporado na mem\u00f3ria dos milh\u00f5es de f\u00e3s: a simbiose entre <strong>Coelho<\/strong> e <strong>Seixas<\/strong>, ou melhor, entre <strong>Paulete<\/strong> e <strong>Raul<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda que nunca tenha sa\u00eddo do interesse popular e jornal\u00edstico, <strong>Paulo Coelho<\/strong> voltou. De volta \u00e0s m\u00eddias e na boca das pessoas, que, saciando ansiedades, devoraram os oito epis\u00f3dios de <em><strong>Raul Seixas: Eu Sou<\/strong><\/em> de uma s\u00f3 vez, um ap\u00f3s o outro. O pr\u00f3prio <strong>Paulo<\/strong> tamb\u00e9m os assistiu assim, sem pausas, como revelou em entrevista exclusiva \u00e0 <em><strong>Rolling Stone Brasil<\/strong><\/em>, quebrando o jejum de entrevistas que se imp\u00f4s ap\u00f3s a pandemia, para n\u00e3o interromper o momento de reflex\u00e3o que vive em Genebra, Su\u00ed\u00e7a, onde reside h\u00e1 dez anos, ap\u00f3s ter passado a d\u00e9cada anterior nos Pirineus franceses, sob a inspira\u00e7\u00e3o da Virgem de Lourdes.<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Paulo Coelho (Foto: Foto: Matej Divizna\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Paulo, gostou da s\u00e9rie?<\/strong><br \/>Sim, sim. Olha, quando acabei de assistir, comecei a chorar, porque foi muito fiel, exceto por uma coisa.<\/p>\n<p><strong>Qual?<\/strong><br \/>Quando sa\u00ed da pris\u00e3o, n\u00e3o fui \u00e0 casa do Raul, ao contr\u00e1rio. Todo mundo sumiu naquela \u00e9poca&#8230; Mas, pelo resto, foi muito fiel, at\u00e9 a coisa do telefonema \u00e9 verdade.<\/p>\n<p><strong>Foi essa fidelidade da s\u00e9rie que o fez chorar?<\/strong><br \/>A\u00ed, cara, eu disse: \u201cPorra, nesses anos que passei com o Raul, vivi muito\u201d. Quer dizer, sempre vivi muito. N\u00e3o tenho do que me queixar com o Paulo que j\u00e1 deu mais de uma vez uma volta no mundo. Comecei a chorar.<\/p>\n<p><strong>Ver sua juventude passar o emocionou at\u00e9 as l\u00e1grimas. Foi isso?<\/strong><br \/>Sim. A empregada que estava em casa perguntou: \u201cEst\u00e1 chorando por qu\u00ea?\u201d Eu disse: \u201cPorque acabei de ver a s\u00e9rie, ali\u00e1s, voc\u00ea tem que ver\u201d. A\u00ed ela disse: \u201cAh, vou ver\u201d. Acho que n\u00e3o viu at\u00e9 hoje. Mas foi muito emocionante.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que voc\u00ea come\u00e7ou pelo momento em que ficou preso no DOPS (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social), a for\u00e7a policial secreta da ditadura militar, voc\u00ea estava mesmo afiliado ao Partido Comunista?<\/strong><br \/>Nada.<\/p>\n<p><strong>Mas, a s\u00e9rie d\u00e1 a entender que voc\u00ea estava afiliado\u2026<\/strong><br \/>N\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 a entender isso. Eu fui trocado por outra pessoa com o mesmo nome, um hom\u00f4nimo.<\/p>\n<p><strong>O Raul fala isso para o policial que o interroga. Mas no seriado parece ser uma \u201csa\u00edda de emerg\u00eancia\u201d do Raul em defesa sua. Bom esclarecer isso.<\/strong><br \/>Depois, saiu o livro \u201cRaul Seixas: N\u00e3o Diga Que a Can\u00e7\u00e3o Est\u00e1 Perdida\u201d e o autor [Jotab\u00ea Medeiros] foi pesquisar e descobriu que era um hom\u00f4nimo do Partido Comunista. Ele contou que tinha sido confundido com outro cara chamado Paulo Coelho Pinheiro. Eu sou o Paulo Coelho de Souza. Sei l\u00e1, eu s\u00f3 pensava em sexo, drogas e rock and roll. N\u00e3o tinha a menor chance.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o era uma gera\u00e7\u00e3o politizada. Obviamente, incomodava a ditadura, mas sexo, droga e rock and roll era o que rolava, essa \u00e9 a verdade. Tamb\u00e9m n\u00e3o era uma exclusividade de voc\u00eas; era parte dessa gera\u00e7\u00e3o. Aqueles dias nos quais voc\u00ea esteve detido, o que aconteceu?<\/strong><br \/>Me torturaram. Ali\u00e1s, eu escrevi um texto para o Washington Post, no qual descrevo em detalhes a tortura. Quando eu era torturado, eu dizia que confessaria o que quisessem. Eles n\u00e3o queriam confiss\u00e3o nenhuma, mas me dar um susto. Acho que a essa altura eles j\u00e1 tinham conclu\u00eddo que eu n\u00e3o tinha nada a ver.<\/p>\n<p><strong>Por isso liberam voc\u00ea? <\/strong><br \/>Sim, porque descobrem que eu n\u00e3o tenho nada a ver com aquilo&#8230; Eu era a pessoa errada. Era outro cara que pertencia ao Partido Comunista e tinha o mesmo nome que eu, entende?<\/p>\n<p><strong>E o Raul tamb\u00e9m n\u00e3o era politizado?<\/strong><br \/>N\u00e3o. Mas ele entrou e saiu; aquilo que a s\u00e9rie define. \u201cA gente n\u00e3o est\u00e1 atr\u00e1s de voc\u00ea, Raul. Est\u00e1 atr\u00e1s do seu parceiro\u201d. E o \u201cseu parceiro\u201d era eu.<\/p>\n<p><strong>A cena em que voc\u00ea est\u00e1 esperando ele, l\u00e1 dentro do DOPS, e ele sai e vai ao telefone; como os policiais sabiam que voc\u00ea estava a\u00ed? Essa cena \u00e9 correta? S\u00f3 pegaram voc\u00ea porque foi acompanhar Raul? <\/strong><br \/>Exatamente. E ele pegou o telefone e cantou. O que n\u00e3o \u00e9 correto \u00e9 que sa\u00ed e fui encontrar com ele. Eu fui para a casa dos meus pais.<\/p>\n<p><strong>Seus pais, tamb\u00e9m cariocas, eram intelectuais que nem voc\u00ea? Digamos, dedicados \u00e0 m\u00fasica, escrita ou alguma atividade nesse sentido? <\/strong><br \/>N\u00e3o, n\u00e3o&#8230; ao contr\u00e1rio. Eles queriam que eu fosse igual a eles \u2014 diploma, ir para a universidade, esse tipo de coisa \u2014, e por isso me internaram tr\u00eas vezes numa casa de sa\u00fade. Porque eu n\u00e3o queria ser igual a eles. A\u00ed me botaram numa casa de sa\u00fade&#8230; Ali\u00e1s, eu tenho uma funda\u00e7\u00e3o aqui [em Genebra, Su\u00ed\u00e7a] com um cofre, que era de um antigo banco, e eu comprei. Marcelo, meu arquiteto, colocou s\u00f3 a minha ficha de preso e a minha ficha da evas\u00e3o da casa de sa\u00fade dentro do cofre.<\/p>\n<p><strong>E seu pai era profissional de qual \u00e1rea?<\/strong><br \/>Engenheiro civil.<\/p>\n<p><strong>Seus pais morreram quando voc\u00ea j\u00e1 tinha sido um escritor de sucesso ou faleceram antes?<\/strong><br \/>Minha m\u00e3e faleceu muito antes. Sem desculpa de me ter colocado numa casa de sa\u00fade. Porque eu estava maluco. Eu queria ser algu\u00e9m que era diferente do que eles imaginavam. Meu pai depois faleceu e eu, gra\u00e7as a Deus, tive a condi\u00e7\u00e3o de ajud\u00e1-lo com dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Essa atitude diferente que voc\u00ea tinha, como voc\u00ea era muito novo e j\u00e1 escrevia na Revista 2001, de onde voc\u00ea acha que surge essa inclina\u00e7\u00e3o para as letras, a m\u00fasica? Ainda que voc\u00ea, quando conhece Raul na s\u00e9rie, fala que n\u00e3o \u00e9 muito ligado com m\u00fasica, mas depois, evidentemente, foi um letrista fant\u00e1stico.<\/strong><br \/>A s\u00e9rie, nesse ponto, \u00e9 fiel. Isso tamb\u00e9m est\u00e1 na minha biografia, \u201cO Mago\u201d, escrita por Fernando Moraes. Vale a pena ver. Conta a minha vida toda. \u00c9 muito fiel.<\/p>\n<p><strong>Essa coisa intelectual sua surge\u2026 de livros? Qual era o seu Quixote? Porque o Quixote aparece muito na vida do Raul.<\/strong><br \/>\u00c9, \u00e9. Bom, Quixote \u00e9 uma refer\u00eancia para todo mundo, n\u00e9? Por\u00e9m, o meu escritor preferido \u00e9 um argentino.<\/p>\n<p><strong>Jorge Luis Borges.<\/strong><br \/>Borges tem hist\u00f3rias magn\u00edficas. Eu li tudo do Borges. Mas Quixote eu li meio por obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quixote \u00e9 muito longo.<\/strong><br \/>Muito.<\/p>\n<p><strong>Acho que todos n\u00f3s lemos por obriga\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>Deixa eu te perguntar. Borges era leitura obrigat\u00f3ria na Argentina?<\/p>\n<p><strong>Nunca foi. Ali\u00e1s, ele precisou ter reconhecimento internacional para se consagrar em seu pa\u00eds.<\/strong><br \/>\u00c9 igual ao Brasil. Com exce\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, todos os pa\u00edses s\u00e3o assim com seus nativos, entende? Voc\u00ea sabe que Borges nasceu no mesmo dia em que nasci, 24 de agosto? E morreu aqui, em Genebra, onde vivo agora\u2026<\/p>\n<p><strong>Bela coincid\u00eancia. Por que voc\u00ea escolheu, agora, depois dos Pirineus franceses, Genebra?<\/strong><br \/>Eu n\u00e3o sei por que Genebra. A minha vida \u00e9 guiada por&#8230; eu nunca podia imaginar que o Caminho de Santiago ia mudar tanto a minha vida. O Paulo Coelho \u00e9 um antes e outro depois do Caminho de Santiago. Pensando nisso, eu fiz o que eu tinha que fazer. Christina [Oiticica, artista pl\u00e1stica e esposa de Paulo, presente na entrevista] diz que pelos fondues&#8230; mas voltemos.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Paulo Coelho e Christina Oiticica\" height=\"1031\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/paulo-coelho-esposa-christina-oiticica-foto-divulgacao.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Paulo Coelho e Christina Oiticica (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Voltemos. Aquele encontro na praia, Paulo. \u00c9 real e verdadeiro? Voc\u00eas viram o disco voador ou n\u00e3o? <\/strong><br \/>Sim, e eu acredito que vimos. Eu n\u00e3o me lembro direito. Tem muita coisa da s\u00e9rie que n\u00e3o me lembro direito, mas sim. Eu me aproximei do \u00fanico cara que estava na praia, que era ele, e vimos o que pelo menos pensamos ser um disco voador.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, voc\u00eas realmente se conheceram a\u00ed?<\/strong><br \/>Na praia, \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Porque no seriado, \u00e9 aparentemente a mulher do Raul que recomenda a ele para procurar um parceiro, no caso, trabalhar com voc\u00ea. E voc\u00ea duvida muito, inicialmente, em fazer a parceria.<\/strong><br \/>Claro. Porque era m\u00fasica, e m\u00fasica era uma coisa, enfim, de segunda classe. Ent\u00e3o, para mim, intelectual cl\u00e1ssico daqueles anos, ficava muito contente se ningu\u00e9m me entendia. Eu n\u00e3o queria ser entendido, eu queria ser complicado. Ser um g\u00eanio sempre \u00e9 complicado. At\u00e9 que Raul\u2026 ele realmente tem esse m\u00e9rito. Ele disse: \u201cQue bobagem, cara. N\u00e3o tem nada a ver com isso. Ser g\u00eanio \u00e9 ser entendido\u201d.<\/p>\n<p><strong>Essa reflex\u00e3o do Raul foi que realmente os aproximou, gerou a parceria? Essa foi a fa\u00edsca?<\/strong><br \/>A fa\u00edsca foi que eu precisava de an\u00fancios. Ent\u00e3o, eu disse: \u201cP\u00f4, vou jantar com esse cara, da gravadora, porque pode ser que eu consiga um an\u00fancio com ele\u201d. E a\u00ed eu vi a m\u00fasica, mostrou as m\u00fasicas, principalmente essa \u201cOh! Seu mo\u00e7o! Do Disco Voador\u201d, que foi feita, se n\u00e3o me engano, baseada no nosso encontro na praia.<\/p>\n<p><strong>A necessidade do an\u00fancio se entende, OK. Mas a fa\u00edsca foi essa m\u00fasica. E a gravadora?<\/strong><br \/>Eu fiquei muito impressionado, porque aquilo era um mundo totalmente diferente de mim. Bom, a\u00ed na gravadora tinha salgadinhos, sabe? Eu disse: \u201cO cara tem salgadinhos\u2026 est\u00e3o me oferecendo salgadinhos, que horror!\u201d.<\/p>\n<p><strong>Risos&#8230;<\/strong><br \/>E eu doido para acabar com aquilo, n\u00e9? Ir embora com uma garantia de que eu teria um an\u00fancio, o que n\u00e3o consegui. Mas ouvi a m\u00fasica que ele me mostrou. Eu disse: \u201cQue cara interessante\u201d. A parceria veio naturalmente. N\u00e3o posso te especificar como a coisa foi evoluindo. Mas ele vivia l\u00e1 em casa, ia bater papo. No come\u00e7o, eu ainda tinha certa esperan\u00e7a de que ele ia me dar um an\u00fancio. Depois, passei a gostar da companhia dele. A\u00ed a gente ficava conversando abobrinha. A separa\u00e7\u00e3o foi a pris\u00e3o, a \u00fanica coisa que n\u00e3o \u00e9 fiel na s\u00e9rie.<\/p>\n<p><strong>Esse cap\u00edtulo, evidentemente, marcou muito voc\u00ea. Voc\u00ea acha que ele te dedurou quando o interrogaram? <\/strong><br \/>N\u00e3o. Tem uma biografia que diz que sim, mas n\u00e3o. Eu n\u00e3o acho. Antigamente todo mundo que era preso e solto e queria sair do pa\u00eds tinha que ir no DOPS para explicar porque queria sair do pa\u00eds. A\u00ed eu fui e uma vez um cara l\u00e1, no DOPS, botou assim para eu ver o resultado, n\u00e9? Ou seja, eu era t\u00e3o apavorado que nem olhei aquele papel. Olhei para o outro lado. Dizia: \u201cSe eu olhar e descobrir\u2026\u201d<\/p>\n<p><strong>Voltemos \u00e0 s\u00e9rie. Voc\u00ea se sentiu perfeitamente representado pelo ator Jo\u00e3o Pedro Zappa? Porque a voz dele \u00e9 igual \u00e0 sua.<\/strong><br \/>Inacredit\u00e1vel, n\u00e9? At\u00e9 achei que fosse intelig\u00eancia artificial, mas n\u00e3o. Eu gostei demais do cara. Fiquei muito surpreso da voz dele ser assim, sabe? Muito parecida com a minha. E os gestos, as falas\u2026<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 se comunicou com o ator? Ele te procurou antes das filmagens?<\/strong><br \/>Nada. At\u00e9 eu li uma entrevista na qual ele disse que n\u00e3o queria se deixar influenciar, mas n\u00e3o me procurou. Agora a Netflix vai fazer uma s\u00e9rie sobre o meu primeiro livro, \u201cO Di\u00e1rio de um Mago\u201d, e o ator me procurou. Vai ser o Rodrigo Santoro.<\/p>\n<p><strong>E Ravel Andrade, o ator que representa Raul? Ele parece represent\u00e1-lo muito bem.<\/strong><br \/>Claro! Eu olho para aquele cara e vejo o Raul.<\/p>\n<p><strong>Falou isso com o diretor da s\u00e9rie, Paulo Morelli? <\/strong><br \/>N\u00e3o. Eu tentei falar com o diretor, n\u00e3o consegui. Mas para agradecer. Acho que agradecer \u00e9 uma coisa importante. Fernando Meirelles, da produtora O2, me escreveu e agradeceu. Na mesma hora eu falei que tinha adorado a s\u00e9rie. E todo mundo estava esperando que me posicionasse, se eu adorei.<\/p>\n<p><strong>Paulo, voc\u00ea n\u00e3o considerava m\u00fasica e, portanto, obviamente n\u00e3o fazia letras de m\u00fasica at\u00e9 chegar a essa inst\u00e2ncia com o Raul, mas poesia: voc\u00ea j\u00e1 escrevia ou n\u00e3o?<\/strong><br \/>Uma vez algu\u00e9m escreveu a seguinte frase: \u201cMinha veia po\u00e9tica s\u00f3 fez-me prejudicar\u201d. Ent\u00e3o eu decidi nunca mais escrever poesia, apenas livros. Mas os livros eram ileg\u00edveis, n\u00e3o dava nem para ler, eu queria ser incompreendido.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem algum exemplar da Revista 2001?<\/strong><br \/>Boa pergunta. Acho que n\u00e3o [Christina acredita que ainda conservam um exemplar, prometeu procurar. \u201cMas at\u00e9 achar isso vai ser imposs\u00edvel\u201d, disse Paulo a Christina].<\/p>\n<p><strong>Aquele pseud\u00f4nimo que voc\u00ea usava, Augusto Figueiredo, a pessoa que Raul foi procurar na reda\u00e7\u00e3o da 2001, voc\u00ea tomou de onde?<\/strong><br \/>Eu inventei v\u00e1rios nomes falsos. No segundo n\u00famero, de um total de dois, Raul aparece como colaborador.<\/p>\n<p><strong>O disco voador era uma coisa j\u00e1 incorporada em voc\u00eas dois? Porque era uma \u00e9poca em que todos v\u00edamos algum disco voador. Essa \u00e9 a verdade. Era uma fantasia da \u00e9poca. <\/strong><br \/>At\u00e9 hoje eu sou capaz de afirmar, garantir, que n\u00e3o vi s\u00f3 um, mas v\u00e1rios discos voadores. Por exemplo, eu e Christina, fomos passar 40 dias no deserto. E eu posso jurar que vimos tr\u00eas discos voadores.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o esses discos voadores n\u00e3o eram alucina\u00e7\u00f5es das drogas de juventude? Mas elas liberavam voc\u00eas para tanta criatividade musical, ou n\u00e3o?<\/strong><br \/>Liberavam. Eu usava droga e achava tudo magn\u00edfico, tudo que eu escrevia era um espet\u00e1culo. Tudo passava perfeito, e era tudo uma droga\u2026 Ent\u00e3o, liberavam o lado mau \u2014 n\u00e3o vamos julgar, mas um lado que n\u00e3o tinha nada a ver.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, sem drogas, voc\u00eas teriam sido os mesmos triunfadores que foram naquele momento?<\/strong><br \/>Acredito que sim.<\/p>\n<p><strong>Ou talvez, sem elas, teriam ido ainda mais longe? <\/strong><br \/>\u00c9&#8230; Mas, o que matou Raul, e a s\u00e9rie mostra muito bem, \u00e9 a \u00fanica droga liberada que \u00e9 o \u00e1lcool. O \u00e1lcool matou ele. \u00c9 impressionante.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, na s\u00e9rie, aparece sempre como o mais controlado dos dois. Em todos os aspectos, voc\u00ea \u00e9 um pouco o fio terra dele. Era assim?<\/strong><br \/>Era assim. Eu acho que a s\u00e9rie \u00e9 muito fiel a esse aspecto.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea chega a cantar em um show, ou cantou em mais de um?<\/strong><br \/>S\u00f3 no Canec\u00e3o [extinta casa de shows do Rio de Janeiro].<\/p>\n<p><strong>Mas nunca passou pela sua cabe\u00e7a ser cantor?<\/strong><br \/>N\u00e3o! Foi pela cabe\u00e7a dos executivos da gravadora, que, depois que Raul se afastou, eu deveria me jogar como cantor. Eu disse: \u201cT\u00e1 doido?\u201d N\u00e3o era a minha.<\/p>\n<p><strong>Nesse momento em que Raul fica quatro anos afastado, praticamente sem gravar, nem ser chamado, e a gravadora coloca voc\u00ea a ajudar outros artistas, como Rita Lee, voc\u00ea teve qu\u00edmica tamb\u00e9m? Funcionou? Ou voc\u00ea acha que o carimbo de Raul estava por demais impregnado em voc\u00ea? <\/strong><br \/>O que aconteceu foi que fazer m\u00fasica com os outros cantores me dava dinheiro. Eu precisava desse dinheiro. Mercen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Falando em dinheiro, agora com este seriado, voc\u00ea j\u00e1 teve alguma informa\u00e7\u00e3o se as m\u00fasicas est\u00e3o tocando mais? A venda de seus livros aumentou?<\/strong><br \/>N\u00e3o sei da venda de livros porque a s\u00e9rie \u00e9 muito recente, n\u00e9? Mas o Roberto Menescal me ligou e disse que as m\u00fasicas voltaram a tocar. O que significa que, eventualmente, eu vou receber mais dinheiro de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, Paulo, voc\u00ea hoje recebe direitos de autor.<\/strong><br \/>\u00c9 incr\u00edvel. Mesmo antes da s\u00e9rie, eu recebi uma m\u00e9dia anual de\u2026 agora n\u00e3o posso te jurar. Voc\u00ea tem dois tipos de direitos de autor: execu\u00e7\u00e3o e venda de discos, t\u00e1? Venda de discos n\u00e3o existe mais, acabou. Recebo de execu\u00e7\u00e3o. Antes da s\u00e9rie, eu j\u00e1 recebia bastante. Eu podia viver, se eu quisesse, s\u00f3 de direitos de execu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas que fiz com Raul. \u00c9 um dinheiro significativo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Mas da venda de discos voc\u00ea j\u00e1 recebeu bastante, ent\u00e3o, durante muitos anos?<\/strong><br \/>Ah, sim, mas hoje em dia n\u00e3o existe mais disco, foi algo que acabou totalmente. Como sumiu o livro impresso, as livrarias e tanta coisa.<\/p>\n<p><strong>Sempre houve uma presen\u00e7a dessas m\u00fasicas, o \u201ctoca Raul\u201d. Agora voc\u00ea vai quadruplicar os ingressos por direitos autorais.<\/strong><br \/>Talvez, n\u00e3o sei.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Raul Seixas e Paulo Coelho em passeata em 1975\" height=\"904\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/paulo-coelho-raul-seixas-passeata-1975-foto-reproducao.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Raul Seixas e Paulo Coelho em passeata em 1975 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O irm\u00e3o de Raul, Pl\u00ednio, que aparece bastante nas cenas de inf\u00e2ncia, s\u00f3 reaparece no \u00faltimo cap\u00edtulo, ele sempre ficou na Bahia. Era algu\u00e9m que tinha um contato frequente com Raul? Tinha a ver com m\u00fasica? Eles aparecem como muito pr\u00f3ximos.<\/strong><br \/>Eu nunca tive muito contato com o irm\u00e3o do Raul, mas acho que no \u00faltimo cap\u00edtulo \u00e9 o Sylvio Passos, o chefe do f\u00e3 clube dele, n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Sim, Sylvio Passos aparece como chefe do f\u00e3 clube. Mas n\u00e3o \u00e9 o irm\u00e3o.<\/strong><br \/>Eu era considerado como o cara que desencaminhou o Raul. Como se o Raul n\u00e3o fosse adulto, vacinado e entendesse muito bem da vida. Ent\u00e3o as pessoas me culparam. Me culpam at\u00e9 hoje por desencaminhar Raul.<\/p>\n<p><strong>A interpreta\u00e7\u00e3o que fiz do seriado \u00e9 que voc\u00ea era justamente o contr\u00e1rio.<\/strong><br \/>Sem d\u00favida. Mas veja bem. Eu sugeri a ele a fumar e experimentar a primeira maconha. Mas isso n\u00e3o me tirava de ser o fio terra, porque o Raul entrou nessa do \u00e1lcool, que o seriado mostra muito bem. Ele j\u00e1 bebia. E \u00e9 muito dif\u00edcil, muito duro.<\/p>\n<p><strong>Raul sofria mesmo a dist\u00e2ncia das filhas? <\/strong><br \/>Eu acho que uma das coisas que matou o Raul \u2014 isso \u00e9 uma especula\u00e7\u00e3o minha \u2014, foi a aus\u00eancia da fam\u00edlia. No final, ele estava ali, abandonado por todos. Minha esposa, Christina, o viu em Noites Cariocas e viu como xingavam ele; muito agressivos com ele, sabe? Ent\u00e3o, ele teve um final de vida muito triste, mas muito triste. Enfim.<\/p>\n<p><strong>Do que sente mais saudade? De Raul ou daquela \u00e9poca com Raul? <\/strong><br \/>De nada. Eu n\u00e3o tenho saudade. Eu acho que vivi ali tudo que podia viver. Saudade est\u00e1 ligada a uma sensa\u00e7\u00e3o. Como eu vou te definir? Eu vou te dar um exemplo: fiz o Caminho de Santiago em 1986, e nunca tive saudade. Depois fiz por v\u00e1rias vezes, de carro, para levar equipes de televis\u00e3o e essas coisas todas, mas saudade n\u00e3o tive e nem tenho. No momento em que eu estava fazendo o Caminho de Santiago, estava totalmente l\u00e1. Com Raul, mesma coisa. Eu tenho saudade nenhuma, porque sempre segui um princ\u00edpio na minha vida, que \u00e9 fazer a coisa com toda a intensidade.<\/p>\n<p><strong>Por que voc\u00eas nunca internacionalizaram suas m\u00fasicas? Se for pelo seriado, d\u00e1 a impress\u00e3o que voc\u00eas nunca tentaram essa possibilidade de cruzar a fronteira, fazer shows fora.<\/strong><br \/>M\u00fasica brasileira \u00e9 m\u00fasica brasileira, t\u00e1? A m\u00fasica do Raul n\u00e3o era brasileira. Era muito\u2026<\/p>\n<p><strong>Mas era o que funcionava na \u00e9poca, era isso que a gente queria escutar aqui e no exterior. Ali\u00e1s, quero que me fale de Elvis Presley, uma inspira\u00e7\u00e3o musical no mundo inteiro.<\/strong><br \/>Isso. Mas n\u00e3o para mim. Raul me converteu ao Elvis Presley. A minha inspira\u00e7\u00e3o era muito mais os Beatles. Lembro de, quando Elvis morreu, encontrei com Raul e ele disse: \u201cN\u00e3o toque neste assunto, porque eu estou sofrendo muito\u201d. Ele falou isso. Para mim foi uma morte e pronto. Quando John Lennon morreu, sofri muito.<\/p>\n<p><strong>Faz sentido. Na parceria de voc\u00eas, se Raul era Elvis, Paulete, como ele chamava voc\u00ea, era Lennon.<\/strong><br \/>Exatamente\u2026<\/p>\n<p><strong>Mas, Paulo, o palco que tinha Elvis era uma coisa \u00fanica, especialmente para a \u00e9poca. E isso contagiava.<\/strong><br \/>Voc\u00ea viu uma s\u00e9rie sobre o Elvis? Que ele vai decaindo, decaindo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um final tr\u00e1gico semelhante ao de Raul, uma associa\u00e7\u00e3o de final semelhante. Ambos est\u00e3o um pouco esquecidos, retornam&#8230; e vem a morte. Se Raul n\u00e3o tivesse morrido como morreu, seria o mito que foi depois?<\/strong><br \/>O mito exige a morte. Exige trag\u00e9dia. Carlos Gardel [cantor argentino morto em 24 de junho de 1935] \u00e9 um \u00f3timo exemplo: porque o avi\u00e3o caiu, virou o mito. Ele ainda \u00e9 importante na Argentina?<\/p>\n<p><strong>Sim, \u00e9 mito. Quem quer ficar na hist\u00f3ria, tem que morrer jovem, no auge da carreira e tragicamente.<\/strong><br \/>Pelo amor de Deus!<\/p>\n<p><strong>\u00c9 interessante como o comportamento humano funciona nesse sentido. Voc\u00ea n\u00e3o quer escrever um livro, alguma coisa \u201cPaulo e Raul\u201d, digamos?<\/strong><br \/>N\u00e3o, hoje nem pensar. Comecei. J\u00e1 faz muitos anos. Vou para a casa do Raul e no caminho sou abordado dentro do \u00f4nibus pela pol\u00edcia, que pede documentos de todo mundo. E fui escrevendo. A\u00ed Cristina disse: \u201cN\u00e3o \u00e9 bom voc\u00ea lan\u00e7ar esse livro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea? <\/strong><br \/>Porque \u00e9 um livro que estimulava um pouco essa coisa da autodestrui\u00e7\u00e3o. Hoje est\u00e1 tudo bem, o Raul \u00e9 o mito que ele \u00e9. Mas compensou? N\u00e3o sei.<\/p>\n<p><strong>Esse livro hoje funcionaria com algum retoque que modifique um pouco esse incentivo \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>A\u00ed n\u00e3o d\u00e1. Ou a gente escreve, ou n\u00e3o escreve. N\u00e3o d\u00e1 para suavizar, sabe?<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, ainda com seu tremendo sucesso como escritor, foi muito generoso quando disse que parte desse sucesso \u00e9 devido ao Raul, que te ajudou a simplificar. Foi?<\/strong><br \/>Exatamente. Porque eu lembro da primeira vers\u00e3o de \u201cAl Capone\u201d, por exemplo, que <br \/>escrevi uma letra que acabava nunca. Raul disse: \u201cO que \u00e9 isso?\u201d A\u00ed eu perguntei: \u201cO que voc\u00ea quer que eu bote? \u2018Hei, Al Capone, v\u00ea se te emenda\u2019?\u201d E ele disse: \u201c\u00c9 isso!\u201d J\u00e1 \u201cG\u00eet\u00e2\u201d, por exemplo\u2026<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a que voc\u00ea mais gosta&#8230; <\/strong><br \/>N\u00e3o, eu gosto de tudo que a gente fez, t\u00e1? Mas \u00e9 que uma aposta era essa. A\u00ed, \u201cG\u00eet\u00e2\u201d era uma letra que a gente fez rapidinho. Demorei uma \u2014 n\u00e3o estou longe da verdade, n\u00e3o \u2014 meia hora para fazer toda a letra. A\u00ed eu mesmo disse: \u201cVamos cortar, porque nenhuma gravadora vai se interessar por isso\u201d. E Raul respondeu: \u201cN\u00e3o corta, deixa\u201d. A\u00ed que est\u00e1 a sabedoria do Raul: saber quando cortar e quando deixar.<\/p>\n<p><strong>Ele tinha o ritmo musical, pois ele primeiro foi produtor musical, ent\u00e3o tinha essa coisa dos tempos. Tinha experi\u00eancia com tudo o que foi produzido no est\u00fadio da CBS para outros artistas, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>Exato, mas o sonho dele era ser cantor. E o meu era ser escritor.<\/p>\n<p><strong>Os dois conseguiram.<\/strong><br \/>\u00c9, ele virou cantor e eu escritor. Hoje em dia eu estou com 352 milh\u00f5es de livros vendidos no mundo inteiro. E traduzidos em 89 l\u00ednguas. S\u00f3 na Espanha s\u00e3o quatro l\u00ednguas, basco, catal\u00e3o, castelhano e galego. Ent\u00e3o \u00e9 sempre almejando ir o mais longe poss\u00edvel, entende?<\/p>\n<p><strong>E seus livros est\u00e3o em muitos lugares que n\u00e3o te pagam os direitos. Eu lembro do Afeganist\u00e3o, onde as vendas foram um sucesso inacredit\u00e1vel e nunca cobrou um direito. Voc\u00ea viajou para Cabul para ver isso?<\/strong><br \/>N\u00e3o tem direitos. E ao contr\u00e1rio, eu fiquei muito orgulhoso de ver as pessoas vendendo meus livros nos sinais de tr\u00e2nsito l\u00e1. Porque tudo que um escritor quer \u00e9 ser lido.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem ci\u00eancia de que todo mundo est\u00e1 novamente falando de voc\u00ea? Devido ao seriado, no qual voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o protagonista quanto Raul.<\/strong><br \/>Menescal me falou. N\u00e3o, n\u00e3o tenho no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 impressionante. \u00c9 a s\u00e9rie mais vista no Globoplay e acho que no Brasil \u00e9 a mais vista de todas.<\/strong><br \/>Gostaram da s\u00e9rie?<\/p>\n<p><strong>Sim. Quero assistir novamente. Vi toda ela de uma vez.<\/strong><br \/>Eu tamb\u00e9m, n\u00e3o consegui parar. E ficando emocionado, essas coisas todas. No final, estava em prantos, cara. \u00c9 uma coisa muito importante. De maneira que, claro, a \u00fanica coisa n\u00e3o muito fiel foi quando eu sa\u00ed da pris\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mas, em um seriado de oito cap\u00edtulos, que s\u00f3 tenha esse detalhe, \u00e9 uma maravilha. Sinceramente, h\u00e1 seriados que realmente deturpam muito a realidade. <\/strong><br \/>Esse da\u00ed deturpou nada. A primeira coisa, quando acabei de ver, comecei <br \/>a procurar desesperadamente o telefone do diretor para agradecer a fidelidade que ele teve com a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>E ele n\u00e3o&#8230;<\/strong><br \/>Eu postei uma coisa sobre a s\u00e9rie no meu Instagram. Tive 1.400 coment\u00e1rios. Nunca tive tantos. Pelo visto, a coisa tocou mesmo.<\/p>\n<p><strong>E continua tocando, h\u00e1 muita gente que ainda vai v\u00ea-la. A prop\u00f3sito, quando vem o seriado da vida de Paulo Coelho?<\/strong><br \/>Ah, cara\u2026<\/p>\n<p><strong>Acho que seria muito interessante.<\/strong><br \/>Voc\u00ea acha? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>Especialmente depois desse seriado. Voc\u00ea \u00e9 uma das poucas personalidades brasileiras que tem uma aura que deambula entre o intelectual e o m\u00edstico, com um talento inclinado \u00e0 diversidade. Todo mundo conhece voc\u00ea, mas o fato de voc\u00ea n\u00e3o morar no Brasil cria certo enigma. Seria uma s\u00e9rie traduzida em 89 l\u00ednguas. Paulo Coelho \u00e9 muito mais do que literatura.<\/strong><br \/>Hmmm.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Paulo Coelho em 1971\" height=\"1095\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/paulo-coelho-1971-foto-reproducao.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Paulo Coelho em 1971 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Est\u00e1 preparando um novo livro?<\/strong><br \/>N\u00e3o, nenhum.<\/p>\n<p><strong>Prefere estar relaxado, tranquilo? <\/strong><br \/>Ao contr\u00e1rio, eu acho que o trabalho faz falta. Se eu come\u00e7ar a fazer coisas \u00e9 para&#8230; \u00c9 mais para fingir que estou fazendo alguma coisa.<\/p>\n<p><strong>Abra\u00e7o, Paulo. E obrigado, especialmente porque sei que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 dando entrevistas.<\/strong><br \/>Deus aben\u00e7oe voc\u00ea hoje. E at\u00e9 breve.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/noticia\/paulo-coelho-o-que-matou-raul-seixas-e-a-unica-droga-liberada-o-alcool\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os n\u00fameros conseguem explicar uma pessoa, n\u00e3o importa a equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica desses n\u00fameros, mas sim esse algu\u00e9m \u201ca mais\u201d que os n\u00fameros explicam; esse algu\u00e9m que ultrapassa a soma zero na teoria dos jogos humanos. Paulo Coelho \u00e9 uma dessas pessoas. 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